The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
32 Capítulo 04
Notas iniciais
“Por que a verdade, se não tratada com a devida cautela e cuidado, pode ser terrível. Mais destrutiva do que a pior de todas as mentiras.”
- Está muito distraído hoje, Edward. – Caleb disse do outro lado de sua mesa onde ele e Edward trabalhavam naquela manhã. – Aconteceu algo?
O rapaz levantou seus olhos do papel que tanto analisava pra que pudessem tomar uma decisão sobre como começar aquele caso e encarou o homem a sua frente. Era certo que Bella detestava que as demais pessoas soubessem de seus problemas... ainda mais quando dizia respeito aos dois. Um caso que ela não queria tornar público, mesmo que todos já soubessem do envolvimento amoroso entre ambos.
Mas Caleb... era confiável. Por diversas vezes o tinha ajudado, amparado. Se não tivesse sido a mão de seu mentor, de seu mestre, ele não teria chegado nem mesmo na metade do caminho.
- Uma discussão com Bella. – ele decidiu por dizer em um suspiro. – Nada de mais.
- Nada de mais? – o homem em sua frente ergueu ambas as sobrancelhas em descrença. – Você não demonstra que não seja nada de mais.
- É que... é complicado, Caleb. – Edward gaguejou à procura das palavras certas. – Eu e Bella... bem, você já deve ter percebido.
- Sim. Todos já perceberam. – havia um pequeno e compreensivo riso nos lábios de Caleb, coisa que serviu pra acalmar e confortar Edward. Por que não falar sobre? Se Bella não gostava de falar sobre eles, ele não tinha nada com isso. Era opção dela, decisão dela, não dele. E ele já estava farto disso. – E ela é muito importante pra você, não?
- Muito. – ele confirmou com um suspiro. – Apesar de toda essa diferença de idade, que nem é tão grande assim mas acaba por fazer diferença, nós sempre nos entendemos. Bem, esse “sempre” quer dizer “por um tempo”, na verdade. Eu a conheci quando era uma simples garota retraída, presa em sua própria dor. – Edward mordeu a língua pra que não falasse demais. Uma coisa era falar sobre eles... outra coisa bem diferente era falar sobre o passado dela.Um Tabu que fora revelado apenas à ele. – Eu, junto aos demais, a ajudei a chegar até aqui. Mas agora...
- Parece que tudo está de pernas pro ar, não? – Caleb mais uma vez o compreendia sem que ele precisasse verbalizar suas dúvidas. – Não esquente a cabeça com isso, Edward. Bella é muito jovem, passou por duras coisas e tem um dom muito grande com o qual lidar. Está numa fase de mudanças, de evolução: é normal que pareça meio esquiva, distante, difícil de lidar. Além do mais, vocês são... diferentes. O relacionamento sempre é mais complicado nesses casos. – e lá estava aquela odiosa palavra outra vez: diferença. Essa absurda diferença que parecia colocar um abismo entre Bella e ele. – Bella tem um dom muito, muito grande. Talvez fique melhor, muito melhor do que eu, já que ela possui algo maior do que eu possuía quando tinha sua idade. Se eu não tivesse feito tudo que fiz pra trazê-la até nós, não...
- Desculpe. – Edward interrompeu ao acreditar que tinha ouvido errado. Como era mesmo aquela última parte? – Mas... você a trouxe até nós? – desacreditou. – Como assim?
- Ela... não te contou? – Caleb parecia totalmente desconfortável. Como se tivesse falado demais.
- Não me contou o que? – agora ele estava mesmo atento a todas as palavras que saíam pela boca do homem. O que Bella andava escondendo dele? E de novo. – O que aconteceu que eu não esteja sabendo?
- Oh, Edward, me perdoe. Mas eu não te posso contar. – Caleb balançou a cabeça, pesaroso. Parecia constrangido por ter caído em terreno tão perigoso. Tão íntimo. – Eu nem contei a ela, na verdade ela descobriu por si só. Foi naquela noite do baile, lembra? Pensei que ela tivesse te contado tudo depois. Diz respeito a ela e se ela não lhe contou... me desculpe. Mas terá que perguntar diretamente a ela, não a mim.
E sem mais nada dizer, voltou ao que antes estivera fazendo. Mas Edward não conseguiu mais se ater ao seu trabalho nas horas seguintes.
Fora tolo e acreditara que Bella confiasse nele. Que tivesse lhe contado sobre seu passado, seus medos, suas dores por que confiava nele. Por que o amava.
Mas parecia que não era assim. A garota se abrira com ele naquela noite como... como uma espécie de confissão. Imaginara que poderia morrer tentando inocentar Eric e assim lhe contara seu passado pra que alguém soubesse o porquê de ela ter se arriscado daquela forma.
Ela só o usara. Isso não era coisa da Bella que ele conhecia. Que ele amava.
Mas, dentre tantas máscaras que ele já a vira usar ao representar tão bem pessoas que ela na verdade não era... qual delas era a real? Será que ele conhecia mesmo a Bella de verdade? Será que ele não se apaixonara por uma das muitas farsas que a garota representava tão bem?
Não queria pensar sobre isso. Devia ter outra explicação. Certamente que deveria...
Não era novidade alguma o fato de ela ser totalmente esquiva e fechada quando se tratava de coisas pessoais. Era um direito dela lhe contar ou não seus problemas particulares. Mas ser deixado de lado sempre doía... e essa dor sempre trazia dúvidas. Só que aquelas dúvidas podiam não ser nada, na verdade.
Ele mesmo não contara tudo sobre si mesmo à ela. Não contara por que resolvera seguir aquela carreira, por exemplo. Certo era que a garota nunca lhe perguntara sobre, mas... não era esse assunto seu Tabu particular? Afinal, todos tinham um calcanhar de Aquiles.
Só que não lhe contar que Caleb estava por trás de algum plano pra trazê-la até ali... bem, isso era diferente, não era? Uma coisa sem motivos pra que ela a quisesse esconder. Por que não contar? Por que esconder?
Por que não confiar nele?
- Bem, Edward, vou lhe dar um tempo de folga. – Caleb resolveu depois de algum tempo de trabalho que não tinha rendido muita coisa. – Vá comer alguma coisa, esfriar a cabeça... lá pelas três da tarde nós retomamos, ok?
- É... é melhor. – ele sussurrou ao se levantar e começar a recolher os papéis.
- Edward, me escute. – seu mentor disse num rompante ao impedir que o rapaz se afastasse da mesa, se levantando e parando em frente a ele. Edward podia sentir o magnetismo que as pessoas tanto falavam... e se ele, que era um dos mais promissores pupilos que Caleb já tivera em toda sua vida, sentia isso, como as demais pessoas não deviam se sentir? Como as mulheres não se sentiam em sua presença? Deslumbradas seria um eufemismo perto da verdade. – Eu não queria causar nenhuma espécie de intriga entre você e Bella. Tenha paciência com ela, tenho certeza de que ela está esperando a hora certa pra falar sobre isso com você... ou o considera algo tão insignificante, um detalhe tão indigno de atenção que nem mesmo pensou em compartilhá-lo com você. O caso é: dê tempo ao tempo. Não coloque caraminholas em sua cabeça apenas por pequenas coisas, releve as diferenças. As grandes já fazem um trabalho e tanto quanto a isso.
- Ok. – Edward procurou sorrir, mas não era algo tão fácil naquele momento. – Prometo que quando eu voltar, estarei totalmente focado no trabalho.
- Esqueça o trabalho, rapaz. – Caleb deu de ombros com um sorriso luminoso. – É apenas trabalho. Ninguém morrerá se não o resolvermos, muito embora deixemos de ganhar uma boa grana. – dessa vez o riso de Edward foi um pouco mais verdadeiro. – Esfrie sua cabeça sim, mas por você. E por Bella, claro. Não pelo trabalho. – uma pequena pausa. – Ajudaria se eu trocasse você e Damon de caso? Te colocasse junto à Bella e trouxesse Damon pra trabalhar comigo?
- Não, Caleb. É muito generoso de sua parte, mas você bem sabe que não abandono um caso pela metade. – Edward suspirou ao passar uma das mãos pelo cabelo acobreado, seus olhos se desviando até as paredes de vidro. – E... bem, Bella e eu só brigaríamos dessa forma. Iria piorar as coisas, não melhorá-las.
- Você tem razão. – Caleb concordou e então completou com um riso tímido, como de quem pede desculpas. – Não me veja como um enxerido mexeriqueiro, mas é que a satisfação de vocês, o bem estar de minha equipe importa e muito pra que minha agência ande. E você é um dos meus melhores. Não te tenho apenas como um funcionário, e você sabe muito bem disso.
- Sim, eu sei. – Edward riu com sinceridade e deu um tapa amistoso no ombro de Caleb que riu mais abertamente. – Também gosto de você mais do que como apenas meu chefe e velho mentor.
- Ok, não concordo com essa de velho, mas tudo bem. – Caleb gracejou e ambos riram. – Vá pra casa, coma alguma coisa e descanse. À tarde você volta.
- Obrigado, Caleb. – Edward agradeceu sinceramente. Caleb deu uma piscada amistosa e deu de ombros.
- Não há o que agradecer, filho. Agora vá. – e Edward então se despediu, saindo do escritório que poderia ser considerado como o cérebro daquele prédio. Era onde as coisas realmente grandes aconteciam. Ele era um dos poucos que tinha acesso quase irrestrito a sala de Caleb, tendo uma relação muito próxima com ele.
Mais do que seu professor, mais do que seu chefe. Caleb era como um pai pra Edward.
Melhor do que aquele canalha. E um dia Edward acreditara nele... mas isso era passado. E passado tinha que ser esquecido, enterrado. Não deixaria que essas lembranças infelizes o corroessem novamente. Não depois do esforço de Caleb ao ajudá-lo e ampará-lo, ambos então chegando até onde hoje estavam.
Mas seria até melhor pensar sobre isso do que pensar sobre Bella e os segredos que ela insistia em guardar dele. Na confiança que ele imaginara conquistar, mas que agora via que não chegara nem mesmo perto.
Então... será que conquistara algo? Será que conquistara... o amor da garota? Ou durante todo esse tempo ele vivera uma mentira, um sonho? Uma coisa que só existira em sua cabeça?
Será que Edward Cullen só conhecera uma máscara de Bella Swan e... se apaixonara por ela?
xxx
- Bella, você está mesmo em Marte hoje. O que houve? – Alice estava falando ao seu lado enquanto Bella parecia despertar de um longo sonho, voltando à realidade que a cercava. Estavam saindo da escola depois de mais um dia de aula, a amiga agora cobrando a atenção que ela não lhe dera durante o período letivo inteiro. Mas o caso era que a cabeça de Bella estava a mil, indo em todas as direções, pensando sobre os mais diversos assuntos.
Primeiro pensava sobre Edward. Ambos estavam mesmo distantes desde aquela festa na casa de Caleb, festa que marcara o início da carreira dela. Mas... aquela discussão da noite anterior tinha sido a mais séria de todas. Geralmente eles discutiam e ficavam bravos um com o outro, se recusando a falar qualquer coisa em desculpas. Só que isso passava e logo estavam aos beijos, sussurrando o quanto um era importante pro outro, o quanto sentiam muito, o quanto iam lutar pra que isso jamais se repetisse...
O que não acontecera daquela vez. Ele não ligara e ela tampouco o fizera, preferindo ficar horas e horas acordada noite a fora do que dar o braço a torcer.
Ele era tão... extremista! Tão mesquinho quando se tratava de suas próprias verdades! Custava aceitar que ela poderia ser algo que estava além da compreensão deles? Alguém que ia além de uma simples leitura de expressões faciais e linguagem corporal?
Mas ele não acreditava nisso. A chamaria de louca se lhe contasse que ouvia vozes, às vezes. Enquanto dormia... ou até mesmo acordada. Vozes que eram um zumzumzum em sua mente, ou uma voz desconhecida que, de repente, lhe chamava pelo nome.
A chamaria de louca se ela dissesse que via coisas. Que via escuridão cercar pessoas. Que sentia isso e que às vezes a afetava.
Era por isso que não lhe contava. Era por isso que nem mesmo lhe contara que Caleb estava por trás de tudo até ali, por trás de tudo que acabara por trazê-la até a agência, o Grupo Langdon. Preferira mascarar a verdade ao lhe explicar o que Caleb lhe queria dizer naquela noite da festa. Por que uma coisa levava à outra... e Edward ainda não estava pronto pra falar sobre isso.
Em segundo vinha Emmett. Ele parecera tentado em aceitar a oferta que ela lhe fizera na noite anterior, mas Bella não o vira na escola naquela manhã. Pela primeira vez desde que chegara naquela escola, Bella não vislumbrou o uniforme verde musgo do zelador.
E isso a deixava inquieta.
E se ele desistisse? Se resolvesse deixar essa coisa de lado e simplesmente fugir outra vez?
Edward lhe perguntara por que Bella se importava tanto com isso, mas o caso era que nem mesmo ela sabia ao certo. O caso era que Emmett era uma das melhores pessoas que Bella já conhecera, tinha um dos corações mais puros. Só que... havia escuridão cercando essa pureza toda, essa bondade tão reconfortante. E o tempo... o tempo acabaria por levar à morte dessa coisa boa que Emmett carregava dentro de si.
Pois era assim que a maioria das pessoas se tornava egoísta e sem sentimentos. Quando morriam por dentro e permitiam que a escuridão as tomasse.
E uma vez que Bella olhara naqueles olhos... parecia que agora a dor dele era a dor dela. Por que apenas ela poderia saber a magnitude de tal dor. Era como se... como se, de alguma forma, ela participasse da alma das pessoas se seus olhares se encontrassem por tempo suficiente.
E a alma de Emmett mexera com os sentimentos da alma de Bella. Era por isso que ela se via na quase obrigação de ajudá-lo.
Mas Edward não compreendia isso. Não ainda, pelo menos. Ela esperava que um dia compreendesse... queria muito que um dia ele a compreendesse. Mas esse dia ainda não chegara.
- Me desculpe, Alice. – ela passou uma mão pelo rosto, realmente cansada. Ansiava como nunca pelo final de semana. Pelo glorioso final de semana. – Estava apenas pensando...
- Brigou com Edward de novo, não foi? – a baixinha a fitava com repreensão em seus olhos castanhos. – Quando é que vocês deixarão de putaria e verão que se amam demais pra permitir que coisas tão idiotas venham tirar a paz de seu relacionamento?
- Não é tão simples assim. – Bela resmungou enquanto desciam as escadas em direção ao estacionamento. Damon sempre passava por ali pra levar Alice pra casa, Edward tomando seu lugar quando ele estava realmente ocupado demais pra fazê-lo. Mas naquela tarde ambos iriam trabalhar juntos, então... ela aproveitaria a carona, como vez ou outra já o fizera.
- Esse é o caso, Bella. – Alice suspirou, parecendo cansada. – Vocês transformaram um simples namoro em uma maldita novela mexicana.
- Eu jamais pediria que você me entendesse. – Bella rosnou lançando um olhar realmente zangado a Alice que estreitou seus olhos pra amiga. – Seria pedir demais pra sua pouca capacidade de processamento. – então Bella soube que tinha ido longe demais. Pois só quando estava realmente magoada Alice se calava. E agora o silêncio parecia pesar duzentos quilos nas costas de Bella. – Escute, Alice. Desculpe-me, eu...
- Está sobrecarregada, está tensa, está ansiosa em se mostrar melhor do que os outros esperam de você. – Alice completou sem, no entanto, encarar a melhor amiga. Damon já era visível, estacionado em uma das vagas pra visitantes, e era nele que ela tinha seu olhar fixo enquanto se dirigia a Bella. – Só não sei por quanto tempo dará essas desculpas idiotas por magoar quem realmente se importa com você.
Bella ainda fitou boquiaberta a amiga que abriu um imenso sorriso, indo se lançar ao encontro de seu namorado. Por que Alice e Damon, ao contrário de Bella e Edward, estavam namorando publicamente. E apesar das brigas ocasionais, tão comuns em qualquer casal, pareciam estar bem.
Vendo o sorriso imenso nos lábios de Damon quando aceitou o corpo que se lançava contra ele de bom grado, Bella refletiu sobre o porquê de não estar namorando com Edward assim, pra que todo mundo os visse. E então se lembrou. Não era por que ela não o amasse, longe disso já que Bella sempre sentira por Edward algo fora de série, algo que nunca tinha sentido por nenhum outro. Pois jamais houvera algum outro... e ela não queria que houvesse.
Era por que Bella não confiava. Não nas pessoas de um modo geral (se bem que isso também se aplicasse a elas), mas... em especial, Bella não confiava em si mesma. Não queria demonstrar-se dependente de ninguém, se habituara a viver por si só. Tinha John e Suzy, claro, mas esses nem mais a sustentavam – o que de fato o tinham feito por pouco tempo, em serviços prestados à Caleb.
Aos poucos, fora o que ela pedira. Mas parecia que esse “aos poucos” estava sendo uma espera muito grande pra Edward. Ele estava se cansando, era evidente. Mas será que ela estava preparada pra um relacionamento de verdade? De estar ao lado de um homem publicamente e ser vista como dele? Será que suas cicatrizes permitiriam uma passada tão larga depois de tanto tempo a curtos passos?
- Não liga, Damon. Ela está assim mesmo, em outro planeta. – percebeu que Alice falava dela, os olhos castanhos ainda magoados fixos nela assim como os azuis brincalhões e zombeteiros de Damon. Balançou a cabeça e sorriu, sem graça, ao perceber que mais uma vez divagara. Estava realmente distante da realidade ultimamente... era excesso de coisas pra pensar.
- Desculpem. Cabeça cheia... – ela disse vagamente e sorriu pra Damon. – E aí, como vai?
- Bem, e você? Pronta pra mais um caso grande? – ele respondeu ao retribuir o sorriso. Parecia empolgado.
- Nem sabemos se temos realmente um caso. – ela suspirou desanimada ao abrir a porta dos bancos traseiros e entrar no veículo junto a Damon e Alice, que iam na frente. – Emmett não apareceu na escola hoje... tenho medo de que ele tenha fugido.
- Não me parece coisa dele. Poderia até recusar e bater o pé que não iria ajudar e que tampouco concordaria em nos ver se metendo em seu passado, mas fugir... – Damon desacreditou ao tirar o carro do estacionamento e seguir pro endereço do apartamento de Edward, onde ele deixaria Alice. – Não, não me parece algo que ele faria.
- As pessoas são imprevisíveis, Damon. – Bella disse misteriosamente fazendo os olhos muito azuis encararem seu rosto através do espelho retrovisor. – Não se pode prever o que faz ou o que não faz o gênero de alguém.
- Uh, falou a garota que manipulou meio mundo há pouco mais de mês. – ele se riu fazendo Bella revirar os olhos.
- Foi exatamente por isso que quase me ferrei. – ela deu de ombros. – Não se pode prever se dará ou não certo quando se trata da cabeça de outras pessoas. E quanto maior o número de envolvidos... muito mais complexo.
- Mas de certa forma tudo o que você planejou deu certo. – Alice lembrou de seu banco onde ela guardara silêncio durante a curta conversa entre Bella e Damon. – Todos agiram conforme você previu... só que o resultado final era um risco, mas isso você já sabia desde o princípio.
- Só que esse não era o plano original. – Bella esclareceu, contente de que a amiga não se tivesse recusado a lhe falar por um tempo devido a sua cruel grosseria de momentos atrás. – Eu estudei muito, analisei muito, pensei muito... depois de muitos planos que, em minha mente era muito falhos pra dar certo, surgiu essa oportunidade. Foi coisa de momento, praticamente.
- E tudo isso pra afirmar que não se pode dizer que alguém não seja capaz de isso ou aquilo. – Damon comentou. – Devo concordar em parte: erramos e muito ao pensar que, vindo desse ou daquele, não sofreremos tal coisa. É aí que quebramos a cara e nos decepcionamos... por que a verdade não é que esperamos demais das pessoas. Nós esperamos é de menos.
- E elas acabam fazendo coisas que não imaginaríamos que pudessem fazer. – Alice disse numa voz amarga que fez o coração de Bella se apertar. Não era segredo de que a garota costumava agir com quatro pedras nas mãos quando se sentia acuada, magoada ou repreendida. E quantas vezes agira assim com Alice, a garota sincera que se mostrara sua melhor amiga?
- Bem, chegamos. – Damon informou quando o carro parou em frente ao prédio onde ficava o apartamento de Edward. – Mais tarde eu te ligo, ta, amor? – ele disse todo meloso ao se debruçar e beijar repetidas vezes os lábios de Alice que, apesar da mágoa pelas palavras de Bella, sorriu de contentamento. Nessa hora o coração de Bella se apertou no peito, doendo de saudade. Por que diabos tudo não podia ser mais fácil?
- Ta. – Alice concordou, dando um último beijo em Damon e lançando um rápido olhar pra Bella. – Depois a gente se fala.
- Ok. – Bela sussurrou e Alice deu um rápido aceno de despedida ao sair do carro, batendo a porta e se adiantando em seu andar gracioso pra entrada do prédio.
- Impressão minha ou vocês brigaram? – Damon perguntou, cauteloso, ao colocar o carro novamente em movimento.
- Não brigamos. – Bella suspirou ao fechar seus olhos e encostar sua cabeça contra o estofado macio. – Eu apenas agi como a vadia que sei ser tão bem quando quero. Só isso.
- É isso o que torna a vida uma coisa tão imprevisível. – Damon filosofou mais uma vez, seu olhar atento ao movimento das ruas em direção ao centro comercial. – Nossas ações. Mais precisamente nossas ações erradas, nas horas erradas e com as pessoas erradas. As demais coisas são apenas reações ante nossos próprios erros. Nada mais.
E com essas últimas e profundas palavras, ambos seguiram em silêncio pelo tráfego cada vez mais lento. Por que Bella não tinha nada a dizer já que Damon tinha total razão.
Ultimamente ela só fazia a escolha errada, na hora errada e pelos motivos errados. Tinha que mudar isso antes que... bem, antes que as reações às suas ações pudessem desencadear ainda mais reações. E aí... as coisas poderiam fugir de seu controle.
Notas finais
Depois dessa conversa do Edward com o Caleb e dessa "briga" da Bella com a Alice, o que será que vai dar?
Nesse capítulo a Bella deu muitas dicas sobre o que acontece com ela. Sobre o por que de ela querer tanto ajudar o Emmett... o que ela é capaz de fazer. Tem muuuuuuuuuuuita coisa oculta nas linhas desse capítulo, acreditem.
E antes que caiam sobre a Bella com paus e pedras nas mãos (não que não possam fazer isso, claro. Eu dou boas risadas com a indignação de certas leitoras.) vou dar minha opinião sobre a Bella e essas suas reações impensadas: Imagine-se no lugar dela. As mentiras te cercam, a pressão é grande, o futuro incerto... ainda tem os detalhes que ela não conta pra ninguém nem sobre tortura chinesa.
Ela está quase surtando. Tem que tomar decisões importantes, e logo, isso é claro.
E o Edward... bem, o que vcs acham?
Espero pelos reviews!
Bjks!
Fale com o autor