The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
53 Capítulo 05
Notas iniciais
“A verdade estava ali o tempo todo. Ela chamou por você; no silêncio da noite, ela quis te contar todos os seus segredos. Mas você não a quis ouvir. Antes, pintou a realidade em nuances de loucura, transformando o medo na sua realidade.”
O balanço que o movimento constante do ônibus causava não era incômodo. Naquele momento, era justamente o embalar que as ideias que passavam pela cabeça daqueles dois amigos necessitavam.
Enquanto ambos conversavam, Damon relatando tudo o que acontecera com ele até então e o que acabara por trazê-lo até Paris num momento tão crucial, eles procuraram por um ponto de ônibus. Não fora surpresa nenhuma quando encontraram um não muito longe do lugar onde tinham abandonado o carro alugado. E nem mesmo tal surpresa os acometeu quando, poucos minutos depois, passou um ônibus que, segundo o motorista, os levaria até o endereço desejado; depois de tantas supostas coincidências que estavam longe de serem apenas coincidências, aquelas coisas eram menos do que nada.
- Edward... bem, eu acho que não é válido pedir desculpas por ter tentado descobrir se eu estava certo quanto aquilo que você tanto escondia. – Damon cochichou ao lado do amigo, que guardava um silêncio quase sepulcral depois de ter ouvido todas as coisas que Damon tinha a dizer. – Você sabe que não sou enxerido, cara. O que eu mais respeito é a sua privacidade e...
- Eu sei, Damon. Eu sei. – Edward respondeu num tom impaciente enquanto olhava ao seu redor. O ônibus estava praticamente vazio além dos dois, mas mesmo assim cochichar era algo automático naquele momento. – Não posso me irritar contigo simplesmente por que escondia coisas que não deveria ter escondido. Quis poupar do sofrimento pessoas as quais eu amo, mas... bem, faz certo tempo que venho me perguntando se agi certo em fazê-lo.
- Bella te fez pensar, não é? – Damon comentou. Edward não respondeu de imediato; antes, pareceu pensar sobre o assunto.
- Sim, ela fez. – ele concordou com um suspiro. – Antes mesmo de ser absurdamente direta e me dizer o quanto ela sabia, Bella me fez repensar toda minha vida. No final, foi isso o que acabou por nos separar. Sabe como é, não é? Assuntos inacabados de ambas as partes...
- É, eu sei. – Damon concordou, também ficando quieto por um momento. – Mas quem diria que vocês dois estariam no meio disso tudo, não?
- Eu deveria ter previsto isso, Damon. – Edward rosnou, tentando controlar sua frustração. – Não deveria ter permitido que coisas tão idiotas me separassem da Bella. Jamais deveria ter permitido que me manipular fosse algo tão fácil. Ela me disse tantas vezes que havia algo em seu dom que eu não poderia entender mesmo se eu quisesse... e eu zombei dela, Damon! Zombei das crenças dela. Mas ainda pior do que isso; eu zombei das coisas as quais ela tanto temia.
- Você não poderia prever, cara. – Damon o consolou, apertando um de seus ombros em um gesto de apoio. – Ela era tão diferente de você... ninguém pode te recriminar por ter acreditado que tudo não passava de um equívoco da parte dela. Depois de todos os anos ouvindo de Caleb que ser Natural não tem nada de espiritual ou religioso, ninguém pode te recriminar por não ter conseguido acreditar nas suspeitas de Bella.
- Caleb... – Edward suspirou ao passar ambas as mãos pelo rosto. – Quando eu imaginaria que ele estava brincando comigo esse tempo todo? Quando eu imaginaria que eu não passo de mais um dos tantos projetos que ele possui?
- Então você acha mesmo que o Caleb está por detrás disso tudo? – Damon perguntou num tom vacilante, recebendo um olhar desdenhoso de Edward em resposta.
- Depois de tudo isso, você ainda tem dúvidas? – ele perguntou, fazendo com que Damon desse de ombros. O rapaz não teve coragem de mencionar, mas aquele lapso de tempo no qual ele vira – ou acreditara ter visto – algo no rosto de Caleb não saía de sua cabeça. – E eu não consigo deixar de pensar nas coisas que a tal de Marie te disse...
Para Damon, não havia estranheza nisso, já que ele mesmo pensara nisso vezes sem conta desde que visitara o hospital psiquiátrico naquela tarde. A expressão de Marie, assim como suas palavras, ficara gravada a fogo em sua mente.
- Como você pode saber o meu nome? – Damon perguntara em um tom assombrado enquanto se sentava na cadeira mais próxima, recebendo um olhar divertido em resposta.
- Sei muito mais do que apenas seu nome, rapaz. – ela explicou. – Sei que seu pai era um policial e que ele morreu em serviço, deixando você órfão aos doze anos. Sei também que sua mãe nunca conseguiu superar tal perda, por isso permanece viúva, vivendo com sua irmã mais velha em uma pequena cidade no interior do estado. Também sei que você gostaria de saber o mínimo de psicologia durante o tempo de luto em sua família, podendo assim ajudá-los a superar a perda antes que a cicatriz ficasse tão profunda que fosse impossível removê-la. Ao contrário de Edward, você não se interessava por microexpressões que denunciassem mentiras; você queria apenas poder ler no rosto das pessoas se elas estavam mesmo felizes ou se o sorriso era apenas pra mascarar a profunda dor que ia no coração delas.
- Quem lhe contou tudo isso? – Damon perguntou, cada vez mais surpreso com as palavras que saiam por aqueles lábios pálidos e enrugados.
- Não importa, filho. – Marie retrucou, afagando a mão de Damon como se o consolasse. – O que importa é que não temos muito tempo. Eu disse todas estas coisas pra que você não duvide das coisas que agora te vou dizer. Use o papel que está em seu bolso interno do lado direito e a caneta que está em seu bolso externo esquerdo pra anotar tudo. Você não pode falhar, entendeu? A vida de Edward está em jogo.
- Você conhece Edward? – Damon esganiçou enquanto buscava em suas roupas o papel e a caneta.
- Pessoalmente, não. – Marie esclareceu. – Esperei que ele atendesse o desejo de seu coração e viesse passear pelo jardim. Assim, poderíamos ter conversado sobre isso antes que a escuridão o tragasse, levando-o pra longe daqui. Mas a escuridão é tão esperta quanto à luz e agiu enquanto era tempo; sem demora, Edward sucumbiu aos desejos alimentados por encantamentos poderosos, aceitando a proposta feita e ficando longe quando deveria estar perto.
- Encantamentos? – Damon balbuciou, mas a mulher não lhe deu atenção.
- Você precisa trazê-lo até mim. – Marie prosseguiu, agarrando com firmeza uma das mãos de Damon enquanto o olhava fixamente nos olhos, prendendo-o com o calor e intensidade do castanho de seu olhar. – No momento, todo esse lugar está cercado; assim, eles não podem ouvir o que dizemos aqui. Mas essa barreira é temporária. Durará mais dois dias, no máximo. Então é por isso que você precisa trazer Edward Cullen até mim. Só ele, apenas ele poderá impedir todas as coisas que estão pra acontecer.
- Que coisas são essas? – Damon perguntou, nem mesmo pensando no tamanho da loucura que estava fazendo. A única coisa que sabia era que não conseguia desacreditar das palavras daquela mulher. Por mais que soubesse que Marie era uma paciente e que deveria ser tão louca quanto os demais, no fundo ele não sentia isso. Na verdade, ele nem sabia o que estava sentindo naquele momento; era tudo tão confuso!
- Digamos apenas que essa guerra não seja nossa, meu filho. – Marie esclareceu em sua voz rouca e cansada. – Somos apenas os peões desse grande jogo de xadrez. Mas por mais que não sejamos os grandes guerreiros nessa batalha, o resultado dela nos atingirá primeiro; pra mal ou pra bem, nós receberemos as consequências de tudo isso. Agora escreva, Damon! Escreva e faça exatamente o que te direi. Um passo pra fora disso e considere seu amigo morto.
Fora então que Damon escrevera aquele trajeto narrado por Marie, saindo do hospital às pressas. Se não fosse aquele seu impulso em visitar o lugar... se não fosse a sua certeza de que deveria começar pelos jardins... bem, Damon nem queria pensar no que poderia acontecer ao seu melhor amigo.
- Então eles descobriram que eu sabia de tudo não apenas pelo meu telefonema ao Caleb. – Edward concluiu ao seu lado, tirando-o de seus devaneios. – Não sei bem como isso funciona, mas certamente que eu ter destruído o amuleto alertou-os. Afinal, eu encontrei aquela droga atrás do tal quadro e o destruí; se eles puderam sentir isso, era motivo mais do que suficiente pra acreditar que eu estava ligando os pontinhos e que deveria ser aniquilado.
- Antes que se tornasse um problema. – Damon concluiu, franzindo a testa por um momento enquanto pensava. – Mas sabe de uma curiosidade minha? Se enquanto você estiver vivo, continuará a ser a única pessoal que poderá livrar Bella de um plano do qual não sabemos nada, por que não te mataram antes? Por que te trazer até a França e esperar três dias até que tentassem acabar com sua vida?
- E eu lá sei? – Edward deu de ombros, desanimado. – Talvez a tal da Marie possa nos responder isso. Assim como talvez ela possa me responder por que Bella se apaixonaria pelo George se sempre disse que me amava. – ele completou num tom de voz amargurado.
- Não fica assim não, cara. – Damon mais uma vez consolou, mas dessa vez deu um pequeno soco no ombro do amigo ao invés de um aperto camarada. – Marie disse que não importam os sentimentos de Bella nesse caso. Se você não intervir, George conseguirá confundir a cabeça dela. Pense bem no seguinte ponto: você não disse que se sentiu estranho desde que chegou aqui? Que aos poucos as coisas importantes iam sendo esquecidas ao passo em que você começava a pensar seriamente em passar uma longa temporada aqui na Europa? Então, cara. Tente entender que eles podem fazer a mesma coisa com a Bella, se esse for o caso.
- É, isso é verdade. – Edward concordou com um suspiro. – É loucura, mas é verdade.
- Vocês descem aqui, não é? – o motorista disse, chamando a atenção dos dois.
- Já chegamos? – Damon perguntou e se levantou junto a Edward depois que o motorista afirmou com um movimento de cabeça. Agradecendo ao homem, ambos desceram do ônibus, observando o ambiente ao redor; haviam entrado em um bairro residencial, aparentemente composto por pessoas que podiam pagar por um mínimo de luxo. – Foi bondade dele parar aqui pra gente. Nem é ponto de ônibus e... cadê o ônibus? – ele exclamou, olhando em direção a onde o veículo deveria estar. Ele acabara de deixá-los na calçada, fechando a porta e seguindo pela rua enquanto os rapazes se distraiam, olhando ao redor. Em questão de segundos, ele não estava mais lá.
- Ele... sumiu? – Edward perguntou, também olhando para o fim da rua, que estava deserta.
- Como isso é possível? – Damon sussurrou, assombrado. – Cara, eu quero a minha mãe. Já estou começando a sentir medo dessa coisa.
- Deixe de graça e vamos procurar a tal casa. – Edward foi firme, apesar de sentir o pânico lutar contra as amarras que seu autocontrole usara para contê-lo. Loucura, loucura... mas eles precisavam seguir. Entre morrer e receber ajuda de coisas que estavam muito além de seu entendimento, eles preferiam a segunda opção. – A rua é essa, segundo o motorista... ou que diabo seja aquilo.
- Diabo não, cara. – Damon reclamou num tom de voz medroso. – Diabo não.
- Procuramos pela casa de número 89. – Edward prosseguiu sem dar atenção às palavras de Damon. Então ambos seguiram pela rua deserta, atentos aos números das casas bem cuidadas e parcialmente ou totalmente às escuras. – É essa. – ele afirmou quando chegaram em frente a um casarão, percebendo que as luzes de parte do primeiro andar estavam acesas. – Parece que eles estão acordados.
- E quem são “eles”? – Damon perguntou, engolindo em seco. – Tenho medo de receber tal resposta.
- Por que esse medo repentino? – Edward estranhou enquanto ambos passavam pelo pequeno portão e iam em direção a porta da frente, seus passos ecoando pelo ambiente silencioso. – Pouco tempo atrás, você parecia estar achando tudo uma grande diversão. Por que está com medo agora?
- Aquele ônibus, Edward. Não gosto de coisas que desaparecem do nada. – Damon explicou naquele seu tom de voz sombrio. – Tenho medo de poucas coisas nesse mundo, mas... cara, quando se trata de fantasma, a coisa muda de figura.
- E quem te disse que aquele ônibus era fantasma? – Edward contestou, ainda cético. Aparentemente cético, na verdade, já que depois de todas aquelas coisas não havia sobrado muito lugar para ceticismo. – Talvez só fosse...
Mas ele nunca disse o que queria dizer naquele momento, já que a porta da frente abriu antes mesmo que eles tivessem subido os poucos degraus da escada que os levaria ao interior da casa. Contra a luz fraca do corredor, eles viram os contornos de um corpo muito grande. Era tão grande que o topo de sua cabeça quase batia no umbral, lançando em direção a eles a sombra de sua estatura assombrosa.
- Estávamos esperando por vocês. – o ser humano colossal se pronunciou em uma voz poderosa antes que Damon e Edward pudessem recobrar a capacidade de correr. – Entrem, por favor. O tempo é curto; logo, eles darão pela ausência de um de vocês na América.
Trocando olhares assustados, os rapazes subiram os degraus com certo receio, passando pela porta quando o estranho lhes deu passagem. Ao emparelharem com o homem, ambos prenderam a respiração ao visualizarem seu rosto; os olhos eram pequenos, negros e espertos. A boca também era miúda, enrugada em volta como se ele a apertasse constantemente por um motivo que só ele entendia. E pra finalizar, um nariz achatado e torto tornava a figura ainda mais assustadora.
Em silêncio e com a guarda totalmente alerta a qualquer movimento estranho, eles seguiram na direção apontada pelo homem, que fechou a porta às suas costas. Atravessando o hall, ambos se dirigiram a escada que os levou até o primeiro andar, onde uma única porta estava semiaberta, por onde uma nesga de luz escapava.
Reprimiram a exclamação de surpresa quando um homem absurdamente parecido com o anterior abriu completamente a porta, acenando pra eles com sua cabeça enorme. Edward percebeu que aqueles dois homens eram gêmeos idênticos, apesar de não partilharem do mesmo nariz torto e achatado. Só quando ele viu a grande cicatriz que atravessava um dos lados do rosto do gigante é que algo lhe passou pela cabeça; o homem anterior não nascera com um nariz tão feio. Algo deveria tê-lo atingido com certa força e repetidas vezes pra que transformasse um nariz razoável – se este fosse parecido com o que estava à frente deles no momento – naquela massa disforme.
- Acredito que vocês sejam Edward Cullen e Damon Salvatore. – uma suave voz masculina com um forte sotaque europeu chamou a atenção de ambos, que desviaram seus olhos até o interior do aposento, o qual se revelara uma aconchegante sala de estar. Um senhor que deveria estar na casa dos sessenta anos estava sentado em uma poltrona em frente à lareira, com uma bela jovem em pé ao seu lado. Edward percebeu que, a julgar pelo terninho sóbrio usado pela jovem e o penteado que a deixava com a aparência de alguém mais velho, ela deveria ser empregada daquele senhor.
- Sim, senhor. – Damon se apressou a confirmar, andando até estar diante do homem, que se levantou para cumprimentá-los. – Eu sou Damon e ele é Edward.
- Um prazer recebê-los. – ele sorriu, apertando tanto a mão de Damon quanto a de Edward. Só que ele demorou mais no segundo aperto de mãos, olhando fixamente para os olhos de Edward, que não desviou seu olhar. – É tudo verdade, rapaz. Não duvide das coisas que agora lhe acontecem.
- Quem é o senhor? – Edward perguntou, sentindo-se pouco a vontade diante daquele olhar tão direto e com sua mão ainda segura por aquele ainda estranho senhor.
- Me chamo Giuseppe Francesco Bianucci. – ele se apresentou com um sorriso simpático. – E esta linda jovem é Agneta, minha neta e assistente.
- Encantada em conhecê-los. – a jovem disse com um simples movimento de cabeça, ainda no mesmo lugar de antes.
- Um jato nos espera em minha pista particular. – Giuseppe informou, só então soltando a mão de Edward. – Não há necessidade de desconfiarem de nós, meus amigos. Estamos aqui pra ajudar. E, apesar das aparências, Paolo e Paco são excelentes pessoas. Em meu seleto grupo de seguranças, eles são aqueles que gozam de minha total confiança; entregaria minha vida nas mãos dos dois sem nem mesmo pestanejar. E foi justamente por isso que os escolhi para nos escoltar nessa noite.
- Temos que ir, vovô. – Agneta se manifestou, ainda naquele tom de voz neutro. – Se não nos apressarmos...
- Eu sei, eu sei. – Giuseppe acenou de forma impaciente sem nem mesmo voltar-se pra neta, ainda olhando fixamente para Edward. – Não foi por acaso que você conseguiu o coração da jovem Swan. Apesar da intensa aura de amargura que te cerca, ainda vejo a luz brilhar em seus olhos. Sem dúvidas, você é a única coisa que pode salvar-nos da ruína.
- Você é um Natural? – Damon se manifestou, observando Giuseppe com curiosidade crescente.
- Ah, é assim que Caleb Langdon nos nomeou, não é mesmo? – o velho sorriu abertamente, balançando a cabeça enquanto parecia considerar a palavra. – Bem, tal denominação serviu aos propósitos dele e ao grupo ao qual ele pertence.
- Algo me diz que o senhor não está falando do Grupo Langdon... – Edward comentou lentamente, chamando a atenção do homem de volta pra si.
- É claro que não. – Giuseppe explicou. – O Grupo Langdon, assim como o Grupo Boucher, não é nada mais do que pura e simples fachada. Apenas uma máscara pra acobertar os verdadeiros interesses de certas pessoas.
- Que pessoas? E que interesses são esses? – Damon perguntou, cada vez mais curioso.
- No momento, não temos tempo para discutir isso. – Giuseppe afirmou, percebendo o olhar grave de sua neta que desaprovava toda aquela demora. – Despistamos certas pessoas ao pegarmos essa casa emprestada, mas eles provavelmente já perceberam que...
Tal frase não pôde ser concluída, já que o estampido se fez ouvir do lado de fora da casa. Edward nem mesmo precisou de qualquer explicação pra entender que um dos gêmeos, que permanecera no andar inferior, reagira a alguma coisa com aquele único tiro. Trocando olhares com as demais pessoas ali presentes, ele soube: aqueles que queriam matá-lo estavam ali.
- Depressa, para a garagem! – Agneta gritou, tirando uma arma de dentro do paletó de seu terninho enquanto amparava seu avô pelo ombro, empurrando-o em direção a porta. – Paco, vá ajudar Paolo a distraí-los enquanto escapamos.
- Certo. – o homem concordou com aquela sua voz poderosa, logo saindo em frente a eles numa velocidade quase impossível a toda sua altura e massa muscular.
- Sigam-nos, por favor. – Giuseppe pediu num tom de voz absurdamente calma praquela situação em questão. Andando apressadamente em frente a Edward e Damon, que o seguiam, ele desceu as escadas e dirigiu-se aos fundos da casa, passando pela sala de jantar e cozinha.
Enquanto fugiam, mais tiros ecoaram no silêncio da noite junto a alguns gritos abafados. Quando estavam quase alcançando a porta de serviços, um estrondo no hall informou que os estranhos perseguidores tinham invadido o lugar.
- Mais depressa, vamos! – Agneta resmungou apertando a arma com mais força, seus olhos escuros espiando constantemente por cima de seu ombro. Passando o avô pela porta de serviço, ela deu espaço pra que Edward e Damon passassem enquanto espiava o caminho que os tinha conduzido até ali. – Rápido, rápido! – ela gritou, atirando pra dentro da casa enquanto os rapazes saltavam para o banco de trás de um carro cuja marca eles não souberam identificar. Giuseppe estava sentado tranquilamente no banco do passageiro, com o cinto de segurança já abotoado, quando a neta correu até o carro, ocupando o lugar do motorista.
Ela nem mesmo abriu a porta da garagem, pois não havia tempo. Enquanto o para-brisa do carro recebia os disparos de dois homens que acabavam de invadir o aposento, Agneta engatou a marcha ré, cantando pneus ao pisar fundo no acelerador.
Com lascas de madeira sendo lançadas pra todos os lados, o carro saiu da garagem em uma arriscada manobra. Quando ele se estabilizou no asfalto, mesmo dentro do carro era perceptível o cheiro da borracha queimada. Mas Agneta não se importou com as regras de trânsito naquele momento; sem hesitar, ela engatou a primeira marcha e mais uma vez cantou pneus ao sair dali em alta velocidade. O pipocar dos tiros sobre o carro a prova de balas não parecia incomodá-la; antes, era o incentivo necessário pra que ela usasse de uma destreza impensada ao volante, livrando-os da morte.
Pela segunda vez naquela noite, Edward era o alvo de assassinos desconhecidos. Enquanto tentava normalizar sua respiração, sentindo que Damon estava tão descontrolado quanto ele, Edward pensou apenas uma coisa: Paris decididamente não era sua cidade.
Notas finais
Ontem mesmo, conversei com minha amiga/gêmula Arline e questionei-a quanto a narrativa dessa história. Meu maior medo era que eu estivesse construindo um enredo confuso, dificultando assim a leitura e compreensão do mesmo.
Resumindo, eu temi que estivesse tornando The Art uma coisa maçante.
Então, depois de ela dar sua valiosa opinião e retirar boa parte de tal receio, eu senti a necessidade de presentear-vos com novo capítulo, este trazendo algumas explicações que os anteriores deixaram a desejar. Não contei nele todos os segredos da história, mas dei diversas pistas e deixei ali algumas informações valiosas.
Sei que ainda é pouco perto do que está por vir, mas acredito que estou deixando vocês felizes com essa pequena surpresa.
Bem, o próximo também não demora. E esse saiu especialmente estimulado pelos maravilhosos comentários de vocês, acreditem. Pois esse é o gás que alimentam a criatividade de qualquer escritor.
Ainda nessa onda de bondade (aproveitem, pq não é sempre que tal milagre acontece), trago outra boa notícia (assim espero): como um presente de agradecimento a todos os que recomendaram, estou pensando em escrever três bônus diversos sobre a história. Vocês, leitores, é que opinarão quanto ao tema dos bônus (geralmente, é aquele trecho da história, de qualquer temporada, que vocês queriam que eu tivesse explorado mais. Pode ser com o Ed, Damon, Bella, Caleb... qualquer ponto da história, independente do assunto. Mas tem que fazer parte da história, ok? Não vou ficar escrevendo coisas que destoem da narrativa) e este será enviado a todos os que recomendaram de forma privada.
Não estou aqui pra punir aqueles que não recomendaram ou forçar alguém a recomendar. Só acho que, se você gosta da história ao ponto de querer ler bônus sobre a mesma, terá recomendado. Além de que recomendações me fazem feliz, não é? Então quero recompensar quem me fez feliz. ^.^
Bem, é só. Com o decorrer da história, falaremos mais sobre esses bônus. Bjos e até mais!
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