Notas iniciais
Olá, pessoas! ^.^
Pra quem ainda não visitou, aqui está o link de meu blog literário (dentre outras coisas). Passem por lá:
http://papeisefrases.blogspot.com.br/
Notas no final; espero que leiam.

“A partir do momento no qual nosso coração clama por algo, não mais existem verdades. Por um momento, tudo perde a importância; é apenas o que ansiamos. O que precisamos fazer. E nada mais importa.”

- Você consegue acreditar nisso? – Suzy dizia enquanto encarava os olhos castanhos refletidos no espelho, suas duas mãos apoiadas nos ombros de Bella. – Faltam apenas alguns dias pra sua formatura e você estará mais do que fantástica. Antes mesmo de cursar qualquer faculdade, sua carreira já está mais do que garantida. E a Universidade pra onde você certamente vai... meu bem, você é mesmo uma pessoa afortunada.

Bella desviou seu olhar pra encarar o reflexo dos próprios olhos, um sorriso forçado em seus lábios. Ela era mesmo uma pessoa afortunada? Deveria estar feliz com todas aquelas conquistas?

Seu futuro já estava escrito. Suzy dissera as palavras certas; sua carreira já estava mais do que definida mesmo antes de ela finalmente ingressar-se na Universidade George Washington, onde Caleb prometera conseguir-lhe uma bolsa de estudos no Colégio de Artes e Ciências. Cursaria Psicologia enquanto se aprofundaria nos conhecimentos com os quais já nascera. Segundo Caleb, o qual se tornara uma espécie de mentor depois de toda a loucura que acontecera ao seu redor, sua ascensão era certa. Seu talento natural ia muito além do imaginável; com certo esforço, poderia ser ainda maior do que ele.

Mas estava feliz? Estava mesmo feliz, agora que tudo parecia finalmente caminhar como o previsto?

John e Suzy, apesar de não serem seus pais de verdade, agiam como se fossem. No início, quando John a adotara e trouxera pra casa, Bella enfrentara uma dura batalha com a relutância de Suzy em aceitá-la como parte da família. Mas depois de muitas discussões, ela finalmente decidira se esforçar em conquistar a confiança daquela mulher, mostrando-lhe que era uma pessoa diferente daquela pintada pelos seus medos. Então poderia dizer que, apesar de todos os anos de solidão e sofrimento nas mãos de pessoas hostis e cruéis, tinha um lar pra onde poderia voltar sempre que precisasse de apoio.

Além de John e Suzy, ela tinha amigos. Pela primeira vez em muito tempo, Bella Swan cativara amigos, os quais se mantinham ao seu lado, apoiando-a sempre que preciso. Com a mesma disposição demonstrada em tal apoio, estes mesmos amigos puxavam sua orelha quando percebiam que a garota estava às portas de cometer um grande erro. Em especial Alice, a irmã de Edward. A primeira pessoa que lhe dirigira a palavra voluntariamente quando se mudara praquele lugar e também fora aquela que a introduzira na fascinante profissão de seu irmão mais velho.

Se não fosse pela insistência de Alice, talvez ela nunca tivesse concordado em acompanhar de perto o trabalho de Edward e Damon, acabando por solucionar o caso sozinha. Talvez não tivesse conhecido Caleb... então não estaria onde de fato estava; em um escritório no 3º andar da Agência, sendo orientada pelo maior especialista em comunicação verbal e não verbal do país – senão do mundo todo – enquanto esperava por sua formatura da escola secundária e, enfim, começar a cursar Psicologia numa das maiores Universidades do país. Isso tudo com apenas 18 anos de idade.

Mas, olhando por outro ângulo, era óbvio que não importava os caminhos que tomasse, acabaria por estar no mesmo lugar no qual chegara. Caleb manipulara sua vida a distância, fazendo com que se aproximasse mais e mais de seu mundo sem que ela soubesse disso. Sem que ao menos se desse conta, ela era induzida a confrontar suas habilidades e aceitá-las. Então mesmo se não se aproximasse de Alice e Edward, ela acabaria por estar em meio aos funcionários do Grupo Langdon.

Só que, se não tivesse se aproximado de Edward naquele momento tão conturbado de sua vida, não teria se apaixonado por ele. Talvez se apenas o tivesse conhecido em trabalhos pra Agência, não tivesse nascido dentro de seu peito aquele sentimento tão forte. E mesmo que se envolvessem e que tivessem chegado a uma situação na qual o romance não mais era possível, talvez o rompimento não fosse algo tão doloroso de suportar.

Talvez... depois de certo ponto em sua vida, por mais que as certezas finalmente a cercassem, ela se via repleta de pensamentos baseados no talvez. Pois quando o que todo o seu ser mais pede é estar junto a uma pessoa na qual você não confia, a única resposta possível é o talvez. Um talvez com gosto de talvez nunca. Mas o sentimento era tão forte que, mesmo sendo esse o gosto que lhe amargava o paladar, acabava por consolar seu coração; mesmo sem querer, acabava por dar-lhe esperanças de que um dia o talvez nunca ao menos se transformasse em um simples talvez. Ou, com um pouco de sorte, em um sim definitivo.

Não cabia a ela ou até mesmo a Edward ditar quando seria o momento desse tão sonhado sim definitivo. Ela o amava e, graças a seu dom, via naqueles olhos verdes o quanto ele a amava. O quanto a desejava. O quanto sentia saudade de tê-la em seus braços, aninhada contra seu corpo quente e forte; acolhedor.

Mas a decisão não cabia a eles. Nos poucos meses de namoro, ambos haviam percebido que não seria possível um relacionamento amoroso se antes eles não acertassem as pendências das próprias vidas. Se antes de mais nada ambos apenas confiassem um no outro.

Pois não havia confiança. Antes, era apenas a incompreensão que reinava. Depois de tudo, a falta de confiança se fizera presente também. Então era demais pedir pra alguém como Bella que aceitasse Edward tão próximo de si, partilhando de suas alegrias, dúvidas, temores e tristezas sabendo que ele não confiava nela. Sabendo que não poderia confiar nele.

Então a separação era inevitável. Por mais que o sentimento fosse intenso, a separação era sim inevitável.

Por vezes, ela pegara seu telefone celular e o apertara forte em uma das mãos enquanto encarava o visor aceso. Lá o nome do homem que roubara seu coração se fazia visível logo ao lado daquele rosto; o rosto que a atormentava todas as noites em seus sonhos. A necessidade de ouvir sua voz era quase insuportável. A ausência de seu coração lhe apertava o peito. E o frio... ah, já se conformara com sua constante presença a enregelar-lhe a alma.

Só que ainda havia aquela verdade: não poderiam estar juntos. Não naquele momento. Não enquanto as mentiras cercassem a vida de Edward, prendendo-o num cerco que ele mesmo desenhara. Não podia envolver-se na vida de Edward daquela forma. Não conseguia deixar que ele se envolvesse inteiramente na sua.

Ela precisava ainda aprender muitas coisas. E quanto a ele... bem, havia muito o que ela ansiava que ele aprendesse.

Mas por mais que seu lado racional lhe dissesse todas essas coisas, seu coração a alertava: Bella estava cometendo um grande erro. E mais tarde, quando se desse conta disso, talvez fosse tarde demais pra consertar.

- Temos que correr, por que eu deveria estar no escritório de Caleb há cinco minutos. – ela lembrou-se enquanto retirava o vestido escolhido pra ir a festa depois da formatura, Suzy esperando-a do lado de fora do trocador.

- Mais uma palestra chata na qual ele requer sua companhia? – Suzy perguntou fazendo com que Bella engolisse em seco. Ela se lembrava bem de ter acompanhado Caleb em um importante evento no qual ele palestraria, já que não fazia nem mesmo uma semana desde que isso havia acontecido. Pra seu infortúnio, Edward também fora. Por mais que ambos tivessem concordado que a amizade continuaria depois do rompimento, as coisas não estavam tão fáceis; mesmo com seu pedido em uma conversa rápida no corredor do 3º andar, ela ainda o percebia distante de si. Talvez ela também estivesse distante dele sem nem mesmo perceber... mas isso não fazia a dor menor.

Ainda mais quando se tinha que suportar calada as investidas das demais mulheres contra Edward. Ele era lindo, inteligente, divertido, tinha um bom emprego e era solteiro; que mulher no mundo não o quereria como namorado? Ainda mais se alguma delas soubesse o quão bom de cama ele era... e isso acabava por piorar as coisas. Com quantas daquelas mulheres ele já dormira? Será que depois daquele evento ele levara alguma delas pra seu apartamento? Será que alguma delas havia partilhado de sua cama tal como um dia ela fizera?

Só que isso não era mais problema seu. Por mais que a incomodasse, não era mais problema seu. Então pra explicar seu mau humor pós-palestra, dissera a Suzy que Caleb a obrigara a participar de algo chato e absurdamente maçante. O que nem de longe era verdade; apenas uma palestra de Caleb punha no chinelo aqueles professores que supervisionavam os estagiários na Agência.

- Não sei não. – ela respondeu depois de uma breve hesitação. – Pelo que sei, não existe nenhum evento agendado que requer a presença de Caleb.

- Então o que será? – Suzy questionou no mesmo momento em que Bella saía do trocador, trajando calças jeans e suéter ao invés do vestido, que vinha preso ao cabide em suas mãos.

- Não faço ideia. – ela deu de ombros, seguindo em silêncio ao lado de Suzy, que caminhava em direção ao caixa, onde ela insistiu em pagar pelo vestido. Por mais que Bella tenha protestado, Suzy acabou por comprar-lhe o vestido assim como tinha feito quanto as joias, sapatos e bolsa escolhidos praquele dia importante.

Apesar de seu passado, Bella se sentia amada por Suzy e John; então era isso que lhe importava. Pela primeira vez em sua vida poderia simplesmente deixar pra trás todas aquelas coisas que, vez ou outra, sempre voltavam pra lhe assombrar. Depois que Edward praticamente a obrigara a se abrir e lhe contar tudo, a garota determinara a si mesma que todas aquelas coisas permaneceriam em seu devido lugar. No passado, de onde jamais deveriam sair, não importava o que acontecesse.

Minutos depois de terem pago pelo vestido, o táxi deixava Bella em frente ao Grupo Langdon enquanto Suzy seguia de volta pra casa. Respirando fundo ao olhar para as paredes envidraçadas, que lhe ofuscavam um pouco a visão, ela seguiu pra dentro do prédio.

Se antes Bella era odiada por muitos naquele lugar, agora ela era simplesmente admirada. Por mais que os cochichos trabalhassem às suas costas, sempre em busca dos motivos que levaram Caleb àquela estranha preferência – por que, por mais que soubessem do dom que a garota possuía, inventar teorias mirabolantes era muito mais divertido – ainda assim admiravam aquela garota que, sendo tão jovem, chegara tão longe. Os estagiários não mais a ignoravam e muito menos a confrontavam como antes; sempre que Bella cruzava com algum deles, recebia um educado cumprimento e um simpático sorriso. Por vezes, alguns mais corajosos até mesmo a paravam em seu caminho, pedindo conselhos sobre um ou outro assunto relacionado à profissão que ambos almejavam.

Mas Bella não se deixava enganar. Sabia que todos eles, exceto pouquíssimas pessoas, esperavam apenas pelo menor deslize seu pra crucificá-la. Observando-a com avidez, eles procuravam qualquer brecha que indicasse uma possibilidade de derrubá-la.

Por isso a garota, mais do que nunca, se munia de sua couraça assim que passava por aquelas portas de vidro. Com um leve sorriso no rosto e um olhar esperto que percorria todo o ambiente, sua expressão quase neutra não permitia que ninguém colhesse dali qualquer informação. Naquele lugar, eram poucas as pessoas que tinham o privilégio de atravessar sua armadura, provando de um pouco da sua verdadeira essência. Apenas uma delas praticamente despedaçava sua camada protetora; perto dele, Bella tinha que reunir todas as suas forças para manter-se imparcial, ocultando daqueles olhos verdes todas as intensas emoções que iam no íntimo de seu ser.

Sorrindo, respondendo aos cumprimentos e escapando de conversas mais longas com a desculpa de que estava atrasada para um compromisso com seu chefe, Bella conseguiu chegar até o elevador. Poucos minutos depois, caminhava pelo único corredor do terceiro andar, rumando diretamente para a sala de Caleb; se tivesse chegado mais cedo, até passaria em sua sala. Mas naquele momento não havia tempo pra isso.

Com um sorriso simpático, porém cauteloso, Sally, a secretária de Caleb, a recebeu quando Bella aproximou-se de sua mesa.

- Boa tarde, senhorita Swan. – ela cumprimentou. – O Sr. Langdon vos espera em sua sala.

- Obrigada, Sally. – Bella sorriu em resposta, caminhando até a porta do escritório e batendo de leve antes de entrar.

Caleb estivera sentado atrás de sua mesa, mas levantou-se assim que viu a garota entrar em sua sala. Bella vislumbrou uma figura parada em frente às grandes janelas envidraçadas, provavelmente observando a rua. Mas não teve tempo de analisar tal pessoa, já que Caleb se adiantava pra recebê-la.

- Bella, minha querida. – seu famoso sorriso pareceu iluminar a sala por um momento enquanto ele se adiantava e abraçava a garota. Em pouco tempo, mas com tantas longas conversas e tantos eventos aos quais haviam comparecido juntos, certa intimidade nascera entre eles. Geralmente, o relacionamento de ambos era algo mais próximo da amizade do que apenas coleguismo profissional. – Já estava pensando em te ligar e perguntar o que lhe acontecera.

- Fui com Suzy comprar meu vestido pra formatura. – Bella respondeu, seus olhos castanhos se desviando de Caleb até as costas esguias cobertas por um terno escuro, de aparência cara. Era um homem, ela logo percebeu. E seu porte aparentemente atlético, mesmo que estivesse de costas com ambas as mãos nos bolsos, assim como sua postura ereta, lhe diziam que era jovem. Então seus encaracolados cabelos negros não eram tingidos, assim ela pensava.

- Verdade. – Caleb muniu-se de uma expressão maravilhada. – Estamos perto da festa de formatura, não?

- Sim, estamos. – Bella concordou lentamente, lançando a Caleb uma pergunta muda com o olhar. “Quem diabos é ele?”, seus olhos castanhos perguntaram aos olhos claros, que sorriram em resposta.

- Bem, deixe-me apresentar-te alguém importante. – ele enfim disse, dirigindo-se ao rapaz parado à janela. Quando ele finalmente se virou pra encará-la, Bella não pôde impedir um ofegar. Por um momento, aqueles olhos cinzentos prenderam os seus e ela não sabia como disfarçar sua surpresa. Por que assim como as demais pessoas não lhes podia esconder nada, quando ela olhou naqueles olhos... não, não era possível. Era? – Percebo que você já desconfiou, não? – Caleb sorriu, olhando atentamente para o rosto da garota.

- Quem é você? – Bella dirigiu-se ao rapaz, que abriu um sorriso tão luminoso quanto o do próprio Caleb. Talvez até mais, Bella pensou consigo enquanto o observava caminhar em sua direção.

- Me chamo George de Castro. – sua voz era grave e seu sotaque era decididamente europeu. Bella só não sabia de onde. – Então você é a famosa Isabella Swan? – ele comentou educadamente enquanto lhe estendia sua mão direita. Cabelos, pele e mãos bem cuidadas, terno bem cortado, sapatos lustrosos e ainda extremamente carismático; a um primeiro olhar, George lhe pareceu uma cópia morena de Caleb.

- Nada sei quanto ao famosa, mas prefiro que me chamem de Bella. – a garota respondeu ao cumprimento, apertando de leve a mão quente que lhe era oferecida. Intensificando seus sentidos, o perfume do rapaz foi captado por seu olfato; além de educado e bem vestido, George ainda era muito cheiroso.

- Bella. – o rapaz repetiu, parecendo saborear o nome. Seus olhos cinzentos se fixaram nos castanhos de Bella, que não desviou o olhar. O fato de que ele ainda segurava sua mão não passou desapercebido aos seus olhos. – Realmente, tal nome lhe faz jus.

- Ora, deixe de ser galanteador, homem! – Caleb interveio, passando um braço pelos ombros de Bella. – Essa é nossa garota de ouro. Nem mesmo pense em querer roubá-la de nós.

- Tal ideia nem me passou pela cabeça, Caleb. – George riu torto, desviando seu olhar até Caleb pra depois voltá-lo novamente até Bella, que nada entendia do que acontecia por ali.

- Você é igual a mim, não é? – ela enfim perguntou, não mais contendo sua curiosidade. – É um Natural também, não?

- Sim, eu sou. – novamente, o brilhante sorriso se abriu enquanto os olhos cinzentos pareciam perfurar os seus. – E devo dizer que você é ainda mais intensa do que eu esperava. Por mais que Caleb me tenha alertado sobre a intensidade de seu dom, ainda assim você conseguiu surpreender-me.

- Isso é bom, eu suponho. – Bella gracejou, fazendo com que Caleb risse, apertando seu ombro.

- Isso é ótimo, querida. – ele afirmou. – George é o braço direito de meu grande amigo Antoine Boucher, que possui uma grande agência na França. Antes que me pergunte, tal agência lida com os mesmos assuntos que nós lidamos todos os dias.

- Sério? – Bella se admirou. – Você nunca me falou sobre isso antes. Eu não fazia ideia de que... bem, de que existissem outros como você. – ela ruborizou ao ver a divertida troca de olhares entre os homens, sentindo-se uma imbecil. – Claro que li muitos estudos sobre o assunto e então fiquei ciente de que você não é o único a fazer pesquisas nessa área. Mas não imaginei que...

- Nós te entendemos, Bella. – Caleb acalmou-a, seu braço ainda enlaçando seus ombros. – De fato, tal assunto é ainda pouco conhecido, e por isso não é popular em parte alguma de nosso planeta. Além de que muitos dos estudiosos conduzem suas pesquisas de forma desleixada, tornando tal arte ainda mais inexata do que já o é; assim sendo, poucos são os que colocam fé naquilo que podemos fazer.

- Chamar-nos de videntes, médiuns, trapaceiros ou que diabo seja, é muito mais fácil do que lidar com a verdade. – George complementou, dando de ombros. – Afinal, podemos “ler a mente” deles, não? – ele se riu. – Acredito que isso acaba por amedrontá-los um pouco.

- Mas então é isso. – Caleb finalizou. – George estará conosco por um tempo.

- Estará? – Bella perguntou, confusa.

- Sim, estará. – Caleb confirmou. – Depois de uma longa discussão, Antoine e eu decidimos que uma troca de experiência seria mais do que válida. Ele tem seu método de trabalhar, eu tenho o meu; assim como eu passei adiante tal método, Antoine também passou. Assim sendo, combinamos de fazer uma espécie de troca temporária.

- E foi assim que vim parar aqui. – George sorriu, uma de suas mãos subindo até os cabelos muito negros, os dedos penteando-os pra trás.

Bella tinha que admitir a si mesma; aquele era um dos homens mais bonitos que ela conhecera em sua curta vida. Na verdade, ele poderia muito bem ficar com o segundo lugar em tal ranking. Por que Bella sabia muito bem quem ocuparia sempre o primeiro lugar; por mais que, nos critérios de beleza superficial George ganhasse, Edward tinha aquele brilho a mais que homem nenhum jamais teria aos olhos dela. Havia muito o que deveria ser levado em consideração. Então Edward ainda era o homem mais bonito do mundo pra ela.

- Mas o que você queria de mim mesmo? – ela lembrou-se, só então desviando seus olhos de George, que também a encarava. Bella não identificara em seu rosto nenhum interesse pessoal em relação a sua pessoa, mas... bem, ele era como ela, não? Um Natural. Então disfarçar e camuflar não eram nenhum sacrifício a ele.

Era a primeira vez que via um Natural que não fosse a si mesma ou o próprio Caleb. Ainda assim, ver um homem jovem, não tão mais velho do que ela, era realmente diferente do que tentar mirar-se na figura já tão experiente.

George era um enigma, ela logo percebeu. Mas não estava certa se quereria desvendá-lo.

- Sim, é claro. – Caleb lembrou-se, tirando seu braço dos ombros da garota e voltando à sua mesa. – Tenho novidades pra você. E estou mais do que certo de que você irá simplesmente adorar.

- O que é? – Bella perguntou numa voz hesitante, seus olhos acompanhando os movimentos de Caleb, que parecia procurar por algum papel em específico em meio aos tantos sobre sua mesa.

- Lembra-se que, quando chegamos perto de provar que James Mitchel estava envolvido naquele massacre, ficou mais do que evidente que havia um informante dentro da filial do FBI na qual Emmett MacCarty trabalhou? – Caleb dizia enquanto voltava a se erguer, um papel em suas mãos.

- Sim, eu me lembro. – Bella comentou no mesmo tom de voz de antes. Falar de James não lhe trazia boas lembranças; ainda lhe dava pesadelos a ocasião na qual, como presente de boas-vindas, um ser misterioso lhe enviara a cabeça daquele bandido como presente. Não havia qualquer pista que servisse como base para uma investigação. Então o assassino que acabara com a existência daquele ser imundo continuava no anonimato.

- O capitão que sedia tal filial também se lembra. – Caleb sorriu com a incompreensão estampada no rosto de Bella. – Entrei em contato com ele durante as suas investigações junto à Damon. Quando James fugiu, conversamos novamente. Lembro-me de ter mencionado a nossa certeza de que alguém alertara James quanto ao rumo das investigações, mas aquele momento passou. Recentemente, o capitão entrou em contato comigo novamente.

- Para...? – Bella incentivou, já sentindo o coração acelerar em seu peito. Seria mesmo o que ela estava pensando?

- Ele nos deu a chance de ajudá-lo a encontrar tal informante. – Caleb anunciou com um sorriso imenso. – E pediu, pra esse trabalho, as mesmas pessoas que outrora encurralaram James em uma investigação paralela a deles. Ou seja, você e Damon.

- Mas isso é incrível! – Bella exultou, por muito pouco não dando pulinhos de alegria. Sabendo que George a observava, contentou-se em apertar uma mão com a outra, contendo assim sua euforia. – Pensei que ficaria em treinamento por um longo tempo. Não esperava um trabalho tão cedo.

- Minha intenção também era de treinar-te um pouco mais. – Caleb esclareceu. – Mas sabendo que logo você estará ocupada com sua faculdade e que foi um pedido direto de alguém importante... bem, eu não poderia recusar-me a lhe dar essa chance. Pra que você mais uma vez prove seu valor. – ele então lhe estendeu as folhas que estivera segurando. – Leia com atenção e assine. Já enviei uma cópia para o Damon e também para o Emmett.

- Emmett também vai? – Bella perguntou num tom de voz mais agudo do que pretendia.

Mas a empolgação era tanta! Desde que libertara o zelador daquele pesado fardo que até então o prendera ao passado, este deixara seu antigo emprego e se colocara à disposição da agência. Acompanhando uma equipe ou outra, por vezes até mesmo o próprio Caleb, tornara-se raras as ocasiões nas quais pudera trocar uma palavra ou outra com Emmett. Por mais que o começo daquela amizade tivesse sido um tanto quanto diferente, ela se firmara; Emmett era um de seus poucos, mas valiosos amigos.

- Sim, ele vai. – Caleb confirmou. – Como seu treinamento ainda não está nos 100%, preciso que alguém competente e confiável te acompanhe. Além do mais, você terá que passar alguns dias em Nova Iorque, então preciso que ele esteja junto a você e Damon; de outra forma, Suzy e John me matariam. – ele riu. – A um primeiro olhar, Damon não parece muito confiável. Acredito que seja seu ar de menino que acabe por causar essa impressão. Seus tutores estarão mais confortáveis se eu colocar Emmett na equipe, isso é mais do que certo.

- Hum... – Bella pensou por um momento, estudando uma forma de colocar suas dúvidas em palavras sem parecer que se importava demais com isso. – Bem, iremos nós três então, certo?

- Certo. – Caleb mais uma vez confirmou.

- E o Edward? – ela completou, lutando por não delatar a si mesma. – Ele trabalhará em algo com você ou apenas ficará chupando o dedo em seu escritório?

- Eu não disse? – Caleb pareceu estranhar, correndo seu olhar até George, o qual guardara silêncio por todo aquele tempo, voltando então a encarar Bella. – Não, acho que me esqueci de mencionar.

- Mencionar o que? – Bella estranhou, franzindo o cenho.

- O trabalho de Edward está na França. – Caleb informou, fazendo com que Bella sentisse como se um buraco se abrisse em seu estômago. Julgou ter ouvido mal, mas não precisou perguntar pra que a sentença fosse confirmada. – Assim como George passará algumas semanas conosco, ele as passará com Antoine e sua equipe.

- E... e você já o avisou sobre isso? – ela perguntou, mais do que nunca lutando com as próprias emoções. Naquela sala, dois Naturais a observavam; qualquer deslize seria mais do que uma mera fraqueza. Seria quase como uma derrota. – Por que... bem, pelo pouco que o conheço, ele relutará em deixar o país por tempo indeterminado. Ainda mais nesse momento, às vésperas da formatura de Alice e...

- Qual foi a última vez que você viu Edward, Bella? – Caleb perguntou, interrompendo-a. Bella pensou por um momento; não fora quando ambos se tinham esbarrado no corredor? Sim, fora. Depois daquilo, não o tinha visto. Só algumas vezes de relance, mas isso não contava.

- Que falei com ele, há mais de uma semana. – ela disse. – Que o vi de relance, uns dois dias. Por quê?

- Por que Edward já está na França, Bella. – Caleb informou-a, seus olhos claros a sondando. – Ele está lá há dois dias... pensei que você soubesse.

O que ela poderia dizer? Durante toda sua vida, Bella Swan acreditara saber de muita coisa, mas pouco era o que ela realmente sabia; consideravelmente maior era o número de coisas as quais ela desconhecia.

E ali estava uma daquelas coisas. Edward viajara pra França sem previsão de volta; quando Caleb dizia algumas semanas, poderiam ser meses! Por que vários meses em conjunto somavam algumas semanas, não?

Por que ele nada lhe dissera? Por que não se despedira? Depois do que lhe pedira na última vez na qual tinham conversado... como ele pudera?

Alice certamente sabia sobre a viagem do irmão, mas elas não tinham se falado nos últimos dias. Justo naqueles dois dias, ambas partilhavam poucas das aulas em seus horários escolares. E Alice fazia parte do comitê que organizava a formatura, então pouco tempo sobrava pra que pudessem descontrair e conversar amenidades.

Mas mesmo que tivessem sentado pra conversar, teria a baixinha dito algo sobre a viagem do irmão? Certamente que não se ele pedisse pra que nada dissesse. Além de que Bella ressaltara várias e várias vezes seu desejo de que a amiga não falasse sobre o irmão quando estivessem conversando; querendo ou não, Alice sempre a cutucava sobre o final do relacionamento. Então nada teria dito se acreditasse que Bella sabia sobre a viagem de Edward; se a amiga estava de acordo com aquela viagem assim como com o final de um romance tão lindo, por que se meteria? Era de sua natureza meter-se, mas respeitaria a vontade de Bella e se manteria calada, como acabara por fazer.

Só que não era apenas por Bella, era também por Alice. Por que seu irmão não estaria ali no dia de sua formatura; isso não era um ponto a ser discutido com a melhor amiga? Como a baixinha aceitara isso tão bem?

Deduções à parte, fato era que Bella nada sabia sobre a viagem de Edward. Vista como algo comum na agência, que tinha seus melhores agentes sempre indo de um lugar a outro, tanto em trabalhos quanto em eventos e conferências, ninguém se importara em comentar com ela sobre sua partida. Talvez ela fosse a única que não soubesse...

Edward aceitara aquele trabalho e nem mesmo se despedira. Ignorara seu convite pra festa de formatura e simplesmente partira. Ali, sendo observada por aqueles dois homens, Bella esforçou-se por manter-se firme. Mas só ela sabia o quanto aquela verdade doía.

Só ela sabia o quanto choraria depois.

Notas finais
Então, como pedido, aí está o primeiro capítulo!
Quase não cri ao ver quantos leitores ainda me acompanham; cumprimento aqueles que me acompanham desde o início - ou quase isso - e dou às boas-vindas tanto aqueles que começaram agora quanto aqueles que decidiram sair das sombras e fazer a minha alegria.
Agradeço a liliana22 pela linda recomendação =) Ficou perfeita, flor! Muito obrigada mesmo pelas lindas palavras.
No demais, darei sequência a fanfic. Em pouco tempo, estaremos finalmente concluindo essa história.
Deixem sua marquinha por aqui. =) Bjks e até!