Notas iniciais
Bem, vocês irão me amar por que postei novo capítulo. Mas, ao chegar no final dele, me odiarão por eu ter parado bem aí.
Já aviso com antecedência. u.u

“As palavras, eu tinha, só não havia em mim vontade. Então, antes que eu pudesse dizê-las, a voracidade das mentiras alheias me consumiu; pobre de mim, marcada e maldita. Pois acabei por me perder em meio a tanta falsidade mascarada de simpatia.”

- Você quer que eu te venha buscar amanhã? – John perguntou assim que Bella saiu do carro, debruçando-se na janela do carona pra trocar aquelas costumeiras últimas palavras antes que ele permitisse que ela se afastasse.

- Não precisa, John. Eu peço pro Damon me dar uma carona. – Bella o tranquilizou e sorriu ao ver a preocupação estampada no rosto tão conhecido por ela. – Além do mais, eu não acredito que Alice me deixará ir tão cedo... então diga a Suzy que não espere me ver antes do anoitecer de amanhã.

- Tudo bem. – John enfim concordou, ainda relutante. – Ligue se precisar de algo.

- Ligarei sim. – Bella prometeu, piscando e sorrindo antes de despedir-se. – Valeu pela carona, John!

- Disponha. – ele respondeu, bem humorado, saindo numa velocidade moderada enquanto Bella caminhava em direção à entrada do prédio residencial onde Damon morava.

Claro que ela não compartilhara seus pensamentos com John, mas Bella Swan estivera preocupada durante todo o trajeto; desde sua casa até ali, poucas quadras do prédio onde Edward, Alice e Rosalie moravam. O que a baixinha estaria fazendo no apartamento do namorado? Se ela não tivesse convidado sua melhor amiga pra lhe fazer companhia durante aquela noite de sexta-feira, a resposta seria óbvia. Mas Alice não estava com Damon. Estava no apartamento dele, mas não estava com ele.

O que diabos estaria acontecendo?

Ainda pensando na estranheza de tudo aquilo, Bella passou pelo saguão de entrada logo depois de identificar-se na portaria, o segurança tendo conferido e encontrado seu nome na lista de permissões de Damon. Entrando junto com uma senhora e seu cachorrinho, o qual era do tamanho de um rato segundo a opinião de Isabella, poucos segundos depois ela saía para o corredor do 5º andar.

- Ah, mas que demora! – Alice disse a guisa de boas vindas assim que abriu a porta e encontrou a amiga esperando no corredor. – Pensei que você estivesse vindo à pé desde sua casa!

- É um prazer te ver também, Alice. – Bella desdenhou, mas estava sorrindo quando retribuiu o abraço de Alice, que imediatamente a puxou pra dentro. – E então. Onde é o incêndio?

- Não tem incêndio nenhum. – Alice deu de ombros. – Se o Damon estivesse aqui... bem, deixa pra lá. Mas o caso é que não há incêndio. Eu só não queria dormir sozinha, por isso te chamei.

- Mas onde está o Damon? – Bella perguntou enquanto acompanhava a amiga, que a levava pra cozinha do apartamento.

- Teve que viajar. – Alice respondeu num tom vago, fazendo com que Bella franzisse o cenho. Tinha coisa ali... – Você já jantou?

- Não. – ela respondeu, sentando-se num dos banquinhos em frente ao balcão. A cozinha de Damon era tão espaçosa e limpa quanto à do apartamento de Edward, mas não tinha tantos apetrechos e equipamentos. Isso por que ele não tinha uma irmã cozinheira como Rosalie, claro.

- Eu também não. – Alice informou enquanto vasculhava a geladeira. – Você não tem nada contra lasanha quatro queijos, ou tem? Por que comida congelada é a única coisa que o Damon compra.

- Adoro lasanha. – Bella sorriu enquanto observava a amiga com atenção, esta andando de um lado a outro enquanto preparava algo para o jantar das duas. O que ela estava escondendo? – Por que você não quer que eu saia com o George?

- O que? – Alice perguntou, assustada, derrubando tudo que tinha nas mãos quando a pergunta a pegou totalmente de surpresa. – De onde você tirou isso?

- Vamos lá, Alice! Eu não sou nenhuma idiota. – Bella deu de ombros diante do olhar assustado da amiga. – Conversamos por telefone antes de você me convidar pra dormir aqui contigo. E eu acredito que você não me teria convidado se eu não tivesse te contado que George havia me convidado pra jantar hoje e que eu ainda estava relutante entre aceitar ou não.

- Então você acha que eu te convidei pra passar um tempo comigo só pra te afastar do George? – Alice perguntou com uma falsa expressão de incredulidade. Mas era claro que aquela tentativa seria inútil com Bella Swan, que ainda sorria com aquele seu ar de quem sabia demais. – Ok, você venceu. Só te convidei por que não queria você saindo por aí com aquele George.

- Mas você mesma disse que o achava uma gracinha. – Bella lembrou.

- Achava é passado, se você anda prestando atenção em nossas aulas de Inglês. (n/a: como a história se passa em Washington, EUA, seria estranho eu colocar português, por mais que a narrativa seja toda nessa língua.) – Alice retrucou enquanto voltava a aprontar o jantar de ambas. – Não gosto daquele cara...

- Nós duas sabemos que você está mentindo, Alice. – Bella interrompeu-a. – Poupe nosso precioso tempo e me diga logo a verdade. Por que você não quer que eu saia com George?

- Por que eu não quero que você se apaixone por ele. – Alice respondeu sem, no entanto, olhar em direção à amiga. – Esse cara vem lá da França e já chega te convidando pra jantar? Vai dizer que você não acha isso no mínimo suspeito?

- Suspeito por que, Alice? – Bella perguntou, rindo. – Ele é Natural assim como eu e se sente curioso em saber mais sobre mim e sobre como eu lido com meu dom. Caso ainda não tenha percebido, Naturais são raros. E Naturais mulheres são ainda mais raros.

- Então você acha mesmo que os interesses dele param por aí? – Alice perguntou, lambendo os dedos depois de ter aberto a embalagem da lasanha e a colocado no aparelho de micro-ondas. – Apenas... curiosidade?

- Você está sendo cretina agora. – Bella comentou, ainda bem humorada. As tentativas de Alice em mentir ou enganá-la sempre a divertiam. – Te conhecendo como conheço, você estaria me bombardeando de perguntas depois de saber que George quer jantar comigo. Mas se não o fez, é sinal de que você tem uma certeza sobre o assunto. Que certeza é essa?

- Ai, como você é chata! – Alice bufou, indignada. – Sou sua amiga, droga! Estou apenas tentando cuidar de você.

- Mas por que agora? – Bella perguntou, sondando o terreno. – Por que justamente quando Damon desaparece feito fumaça? Será que uma coisa não tem relação com a outra?

- Eu te odeio às vezes. – Alice resmungou, vindo sentar-se ao lado de Bella no balcão. Mas ela sorria quando socou a amiga no ombro. – Principalmente quando você está certa.

- Então me conta aí. O que está acontecendo? – Bella pediu, aceitando o copo de suco que a amiga lhe passava.

- Damon veio com uma conversa muito estranha hoje à tarde. – Alice desabafou, seu olhar meio desfocado enquanto parecia pensar sobre o assunto. – Tinha a ver com Edward, você e George.

- Ele também acha que vou cair de amores pelo francês ou algo assim? – Bella desdenhou.

- Eu não acho isso, e você sabe que não. – Alice a corrigiu, fazendo-a dar de ombros. – Mas voltando ao que interessa, Damon veio com essa conversa estranha logo depois de me ter chamado as pressas, pedindo pra que eu confirmasse que ele estava comigo caso alguém ligasse procurando por ele.

- E pra onde ele foi? – de repente, Bella estava mais interessada no destino de Damon do que qualquer outra coisa.

- E eu lá sei? – Alice perguntou, amargurada. – Ele não me deu maiores detalhes. Apenas disse que tinha que fazer algo importante e que era pra eu cuidar de você enquanto isso. Pra que eu não deixasse você se encantando pelo tal do George.

- Tem mais coisa aí, não tem? – Bella perguntou, bebericando seu suco. – Só que você não quer me contar.

- Eu não entendo muito bem o que está acontecendo, portanto não direi nada sobre isso. – Alice retrucou ao levantar-se e caminhar até o aparelho de micro-ondas, de onde tirou uma fumegante e perfumada lasanha. – Não quero julgar ninguém, mas também não quero duvidar do que Damon me diz. Ele não é precipitado, você bem sabe disso. Então se ele diz ou faz algo é por que, no fundo, razões muito bem fundamentadas o impelem a agir de tal forma.

- É, você está certa. – Bella deu de ombros. – Você é uma boa namorada, Alice. E uma excelente amiga também.

- Eu tento. – na verdade, Alice tentou ser modesta, mas o sorriso orgulhoso que teimou em desenhar-se em seus lábios contradizia suas palavras. – Tome aqui um pouco de lasanha. Engordemos juntas como boas amigas.

- E Rosalie? – Bella perguntou ao aceitar o prato com um grande pedaço de lasanha. – Você a deixou sozinha?

- Mas como você anda desligada do mundo... – Alice lamentou em tom de pilhéria. – Rosalie e Emmett estão saindo, você não percebeu?

- Não. – Bella se riu ao pensar na situação. Era natural que Rosalie escondesse dela que estava saindo com Emmett, já que fora Bella quem os apresentara quando pegar Elizabeth e Stevens era sua meta. – Eles estão escondendo só de mim ou de todo mundo?

- De todo mundo, eu acho. – Alice deu de ombros. – Eu não quis te contar por que não tinha certeza ainda, mas percebi que Rosalie estava estranha há algumas semanas. Andava conversando com alguém por MSN e telefone, sabe? E nunca me dizia quem era. Eu só não sabia quem era... até que ela me contou hoje.

- E por que ela resolveu te contar? – Bella quis saber. Rosalie e Emmett... ela sabia desde o início que aqueles dois acabariam juntos.

- Por que eu a convidei pra vir dormir aqui também, claro. – Alice deu de ombros, com um sorriso malicioso. – Mas ela não quis. Depois de eu muito insistir, por saber que ali tinha coisa, ela desembuchou: ia se encontrar com Emmett pessoalmente. Num encontro de verdade, sabe? Todo esse tempo, eles estavam apenas se falando. Mas agora ele a convidou pra jantar mesmo.

- E você acha que vai rolar um “algo mais” depois do jantar. – Bella completou.

- Totalmente. – Alice confirmou com convicção. – Conheço minha irmã muito bem, Bella. E eu sei um pouco de como a cabeça dos homens funciona. Se Emmett resolveu convidá-la pra sair, é por que não aguenta mais manter-se tão distante dela, tendo apenas sua voz por companhia.

- Que romântico. – Bella comentou em um gracejo, fazendo Alice gargalhar.

- Mas agora que teve a coragem pra convidar, ele tentará alguma coisa. – Alice completou depois de se recuperar do acesso de risos. – Provavelmente será apenas uma leve insinuação, por que Emmett é um gentleman. Mas eu conheço minha irmã... ela vai é se aproveitar de que não tem ninguém no apartamento pra atacar o coitado.

- Que não é tão coitado assim. – Bella lembrou. – Emmett passará bem, com certeza.

- Eles merecem um pouco de felicidade. – Alice comentou. – Eles merecem um montão, na verdade, mas um pouco já seria o bastante.

- Foram feitos um pro outro, aqueles dois. – Bella disse, fazendo com que a amiga lançasse um olhar muito expressivo em sua direção. – Ah, não! Lá vem você com essa conversa de novo.

- Não é conversa. – Alice discordou. – É uma das verdades da vida: você e Edward foram feitos um pro outro. Só são cabeçudos demais pra perceber isso.

- Eu amo o Edward. – Bella admitiu, fazendo com que um enorme sorriso se abrisse no rosto da amiga. – Não sei por que você ainda age assim todas às vezes nas quais eu digo o que você já deveria estar cansada de saber. Nunca te escondi que seu irmão causa em mim coisas que nenhum outro conseguiu causar. E duvido muito que um dia alguém consiga.

- Nem mesmo o tal George? – Alice cutucou.

- Nem mesmo o tal George, Alice. – Bella respondeu, revirando os olhos. – Ele pode ser todo bonitão, francês e Natural ainda por cima, mas Edward... bom, Edward é único.

- Ah, que bonitinho! – Alice disse com a boca cheia de lasanha. – E por que vocês não estão juntos se você o ama e ele é louco por você?

- São aquelas diferenças. – Bella deu de ombros. – Prometemos não falar sobre isso com ninguém, pois... bem, todos nós temos segredos que não contamos nem mesmo aos nossos melhores amigos. E falar sobre isso acabaria por colocar em questão os segredos dele e os meus.

- Hum, então Edward tem segredos... – Alice comentou num tom de voz lento e malicioso, lançando uma pontada de dor no coração de Bella. Ah, se ela soubesse do que se tratava... – Você não pode me contar nenhum pouquinho? Um pouquinho assim, ó. – e mostrou um espaço mínimo entre as digitais dos dedos indicador e polegar. – Ou dá pelo menos uma dica...

- Deixa de ser curiosa! – Bella ralhou, servindo-se de uma garfada de lasanha. – Cuide de seus negócios que eu cuido dos meus. E quanto ao Damon... ele estará de volta antes de segunda-feira, não? Temos que ir à NY segunda.

- Acredito que ele esteja de volta amanhã. – Alice respondeu, de novo com o cenho franzido. Bella percebeu que a baixinha sabia sobre aquele mistério todo tanto quanto ela sabia. – Vai dar tudo certo, não vai, Bella? – perdida em pensamentos, a pergunta de Alice acabou por pegá-la de surpresa. Ao olhar para o rosto da amiga, Bella percebeu que esta também a olhava diretamente no rosto, buscando seus olhos.

O que Alice queria? Um consolo ou a verdade? Naquele caso, a resposta pra tal pergunta era absurdamente óbvia...

- Claro que vai, baixinha. – Bella sorriu, mas dessa vez o sorriso não era tão sincero. – É óbvio que tudo vai dar certo.

Mas seus constantes pesadelos vinham em forma de memórias, insistindo em dizer-lhe o contrário. Pois eram pesadelos terríveis. Pesadelos nos quais Edward e tudo o que ela mais amava eram tragados pela escuridão, que logo a consumia também. Tais pesadelos eram tão frequentes quanto àqueles os quais ela compartilhara com Emmett.

Só que agora o rapaz estava em paz, com a vida estável e lutando por recomeçar. Então aqueles pesadelos eram seus; apenas seus e de mais ninguém. Pois neles estavam seus maiores medos transformados em tragédia.

E Bella Swan jamais preocuparia sua melhor amiga apenas por que sentia medo. Habituara-se a ser forte. Habituara-se a lutar as próprias batalhas. Habituara-se a viver por si só.

No fim, enfrentar seus medos e as consequências de seus erros eram coisas que tinham acabado por se transformar em hábitos com o passar dos anos.

Ela tinha pessoas valiosas ao seu redor, isso era óbvio. Mas nenhuma delas estava pronta pra colocar-se na pele de Bella Swan. Ver o que ela via, sentir o que sentia, enfrentar o que ela enfrentava. Não que ela fosse especial ou coisa parecida; Bella Swan era apenas uma garota marcada.

Amaldiçoada seria uma palavra que melhor se enquadraria naquele caso.

Lutava apenas pra que os problemas decorrentes de sua maldição não acabassem por lesar aqueles aos quais ela tanto amava. Deixara Edward livre justamente por isso. Se ele a amasse e se quisesse aceitá-la do jeito que ela era, ele voltaria. Senão... bem, partir definitivamente seria decisão dele, não dela. Bella Swan jamais pediria pra que Edward ficasse ao saber que ele não estava pronto pra aceitar as verdades que a cercavam.

Edward... somente pensar nele já era doloroso demais. Então a ela cabia apenas terminar de comer aquela lasanha, rir e conversar amenidades com sua melhor amiga e depois fingir adormecer enquanto Alice roncava ao seu lado. Por que, apesar de estar em uma casa estranha, partilhando uma cama estranha com outra pessoa, os pesadelos certamente perturbariam seu sono.

Pois o medo se tornara uma constante em sua vida. Por mais que procurasse fugir dele, não havia o que fazer.

Esperar... talvez esta fosse a resposta. Pois ela fizera o que pensara ser o certo. Se errara... bem, estava colhendo os frutos de tal erro. Mas ao menos não deixara margem pra que a pudessem chamar de covarde. Fizera o que pudera... nada mais poderia ser feito.

Não por enquanto, pelo menos.

xxx

- Fizemos a coisa certa, não é mesmo? – Edward perguntou a Damon enquanto ambos, sorrateiramente, deixavam o carro do rapaz na garagem do prédio onde ele morava e seguiam apressadamente em direção ao elevador do subsolo.

- Fizemos o melhor que podíamos. – Damon o corrigiu, batendo na aba do boné que Edward usava.

Pois pra estar ali, em um prédio tão conhecido, Edward tivera que se camuflar da melhor forma possível. Enquanto esperava no carro que Damon pegara no estacionamento do aeroporto, o amigo lhe comprara uma blusa de moletom, calças jeans novas, um tênis que ele jamais usaria ao estar com seu juízo perfeito, óculos escuros, uma peruca preta e boné. Ele então se trocara no banco de trás do carro e só passara para o banco da frente quando estava daquele jeito irreconhecível; quem estava habituado a vê-lo de roupa social, jamais o reconheceria naquelas roupas.

E aquela peruca com o boné... Céus, ele estava pavoroso! Mas aquele momento não era propício a qualquer tipo de luxo.

O simpático italiano que os salvara se oferecera pra dar-lhes abrigo, mas Damon fora o primeiro a recusar ajuda. No final das contas, Edward concordara com as palavras do amigo.

- Vocês nos ajudaram a sair da França. – ele dissera a um relutante Giuseppe. – E eles, seja lá quem diabos forem, certamente sabem disso. Sozinhos ou com vocês... seria difícil dizer de que forma estaríamos em maior evidência. O jeito é torcer pra que ninguém tenha me reconhecido, já que eu usei óculos escuros e boné no aeroporto, tendo viajado com um nome e passaporte falsos; além de que as cenas de ação foram rápidas demais pra que alguém tenha me olhado o bastante pra fazer um retrato falado. Assim, posso ajudar Edward a se esgueirar por aí. Posso levá-lo até Marie.

- Você é um bom amigo, Damon Salvatore. – Giuseppe, o velho que se recusara a dizer muita coisa desde que eles tinham fugido daquela casa, entrado num jato particular e decolado rumo à América, sorriu pra Damon. Ele parecia ser aquele tipo de pessoa que falava o que queria e quando queria, pouco se importando se você está de acordo com isso ou não. – Edward Cullen tem sorte por tê-lo como amigo.

- Ele sabe disso, não é mesmo, Edward? – Damon gracejara, dando um soco no ombro do amigo.

E esse era Damon. Sem seus gracejos e palavras amigas nas situações mais extremas, Edward sabia que não teria forças pra enfrentar nem mesmo metade do que enfrentara. Então ambos se tinham lançado em mais essa tentativa, se arriscando ao estar de volta a Washington, dirigindo-se ao apartamento de Damon.

Arriscado era, mas o que fazer? Não lhes restavam muitas opções.

- Tenho alguns recados. – Damon comentou ao mexer em seu aparelho celular, só tendo lembrado em ligá-lo depois que haviam entrado no elevador. – Oh. – ele exclamou quando faltava pouco pra chegarem ao seu andar, seus olhos azuis sondando Edward enquanto ele ainda escutava sua mensagem. – Isso não é nada bom...

- O que não é nada bom? – Edward perguntou, curioso.

- George convidou Bella pra jantar. – Damon explicou, vendo o rosto do amigo endurecer. – Então Alice, sem muita opção, disse pra ela que dormiria no meu apartamento, mas que não queria ficar sozinha. Como Bella estava em dúvida se deveria aceitar ou não, mas também se sentia meio... desconfortável em recusar o pedido, apoiou-se no pedido de Alice.

- Então... – Edward incentivou pra que Damon terminasse. Mas ela já havia entendido o recado.

- Elas estão dormindo aqui. – Damon completou bem quando a porta do elevador se abriu. Ambos hesitaram por um momento, mas... o que fazer? Eles tinham que esperar até amanhecer; de que outra forma poderia visitar Marie no hospital psiquiátrico? E o apartamento de Damon seria o lugar mais seguro até certo momento.

- Esse George não perde tempo mesmo, hein? – Edward comentou com um suspiro de resignação quando ambos saíram do elevador, caminhando até a porta do apartamento de Damon.

- Realmente, o cara é bem ligeiro. – Damon sorriu ao abrir a porta para que o amigo passasse. – Mas você tem a vantagem, cara. Bella te ama.

- Ama mesmo? – Edward duvidou. Às vezes, ele não entendia nem mesmo o que se passava dentro do próprio peito... como poderia entender o que se passava com alguém tal como Bella?

- Pra saber isso, nem precisa ser perito em linguagem não verbal. – Damon suspirou, cansado, enquanto trancava a porta pelo lado de dentro. – Teremos que nos arranjar com os sofás na sala, já que as garotas estão na minha cama.

- Você não tem quarto de visitas? – Edward estranhou. Já viera diversas vezes ao apartamento do amigo, mas não saíra conferindo cômodo por cômodo. E como jamais precisara dormir fora de casa, era natural que ele não soubesse desse fato.

- Quarto eu tenho. – Damon riu. – Mas não tem é cama. Eu usei o espaço pra fazer um quarto de jogos, sabe?

- Então seu quarto de jogos era um quarto de visitas? – Edward desdenhou.

- Não, não. O quarto de jogos é meu; o quarto de visitas nunca deixou de ser apenas um plano muito, muito futuro. – Damon deu de ombros diante do olhar incrédulo do amigo. – Cara, ninguém me visita. Isso é até triste.

- Muito triste. – Edward concordou.

- Além de que não poderemos dormir muito. – Damon disse aos cochichos enquanto entravam na sala de estar onde, certa vez, Edward ouvira Bella dizer através de uma gravação coisas que jamais mencionara a ela. Maldito James e todo o mal que causara antes de morrer... – Não quero que as garotas acordem e nos vejam aqui. Bella irá fazer perguntas e Alice então... cara, nem quero pensar nisso.

- Você tem razão. – Edward concordou, também falando em voz baixa e retirando os óculos, boné e peruca.

- Só tenho duas coisas pra lhe dizer, Edward. – Damon ia dizendo enquanto se livrava dos sapatos e deitava no maior dos sofás, deixando o menor para o amigo. Tão educado... – Preto definitivamente não é sua cor. Você ficou uma coisa com essa peruca. – ele riu do próprio gracejo enquanto bocejava, já fechando os olhos enquanto concluía. – E coloca seu celular pra despertar daqui uma hora, uma hora e meia.

- Tudo bem. – Edward respondeu enquanto já sacava seu aparelho e mexia em seus aplicativos. Mas falava sozinho; Damon estava ferrado no sono, roncando de forma audível. – Isso se esses roncos monstruosos não acordarem as garotas antes disso. – Edward resmungou consigo mesmo.

Só então, sua ficha caiu. Bella estava ali. Estava adormecida a poucos metros de distância.

Por um momento, Edward apenas olhou em direção à porta fechada do quarto de Damon, pouco visível daquele ângulo. Tentou lutar contra a vontade que o invadia, mas esta era forte demais pra que pudesse resistir. Depois de todas as coisas pelas coisas passara, a única coisa que ele queria naquele momento era poder vê-la. Só olhá-la por um momento... isso seria mais do que suficiente.

Retirando seus sapatos pra tornar seus passos ainda mais leves, ele caminhou, pé ante pé, em direção ao quarto. O ronco de Damon ia ficando cada vez mais abafado ao passo em que Edward se aproximava da porta proibida. Por que Damon o mataria se soubesse o que ele estava fazendo; entrar no quarto onde as garotas dormiam não era sinônimo de passar por ali despercebido.

Mas a presença de Bella era como um imã. Sempre fora. Tal verdade apenas se intensificara depois do rompimento; parecia que, de alguma forma a qual ele não conseguia entender, algo estava lhe dizendo que o lugar ao qual ele deixara era justamente onde ele deveria estar.

Tão silenciosamente quanto possível, Edward girou a maçaneta e empurrou a porta, espiando o cômodo quase totalmente às escuras. Estreitando seus olhos, ele percebeu as silhuetas adormecidas graças à fraca luminosidade que entrava pelas frestas da cortina. Confirmando que elas estavam profundamente adormecidas tanto pela imobilidade de ambas quanto pelo ressonar que preenchia o quarto, ele então entrou no quarto, caminhando em direção à cama.

Alice estava embolada nos lençóis, encolhida em um dos cantos da cama enquanto Bella estava deitada em uma posição quase fetal, tendo resgatado o edredom que a baixinha certamente deveria ter roubado durante o sono – tal como fizera com os lençóis. Então ela estava adorável, com o cabelo todo desalinhado, a boca entreaberta enquanto ressonava, seu semblante relaxado graças ao sono profundo no seu subconsciente mergulhara. Alguns poderiam dizer que Bella ficava com uma melhor aparência quando estava desperta e toda arrumada, mas Edward discordava; não tinha visão melhor do que ver sua pequena assim, sem qualquer muro em torno de si.

Era apenas ela. Apenas seu lindo rosto, sem qualquer máscara. Era apenas sua presença, sem qualquer resistência.

Se ele pudesse, ficaria ali por um longo tempo, apenas observando-a. Teve vontade de se aproximar mais e tocá-la, mas teve medo de despertá-la. Ah, como ele a amava! Era em momentos como aqueles que Edward percebia o quão verdadeiro e intenso eram seus sentimentos por Isabella Swan.

Ainda se lembrava da primeira vez na qual a vira. Mesmo sob aquele moletom quase masculino, sem qualquer maquiagem e com uma expressão de poucos amigos, ela chamara sua atenção. De início, fora apenas curiosidade, mas depois... sim, ele se apaixonara por ela. Talvez antes mesmo de entrar pela janela de seu quarto pela primeira vez e a flagrar saindo do banheiro apenas de toalha, percebendo então que Bella escondia muita coisa ao usar àquelas roupas folgadas.

Pois não fora o exterior de Bella que o cativara; fora seu interior. Tudo o que ele não podia ver, e o pouco que via. Assim como o muito que ele não conseguia entender e o pouco que entendia. Aquela garota... ele não sabia como, mas ela conseguira cativá-lo mesmo sem querer.

- Me desculpe por tudo. – Edward sussurrou na semiescuridão do quarto, seus olhos, de repente marejados, não se cansando em observar a figura adormecida. – Eu ainda amo você.

- Também amo você, Edward. – a voz de Bella, grogue de sono, deu o maior susto em Edward. Por um curto momento, ele pensou que ela estava acordada; como diabos pudera responder sua pergunta se estivesse dormindo? Só que a garota continuou tão imóvel quanto antes, ressonando profundamente.

Bella estava adormecida. E mesmo dormindo, falara com ele.

Isso era impossível, claro. Mas as coisas não eram mais como antes. Engolindo em seco, com o coração aos solavancos em seu peito, Edward cerrou suas mãos em punhos enquanto absorvia mais aquela verdade: Bella respondera a ele enquanto dormia. Poderia ser coincidência?

- Eu acredito em você agora. – ele continuou num sussurro que se assemelhava ao soprar de uma leve brisa, soando audível no silêncio do quarto. – Acredito em você e estou tentando... ajudar. Estou lutando pra te manter à salvo.

- Tenha cuidado, Edward. – ela mais uma vez resmungou, suas mãos agarrando o travesseiro com força enquanto seu cenho se franzia por um momento. Mas, mesmo assim, Bella Swan continuava a dormir. – Não suportaria perder você.

- Eu também não suportaria te perder, meu amor. – Edward mordeu o lábio afim de conter o choro que lhe apertava a garganta. A vontade de abraçá-la era tão intensa... quase insuportável. – Confie em mim, pois eu confio em você.

- Quero confiar. – Bella respondeu no mesmo tom de voz, seus globos oculares tremendo por detrás das pálpebras. – Sempre quis, Edward. Sempre, sempre te amei...

- Eu sei, querida. Eu sei. – Edward sussurrou, sabendo que já se demorara demais ali. – Espero que se lembre disso ao acordar. E que me espere, por mais que tudo esteja contra nós dois... contra o que queremos e esperamos. Eu voltarei, Bella. Pode esperar.

E antes que acabasse por fazer algo do qual se arrependesse depois, Edward saiu do quarto. Faltava pouco para o amanhecer, então ele e Damon não poderia se demorar ali. Não queriam que as garotas despertassem e os encontrasse ali, pois isso acabaria por trazer centenas de perguntas às quais ambos não tinham tempo pra responder. Por mais que o horário de visitas no hospital psiquiátrico começasse apenas às oito, eles deveriam sair dali algumas horas antes.

Sem conseguir dormir nem mesmo por um segundo, Edward apenas se deitou no menor dos sofás e esperou algum tempo pra acordar Damon, que parecia não ter nenhum problema em dormir durante situações como aquela. Acompanhado por resmungos ininteligíveis, Edward calçou seus sapatos e colocou a peruca e o boné de volta a cabeça, já saindo em direção a porta de entrada.

- Calma aí, cara. – Damon sussurrou, parecendo lutar pra manter-se acordado. – Quero deixar um bilhete pra Alice. – e, sem mais nada dizer, correu silenciosamente em direção à cozinha, voltando poucos minutos depois com um sorriso satisfeito. – Só pra deixá-la tranquila, entende? Pra que ela não receba alguma má notícia e pense que eu estava envolvido.

- Você está falando do tiroteio no hotel? – Edward lembrou, também aos cochichos, enquanto esperava o rapaz trancar a porta.

- Sim, é claro. – Damon confirmou. – Ou você acha que, estando envolvido ou não, Caleb já não sabe que você sumiu do mapa e que alguém tentou te matar e não conseguiu? Pelo menos, aparentemente...

- É, isso é verdade. – Edward deu de ombros. – E o que você disse pra Alice no tal bilhete?

- Que você está bem, mas que não é pra ela contar pra Bella que você está comigo. – Damon explicou. – Não quero esse pessoal na minha cola. Bem, na minha cola eles certamente estarão, mas não quero que eles tenham certezas quanto ao assunto.

- E como você sabe que a Bella não verá o bilhete primeiro? – Edward perguntou. Ambos já usavam o elevador pra descer até a garagem do prédio.

- Por que Alice... bem, Alice toma um iogurte todas as manhãs. – Damon deu de ombros, fingindo não perceber o olhar de Edward em sua direção. – Aquele negócio é horrível! Mas ela diz que as fibras lhes fazem bem.

- Então ela amanhece muitas vezes no seu apartamento? – Edward perguntou como quem não queria nada, fazendo Damon sorrir, meio sem graça.

- Pensei que você soubesse. – ele comentou em tom de quem apazigua.

- Preferia continuar a não saber. – Edward resmungou, pouco à vontade.

- Mas então. Eu coloquei o bilhete embaixo do último dos iogurtes; é óbvio que Alice irá pegá-lo. – Damon completou, querendo fugir do assunto.

- Esperemos que sim. – Edward suspirou, acompanhando o amigo pra fora do elevador e caminhando em direção ao carro.

No caminho para o hospital, Damon parou em uma cafeteria e comprou dois cafés enormes para os dois, além de uma caixa com uma dúzia dos maiores donutts que Edward já vira. Estacionando em um local próximo ao prédio em questão, eles comeram enquanto esperavam pelo horário de visitas. Pouco falaram naqueles minutos; a espera os deixava inquietos tanto quanto as coisas que os esperava dentro dos limites daquele lugar.

O que esperar de uma mulher que, apesar de clinicamente considerada como portadora de distúrbios mentais, conseguira prever tantas coisas e ajudá-los a sobreviver naquela noite?

Damon já estivera uma vez perante tal mulher, mas Edward ainda não. Fora por ele que a tal Marie chamara. Era com ele que a mulher queria conversar. O que lhe diria? Será que falaria na frente do amigo coisas sobre... seu passado? Edward não sabia se estava pronto pra que mais alguém soubesse sobre aquilo. Nem mesmo Damon, que sempre demonstrara seu o melhor de todos os amigos.

Mal o ponteiro do relógio anunciava as oito da manhã, ambos já saltavam do veículo, caminhando em direção a porta de entrada. Damon torcia pra que Marie tivesse marcado seus nomes na lista de permissões como suas visitas naquele dia, ou então ele provavelmente teria que conversar novamente com o tal do Dr. Israel. E isso não seria nada bom.

Graças aos Céus, a recepcionista os recebeu com todos os sorrisos do mundo e, ao ser informada sobre seus nomes – dessa vez, Damon deu seu nome verdadeiro como referência – confirmou que eles estavam na lista de visitas da paciente Marie Baptista Rodríguez. Trocando rapidamente um olhar nervoso, Edward e Damon se deixaram conduzir em direção ao pátio externo, que era cercado pelos jardins da propriedade.

- Cara, se ela começar a falar sobre... bem, sobre você sabe o que, você quer que eu saia de perto? – Damon perguntou aos cochichos enquanto seguiam o enfermeiro. Edward encheu-se de gratidão por Damon ter se lembrado de perguntar-lhe sobre algo tão pessoal. Por que ele sabia o quanto aquilo lhe era importante.

- Não, Damon. – Edward suspirou. Mesmo que quisesse dizer o contrário, já era hora de enfrentar as coisas como eram de fato. – Não importa o que ela diga, eu quero que você esteja lá.

- Você quem sabe. – Damon deu de ombros, as mãos enfiadas nos bolsos de suas calças sociais. Edward sabia que deveria estar contrastando terrivelmente com a aparência do amigo naquele momento, mas... bem, aparências não eram prioridade ali.

Não demorou muito pra que Damon visse a velha senhora sentada na mesma cadeira de antes, com o mesmo livro descansando na mesinha ao lado. Seus inteligentes e castanhos olhos estavam fixos nos rapazes enquanto estes se aproximavam. Edward não precisou de qualquer dica pra perceber que aquela era Marie; aquela forma de olhar em seus olhos e parecer ir além do que era visível aos outros lhe era absurdamente familiar. Por que, assim como Bella, Marie era uma Natural.

- Fico feliz em saber que conseguiu escapar com vida, Edward Cullen. – Marie disse antes mesmo de cumprimentá-los, fazendo um gesto pra que se sentassem em alguma das cadeiras mais próximas. – Tenho muitos assuntos a tratar com você.

- Antes de tudo, gostaria de lhe fazer uma única pergunta. – Edward adiantou-se, sentando em frente à mulher que tinha seus olhos fixos no rapaz. – Por que eu?

- Por que, nesse momento, você é o único que reúne em si todas as coisas necessárias pra tal papel. – Marie explicou. – O que agora acontece, já estava escrito antes mesmo de você nascer. Todos os caminhos que ambos tomaram, trouxeram vocês a isso. Você pode fugir, se quiser; não vou lhe obrigar a participar de nada, embora eu tenha salvado sua vida noite passada.

- E como você pode saber de tanta coisa? – Edward perguntou, sentindo as perguntas pipocarem em sua cabeça. O tempo era deveras curto pra tantas dúvidas. – Só por que é... uma Natural?

- Também. – Marie riu com certa tristeza ao responder, demorando-se um pouco antes de completar. – Mas eu tenho interesses nesse assunto, entende? Interesses que, de certa forma, me dão direito a ligações que me trazem informações privilegiadas.

- Interesses? Ligações? – foi Damon quem se manifestou, parecendo tão ou mais confuso do que Edward. – Do que você está falando?

- Vocês ainda julgam a ciência a base de todas as coisas... – Marie suspirou, visivelmente desapontada. – Não é óbvio pra vocês? Olhem em meus olhos; isso não é óbvio?

- O que deveria ser óbvio? – Edward perguntou, trocando um olhar confuso com Damon, que também trazia aquela expressão quase patética em seu rosto.

- Isabella Swan é minha filha. – Marie esclareceu, quase fazendo com que os rapazes caíssem de suas cadeiras. – Eu sou a verdadeira mãe de Isabella Swan.

Notas finais
Ficou grandão, né? ^.^ Mas acredito que, com um final desses, nem o fato de ter ficado grandão vai me livrar dos "xingamentos e macumbas on-line". #lixaunha
Mas eu fui boazinha nesse capítulo, não fui? Dei a vocês um momento da linda amizade Alice e Bella, além de um momento muito fofo entre Bella e Edward...
Só que ainda não é suficiente, né? Vocês ainda querem me matar...
Bem, mudando um pouco de assunto, quero agradecer as quatro gurias que recomendaram a história: Natalia-Naty,
le97le, Jaciara Melo e alexandra0101 (em especial a Alexandra pq, né, ela simplesmente captou a essência da história em poucas palavras =D), muito obrigada a toda vocês por me fazerem a escritora mais feliz do mundo.
Quero agradecer também aos reviews de todas. Geralmente eu não as respodo pq a maior parte de vocês fazem perguntas, do tipo... bem, do tipo que entregaria o ouro se eu respondesse. Então, deixo no suspense... por que eu gosto de surpreender. (não me diga...)
Ainda querem me matar? (cavouca o chão com a pontinha do sapato) Lembre-se de que só estando viva pra que eu possa terminar essa história e ainda fazer os bônus. Pelo que sei, poucas são as chances de eu possuir poderes além-túmulo. (sinistro O.O)
kkkkkkkkkk' Bjos a todas, até o próximo!