The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
52 Capítulo 04
Notas iniciais
“Mentir não é questão de caráter; afinal, todos nós mentimos vez ou outra. O que diferencia os mentirosos então não são as mentiras em si, mas sim o que o motivou a contá-las.”
Desde o primeiro momento, Damon não gostou nenhum pouco do tal George. Claro que inicialmente foi por puro ciúme, já que Alice estava com ele quando Caleb apresentou-lhe a figura. E a baixinha nem mesmo tentou disfarçar o quanto a beleza morena de George a deixou admirada.
Mas Damon era uma pessoa adulta, por mais que às vezes agisse um pouco fora do protocolo; afinal, aquela era sua melhor máscara. As pessoas geralmente baixavam a guarda quando ele agia de forma tão descontraída e infantil, deixando a margem necessária pra que ele pudesse trabalhar como bem entendesse. Então, voltando a questão inicial, ele era uma pessoa adulta e por isso não costumava não gostar de pessoas apenas por que elas eram bonitas e tinham um maldito sotaque europeu. Isso só servia pra que Damon mantivesse um pé atrás com tal pessoa, lançando a esta um olhar mais analítico.
E quando ele observou o tal George de mais perto, decididamente não gostou do que viu. Pois poucas eram as pessoas que conseguiam enganar Damon Salvatore. E nas atuais circunstâncias, George de Castro não era uma dessas pessoas.
Conhecera-o em sua sala enquanto conversava com Emmett, tendo Alice mexendo em seu computador pessoal. A garota viera até seu escritório com a esperança de poder dar uns amassos às escondidas, mas Emmett aparecera logo depois. Quem o tinha conhecido como zelador, não o reconheceria agora se o reencontrasse: o semblante antes carrancudo agora se abria em sorrisos com uma frequência muito maior do que antes e ele parecia satisfeito consigo mesmo. Grato por tudo o que tinham feito por ele, Emmett se aproximara de todos eles e se mostrara um bom amigo desde então.
E naquela tarde, particularmente, Emmett estava feliz. Ele já fora informado por Bella que Caleb queria os três para prestar consultoria ao FBI em um caso aberto depois da quase captura de James Mitchel, o qual tivera sua cabeça decepada e remetida a Bella via correio. Eles não queriam mais saber qual era a ligação de Bella com o bandido, já que agentes a tinham entrevistado algumas vezes depois do ocorrido e nada tinham encontrado contra a garota. E era a possibilidade de encontrar um traidor na filial da qual um dia fizera parte que deixava Emmett naquela empolgação toda.
Mas a conversa animada tinha sido interrompida quando Caleb entrara em seu escritório, trazendo George a tiracolo. Assim que foi apresentado ao rapaz, Damon não teve bons pressentimentos quanto aquela novidade. Sabia que Edward viajara e que nada dissera a Bella sobre tal viagem e agora era informado de que aquele bonitão engomadinho, sendo ele um Natural muito bem treinado, viera passar um tempo em território americano? Embora soubesse que aquilo não passava de paranoia sua, alguma coisa na expressão de Caleb deu-lhe a impressão de que a presença de George... não, não podia ser. Ou podia?
Não, isso era absurdo. Conhecia seu mentor a tempo suficiente pra saber que não conseguiria colher nada de suas meias palavras ou expressões; podia não ser tão próximo a Caleb quanto Edward o era, mas conhecia muito daquele homem pra criar expectativas quanto a isso. Então era loucura imaginar que poderia ter vislumbrado algo.
A menos que Caleb tivesse permitido que ele visse tal coisa. Seria isso possível?
Não, era insanidade pura. Loucura demais pra que Damon pudesse processar tal coisa de forma lógica.
Pra dizer bem a verdade, Damon não entendia muito bem as coisas que aconteciam nos últimos tempos. Por mais que não se metesse na vida de Edward, preocupava-se grandemente com o amigo. Depois do rompimento com Bella, este se fechara em um mundo só seu, esquecendo-se até mesmo de suas irmãs; então o que sobrara pra seu melhor amigo? Menos do que nada. Apenas o inquietante e deprimente silêncio.
Só que Damon conhecia Edward demais pra acreditar que o rompimento com Bella pudesse derrubá-lo daquela forma. Aliás, as circunstâncias do rompimento nunca foram explicadas a ninguém; aos mais próximos, fora permitido saber apenas que o namoro não dera certo por falta de confiança de ambas as partes. Mas o motivo... bem, este ficara a imaginação.
Ele, como um bom amigo, tentara fazer com que Edward desabafasse, mas este se recusara em todas as tentativas. Então fora aí que Damon percebera que tal rompimento ia além do simples relacionamento entre Edward e Bella.
Damon respeitava o espaço do amigo, claro. Mas tal respeito meio que era anulado quando Damon tinha a certeza de que alguma coisa de muito ruim iria acontecer com Edward se ele não se pronunciasse. E era justamente esse sentimento que o invadira quando Caleb lhe contara que Edward embarcara pra França.
Desde quando Edward aceitava fazer longas viagens sem lhe comunicar? E desde quando Edward fugia de seus problemas pessoais? Claro que o afastamento do rapaz para com Rosalie quando esta se embriagava por razões desconhecidas contava como fuga dos problemas pessoais. Mas Damon sabia o quão delicados eram assuntos familiares ao Edward... mas Bella não era família. Não ainda, pelo menos. Então não condizia com a personalidade do rapaz aceitar um trabalho repentino na França só pra fugir da garota.
Havia mais alguma coisa por detrás daquilo, Damon estava convicto. Antes mesmo de George chegar à agência e acionar um alarme silencioso na cabeça do rapaz, Damon já estava certo de que algo de muito ruim aconteceria a Edward se ele não intervisse. O jovem Salvatore era observador, apesar das aparências. Então não era apenas o comportamento de Edward que lhe dava essa certeza. Todo mundo estava estranho: Caleb, Bella, até mesmo Lia, a qual ninguém mais via na agência depois que Bella começara a frequentar o lugar. Ciúmes? Ninguém sabia; Damon só estava certo de que alguma coisa estava acontecendo e que, fosse o que fosse, ninguém confiara nele o bastante para colocá-lo a par da situação.
Ele precisava saber mais. Precisava descobrir que merda estava acontecendo. Sempre acreditara em seu instinto e esse agora berrava que era hora de agir. Mas a pergunta era: como faria isso sem que Edward descobrisse e o matasse lentamente pela indiscrição?
Que Edward nunca soubesse disso, mas Damon sabia que ele visitava o Hospital Psiquiátrico Santo Inácio. Não fora por mal que Damon descobrira tal coisa; afinal, de inicio sua ideia era fazer uma brincadeira com o amigo e não descobrir segredos sobre ele. Certo dia, assim que Edward entrara em seu carro e partira do escritório, Damon colou em sua traseira com um sorriso no rosto, convicto em não deixar que o amigo percebesse que ele o perseguia, pregando assim uma grande peça ao dar-lhe o maior de todos os sustos.
Mas não fora bem assim. Ao invés de terminar por estacionar em frente ao prédio de Edward, invadindo silenciosamente seu apartamento pra matá-lo do coração com um senhor susto, Damon viu-se dirigindo por um caminho totalmente diferente; o destino de Edward lhe era desconhecido.
Por um momento, pensou em abandonar a perseguição. Talvez Edward estivesse esgueirando-se para um encontro romântico... mas tal ideia logo abandonou sua mente quando lembrou-se de Bella, ainda recém conhecida de ambos, porém era evidente que o rapaz estava encantado com a garota. Então não condizia com o caráter de Edward estar enamorado por uma pessoa e se encontrar com outra. Ou condizia? Afinal, as pessoas eram tão surpreendentes... quando você acreditava conhecer uma pessoa, logo esta lhe vem mostrar que, no final, ninguém se conhece.
Aliás, nós nem mesmo nos conhecemos. Por vezes, nossas ações nos surpreendem; antes daquele momento, não nos julgávamos capazes de cometer tal ato.
E foi por divagar em busca de respostas para o comportamento estranho de Edward que Damon acabou por segui-lo até uma área mais calma e arborizada da cidade, quilômetros distante tanto do apartamento de Edward quanto do trabalho de ambos. Naquele momento, a curiosidade foi maior do que sua convicção de que não devia se meter na vida particular do amigo sem antes ter sido convidado a tal.
Onde estavam? E por que Edward viera até aquele lugar sem... e o que era aquilo? Um hospital?
Então fora sem querer que Damon, meses antes, descobrira que Edward escondia um segredo dentro dos muros daquele hospital psiquiátrico. E por mais que procurasse não pensar nisso, apenas uma resposta vinha a sua mente quando a questão era quem Edward ia visitar às escondidas: era sua mãe. A mãe de Alice, sua atual namorada. A mesma mulher que Alice acreditava tê-los abandonado enquanto ela ainda era pequena demais pra se lembrar dos detalhes. Como base, Alice possuía apenas a versão do pai; mas, depois de tudo o que acontecera em sua família, a palavra de Carlisle não era nenhum pouco confiável. Então se Edward sabia o que tinha realmente acontecido... por que o silêncio?
Por que Edward guardava segredos sobre tal assunto? E por que sua mãe estava internada em um hospital psiquiátrico?
Afim de remediar sua indiscrição ao seguir seu melhor amigo e descobrir, mesmo que sem querer, um de seus maiores segredos – senão o maior de todos os segredos – Damon decidiu que nunca mais pensaria nisso. Não julgaria o amigo e muito menos meteria o bedelho naquele assunto tão pessoal.
E manteve tal decisão até que o rompimento do namoro de Edward com Bella colocou o rapaz naquele estado preocupante. Por mais que Damon buscasse dizer a si mesmo que aquilo não era problema seu, não era o que sentia; no fundo, aquela sensação inquietante o impelia a agir.
O momento da ação veio, claro. Foi justamente quando Edward partira pra Europa sem lhe comunicar nada e recusando-se a falar com ele enquanto estava por lá, tendo ainda por cima aquele maldito George desfilando pela agência e aquela sensação inquietante que fazia revirar seu estômago que Damon decidiu-se.
- Chega de palhaçada. – ele se lembrava de ter dito ao pegar seu paletó do encosto da cadeira e sair do escritório com uma determinação que surpreendeu a ele mesmo. Não havia hesitação em seus atos. Damon Salvatore não estava com medo de estar tomando a decisão errada e assim perder seu melhor amigo, o qual já estava mais distante do que o rapaz poderia suportar. Naquele momento, lhe parecia que o que estava prestes a fazer deveria mesmo ser feito por ele. Alguns julgariam aquilo como loucura, mas Damon não era apenas uma pessoa racional; apesar de seu nível de intelecto e seu grau de instrução, ele sempre deixara um espaço pra sua intuição.
E essa nunca falhava.
Tinha que sondar aquele hospital. Com um pouco de sorte, a mãe de Edward estaria entre os pacientes de menor risco; assim, ela poderia estar do lado de fora do prédio, facilitando sua vida.
- Então o senhor deseja saber mais sobre nossos serviços? – o médico responsável pela ala principal entrou na recepção, um grande sorriso em seu rosto enrugado.
- Adoraria, Dr. Johnson. – Damon respondera ao se levantar e apertar a mão que o homem lhe estendia. O nome do tal médico ele soubera ao relancear um olhar ao bolso do jaleco muito branco que ele vestia, constatando também através da foto do crachá de identificação que o simpático doutor não era nada fotogênico. – Meu nome é Carl Stevens e sou advogado criminalista. Mudei-me recentemente pra esta cidade, mas meu pai ainda está internado na cidade de onde venho. Por isso estou procurando um bom lugar onde eu possa interná-lo.
- Por acaso o senhor não trouxe consigo a ficha médica de seu pai, pois não? – o médico perguntou, lançando a Damon um olhar avaliativo. “Desista, doutor.”, Damon pensou enquanto sorria docemente, “O jogo ao qual o senhor está tentando jogar, eu já ganhei faz tempo.”
- O médico responsável pelo tratamento de meu pai impediu-me de dar qualquer detalhe sobre seu estado clínico. – Damon esclareceu ao dar de ombros com um ar de quem se desculpa. – Por hora, estou apenas observando mesmo. Não quero deixar meu pai tão longe de mim como está no momento, mas também não posso escolher qualquer lugar. No momento, busco o melhor. Simplesmente o melhor.
- Entendo, entendo... – o médico respondeu de forma vaga. – Mas o senhor não me pode adiantar nem mesmo a gravidade do estado clínico de seu pai? Assim, saberei em qual ala ele se instalaria.
- Não é nada grave, doutor. – Damon apressou-se a confirmar. – No momento, ele tem tanta liberdade quanto possível dentro do hospital onde está internado. O grande problema na doença de meu pai é que o impede de cuidar-se sozinho, sabe? Nem mesmo as menores tarefas diárias ele pode fazer por si só sem ter alguém que o acompanhe. – “Meu pai deve estar rolando na sepultura uma hora dessas.”, Damon pensou, divertido. “Desculpe, meu velho, mas é por uma boa causa.” – Do contrário, ele moraria comigo. Mas sabe como é; sou uma pessoa ocupada. E contratar alguém pra cuidar dele dentro da minha casa...
- Sim, eu o entendo. – o médico sorriu, compreensivo. – Então podemos começar com uma caminhada pelo exterior do prédio, onde agora os pacientes tomam banho de sol e se empenham em algumas atividades.
- Se o senhor não se importar, gostaria de caminhar sozinho. – Damon manifestou-se, desarmando o médico com seu sorriso simpático. – Sabe como é; quero observar o comportamento dos demais pacientes sem que algum conhecido me acompanhe. Eles não são agressivos, ou são? Por que meu pai é um ser particularmente frágil...
- Não, não se preocupe. – o médico apressou-se a explicar. – Os pacientes agressivos recebem um tratamento mais restrito, sendo que os separamos dos demais pra evitar acidentes indesejáveis. Se o senhor deseja observar o comportamento dos demais pacientes, eu entendo; afinal, deve conferir se o ambiente é seguro pra que seu pai possa levar uma vida tranquila. Temos enfermeiros espalhados pelo lugar, portanto estarás mais do que acompanhado. Depois de sua caminhada, queira por favor pedir pra que a recepcionista me chame.
- Sim, naturalmente. – Damon sorriu mais uma vez ao apertar a mão do doutor. – Pelo pouco que pude ver, o lugar é fantástico. Acredito que seja aqui o lugar ideal... só estou conferindo devido ao protocolo mesmo.
- Eu lhe entendo, Sr. Stevens. – o médico sorriu, apertando a mão de Damon com um pouco mais de firmeza do que da primeira vez. – Seu pai tem sorte em ter um filho como o senhor.
- É o que eu digo a ele todos os dias. – Damon sorriu, enigmático.
Minutos depois, ele estava nos jardins do hospital, cercado por pacientes e enfermeiros. Não adiantaria de nada que o médico lhe mostrasse o interior do prédio caso a mãe de Edward estivesse internada como uma paciente mais grave. Conhecendo o rapaz como conhecia, certamente que Esme – se Damon estava certo, era esse o nome da mulher – não seria mostrada como um exemplo dos serviços prestados pelo hospital. Então se ela não estivesse no pátio... bem, Damon teria que pensar em outra coisa.
- Ela não está aqui, rapaz. – uma voz feminina soou durante sua caminhada pelos jardins, tirando-o de seus devaneios. Desviando seus olhos, ele encontrou uma mulher idosa sentada em uma cadeira pintada de branco, um livro descansando em uma mesinha ao seu lado.
Damon encarou os olhos castanhos por um momento, pensando nas palavras da mulher. O que ela lhe dissera?
- Sabe quem estou procurando, Sra... – ele tentou, sentindo-se tolo por deixar-se pegar por uma paciente daquele hospital. Certamente que ela seria tão louca como os demais... e ali estava Damon, conversando com ela.
- Meu nome não importa. – ela fez um gesto impaciente. – Mas se quer me chamar de alguma coisa, pode me chamar de Marie.
- Marie. – Damon repetiu, ainda observando a pequena idosa. Ela não se parecia com os demais pacientes, isso era fato. Enquanto eles estavam em situações que iam do mais profundo silêncio, com a atenção voltada pra algum ponto desconhecido enquanto a saliva escorria pelo canto de suas bocas, até correr aos gritos pelo lugar, alardeando que o fim do mundo estava próximo, Marie estava sentada da forma mais ereta possível, observando tudo com aqueles olhos castanhos e espertos. – Muito prazer, Marie, meu nome é...
- Damon. – ela interrompeu-o pra sua grande surpresa. Por que Damon estava prestes a dar-lhe um nome falso, coisa que ele antes fizera com o Dr. Johnson. Mas a mulher o chamara pelo nome... isso era certo? – Não me olhe assim, Damon Salvatore. Eu sabia que você viria antes mesmo de você decidir que vir até aqui era preciso.
- Quem diabos é você? – ele perguntou num quase sussurro, esquecendo-se totalmente de usar da boa educação. Marie apenas sorriu, apontando uma cadeira mais próxima.
- Sente-se, rapaz. – ela disse. – Tenho algumas coisas a lhe dizer e preciso que ouça com toda a atenção.
O Dr. Israel Johnson nem mesmo viu quando Damon passou pela recepção, saindo dos terrenos pertencentes ao hospital psiquiátrico e dirigindo-se ao seu carro sem nem mesmo se dar conta do que fazia. Por que ele decididamente estava enlouquecendo; e o maior sinal de tal loucura era que tudo, simplesmente tudo fazia sentido.
Por que quando você chega ao ponto de encontrar sentido na loucura... a situação não está muito bonita pro seu lado.
Mas fora essa loucura toda que acabara por levá-lo a Paris. Sorrateiro como um bandido, Damon pedira a ajuda de sua namorada pra acobertá-lo enquanto ele seguia até Paris afim de salvar a pele de seu amigo e futuro cunhado.
- Aquele desgraçado viajou por que ele quis! – Alice protestara quando Damon, ao chamá-la até seu apartamento, lhe confiara seu destino imediato. – Nem se importou que minha formatura é daqui uma semana ao pegar a merda daquele trabalho e simplesmente sumir Europa a fora. Por que você, de repente, decidiu que deve segui-lo e trazê-lo de volta? Se ele foi sozinho, que trate de voltar sozinho!
- Não cabe a ele tal decisão, querida. – Damon respondeu enquanto separava as coisas necessárias pra sua rápida viagem. – Ao contrário do que você pensa, não foi decisão de Edward viajar nesse momento tão importante pra você e Bella. Aliás, foi exatamente por isso que o obrigaram a viajar...
- Obrigaram? Quem “obrigaram”? Se ele foi... se Caleb o mandou... mas Caleb... posso saber o que está acontecendo? – Alice perguntara finalmente ao ver Damon jogar algumas peças de roupa dentro de uma mala. – Impressão minha, ou o mundo decidiu enlouquecer de uma hora pra outra?
- Não, não é impressão sua. – Damon respirou fundo ao parar no meio de seu quarto por um momento, pensando no que mais precisaria levar consigo. – O mundo decididamente está enlouquecendo.
- Seja direto comigo, Damon. – Alice pediu ao parar em frente ao namorado, impedindo-o de prosseguir naquela correria. – O que está acontecendo? Que história é essa de viagem inesperada?
- Alice, eu preciso que você confie em mim. – ele retrucara ao segurar a namorada pelos ombros, olhando dentro de seus olhos. – Eu te amo, te amo muito; e você sabe disso. Mas eu sei de coisas que não posso compartilhar nesse momento. Só posso lhe dizer que Edward não está tão bem quanto ele pensa e é meu dever correr até lá pra salvar a pele daquele teimoso.
- Há algo de errado com ele? – Alice perguntou, o medo estampado em seu delicado rosto. Horas antes, ligara para o irmão e despejara todas as injúrias conhecidas por ela, ficando ainda mais furiosa quando ele desligara o telefone, dizendo que tinha coisas mais importantes a fazer. Mas agora... o que estava acontecendo?
- Há algo de errado em meio a todos nós, querida. – Damon suspirou, dando um leve beijo nos lábios da garota e a abraçando apertado. – Cuide da Bella. Aquele tal do George não é tão confiável quanto ela pensa.
- O que você quer dizer com isso? – Alice se assustou, afastando-se dos braços do namorado pra olhar em seu rosto. – Existe... existe alguma coisa por detrás dessa viagem do Edward e da visita inesperada do George?
- É isso o que preciso descobrir. – Damon foi firme ao dizer. – E pra isso preciso que você não saia de sua casa e diga a qualquer pessoa que te ligar que eu estou com você. Meu celular permanecerá desligado, portanto tenho certeza de que, ao perceber meu sumiço, ligarão pra você. Preciso de tempo pra fazer o que precisa ser feito, mas não posso permitir que eles tenham certeza de que estou envolvido nisso.
- Damon, você está me assustando. – Alice choramingou com lágrimas nos olhos. – Isso tudo não é perigoso, é? Edward não está em perigo, está?
- Não se preocupe, meu anjo. – Damon a acalentara ao abraçá-la uma última vez, colocando todo seu amor naquele único abraço. – Apesar de parecer loucura, parece que todas as coisas nas quais eu acreditava mudaram de figura; agora, minhas únicas certezas são justamente coisas as quais eu antes não acreditava. Nunca fui cético, mas o que agora acontece... meu bem, eu prometo que logo estarei de volta. Será apenas o tempo de ir pra França, pegar o Edward nem que for pelos cabelos e arrastá-lo de volta. Em menos de um dia, estarei de volta.
- E a Bella? – Alice perguntou ao ver o namorado pegar a pequena mala e olhar ao redor, conferindo se não estava esquecendo de nada. – Como posso cuidar dela se nem mesmo sei o que está acontecendo?
- Nesse momento, sei apenas de uma coisa, Alice. – Damon respondeu, sua expressão grave. – Ela não pode se apaixonar pelo George.
- O que? – Alice escandalizou-se como se essa simples ideia fosse absurda. – Bella apaixonar-se por outra pessoa? Isso é impossível! Ela ama Edward, apesar de não estarem juntos. Então ela nunca...
- Acredite em mim, Alice. – Damon foi firme ao dizer. – Se eu não trouxer Edward de volta, muita coisa ruim vai acontecer. E não serão os atuais sentimentos de Bella que mudarão alguma coisa.
Sem tempo para maiores explicações, Damon partira. Por pouco, não perdera seu voo, mas por um milagre chegara a tempo; ele se atrasara, mas um pequeno incidente acabara por atrasar o voo também. Então, respirando fundo afim de se acalmar, ele sentou-se em sua poltrona, sentindo o decolar suave do avião.
Resgatar Edward, essa era sua missão. Por mais louco que isso pudesse parecer a princípio, como não acreditar nas palavras da velha Marie? A mulher parecia saber de tudo! Era como se... como se alguém estivesse ao seu lado, sussurrando-lhe tudo o que precisava ser dito. Isso era bizarro. Extremamente assustador. Mas como ela dissera que a vida de Edward dependia das ações de Damon... bem, o rapaz preferia viajar a toa até Paris do que não fazê-lo e acabar por perder seu melhor amigo.
Mas ali estava ele, parecendo fazer parte do mais eletrizante filme de ação. Ainda a pouco, acabara de resgatar seu amigo que saltara pra dentro do conversível alugado sem nem mesmo constatar quem o dirigia. Atrás deles, desconhecidos atiravam. Se ele tivesse demorado um segundo a mais...
- Pra onde vamos? – Edward perguntou, ainda sem fôlego.
- Segundo o que eu tenho anotado aqui... – Damon puxou a folha de papel que o tinha trazido até o hotel onde Edward estivera hospedado, correndo então seus olhos pelas palavras que ele mesmo escrevera naquela tarde. E tais dicas tinham saído da boca de Marie, que o apressara a transcrevê-las antes que um dos enfermeiros os viesse incomodar. – Depois de pegar você naquela ruela, devo dirigir até uma rua pouco movimentada e abandonar o carro. Então pegamos um ônibus e nos dirigimos até esse endereço. – passou então o papel pra Edward, que leu tudo o que estava escrito com crescente interesse.
- Como diabos você saberia de tudo isso? – Edward estranhou. – Tudo bem saber que eu estava naquele hotel, mas como saber que eu o estava esperando na saída dos fundos?
- Cara, essa é uma história muito louca. – Damon explicou, lançando a Edward um olhar significativo. – Eu não estou acreditando até agora, mas... bem, as coisas estão acontecendo, não é mesmo? Ainda estou esperando alguém pular sobre nós as gargalhadas e dizer que tudo não passou de uma grande piada.
- Acho que isso não vai acontecer. – Edward comentou num tom sombrio. – Tentaram me matar, Damon! Antes disso, lançaram uma espécie de feitiço contra mim. Ainda o sinto na minha pele, sabe? Mas parece que destruir o tal amuleto quebrou boa parte da força dele.
- Amuleto? – Damon perguntou, surpreso.
- É, cara. – Edward suspirou. – Uma espécie de macumba, sei lá.
- Que loucura! – Damon exclamou, fazendo Edward rir, desgostoso.
- Não me diga. – ele desdenhou. – Vamos parar aqui. A rua está vazia e, como não estamos longe do centro, podemos encontrar algum ponto de ônibus.
- E se não tiver linha noturna de ônibus por aqui? – Damon lembrou enquanto estacionava na guia da calçada.
- Temos que contar com a sorte, nesse caso. – mais uma vez Edward desdenhou, já descendo do carro. – Você sabe de quem é esse endereço? – ele perguntou enquanto analisava o papel que Damon lhe passara.
- Não faço ideia. – Damon deu de ombros. – A velha Marie me deu essas dicas e disse que, se eu te queria vivo, era melhor correr. Mas não disse pra onde essa trilha nos levaria.
- Marie? – Edward estranhou. – Quem é Marie?
- Bem... – Damon lançou a Edward um olhar indeciso enquanto ambos começavam a caminhar pela calçada, o carro ficando pra trás a cada passo dado. A noite estava fria, tranquila e silenciosa; uma noite atípica pra uma cena como aquela. – Eu te conto tudo. Mas prometa que não vai me bater.
- Bater em você? – Edward encarou-o, incrédulo. – Damon, você acabou de salvar a minha vida! Eu poderia te beijar agora, se você quisesse.
- Ô, camarada, calma aí. – Damon riu, divertido. – Não vamos extrapolar também, né?
- Desembucha enquanto temos tempo. – Edward disse num tom firme, mas também sorria. – Preciso ao menos tentar entender toda essa loucura.
- Antes de mais nada, você precisa saber que não será fácil sair do país e voltar pra casa. – Damon esclareceu. – Não é apenas a quebra de contrato que está em jogo dessa vez; é sua vida. Pelo que Marie me disse, eles farão de tudo pra prender você aqui.
- Mas por quê? – Edward questionou, não entendendo onde ele era uma peça importante em tudo aquilo. – Por que eu?
- Sei lá, cara. – Damon deu de ombros. – Não sei muita coisa. Marie me disse apenas o que eu precisava saber e... bem, ela disse algumas coisas sobre mim que ajudaram-me a acreditar que ela não é nenhum pouquinho louca. Louco quase fico eu diante daquela mulher, cara. Só que, pelo que eu entendi, você é importante por que Bella é importante. Então eu preciso te tirar daqui. Como, eu ainda não sei. Mas bom seria se eu chegasse em casa antes que Caleb dê por minha ausência...
- Você poderia me contar tudo desde o começo? – Edward pediu, em desdém. – facilitaria muito minha vida.
- Ok. – Damon suspirou. – Te contarei tudo então. E aí você me diz se isso não é a coisa mais sinistra que você já ouviu falar na sua vida. Por que se tudo for verdade... rapaz, nós estamos ferrados. Decididamente ferrados.
Notas finais
Eu tinha que mostrar a situação no ponto de vista dos personagens centrais da história, que são Ed e Bella. Concluída essa parte, partimos para o início do problema; o princípio real da história, que foi a partida de Edward para a Europa em circunstâncias misteriosas e outras pequenas coisas.
Do nada, surgem essas novidades que pegaram todos de surpresa. Ao passo em que certas coisas vão sendo explicadas, novas dúvidas surgem junto as novidades. Como todas aqui me conhecem desde a primeira temporada, é óbvio que não deixarei nenhum nó sem desatar. No momento certo, tudo será devidamente explicado.
Bem... é isso. Reviews? Eles me incentivam, é sério. ^.^
E quem ainda não recomendou, seria um grande presente. Bjos!
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