The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
47 Epílogo
Notas iniciais
“O mundo é feito de escolhas. E essas, na maior parte das vezes, não são nada fáceis.”
“Terceiro andar...”, Bella suspirava ao olhar ao seu redor, “Como aqueles novatos que me fizeram de leprosa devem estar mordendo o rabo de inveja nesse momento.”, ela riu com esse pensamento ao voltar pra sua mesa, arrumando seus poucos pertences sobre ela.
A sala consistia em um aposento amplo, mobiliado com uma mesa de carvalho, uma estante (com alguns livros que o próprio Caleb tinha lhe dado. Em meio a eles estava o exemplar de “Além das Palavras”, que tanto lhe chamara a atenção certa vez no escritório de Edward.), uma poltrona com mesa de canto e mais alguns objetos decorativos. Sem contar que o ambiente era muito iluminado graças às janelas de vidro que decoravam a parede.
Bella estava organizando seus blocos de anotações novos em folha junto aos demais materiais de escritório que havia ganho quando leves batidas na porta a sobressaltaram de leve.
- Pode entrar. – ela disse num tom forte ao olhar em direção a porta que aos poucos foi se abrindo. Então seu coração certamente perdeu uma batida quando a figura abatida de Edward passou por ela, entrando no escritório. – Edward. – Bella sussurrou ao levantar-se de sua cadeira, mas não tendo coragem de sair de seu lugar atrás da mesa. Seus olhos castanhos se encontraram com o verde dos olhos dele. E ela jamais vira naqueles adorados olhos tamanho pesar.
- Oi, Bella. – Edward cumprimentou com uma sombra de sorriso em seus lábios. – Soube agora que você conseguiu um escritório aqui junto de nós.
- Sim, consegui. – ela concordou ao engolir em seco. – Ainda estou em experiência, sabe? Caleb irá encaixar-me em alguns treinamentos pra que eu esteja apta a um trabalho em campo aberto. Como ele mesmo disse, nada de precipitações.
- Então, por hora, você não pegará casos sozinha, é isso? – Edward quis saber ao dar mais dois passos em direção a mesa. Bella refreou em si mesma a vontade de afastar-se ainda mais em direção a parede atrás de si.
- Sim, pelo que parece é isso. – ela confirmou. – Não até que eu esteja pronta. Afinal, agora tudo o que eu faço e o que acontece comigo está diretamente ligado a Agência, não? Não é mais como o caso de Vanessa, onde eu estava numa coisa mais solo.
- Bella... – Edward enfim tomou coragem pra puxar o assunto, a garota então fechando seus olhos por um momento ao ouvir toda a angústia que devorava o rapaz por dentro. Era a mesma angústia que a consumia de igual forma. – Bella... eu nem sei como me desculpar pelo que fiz.
- Não precisa, Edward. – ela sussurrou ao abrir lentamente seus olhos, voltando a encarar o rosto do rapaz. E ela, naquele momento, não usou de muro ou defesa alguma: era apenas ela e sua tristeza em suas delicadas feições. – Sinceramente, não precisa. Nós dois erramos, essa é a verdade. Eu por ter me recusado a lhe falar sobre as coisas que aconteciam comigo quando você tanto exigia isso; você por ter exigido tanto quando eu nada podia te dar. E no final, ambos pagamos por isso. Acho que, no fim, quem te deve desculpas sou eu.
- Está doida? – ele desacreditou ao cruzar o espaço que os separava, ficando então em pé em frente a ela, a mesa entre os dois. E havia tanta intensidade em seu olhar... – Você nunca me fez mal, Bella! Nunca mesmo. Eu não consigo imaginar como esteja seu coração depois de tudo pelo que você passou... e eu, que deveria lutar pra te ajudar como podia, apenas dificultei ainda mais as coisas pra você.
- Se hoje sou alguma coisa além daquela menina de roupas largas e fones de ouvido, isso eu devo a você, Edward. – ela declarou fazendo com que o rapaz se boquiabrisse, sem palavras pra rebater o que ela dizia. – Depois que me apaixonei por você, minha visão sobre o mundo mudou muito. Você me fez enxergar que as verdades nem sempre são verdades assim como as mentiras nem sempre são mentiras. Você me fez entender quem eu era, Edward, assim como me fez entender que eu poderia escolher quem eu poderia me tornar. Você é a pessoa mais importante da minha vida... por isso não posso deixar que se martirize por erros cometidos num momento de extremo nervosismo.
- Então... – ele engoliu em seco, sua mente visivelmente lutando pra processar tudo o que ela lhe dizia. – Então você me perdoa?
- Perdoar? – ela sorriu tristemente enquanto sentia lágrimas rolarem por seus olhos. – Não há o que perdoar. Eu disse coisas que não deveria ter dito quando soube do que você tinha feito. Estando certas ou não, existem coisas que não podem ser ditas. Que não devem ser ditas. Por isso eu digo que nos magoamos mutuamente. Nos machucamos mutuamente. E é por isso que se eu devo te perdoar, você também precisa me conceder seu perdão.
- Eu... – Edward tentou interrompe-la, fazendo menção de contornar a mesa pra estar junto a ela. Mas Bella ergueu uma das mãos tanto pra avisá-lo de que ela não acabara de dizer o que estava dizendo quanto pra impedi-lo de ir até ela.
- Mas não podemos ficar mais juntos. – ela disse numa voz trêmula, repleta das lágrimas que desciam por seu rosto. Os olhos verdes de Edward se arregalaram diante daquelas palavras, a neblina das lágrimas logo se fazendo presentes como um véu diante deles. – Você sabe que isso não dará certo. Tentamos, tentamos e tentamos, mas no fim só saímos machucados dessa relação conturbada. Claro que guardo em mim nossos melhores momentos, momentos que jamais irei esquecer, mas... acredito que seja em nome deles que eu digo: pra mim, acabou. Não me vejo confiando em você novamente, Edward, assim como não o vejo ao meu lado quando eu precisar desabafar sobre as coisas incomuns que acontecem comigo.
- Acho que você tem razão. – ele suspirou e fechou os olhos passando as mãos pelos cabelos, seus lábios apertados enquanto parecia refletir sobre aquilo tudo. – Eu gosto muito de você. Muito, muito mesmo. Mas não estou preparado pra isso. Não consigo... nem sei o que dizer sobre toda essa loucura que se tornou nossas vidas, Bella. Não quero te ferir, não quero te magoar, não quero perder sua amizade, que é o que mais prezo. Não quero dizer adeus, não quero de forma alguma pôr um ponto final na nossa história: acredito apenas que precisemos de um tempo. Um tempo pra pensar em tudo o que passamos até aqui.
- Tirou as palavras da minha boca. – Bella sorriu de leve ao sair detrás da mesa, chegando ao lado de Edward que se virou pra estar de frente pra ela. – Não quero que saia de minha vida. Por isso sei que não podemos mais namorar.
- Também não suportaria perder você. – Edward sussurrou ao puxar Bella pra um apertado abraço, aspirando profundamente o perfume delicioso de seus cabelos. Céus, como sentiria falta dela! Mas pra mantê-la ao seu lado tinha que afastar-se... pelo menos por um tempo. – Só espero que um dia a gente possa se acertar. Adoraria passar minha vida toda ao seu lado.
- Eu também. – Bella suspirou ao agarrar o terno de Edward com mais firmeza, seu rosto oculto nas dobras do tecido. – Eu também.
Então ficaram ali, por um tempo abraçados. Aquela era uma decisão muito difícil de tomar, disso eles tinham certeza. Doía seus corações ao saber que não partilhariam mais da companhia um do outro como antes... doía saber que o calor do corpo do outro não mais aqueceria a cama depois de uma noite de amor intenso... doía, sim, doía saber que aquela era a única coisa que podia ser feita.
Pois quando não há compreensão e confiança... não existe relação. Apenas o amor não é suficiente, por maior que ele possa ser.
Eles não verbalizavam a intensidade do maior de todos os desejos que, naquele momento, partilhavam. O desejo de que, um dia no futuro, ambos tivessem resolvido seus problemas, encontrado sua identidade e compreendido as atitudes do outro naquele meio tempo em que tinham sido namorados. E assim, quando as diferenças não fossem tão gritantes, eles pudessem olhar nos olhos um do outro e dizer o quanto se amavam.
Que então pudessem viver todo esse amor.
Mais uma vez naquela tarde se fez ouvir na sala leves batidas na porta, o casal se separando, limpando as lágrimas discretamente enquanto Bella ia atender quem quer que estivesse do lado de fora.
- Srta. Swan? – a funcionária perguntou assim que a figura de Bella surgiu quando ela abriu a porta.
- Sou eu. – a garota respondeu e então recebeu uma caixa das mãos da jovem que, agora ela sabia, entregava as correspondências do prédio.
- Está em seu nome essa correspondência embora não haja descrição sobre a sala. – a jovem explicou enquanto lhe passava a misteriosa caixa.
- E como soube que eu estava aqui? – Bella perguntou ao assinar o canhoto que a garota lhe passara, apoiando-o no topo da correspondência pra que tivesse firmeza pra escrever.
- Eles já atualizaram seus registros na recepção. – a jovem deu de ombros com um sorriso simpático. – Foi só perguntar.
- Ah, entendi. – Bella sorriu de volta. – Obrigada.
- Não há de que. – a jovem respondeu ao despedir-se e afastar-se pelo corredor. Bella então pôde voltar pra dentro da sala, analisando com curiosidade a caixa que recebera em mãos.
- O que houve? – Edward perguntou ao aproximar-se.
- Uma caixa pra mim. – Bella respondeu enquanto caminhava em direção a mesa, colocando então a caixa sobre o tampo desta. – Veio pelo correio. Quem me mandaria algo pelo correio endereçado pra cá?
- Não há remetente? – Edward questionou enquanto analisava a caixa junto com Bella.
- Não, não há. – ela respondeu com o cenho franzido ante a estranha situação. – Só o destinatário.
- Será perigoso? – Edward perguntou numa voz lenta ao que Bella deu de ombros.
- Só saberemos depois de abri-la. – e nem deu ouvidos aos protestos de Edward ao desfazer-se do selamento da caixa e abri-la sem qualquer cerimônia.
Então um grito de puro horror explodiu em seu peito, saindo por sua boca antes que ela pudesse contê-lo. Edward a puxou por um braço e a aninhou contra si, Bella escondendo seu rosto mais uma vez contra o corpo do rapaz que fitava, chocado, o conteúdo da caixa.
Ele não sabia o que significava aquilo, assim como Bella também desconhecia tal significado. Mas o que os olhos dele não puderam identificar, ela pôde.
Pois dentro daquela caixa, protegida por um saco plástico, estava a sangrenta cabeça de James Mitchel.
xxx
Os rapazes uniformizados o conduziam pelo longo corredor. Ali, o silêncio reinava, sendo rompido vez ou outra por gritos que vinham de dentro dos inúmeros aposentos de portas fechadas.
Fazia muito tempo que ele não vinha até ali. Na verdade, ele decidira que não fazia sentido estar ali, mesmo que essa fosse sua maior vontade. Ela nunca o reconhecera em todas as suas muitas visitas. Nunca dera demonstrações de que sabia que ele estava ali, ao seu lado.
Então pra que correr riscos de ser descoberto se não valia realmente a pena?
Seus pensamentos estavam em completa desordem. Ele nem mesmo sabia por que viera praquele maldito lugar! Mas, de alguma forma, ele acreditara ser essa uma necessidade naquele momento. Não sabia por que, mas precisava estar ali. Precisava vê-la.
Despertou de seus devaneios quando um dos enfermeiros abriu a porta de um dos quartos, indicando-lhe a entrada. Edward então agradeceu com um movimento de cabeça, entrando no pequeno quarto. Não demorou muito pra que seus olhos a localizassem, sentada na única poltrona do aposento, seu olhar perdido ao fitar as janelas que davam pro jardim.
Aquele olhar de sempre: vazio, inexpressivo. Perdido.
Cruzou o pequeno espaço que os separava e prostrou-se ao lado da mulher, ajoelhando-se pra estar numa altura que tornasse possível a tarefa de encarar-lhe o rosto pálido e inexpressivo. Os olhos de Edward Cullen encheram-se de lágrimas quando ele levou uma das mãos até as magras mãos da mulher, que jaziam inertes em seu colo, apertando-as levemente.
- Desculpe por não ter vindo antes, – ele sussurrou ao inclinar-se e depositar um leve beijo na face ainda inexpressiva da mulher a sua frente. — mamãe.
Notas finais
Pontos importantes que irão definir a linha da terceira temporada estão nesse epílogo. Nem abro meu bico pra dizer coisa alguma sobre...
Bem, quero agradecer a todos que me acompanharam até aqui e, praqueles que não deixaram ainda sua marca nessa fic, pedir pra que deixem nesse último review tuuuuuuuudo o que passou, o que se passa e o que ainda passará por sua mente ao pensar ou reler The Art of the Lie. Adorarei ler. =)
Bjinhos no coração, até a terceira temporada!
Obs: ela será postada nesse mesmo link. ;)
Fale com o autor