Notas iniciais
Pela demora em postar o capítulo anterior, esse saiu mais rápido.
Se for esperar pelo Nyah...

“Se me fosse concedido tal privilégio, jamais voltaria atrás pra corrigir um erro meu. Por que querer fazê-lo já seria um erro ainda maior.”

Nada de interessante estava passando na TV. Mas isso não interessava realmente a Emmett McCarty, já que ele estava com os olhos fixos na tela sem nem mesmo vê-la.

Sua mente, como sempre, estava repletas de outras coisas. Coisas das quais ele sempre fugira desde... desde quando os desgraçados tinham matado sua família. Mas das quais não conseguira se desligar.

Por que não havia como esquecer. Os gritos agoniados de sua mulher e filho ainda pareciam soar em sua cabeça, ainda mais vívidos do que naquela noite macabra na qual ele fora obrigado a ouvi-los através do telefone sem nada poder fazer pra impedir.

E era esses gritos que não o deixam dormir. Era esses gritos que o fazia despertar aos berros toda vez em que cochilava em frente à TV, as lágrimas quentes escorrendo por sua face.

Ele sabia desde sempre que não poderia ter uma família. Era perigoso, arriscado. Mas aqueles olhos quentes e castanhos o tinham fascinado tanto... e fora o maior dos egoístas ao se casar com ela. Ao engravidá-la.

Acabara por sentenciar sua morte lenta e absurdamente dolorosa.

As batidas na porta o fizeram pular pelo susto, seu corpo tão bem treinado pro serviço de extremo risco no qual fora considerado um dos melhores se colocando em guarda em milésimos de segundo.

- Quem está aí? – perguntou ao se aproximar da única porta que ligava a pequena casa ao exterior, ao pátio da escola da qual cuidava. Um serviço tão diferente ao qual estava habituado... mas fora pra onde um grande amigo seu o tinha mandado. Pra que ele se afastasse de tudo e de todos que o fizesse lembrar de sua mulher. De seu filho.

- Sou eu, Emmett. Deixe-me entrar. – uma voz firme e conhecida soou do lado de fora da sua porta fazendo-o suspirar, cansado.

- O que diabos você está fazendo aqui, Bella? – sua voz era um rosnado, a porta ainda fechada. O que aquela garota irritante queria com ele? – É tarde da noite, como entrou na escola?

- Tenho meus meios. – ela respondeu simplesmente como se não tivesse agressividade nenhuma em sua voz. Como se ele estivesse feliz com sua visita inesperada. – Vai me deixar entrar ou vai me deixar aqui, no escuro, no meio da noite, sozinha nos terrenos desertos da escola?

Apertando os lábios com raiva e frustração, Emmett girou a chave ao abrir a porta, a figura pequena de Bella logo se fazendo visível bem em sua frente. E a garota não parecia nem um pouco insegura ou ansiosa. O que ela estava fazendo ali àquelas horas da noite?

- Vá pra sua casa, Bella. Eu juro esquecer que te vi... – ele começou mas se calou pela surpresa quando o corpo da jovem passou por ele, entrando em sua casa sem nem mesmo pedir licença. – Mas o que é isso? – ele protestou ao se virar pra encará-la, agora a figura estando parada no meio de sua sala, a porta ainda aberta às suas costas.

- Preciso falar com você e esse é o único jeito. – ela era firme, seu olhar determinado. – Emmett, preciso de sua ajuda.

- Minha ajuda? – ele desdenhou maldosamente. – Acaso precisa de minha arma emprestada novamente? Ou quer fuçar um pouco mais em minha vida?

- A segunda opção. – Bella respondeu como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Emmett permitiu-se boquiabrir. – Quero descobrir quem matou sua família.

Nem que pudesse conviver com aquela garota por mil anos, Emmett jamais a entenderia. Bella era a pessoa mais... falsa que ele já vira. Mas sua falsidade não era nada comparável aos mau caráter que ele encontrara em tão grande quantidade durante seus anos de serviços prestados.

Por que ele jamais vira pessoa tão falsa. Tão naturalmente falsa.

Quando a conheceu ela ainda usava aquelas roupas largas, como de menino, e trazia uma angústia intensa em seu olhar. Emmett tinha se compadecido dela, tinha simpatizado com ela. Por Deus, tinha falado de Roy e da noite do crime pra ela! Tudo isso por que pensara que a garota era apenas mais uma vítima da crueldade adolescente, matando aula apenas pra fugir da tortura que seus colegas deviam lhe infringir.

Ele interpretara suas perguntas como curiosidade e por isso as respondera. Só depois ele soubera o quão perigosa Bella Swan realmente podia ser.

Por que ela não era o tipo de pessoa perigosa que podia fazer coisas. Era o tipo ainda mais perigoso que te induzia a fazer coisas. Sem que você percebesse que as fazia.

Esse era o mais perigoso tipo de gente. E Bella era a mais perigosa que ele conhecia.

E agora estava mais uma vez ali, remexendo em suas feridas. O que ela tinha com isso? O que ela pensava que estava fazendo? Quem ela pensava que era pra se meter nos problemas particulares dele daquela forma?

- Você está doida? – ele sussurrou de forma incrédula. – Fora da minha casa. Agora!

- Não sairei. – ela era firme. Nem mesmo parecia que tinha pouco mais de 1,65 enquanto ele era um gigante com seus mais de 1,80 de puro músculo. – Não antes que você me ouça.

- Ouvir? – ele desacreditou. – Ouvir o que, garota? Eu não gosto de você e não tem por que você gostar de mim. Você tem sua vida e eu tenho a minha, que eu agradeceria muito se você procurasse não se intrometer. Então o que eu teria pra ouvir de você que pudesse me interessar? Por que diabos eu contaria algo sobre mim? Sobre minha vida, meus problemas?

- Por que você sabe que não vai acabar. – ela ainda estava absurdamente calma, sua leveza no modo de falar e agir se contrastando com a rudeza e acidez dele. – Não vai acabar enquanto eles não pagarem.

- E por que diabos isso te importa? – ele explodiu em gritos, as mãos passando nervosamente pelo cabelo escuro cortado tão rente ao couro cabeludo. – Isso não é problema seu, garota! Deixe-me em paz, ok? Não é por que você acha que me entende, que me conhece, não é por isso que você pode sair por aí querendo... resolver meus problemas! – ele estava ofegante, exausto. De repente todo o cansaço das longas noites insones pareceu pesar sobre seus ombros, o fazendo curvado feito um velho. – Por que você veio revolver meus fantasmas?

- Foi sem querer, Emmett. – ela disse com os olhos cheios de carinho e compaixão ao se aproximar e tocar em seu braço desnudo, já que ele vestia apenas uma calça de moletom. Mas dessa vez ele não recuou. Algo naqueles olhos o prendia de uma forma... inexplicável. Era como se ele pudesse se ver refletido neles, era como... como se eles pudessem realmente saber tudo o que ele sentia. O quanto ele sofria. Sempre sozinho. – Eu apenas... olhei em seus olhos. E estava lá, apenas estava lá. Apenas esperando que eu visse.

- Você quer dizer então que eu queria que você soubesse? – ele desdenhou, mas a acidez não era mais a mesma de antes. Agora era muito mais forçada.

- Conscientemente, não. – ela suspirou ao desviar seus olhos dos dele e então fitar o chão como se estivesse refletindo profundamente sobre algo. E estava mesmo, ele pôde logo perceber. E isso mexeu de alguma forma com ele. Por que ela estava refletindo sobre os sentimentos dele. – Mas a verdade era que você estava farto. Farto de chorar, de lamentar, de não dormir, de sonhar com eles e acordar aos berros. Estava farto de querer lutar e não poder graças aqueles que um dia te chamaram de amigo, mas que agora te mantém aqui apenas pra que você não busque justiça com suas próprias mãos. – e mais uma vez os olhos castanhos, tão compadecidos, compreensivos, fixaram os seus, prendendo-os. – Você estava farto de estar sozinho.

- Por que mentiu pra mim? – ele perguntou de repente fazendo-a apertar seus lábios e mais uma vez desviar seus olhos. – Por que fingiu ser alguém que não era? Por que me usou pra atingir seus objetivos, já que se importa tanto com o que sinto?

- Eu fui egoísta, admito. Mas não me arrependo do que fiz, já que meus erros me fizeram amadurecer. – ela riu de leve ao apertar seu braço com mais firmeza. – É por isso que quero me redimir, Emmett. Eu um dia usei sua dor pra conseguir coisas que eu precisava, isso foi cruel. Hoje eu quero lutar com você pra que possamos ao menos amenizá-la, fazendo-os pagar por isso. – deu de ombros. — É o mínimo que posso fazer.

- E como isso seria possível? – ele perguntou ainda desconfiado e ela, pela primeira vez, riu abertamente.

- Podemos nos sentar? A história é meio longa. – um gesto dele mostrou uma das duas poltronas que ficavam em frente à TV, ele se acomodando na outra enquanto a via se sentar ao seu lado, o programa maçante sendo totalmente esquecido. – Sim, menti pra você. Demonstrei uma... ingenuidade e medo que eu não possuía afim de colher informações e de ganhar sua confiança. Mas esse teatro não duraria pra sempre e logo você percebeu que fora usado.

- Essa parte eu já conheço. – ele resmungou e ela riu, envergonhada.

- Sim, eu sei. Mas isso é necessário pra que entenda. – ela suspirou. – Como sabe, eu trabalho no mesmo ramo que Edward, irmão de minha amiga Alice. Creio que você soube do que ele faz no Grupo Langdon.

- Bem por alto. – ele foi sincero e ela assentiu.

- Então te explicarei rapidamente o que sou e o que faço. Mas na maior parte, você já sabe. Só não sabe explicar. – então a morena se engajou numa rápida explicação sobre tudo o que lhe acontecera desde que se mudara praquela parte da cidade e conhecera Alice, um dia depois da morte de Vanessa e da prisão de Eric. Contou desde sua reclusão devido ao que ela podia ver em todos os que a cercavam até o Grupo Langdon que tinha lhe oferecido uma oportunidade se ela conseguisse prender o verdadeiro culpado pelo assassinato.

- Então você estava mesmo trabalhando nesse caso. – Emmett disse enquanto pensava em toda aquela loucura. – Mas isso... você é apenas uma... praticamente uma criança!

- Opa, criança não, camarada. – Bella disse com desagrado. Que história era essa de quase criança? – Eu tinha quase dezoito quando comecei a ajudar no caso e já os tinha completos quando comecei realmente a me afincar nisso. Não sou mais nenhuma criança – ou quase criança, como você mesmo disse.

- E agora você quer me ajudar a prender aqueles desgraçados. – os olhos sagazes de Emmett analisavam atentamente a garota na poltrona ao seu lado. – Sabe que é praticamente impossível incriminá-los, não sabe? Eu mesmo nem sei por onde começar.

- Pelo começo seria maravilhoso. – Bella disse com seriedade. – Veja bem, essa é a minha proposta: nós te ajudamos ao incriminar esses desgraçados e depois você considera a nossa oferta. Que é irrecusável, diga-se de passagem.

- Oferta? – ele perguntou desconfiado.

- Trabalhe conosco. Você seria um reforço de peso, sem sombra de dúvidas. – ela completou com um sorriso imenso. Trabalhar com eles? Acaso ela estava louca? Não estava ele fugindo de toda aquela merda desde... desde que o quase tinham enlouquecido naquele macabro episódio?

- Isso está fora de cogitação. – ele disse ao se levantar abruptamente e começar a andar pela sala, de um lado a outro.

- Por que está fora de cogitação? – ela quis saber com a maior naturalidade.

- Por que eu não quero mais participar desse tipo de loucura outra vez. – ele rosnou ao encarar aquele rosto calmo que prestava a maior atenção em tudo ao que ele lhe dizia. – Não quero mais... não posso mais.

- A decisão é sua, Emmett. – ela disse ao se levantar e caminhar em direção a porta. Emmett parou onde estava e franziu a testa: aquilo era inesperado. Ela não mais iria insistir? – Vingar sua família e seguir com sua vida ou agir feito um rato covarde ao se esconder num serviço que não consegue nem mesmo camuflar aquilo que é, o que nasceu pra ser? A decisão cabe apenas a você.

- Bella... – ele começou, indignado por ela o estar acuando.

- Estaremos te esperando amanhã, às três da tarde, no Grupo Langdon. Se decidir que essa é a coisa certa a fazer, vá até lá. Estaremos prontos pra ouvir a sua história. – e deu um calmo e simpático sorriso como se a visita que acabara de fazer nada mais fosse do que um simples encontro de amigos. – Boa noite, Emmett.

E saiu pra noite escura, batendo a porta atrás de si.

Apenas uma coisa se passava pela mente de Emmett: e agora?

xxx

Bella respirou fundo ao trancar o portão pelo qual passara pra entrar nos terrenos da escola. Tinha que se lembrar de entregar a chave a Roy, ela pensava enquanto a guardava num dos bolsos traseiros da calça. Ele tinha que devolvê-la antes que dessem por falta.

Sorriu ao se lembrar do amigo. Havia quem lhe dissesse que ele não teria nenhuma utilidade, que não tinha por que ajudá-lo. Mas Bella simpatizara com o rapaz, se condoera com seu drama. O ajudara e ele se tornara um amigo fiel, sempre pronto a ajudar no que fosse preciso.

Fora assim no caso da morte de Vanessa e estava sendo assim agora. Roubar a chave dum portão que poucos usavam tinha sido um tremendo favor.

Ainda havia uma promessa sua quanto aos problemas do rapaz. Certo era que ela cumprira com uma delas, mas a outra... de forma bizarra, a vida a conduzia pra que a pudesse cumprir. Por que mais uma vez tudo estava interligado.

E cabia a ela desatar todos esses nós cegos.

Caminhando pelas sombras das árvores, ela olhou ao redor, suspirando de alívio quando avistou o Volvo prateado. Eles tinham combinado que ela entraria pra falar com Emmett e que ele estaria dando voltas no quarteirão, pra não chamar a atenção de ninguém pelo fato de ter um Volvo estacionado em frente à escola àquelas horas da noite.

Bella sorria ao se lembrar da veemência de Edward ao insistir que ele a levaria naquela noite pra falar com Emmett.

- Mas Caleb disse... – ela ainda tentara. Em seu íntimo, adoraria que ele a levasse, mas ordens são ordens... ela não queria encrencá-lo.

- Posso terminar mais cedo o que tenho pra fazer. – ele informou a ela poucas horas depois de quando a tinha encontrado no escritório de Caleb. – Aí eu te levo pra falar com ele.

- Ok, Sr. Possessivo. – ela provocou com um riso torto fazendo o olhar duro e profissional dele se suavizar. Era evidente o quanto eles se gostavam.

- E aproveitamos pra tirar um tempo só pra gente. – Edward sugerira fazendo o riso de Bella se alargar.

Sim, fazia muito tempo desde que tinham estado sozinhos. Sozinhos e sem nada pra fazer, apenas pra passar o tempo como namorados. Seria muito bom matar as saudades de seu Edward.

Correu os últimos passos que a separavam do carro e entrou pela porta que Edward abrira do lado de dentro.

- E aí? Como foi? – ele perguntou com curiosidade assim que pôs o carro em movimento, Bella abotoando o cinto de segurança no banco do carona.

- Acredito que eu tenha dito as coisas certas. Usado a postura certa na hora certa. – ela deu de ombros. – Mas pessoas são imprevisíveis. Não sei se ele aceitará nossa proposta.

- Eu ainda acho que esse tipo de coisa é perigoso demais pra você. – Edward disse com cautela, tirando seu olhar da estrada deserta em frente a eles pra encarar o rosto sério e impassível de Bella. – Você deveria começar aos poucos, Bella.

- Eu também queria começar aos poucos, mas não tão “aos poucos” quanto Caleb quis. – ela resmungou se recusando a encará-lo. Parecia magoada. – Enquanto eu estava frustrada junto aqueles novatos imbecis que me achavam uma leiga idiota que nada sabia do que eles estavam falando, fazendo ou estudando, surgiu essa necessidade. Emmett não queria mais falar comigo, estava mais fechado do que nunca. Estava magoado comigo. – seu tom baixara pra quase um sussurro quando seus olhos baixaram pra suas mãos, os dedos cruzados, apertados uns contra os outros. – Eu não podia ignorar isso.

- Por que não? – Edward se admirou. – Ele nem mesmo é seu amigo! Conversou com ele pouquíssimas vezes.

- Você não entende. – ela suspirou impacientemente ao desviar seus olhos pra fora do veículo.

- Então me explique! – ele deu de ombros como se isso fosse óbvio. – Se eu não compreendo seu ponto de vista, me explique então!

- Não tem explicação! – Bella se alterou ao voltar-se pra encarar o rosto revoltado de Edward. Ela nunca lhe dizia nada, absolutamente nada. Ele sempre tinha que tentar e tentar todas às vezes pra saber o que ela sentia ou pensava. Custava ela dizer uma única vez por que se importava tanto com a vida daquele rapaz? – É... é... é complicado.

- Em que ponto é complicado? – ele perguntou desdenhoso ao parar seu carro em frente à casa dela. Bella já estava com a guarda alta, ele percebia ao encarar os impassíveis olhos da garota. Por que lá estava o vazio que ele sempre encontrava quando queria arrancar alguma coisa de suas expressões.

- Você não sente. Então não há como te explicar. – a voz estava tão inflexível quando o rosto da garota.

- De novo essa diferença, não é? – ele respirou fundo, cansado. – De novo essa coisa sobre a qual você sempre fala, mas sobre a qual nunca quer falar.

- Justamente por isso. – ela retrucou lentamente. – Você não quer falar sobre isso. Acha que é bobagem.

- Eu estou agora te pedindo pra falarmos sobre isso. – ele rosnou por entre dentes, já perdendo a pouca paciência que lhe restava. Estava trabalhando tanto ultimamente... custava ela ser um pouco mais fácil de se lidar?

- Pra que você possa argumentar e apontar o quanto isso é idiota, o quanto isso é apenas coisa da minha cabeça. E tentar me convencer a desistir desse caso. – Edward fixou seus olhos no castanho dos olhos dela que, no escuro que preenchia o interior do veículo, estavam negros. Negros como a noite. Só que estranhamente vazios.

- Você está me lendo? – ele perguntou num sussurro irritado ao que ela deu de ombros.

- E isso importa? – suspirou ao abrir a porta do carona. – Não se dê ao trabalho de escalar minha janela. Essa noite, quero dormir sozinha.

- Bela escolha. – ele resmungou realmente furioso ao ligar o carro, rangendo os dentes quando o barulho seco da porta que ela batera com força ecoou pelo carro que até mesmo balançara pela força desnecessária que ela usara ao fazê-lo.

Nada mais era como antes, Edward se lamentou com um suspiro cansado ao guiar seu carro pela rua silenciosa. Bella já não mais era a garota amedrontada de antes, já não mais era insegura ou temerosa com o que era capaz de fazer.

Já não mais precisava dele.

“Não, não. Não pense assim”, ele se repreendeu com um ranger de dentes, irritado. “É só uma fase conturbada. Vai passar. É só esperar...”

Mas algo dentro dele dizia que não era assim tão simples. Algo que insistia em doer pelas saudades dos momentos descontraídos que ele passara com ela, dos momentos que, mesmo com todas aquelas coisas que a entristeciam e magoavam profundamente, deixavam saudade pela intensidade e beleza do sentimento que os unira, os envolvera, os completara.

E era esse “algo” que insistia em lhe dizer em finas pontadas em seu peito que nada, nada jamais seria como um dia havia sido.

Por que algo muito ruim estava pra acontecer. Ele podia sentir isso... certamente podia sentir.

Notas finais
Eu sei que vocês não queriam uma discussão assim, de cara, but... bem, vou ser sincera.
A vida não é um mar de rosas. Se vc for basear sua vida em livros de romances "água com açúcar" o choque de realidade que te espera logo a frente será terrível.
Já disse e volto a repetir: minhas histórias tendem a ser bem realistas. Dou-me ao direito de, em um momento ou outro, divagar também pois ninguém é de ferro. Mas... não me cobrem conto de fadas. Não venham me ler sermão dizendo que esse ou aquele casal tem que ficar juntos até o fim. Passei por coisa parecida em outra fic onde leitoras e mais leitoras se revoltaram com o capítulo antes do epílogo.
Nessa época, as encruzilhadas ficaram todas esburacadas de tanto despacho feito pra minha pessoa.
Só que não pensem que me pressionando terão o que querem. Existem modos sutis e educados pra se expressar opiniões mas parece que poucos tem conhecimento sobre isso.
Nunca fui adepta a rasgação de seda, nunca prezei número de leitores mas sim a qualidade. Não peguem apenas trechos da história e tirem conclusões precipitadas sobre o desfecho da narrativa.
Quem leu outras histórias minhas, sabe: costumo surpreender. E até agora, pelo que sei, nunca de uma forma negativa.
Tomem cuidado com as palavras que usam ao falar do andamento da fic. Pois se elas forem rudes, as minhas também serão.
Não se preocupem, prometo que todas gostarão do desfecho da história. Pelo que sei² nunca decepcionei uma leitora sequer... a não ser aquelas que desistiram pq acreditaram que a história terminaria assim ou assado.
Coisa que, de fato, não aconteceu.
Bem, era isso. Falei mais do que o homem da cobra. Bjks a todas e muito obrigada pelo carinho.