Notas iniciais
Nem tive coragem pra betar esse capítulo... então qualquer erro me avisem, sim?

“Todos nós carregamos, no mais profundo de nosso ser, terríveis segredos. Um fato, um acontecimento, um medo, um amor, uma escolha, um erro... sem exceção, todas as pessoas escondem seus segredos. Às vezes, por temer a verdade ou, às vezes, apenas por saber que, se tal segredo for contado... as consequências serão absurdas. Simplesmente absurdas.”

- A senhora é mãe de Isabella Swan? – Damon foi o primeiro dos dois a recuperar a capacidade da fala. Edward ainda estava boquiaberto, encarando o rosto precocemente envelhecido. Quantos anos teria aquela mulher? Por mais que a vida lhe tenha maltratado, Marie não poderia ter menos do que 50 anos. Sua expressão fazia acreditar que ela já estivesse na casa dos 60, mas... bem, como alguém poderia saber ao certo? – Não quero ser rude nem nada, mas... isso é uma daquelas coisas estranhas sobre as quais a senhora tem certeza ou apenas esqueceu de tomar seu remédio?

- Não sou louca, apesar de estar internada em um sanatório. E você já ouviu verdades demais de minha boca pra duvidar de minha sanidade. – Marie retrucou, não parecendo ter realmente se ofendido com a insinuação de Damon. – Aqui foi o único lugar no qual encontrei paz depois de muito tempo. E, graças a um grande amigo, esse lugar foi cercado por magia das mais antigas, apagando qualquer sinal que poderia trazer-me problemas externos. Depois de tantos anos fugindo, é realmente uma dádiva poder dormir em paz.

- Eu... eu não entendo absolutamente nada. – Edward enfim falou, ainda com a expressão confusa de antes. – Depois de todas aquelas coisas assustadoras que nos aconteceram, vim até aqui pensando que teria todas as respostas. Aí então vem você e me lança mil e quinhentas novas perguntas! Como assim você é mãe de Isabella? A mãe dela morreu graças à ruptura de um aneurisma, pelo que sei. E quantos anos você tem? Não estaria meio... velha pra ser mãe dela?

- Cara, pega leve com a senhora. – Damon o repreendeu, cutucando o braço de Edward afim de chamar sua atenção. – Não seja mal educado; e se ela não quiser mais falar com você depois disso? – nem mesmo parecia que ele tinha sugerido que Marie estivera delirando momentos antes. Edward apenas lançou um olhar incrédulo em direção ao amigo, logo voltando a encarar a idosa precoce à sua frente.

- Tudo bem, Damon Salvatore. – Marie sorriu, fazendo um gesto despreocupado. – Edward Cullen tem razão em estar tão agitado. Afinal, ele lutou tanto pra saber sobre a vida de Isabella... lutou tanto que isso acabou no rompimento do relacionamento de ambos. É natural que ele se altere ao perceber que, apesar de tudo, ainda existe muito que ele desconhece.

- Então me diga o que preciso saber, pelo amor de Deus! – Edward se alterou, mas depois olhou ao redor, temendo ter chamado a atenção dos enfermeiros. Não queria ser expulso dali antes que pudesse absorver tanto quanto fosse possível daquela mulher. Ele acreditando ou não, saber alguma coisa era muito melhor do que não fazer ideia do que acontecia.

- Pessoas como Bella e eu são únicas. – Marie explicou, parecendo não se importar com a agitação dos rapazes. – E quando digo únicas não estou usando de linguagem figurativa; apenas eu poderia ter dado à luz a uma menina com o dom que Bella carrega em si. Somente eu poderia tê-la trazido ao mundo.

- Mas vocês não são os únicos Naturais do mundo todo, não é? – Edward não se conteve em provocar, ganhando um olhar nada amigável de Damon. O rapaz parecia ansioso em saber sobre as coisas que Marie tinha a lhes contar. – Oras, mas eu não tenho razão?

- Em parte, tem. – foi Marie quem respondeu. – Pois você conhece alguns Naturais, não? Caleb foi o primeiro a quem você conheceu mesmo, mas, em todos esses anos, você já esbarrou com um ou outro. Até encontrar Bella, Caleb era mesmo o único Natural com quem você convivia quase diariamente. Acredito que você não conheça aquele que veio ocupar seu lugar na agência e tentar também ocupar tal lugar no coração de Bella, não é mesmo? Apenas Damon teve o desprazer em conhecê-lo.

- É. – Damon confirmou num resmungo. Depois de tudo, ele tinha ainda maiores razões pra não gostar daquele maldito francês de rostinho bonito.

- Mas me digam, rapazes. – Marie prosseguiu. – Quantas são as Naturais que vocês conhecem? As mulheres, eu quero dizer.

- Bem, tem a Bella... – Edward disse e parou pra pensar por um momento, voltando seu olhar até Damon, que também parecia pensativo. – Tem a Bella... – Edward repetiu, forçando sua massa cinzenta a trabalhar mais depressa. Ele tinha que se lembrar de mais alguma... não tinha?

- Não adianta pensar, rapazes. – Marie disse o óbvio, um sorriso brincando no canto de seus lábios. – Por mais que pensem, só se lembrarão de Bella e de mim por que, no mundo todo, só existimos nós duas. Os demais Naturais são todos homens, sem exceção.

- Como isso é possível? – Damon se espantou. – Existe alguma lógica nisso?

- Quer a verdade ou apenas uma parte dela, explorada pela ciência? – Marie perguntou com uma pontada de provocação em sua voz.

- Queremos toda a verdade. – Edward respondeu num tom de voz firme. – Sendo ela crível ou não.

- Pois bem. – Marie suspirou, sentando-me mais ereta. Sem nada dizer, ela levou sua mão até o livro que descansava na mesinha ao lado de sua cadeira, pegando-o e estendendo-o em direção a Edward, que apenas o encarou por um momento, sem saber o que fazer. – Está tudo aqui, rapaz. Trago-o todos os dias aqui pra fora há anos na esperança de que pudesse vê-lo e passar tal história, mesmo que você não acreditasse em uma vírgula do que aqui está. Há anos sei, Edward, que você está no destino de Bella. Salvá-la é sua missão, filho. E você não pode falhar.

Sem saber o que dizer ou fazer, Edward apenas aceitou o tal livro, observando-o por um curto momento. Era um exemplar muito antigo, encapado em couro gasto e sem qualquer escrito que indicasse seu assunto. Abrindo-o, Edward espantou-se ao perceber que ele fora todo escrito a mão, em tinta preta; a caligrafia remetia o rapaz anos e anos no tempo, já que na atualidade não havia quem escrevesse daquela forma. Só uma caneta tinteiro deixaria tal impressão em uma folha. E por falar em folha... do que eram feitas as folhas daquele livro?

- Quantos anos tem esse negócio? – foi Damon quem perguntou, tendo espiado enquanto Edward observava o livro.

- Muitos e muitos, isso é certo. – Marie esclareceu sem nada esclarecer. – Sua idade se perdeu no tempo enquanto ele passava de mão em mão. Hoje devem existir poucos exemplares de tal livro, mas nenhum deles é tão especial quanto esse. Pois nele a história está completa e nos demais... bem, lá existe apenas o bastante pra que eles saibam o lugar ao qual pertencemos.

- O lugar ao qual vocês pertencem? – Edward perguntou, desviando sua atenção do livro pra encarar Marie. – O que quer dizer com isso?

- Não tenho paciência pra contar histórias. – Marie suspirou, voltando a recostar-se na cadeira. – E você precisa de tempo pra assimilar por si mesmo, não de alguém pra juntar os pontinhos pra você.

- Nós falamos e falamos, mas acabamos por fugir do assunto central. – Damon lembrou, olhando de Edward pra Marie, parecendo estar mais perdido do que nunca. – Como é possível que você seja mãe de Bella? Se isso é mesmo verdade, por que ela acredita ser filha de uma mulher que morreu anos e anos atrás? Afinal, o que diabos está acontecendo?

- Tudo a seu tempo, Damon Salvatore. Agora, acalme-se; há muito que ser feito pra que possamos nos dar ao luxo de nos entregarmos a histeria. – Marie respondeu em um tom de voz calmo, seus intensos olhos castanhos fixos no rapaz que, estranhamente, relaxou. Nem mesmo ele sabia como isso era possível, mas aqueles olhos... o que havia com aqueles olhos? Era como se Marie tivesse o controle sobre suas emoções. Desde a primeira vez na qual haviam se falado, aquele olhar o prendeu e praticamente o obrigou a ouvir tudo o que aquela mulher tinha a dizer.

Quanta coisa havia que eles desconhecessem? Quanta coisa havia sobre Isabella Swan que ainda os surpreenderia?

- Eu... o que posso fazer pra ajudar? – Edward perguntou ao desviar seus olhos do misterioso livro, voltando a encarar Marie. – E quando terei todas as respostas?

- Primeiro, você precisa ler esse livro. – ela repetiu. – Depois, te conto tudo o que há pra saber.

- Mas Edward está sendo caçado! – Damon lembrou. – Ele não pode ficar circulando por aí. Precisamos resolver isso logo pra que ele...

- Você é extremamente imediatista, isso é evidente. – Marie o interrompeu, lançando-lhe um olhar repreensor. – Temos que agir com cautela, Damon Salvatore. Aqueles contra os quais lutamos nunca dormem; eles respiram seu propósito. Tenho me concentrado durante todos esses anos em livrar Isabella de todo esse mal que a cerca. Não posso me precipitar agora.

- Por que nunca se aproximou? – Edward perguntou num quase sussurro, chamando a atenção de Marie novamente pra si. – Por que nunca permitiu que ela soubesse que não estava sozinha no mundo? Por que, Marie? Bella sofreu horrores nas mãos de pessoas terríveis durante esses longos anos desde que... bem, sua mãe morreu, seu pai foi assassinado e sua irmã se suicidou. Você sabia disso?

- Não existe nada que eu não saiba, Edward Cullen. – Marie respondeu num tom de voz seco, mas seus olhos brilhavam pelas lágrimas que os umedecia. – E acredite que me matou um pouco a cada dia não poder me aproximar de minha menina. O sofrimento é necessário pra que o amadurecimento aflore; eu sabia que, apesar de ter que passar por duras coisas, minha menina não permitiria que as trevas a consumisse. Esperei por esse momento desde que essa batalha tornou-se coisa certa. Mas antes disso... se eu me aproximasse, eles saberiam. E então a tomariam antes que eu pudesse fazer algo a respeito.

- Você está nos matando de curiosidade e preocupação. – Damon admitiu. – O que faremos enquanto Edward lê esse livro? Por que ele não pode voltar ao próprio apartamento. Nem mesmo o meu é seguro nesse momento. E um hotel ou motel... depois do que quase aconteceu na França, não sei se isso seria uma boa ideia.

- Edward não sairá daqui. – Marie informou numa voz tão cheia de segurança que deixou ambos os rapazes atônitos. Do que ela estava falando? Será que Marie ainda se lembrava de que aquele lugar era um hospital psiquiátrico? – Não me olhem assim; eu já disse que não sou louca.

- Mas... – Edward começou a dizer, só que um movimento impaciente da mão de Marie o interrompeu.

- Sem mas, garoto. – ela foi firme. – Você não quer salvar Isabella Swan?

- Sim, quero. – ele afirmou como se aquilo fosse absurdamente óbvio.

- Então terá que acreditar. – Marie explicou. – Posso te dizer tudo o que há pra saber sobre o assunto, Edward, mas se você não acreditar... não fará qualquer diferença. E então você será obrigado a ver Bella ser levada pra longe de todos que a amam e se importam com ela sem poder fazer nada quanto a isso.

- Não! – Edward exclamou, logo tentando conter seu tom de voz. – Não posso permitir que isso aconteça.

- Então você permanecerá por aqui durante alguns dias. – ela afirmou. – Se esconderá aqui, lerá esse livro e tentará entender toda a verdade. Só então estará pronto pra sair por aqueles portões e tentar convencer Bella a aceitar quem ela é e o que ela precisa fazer. De quem ela precisa fugir.

- Bem... – Damon começou a dizer lentamente. – Não sei se você percebeu, Marie, mas esse é um hospital psiquiátrico. Não sei se eles permitiriam que Edward ficasse por aqui, entende?

- Damon Salvatore... – Marie suspirou, olhando diretamente no rosto do rapaz. – Há muito o que você ainda não sabe, portanto nunca duvide de mim. Apenas observe. – e então ela ergueu uma de suas mãos enrugadas, chamando a atenção do enfermeiro mais próximo. – Alfonso, esse é Edward Cullen, o rapaz do qual eu te falei. Posso mesmo contar com sua equipe?

- Totalmente. – o enfermeiro, que era um homem moreno de meia idade dotado de músculos intimidadores, os quais estavam apertados dentro das roupas brancas de trabalho, nem mesmo piscou ao responder aquela pergunta absurda. Edward e Damon não sabiam mais o que pensar. – Separei algumas roupas pra que ele use e arrumei um quarto próximo ao seu, só que na ala masculina. Caso ele não queria ser reconhecido, é melhor que permaneça com a peruca.

- Acredito que não haja objeção quanto a isso. – Marie comentou, fazendo um leve gesto em direção aos rapazes, que estavam cada vez mais surpresos. – Desculpe minha indelicadeza, pois não os apresentei. Rapazes, esse é Alfonso, meu braço direito dentro desses muros. Alfonso, esse quase ruivo é Edward Cullen e esse de intensos olhos azuis é seu amigo, Damon Salvatore.

- Marie esperou muito por vocês dois. – Alfonso abriu um largo sorriso ao apertar a mão frouxa de ambos, seus dentes brancos contrastando com a pele escura. – Fico feliz que o dia finalmente tenha chegado. Estejam certos de que faremos o possível e o impossível pra manter você, Edward, camuflado em meio aos demais pacientes. Como somos nós, os enfermeiros, que lidamos com os pacientes diariamente, não há risco de qualquer médico descobrir você.

- Eu... eu me disfarçarei de paciente? – Edward perguntou, olhando de Alfonso pra Marie depois pra Alfonso novamente.

- Se eu fiz isso por seis anos, por que você se importaria em fazê-lo por alguns dias? – Marie perguntou com um sorriso esperto em seu rosto.

- Isso parece meio louco pra mim. – Damon admitiu. – Todos os enfermeiros sabem sobre você e sobre Edward?

- Eles sabem o que precisam saber. – Marie deu de ombros. – A maioria deles é fiel a mim, pois sabe de boa parte da verdade. A outra... bem, digamos apenas que eu saiba de uma coisa ou outra sobre eles. Então todos acabam fazendo o que peço.

- Deus, que loucura. – Damon resmungou, usando ambas as mãos ao esfregar o rosto com força. Como se ele estivesse sonhando e, com tal gesto, pudesse despertar. – O que você acha, Edward?

- Preciso de um tempo pra pensar, cara. – Edward respondeu depois de um pequeno tempo em silêncio. – E quero ler esse livro. Se é seguro ficar aqui... bem, eu conheço esse lugar, não? Então não será assim tão ruim...

- Será péssimo, Edward. – Damon sussurrou em resposta, com seu olhar dizendo muito mais do que suas palavras. – Você conhece esse lugar, mas não gosta daqui. Seu pior pesadelo está aqui, cara.

- E eu não sei? – Edward bufou, sentindo-se absurdamente cansado. – Mas não existe alternativa. Não por hora, pelo menos.

- Você precisa voltar ao seu apartamento, Damon Salvatore. – Marie interrompeu a conversa dos dois, levantando-se de sua cadeira. – Dentro de poucos minutos, Caleb Langdon estará tocando sua campainha. Ele desconfia – na verdade, tem quase certeza – de que você está envolvido no sumiço de Edward. Então você deve estar em seu apartamento, com sua namorada, com respostas na ponta da língua pra todas as perguntas que ele tem a lhe fazer.

- Do que adiantará mentir a ele? – Damon retrucou, mas também se levantou. Parecia que a conversa havia terminado. Pelo menos por hora. – Caleb saberá de longe quando eu mentir.

- Não necessariamente. – Marie discordou usando de novo aquele sorriso esperto de antes. Enquanto Damon abria a boca pra perguntar o que ela queria dizer com aquilo, Marie enfiou uma de suas mãos no bolso de seu claro uniforme de paciente, tirando um colar rústico que chamou a atenção até mesmo de Edward. – Aqui; coloque isso em seu pescoço, mas o mantenha dentro da camisa pra que ninguém o veja.

- E o que é isso? – Damon perguntou ao olhar com estranheza para o cordão simples que trazia uma espécie de tecido amarrado pelas pontas, tornando-se assim uma pequena bolsa que guardava algo em seu interior.

- O contrário da magia que desnorteou Edward por um bom tempo até que ele destruísse sua fonte naquele quarto de hotel. – Marie explicou, colocando o colar em Damon. Ele não viu outra alternativa que não fosse aceitar, escondendo o estranho embrulho dentro da camisa. – Pode chamá-la de magia branca, se quiser. Mas isso deixará ligeiramente desnorteado qualquer Natural que se aproximar de você. Claro que Caleb nem mesmo perceberá que algo está atrapalhando sua leitura quanto às suas mentiras, tornando assim verdade tudo o que sair de sua boca.

- Nossa, isso é estranho. – Damon admitiu. – Mas tenho que dizer que é muito legal também. Vendem isso em atacado?

- Damon! – Edward repreendeu o amigo pela gracinha, ganhando assim uma piscadela travessa e um sorriso. – Ok... eu preciso mesmo descansar um pouco. Minha cabeça está girando e girando, mas, por mais que eu pense, não chego a lugar algum.

- Alfonso levará você até um dos quartos. – Marie disse e foi apoiada pelo enfermeiro, que fez movimentos afirmativos com a cabeça. – E você, Damon Salvatore... cuidado. Eles não estão para brincadeiras. Use esse colar durante todo o tempo e tente parecer o mais natural possível.

- Deixe comigo. – Damon concordou. – Em paga, cuide bem de Edward. Ele pode parecer durão e tudo mais, só que ele é mesmo um garoto muito sensível.

- Vá plantar batatas! – Edward resmungou, estando ainda sentado na cadeira e com os olhos fixos no livro que estava seguro em suas mãos.

- Você precisa ir, Damon Salvatore. – Marie disse, parecendo não se importar com as graças do rapaz. – Se, de repente, seu coração se apertar e você sentir que deveria estar em outro lugar, fazendo outras coisas... simplesmente corra. Corra e faça exatamente o que seu sentimento ordena. E não use esse colar contra Isabella Swan; isso não funcionará com ela.

- E por que não? – Damon quis saber, erguendo uma das sobrancelhas.

- Hoje, fuja de seu apartamento de madrugada. – Marie disse com a maior naturalidade do mundo. – Cuide pra que ninguém o veja e venha até aqui. Alguém estará lhe esperando no portão dos fundos. Acredito que Edward apreciará que você esteja conosco enquanto conversamos sobre o passado, o presente e o futuro; enfim, tudo o que há pra saber.

- Ok, dona. – Damon concordou, cutucando Edward no braço. – Se cuida, cara. Te darei cobertura lá fora. Qualquer coisa, você sabe onde me encontrar.

- Obrigado, Damon. – Edward agradeceu, levantando os olhos para o amigo. – Eu não sei o que seria de mim sem você pra me ajudar num momento como esse.

- Que coisa mais gay, Edward. – Damon riu, fazendo uma careta. – Mas sou obrigado a dizer que sinto o mesmo por você. Então... apenas se cuida. Te vejo de madrugada.

E, sem mais nada dizer, deu meia volta e começou a caminhar para o portão que o levaria até a recepção e dali para a rua. Era absurdo como Damon aceitava mudanças tão bruscas. Apesar de ser cientista, ele não era tão irredutível quanto Edward. Claro que os olhos castanhos e misteriosos de Marie acabassem por fazer um belo trabalho quanto à resistência das pessoas, mas com Damon... bem, ela não precisava se esforçar tanto.

- Vamos, Edward Cullen. – Alfonso chamou-o, tirando-o de seus devaneios. – O senhor precisa descansar.

- E ler o livro, claro. – Marie completou com um pequeno sorriso. – Se não se importa, continuarei por aqui. O sol da manhã é o que há de melhor para clarear as ideias e recarregar as energias perdidas durante a noite.

Edward não fazia ideia do que ela queria dizer com aquilo, mas estava tão cansado que nem se importou em perguntar. Tão cansado estava que não prestou atenção em nenhuma das poucas palavras ditas por Alfonso, que o levou pra dentro do prédio e o guiou pelos corredores até uma porta mais afastada, quase no fim de um desses corredores. Acenou em concordância com as instruções dadas pelo enfermeiro e suspirou aliviado quando este saiu do pequeno quarto, que era mobiliado apenas com uma cama, uma mesa de cabeceira e uma pequena mesa com cadeira no canto mais afastado da parede.

Despiu-se daquelas roupas horríveis, jogando-as em qualquer lugar, mas permaneceu com o boné e a peruca. Não sabia por que fizera isso, mas não estava em condições de pensamentos muito coerentes naquele momento. Sem ter forças pra vestir um dos uniformes impecáveis dados pelo enfermeiro do qual ele mal se lembrava do nome, Edward afastou as cobertas e deitou-se na cama estreita, dormindo quase instantaneamente.

Em sua mão direita, ele ainda segurava o misterioso livro. Pois não o largaria até que soubesse cada uma das palavras ali escritas. Não sossegaria até que soubesse dos menores detalhes da história que estranhamente cercava Isabella Swan, a garota incrível que roubara seu coração de forma irremediável. Por ela, Edward iria até o fim do mundo e um pouco além.

E o faria, se preciso fosse. Só precisava de algumas horas de sono...

Notas finais
No próximo capítulo, teremos mais um pouco do ponto de vista da Bella, a visita do Caleb - claro! - recheada de muitas surpresas e, por fim, a revelação sobre o conteúdo do livro misterioso.
E então, gurias e guris, empolgados com a história? Por que estamos ainda apenas no começo... eu bem disse que essa última temporada de The Art prometia, não disse?
kkkkkkkk'
Beijos a todos e até!
Obs: Viram como sou uma boa pessoa? Fiz um esforcinho e respondi a todos os comentários do capítulo passado. Bom, ao menos espero ter respondido a todos, pelo menos... :S Bjos!