The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
21 CAPÍTULO 20
Notas iniciais
“Nem sempre a verdade é algo agradável.”
Bella muitas vezes imaginara como ela iria morrer. Em muitas ocasiões de sua vida, ela se pegara pensando se não seria melhor acabar com todo o sofrimento pondo ela mesma um fim em sua vida miserável. Mas então ela resistira aos impulsos suicidas ao se recordar de seu passado, de seu grande trauma. De um deles, na verdade, já que sua história de vida não fora uma coisa fácil de se superar.
Mas por mais que ela tivesse pensado em uma forma de morrer, certamente que nunca lhe passara pela cabeça morrer ali, daquela forma. Nunca lhe passara pela cabeça que quando sua hora enfim chegasse ela sentiria tanto medo como agora o sentia. Nunca imaginara que quando a tão sonhada libertação chegasse ela lamentaria e lutaria contra isso.
Por que pela primeira vez em muito, muito tempo Bella Swan não queria morrer. Mas ali, sendo firmemente segura pelas costas e tendo uma arma apontada diretamente pra sua cabeça, ela soube que o fim era inevitável.
E então, como um filme, os eventos que acabaram por fazê-la estar ali, encarando a morte, se passaram em sua mente. Tudo começando na manhã do dia anterior, o dia que antecedera a festa.
- Bella, minha amiga. O Damon beija muito! – Alice suspirou ao se sentar na carteira de sempre, Bella rindo e se acomodando na carteira ao lado.
- Você disse isso exatas trinta e duas vezes desde ontem, Alice. – ela disse lançando um olhar divertido a amiga assim que se sentou na cadeira pouco confortável.
- É que foi o melhor beijo da minha vida, Bella! – Alice retrucou com seus brilhantes olhos arregalados no rosto afogueado. – Tipo, foi perfeito. Poderia ter durado mais se aquela bruaca da Lia não tivesse ligado pro celular dele. – ela disse num muxoxo. Bella ia retrucar quando viu a professora entrar na sala de aula, seus olhos correndo por todos os alunos até se deterem em Bella, a cor então fugindo de seu rosto enquanto ela desviava o olhar e seguia até sua mesa.
- Parece que estamos com medo. – Bella comentou em voz baixa, seus olhos semicerrados sondando os movimentos nervosos da professora. – Mas se você está com medo, por que ainda não tentou nada?
- Falando sozinha? – Alice perguntou franzindo a testa diante do comportamento estranho da amiga. Mas Bella parecia não ouvir nada, seus olhos perdidos em sua fixa observação. Pela intensidade de seu olhar, pareceu a Alice que a amiga queria ler a alma da professora.
- Bem, classe, silêncio. Hoje vamos falar sobre... hum, sim, Srta... Srta. Swan? – a professora titubeou e engoliu em seco ao ver o braço estendido da garota.
- Sabe, professora, eu estava pensando sobre a morte da professora Vanessa. – ela disse em voz alta, chamando então a atenção da sala inteira que passou a revesar os olhares entre ela e as reações da professora. Mas Elizabeth estava surpresa demais com a ousadia da garota pra dizer ou fazer qualquer coisa. – Como se explica a violência repentina de Eric? Pelo que eu ouvi, ele não era e nunca foi do tipo agressivo.
- Creio... creio que minha aula não seja o momento certo pra esse ti-tipo de debate, Srta. Swan. – ela engoliu em seco mais uma vez, as mãos apertando o livro que segurava com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. E Bella ficou satisfeita ao perceber que ela tremia.
- Ah, eu achei que esse assunto pudesse lhe interessar já que ele era namorado de sua filha. – Bella olhou teatralmente em volta. – E, pelo que vejo, ela não mais está freqüentando a escola. Por quê?
- Acho que isso não é nenhum pouco de sua conta, Srta Swan. – a professora respondeu com voz dura, seu rosto assumindo uma expressão extremamente perigosa.
- Mas sabe o que eu acho? – Bella prosseguiu sem se importar com o perigo estampado no rosto da mulher acuada. – Eu acho que Eric é inocente. Nesse momento ele está em alguma prisão fedorenta, cercado por maus elementos cheios de más intenções, pagando por um crime que não cometeu. – ela se inclinou por cima da carteira e olhou fixamente pros olhos amedrontados e arregalados da professora. – Acho que ele foi um infeliz sem sorte que estava no lugar errado, na hora errada. Um prato cheio pro verdadeiro assassino.
- Ok, Srta. Swan! Foi longe demais com essa sua arrogância e impertinência. – a professora bufou, batendo com o livro no tampo da mesa. – Diretoria, agora! Vamos! – ela gritou fuzilando a garota com os olhos. – E vocês – ela se voltou pros demais alunos que se encolheram. – façam o favor de ler o livro didático da página 220 à página 240. Quero uma síntese sobre o assunto. – voltou a olhar pra Bella novamente, sua boca tremendo em seu nervosismo. – Vamos. – ela chamou mais uma vez já seguindo pra porta da sala.
- O que diabos você está fazendo? – Alice sussurrou ao ver a amiga se levantar da cadeira. Bella só lhe deu um pequeno sorriso e seguiu a professora pra fora da sala de aula.
Olhando pra postura de Elisabeth, Bella teve certeza: ela estava sentido-se intimidada, acuada. E agora, dois passos a frente dela enquanto a conduzia a sala do Diretor, ela enfrentava um embate interno. E esse embate logo a fez parar, Bella então também parando à um passo de trombar com ela, sobressaltando-se quando o dedo magro da professora apontou pro meio de seu rosto enquanto ela se via encarando uma expressão realmente furiosa à centímetros de seu rosto.
- Você não pode fazer isso! Não pode ficar perseguindo minha filha, me perseguindo, falando de coisas das quais você não sabe!
- Você tirou Leslie daqui por minha causa? – Bella arqueou uma sobrancelha sem recuar ante a fúria da professora, que bufava em sua ira. – Medo de ela me contar alguma coisa?
- Contar o que? – a mulher rosnou apertando os lábios por um momento e balançando a cabeça em negação. – Não há o que se contar por que não fui eu quem cometeu tal coisa! O assassino está preso, Isabella! Você nem mesmo estava aqui na época em que as coisas aconteceram, não pode ficar levantando suposições e incriminando pessoas inocentes! – ela bufou, cansada. – Não tem mais nada pra fazer do que ficar bancando a detetive?
- O que está havendo aqui? – uma voz grave disse lentamente às costas de Bella que se voltou, deparando-se com o Diretor Stanley que olhava de uma a outra com um olhar especulativo.
- Isabella Swan, esse é o nome do problema. – a professora disse numa voz trêmula, só que mais controlada. – Essa garota vem me acusando de coisas terríveis, Dir. Stanley!
- Coisas terríveis? – ele franziu o cenho olhando de Bella pra Elizabeth. – Que coisas terríveis?
- Eu apenas acho que foi ela quem matou Vanessa. – Bella deu de ombros fingindo naturalidade. Observou cada uma das reações do diretor a sua frente: a boca se entreabriu, ele engoliu em seco e desviou seu olhar até Elizabeth.
- Não devia dizer uma coisa dessa magnitude, Isabella! – ele repreendeu franzindo o cenho pra garota, colocando uma mão no bolso da calça enquanto a outra gesticulava pra dar ênfase ao que ele dizia. – A prof.ª McCarter é uma excelente pessoa, não merece ser julgada dessa forma tão errônea, ainda mais em plena sala de aula.
- Então o Sr. acredita que eu esteja errada? Ela não matou Vanessa? – Bella perguntou lentamente vendo Stanley desviar seus olhos até Elizabeth e voltar a olhar pra Bella. Esse olhar fez o coração da garota dar um salto dentro do peito, começando a bater rapidamente enquanto seus pensamentos iam a mil: será?
- Que pergunta, Isabella! É claro que não! – ele disse passando a mão pelos lábios secos. – Deveria parar com isso, Srta. Swan. – sua voz estava mais contida e seu olhar mais duro. – Não faz bem uma aluna desacatar um professor dessa forma e isso é digno de punição, mas como é nova por aqui deixarei passar dessa vez.
- Mas... – Elizabeth que estivera calada durante todo esse tempo se pronunciou, indignada.
- E você, Elizabeth, queira me acompanhar até minha sala. Precisa se acalmar. – Stanley disse com voz firme pegando em um dos braços da mulher enquanto voltava seu olhar a Bella. – Volte pra sala de aula, Srta. Swan. Logo mandarei um dos inspetores pra dar uma olhada em vocês, a Sra. McCarter precisa de alguns minutos pra se recompor. E, por favor – seu olhar era intenso e sua voz era firme. – deixe essas bobagens de acusações. O assassino está preso, deixemos esse assunto morto e enterrado. Entendeu?
- Hum... – Bella deu um sorriso lento e esperto enquanto olhava fixamente pra Stanley que engoliu em seco diante daqueles olhos tão intensos e profundos. Depois passou seu olhar pelo aperto que ele fazia no braço da mulher e voltou a olhar em seu rosto, o sorriso aumentando. – Sei.
- Pode ir, Srta. Swan. E se houver uma próxima vez, essa conversa será diferente. – ele disse fazendo um gesto com a cabeça em direção ao corredor. Bella deu de ombros, o sorriso ainda no rosto enquanto se afastava andando de costas, só se virando e deixando de olhar de Stanley pra McCarter alguns passos depois.
Só que o sorriso sumiu assim que eles não mais viam seu rosto. Por que os pensamentos de Bella iam a mil por hora em sua cabeça.
Mas era óbvio! Era exatamente isso desde o começo! E agora ela sabia por que não percebera antes, mas... como provar?
Não iria conseguir uma confissão verbal, isso era claro. Não possuía provas físicas.
Será que o assassino iria escapar assim, impune? E Eric apodrecendo na cadeia, pagando por um crime que não havia cometido?
Elizabeth retirara Leslie da escola por medo que Bella pudesse fazer perguntas indiscretas e perdera a cabeça com a garota na aula diante das palavras dela. Tudo uma provocação com o intuito de saber, de ter certeza sobre aquilo que lhe comichava na mente. E como ela previra, ele não sabia. Não sabia, mas desconfiava.
Chegou a sala de aula e atravessou o espaço que a separava da sua carteira sob o olhar curioso dos demais colegas de classe, mas pouco se importou. Seu rosto estava fechado, sua testa franzida, seu olhar distante... será que aquilo valeria a pena?
- Bella, você vai me contar o que diabos está acontecendo? – Alice sussurrou furiosa quando a amiga se sentou na carteira. Bella a olhou fixamente por um momento parecendo estar cogitando uma possibilidade.
- Posso lhe pedir um favor? – ela sussurrou ainda com aquele olhar intenso que preocupava e assustava Alice em igual medida.
- Você sabe que sim. – ela sussurrou se inclinando pra mais perto da garota.
- Não me pergunte mais nada, não posso lhe contar. Não sobre isso. Por que... – observou a surpresa e a preocupação nos olhos da amiga e as palavras lhe faltaram. – Você vai ter que confiar em mim. Eu tenho que resolver esse caso, mas pra mim não basta descobrir o que aconteceu. Quero que os culpados sejam punidos.
- Mas... você já sabe do que aconteceu? Tudo? – Alice se espantou. Bella suspirou e apoiou o queixo na palma da mão, sendo que seu cotovelo estava descansando na carteira.
- Sei. Tenho cada vez mais certeza disso. Só que... – voltou a encarar a amiga com seus olhos sérios e intensos, tão diferentes hoje em sua intensidade que estava assustando Alice. – Você acha que eu conseguiria uma visita a Eric?
- Por que isso agora? – Alice se surpreendeu. – Você nunca quis conhecer o rapaz desde o começo dessa história.
- É que eu queria saber de todo o resto primeiro, queria conhecer Eric pelos olhos dos outros. Edward já sabia que Eric era inocente e eu acredito nele então a mim só cabia investigar as demais pessoas em busca do verdadeiro culpado. Só que agora... – ela suspirou mais uma vez e apertou seus lábios. – Eu preciso conhecê-lo.
- Pra quê? – Alice insistiu, mas Bella apenas voltou sua atenção pra seu caderno e livros, indiferente aos olhares e cochichos que a cercavam.
- Não faça perguntas, Alice. Apenas me passe o número de seu irmão, por favor. – ela disse folheando o livro como se nada de mais tivesse acontecido. Alice ficou olhando-a por um momento, mas então pegou um pedaço de papel e rabiscou alguns números, passando pra Bella que deu um pequeno sorriso. – Obrigada.
- De nada. – Alice resmungou chateada voltando sua atenção pro próprio trabalho. Bella não gostava de esconder coisas de sua amiga, mas no momento era o melhor a ser feito. Pra segurança dela.
As aulas passaram como um borrão pra Bella que tinha a mente cheia com as idéias que por ela passavam em uma velocidade incrível, associando-se entre si, tentando formar um plano pra que tudo pudesse acabar bem. Era na verdade pra que grande parte do todo pudesse acabar bem.
Só que por mais que pensasse nada lhe passava pela cabeça a não ser aquilo. E era extremamente arriscado.
Era por isso que ela precisava conversar com Eric.
O sinal pro intervalo enfim tocou e Bella seguiu pro refeitório, juntando-se a uma calada, magoada e curiosa Alice. Mas ela preferia a amiga magoada à expô-la ao perigo daquela forma.
Por que ela sabia que estava brincando com fogo.
- Vai ligar pra quem? – Alice enfim perguntou, não agüentando manter o voto de silêncio diante da curiosidade ao ver a amiga digitar um número no celular.
- Pro Edward. — Bella disse colocando o aparelho no ouvido e esperando até que aquela voz tão conhecida e amada atendeu do outro lado da linha.
- Bella? Que surpresa agradável! – a voz grave e satisfeita saudou-a. Ele tinha seu número desde o dia em que haviam discutido sobre o caso e ele lhe informara que Lia a deixara sozinha pra resolver o caso.
- Edward, é sempre bom te ouvir. – ela disse sentindo as bochechas corarem diante do olhar de zombaria de Alice. Ela era tão sem graça! – Mas vou confessar que te liguei por um motivo.
- Oh, está me assustando com esse tom sério. – ele gracejou. – Pode dizer, Bella.
- Quero ver Eric hoje. Será que eu poderia fazê-lo? – ela disse de uma só vez fazendo Edward hesitar do outro lado da linha, surpreso pela repentina idéia.
- Hum... acho que posso arranjar isso pra você. Mas... por que logo agora? – ele repetiu a pergunta de Alice, a voz lenta e cuidadosa.
- Bem, eu tenho meus motivos. – Bella tentou manter um tom neutro que escondesse seu nervosismo. – Prefiro não dizê-los agora. Pode mesmo fazer isso por mim? E me mandar uma resposta até o fim das aulas de hoje?
- Se isso é importante pra você... – ele suspirou. – Vou mexer uns pauzinhos aqui e já te mando resposta.
- Ok. Valeu pela força. – ela disse com um pequeno sorriso de satisfação, mas seu coração doendo pelo que ela iria fazer. Por que era quase certo que realmente faria aquilo.
- Bella... por favor, não se meta em problemas, ok? – Edward pediu em um quase sussurro, fazendo Bella fechar os olhos. Ah, se ele soubesse... ele a tiraria dali na marra só pra impedi-la.
- Fique tranqüilo, Edward. Sei o que faço. – ela tentou transmitir segurança. – Vai lá em casa hoje? – sua voz baixou ainda mais pra que Alice não ouvisse.
- Não sei, anjo. – ele suspirou. – Estou em um caso difícil, fraude em uma empresa importantíssima. Estou nele à pedido do próprio Caleb, sabe... eu e Damon estamos nos matando nisso.
- Se for te atrapalhar, nem cogite a possibilidade de parar no que está fazendo pra passar a noite comigo. – ela disse rapidamente, mordendo o lábio inferior pra disfarçar o desapontamento. – Embora eu queira muito te ver, não compensa você perder algumas horas comigo e desandar seu caso.
- Você sabe que por você tudo compensa. – ele disse naquele seu tom sexy e sedutor fazendo as pernas de Bella amolecerem. – Mas eu sei que você me mataria por deixar de estar com Damon procurando pistas e trocando idéias pra estar com você. E eu não sou irresponsável a esse ponto também.
- Ok, Edward. – ela viu que sua vez na fila estava chegando. – Depois nós nos falamos então.
- Ta. Daqui a pouco te mando uma resposta.
- Estarei esperando. Beijos e até. – ela se despediu já pegando uma bandeja.
- Beijos, Bella. E depois nós tiramos o atraso, isso eu prometo. – ele disse e riu antes de desligar, sabendo o efeito que essas palavras provocaram nela. Desgraçado!
- A salada parece estar boa. – Alice espiou a gamela repleta de hortaliças verdes que Bella não soube identificar. Pra ela verduras se resumiam a alface.
- Prefiro um hambúrguer. – ela fez uma careta pra salada, indo direto pro balcão pegar um lanche.
- Seu coração agradece. – Alice disse, sarcástica, fazendo Bella rir. Era por isso que a baixinha lhe cativara: já estava deixando a mágoa passar. Era carente demais pra deixar de falar com Bella só por que a amiga se negara a lhe contar tudo.
- Meu coração está bem, obrigada. – ela retrucou enquanto ambas seguiam até uma mesa vazia.
- Oh, eu sei disso. – Alice riu bem sapeca fazendo Bella revirar os olhos.
- Por que você não fica mais uma vez suspirando pelo Damon? Assim me poupa desses comentários idiotas. – ela retrucou fazendo a amiga fechar a cara.
- Você é tão legal, sabia? – e lá estava Alice usando sarcasmo de novo. Mas antes que Bella pudesse dizer algo depois de um acesso de risos, um vulto imenso se aproximou da mesa e se sentou ao lado dela.
- Olá, garotas. – Roy cumprimentou de seu jeito seco fazendo Alice arquear uma sobrancelha, o rosto desgostoso.
- Oi, Roy. Animado pro seu primeiro dia de trabalho? – Bella perguntou tentando desviar a atenção do rapaz sobre Alice que não escondia seu desagrado ante sua presença.
- Oh, sim. – ele disse com um pequeno sorriso nos olhos escuros embora o mesmo não lhe chegasse aos lábios. – Minha mãe está contente também, sabe? Um emprego de verdade... eu sabia que ela iria gostar. – mordeu um pedaço de seu pão e prosseguiu falando de boca cheia, ganhando um olhar ainda mais mal humorado de Alice. – Eles foram bacanas em me dar essa chance. Só vou trabalhar algumas horas, mas eles não se importaram com isso.
- Por que eles querem te ajudar, oras. – Bella deu de ombros, a boca se enchendo de pão e hambúrguer também. Seus olhos varreram o local e se depararam com a mesa onde se sentava o ex-parceiro de Roy, aquele mesmo que estivera ao seu lado enquanto ambos a provocavam no ônibus. Ergueu as sobrancelhas diante dos olhares dele e de outro menino igualmente grande e então se voltou pra Roy. – Como seus amigos encararam essa sua vontade de parar de agir como um aprendiz de marginal?
- Eles odiaram, óbvio. Disseram que você me hipnotizou. – os olhos dele eram divertidos enquanto ele bebia um pouco de refrigerante.
- Oh, quem me dera saber fazer isso. – Bella riu pra depois estreitar seus olhos ao observar Roy. – Mas você sente falta da adrenalina, não sente? Daquela loucura de se expor ao perigo ao fazer todas aquelas idiotices.
- Às vezes. – ele deu de ombros. – Mas sei que não teria futuro nenhum naquele mundo. Acabaria como... meu padrasto.
- Traficante, acertei? – Bella comentou fazendo Alice e Roy olharem pra ela, surpresos.
- Como sabe? – Roy perguntou estupefato.
- Mágica. – Alice desdenhou voltando sua atenção pra salada.
- Se você fosse um pouco mais simpática, garota, poderia se candidatar a Miss Universo. Mas falta pouco pra isso. – Roy disse naquela sua seriedade costumeira fazendo Bella rir, mas viu que teria que desviar o assunto diante do olhar furioso que a amiga lançou ao rapaz.
- Como é o nome da sua mãe e irmã? – ela perguntou num tom neutro como se quisesse enredar pela linha das amenidades.
- Minha mãe se chama Mary e minha irmã se chama Noelle. – Bella se surpreendeu com o pequeno sorriso que se espalhou pelos lábios do rapaz. – Ela é mais nova do que eu, como antes eu disse. Uma pestinha aquela garota... éramos muito felizes mesmo sem a presença de meu pai que morreu quando eu ainda era um pivete, mas minha mãe inventou de se casar de novo. – ele suspirou, fechando a cara.
- Como é o nome dele? – Bella perguntou ainda descontraída, sabendo que Roy precisava falar sobre isso, um assunto que ele tanto evitava.
- James. – Roy disse mordendo mais um pedaço de pão e quase se engasgando também pelo susto que levou quando Bella cuspiu o refrigerante que tinha na boca, por pouco não molhando Alice.
- Bella, o que foi isso? – Alice perguntou preocupada enquanto se levantava de um salto e ia bater nas costas da amiga que tossia, os olhos lacrimosos.
- Nada, nada. Só preciso... de um pouquinho de ar. E de ficar sozinha. – a garota respondeu com a voz estrangulada pelo engasgamento e saiu da cozinha sem mais nada dizer, deixando Roy e Alice com as expressões surpresas, seus olhos acompanhando-a pela cozinha enquanto ela se dirigia pro corredor, provavelmente pro banheiro. Mas mesmo a saída repentina de Bella não ofuscou Roy ao ponto de ele perceber que Allan, seu ex-melhor amigo, e Paul, um de seus companheiros de esquemas, deixaram a refeição pela metade e seguiram pelo mesmo corredor.
Levantou-se sem nada dizer a Alice que se voltara pra ele a fim de comentar sobre o comportamento da amiga, também começou a se mover em direção ao tal corredor. E quando Jéssica veio até ele barrando seu caminho e lhe dirigindo seu tom mais meloso, por um momento ele se deixou ofuscar. Mas então ele se lembrou do que a garota lhe pedira antes de ele conhecer Bella realmente e o que ela lhe prometera em troca.
Bella estava com problemas.
A água fria trouxe de volta um pouco da sensibilidade que desaparecera diante da simples menção de tal nome. James... seria o mesmo James? Ou ela estava bancando a ridícula já que haviam centenas de James no país?
Era só que quando Roy dissera o nome do infeliz naquele tom... não, não podia ser a mesma pessoa.
Sentiu o celular vibrar no bolso de sua calça e por isso levantou seu rosto da pia onde estivera debruçada, pegando-o e lendo a mensagem que acendera o visor.
“Consegui uma visita pra amanhã, mas é no horário das aulas. Vai ter que faltar se quiser conversar com Eric. Te pego na sua casa às nove?”
Bella mordeu o lábio inferior e pensou em quanto John iria brigar por ela faltar um dia na escola. Escolhera ficar com ambos mesmo depois de ter completo a maioridade, pois ambos não lhes transmitiam perigo e também por que era sua única opção já que ainda tinha que concluir o colégio. Mas aquilo era mais importante, por isso digitou rapidamente.
“Sim, te espero às nove em frente a minha casa. Obrigada novamente, um beijo imenso.”
Quando apertou o botão pra enviar a mensagem ouviu a porta atrás de si ser aberta, ela então coçando a cabeça diante do problema eminente. Ela pensara em deixar que os garotos a cercassem pra que assim Roy tivesse um motivo pra arrumar briga, mas nem pensara nisso ao sair correndo da cozinha depois de ter ouvido o nome de... James.
E agora ali estava o ex-melhor amigo de Roy encarando-a pelo espelho, disposto a fazer com ela tudo o que Roy se negara ao conhecê-la melhor. E Jéssica nem precisara oferecer favores sexuais pra isso... Bella tirara dele seu melhor amigo, nada mais no mundo interessava ao rapaz do que dar um soco bem dado no rosto da garota.
- É, parece que você não veio usar o banheiro. – ela comentou com um suspiro ao se virar e encarar o rapaz que trazia a expressão fechada assim como os enormes punhos. Bella pensou o quanto um soco dele doeria. – E nem seu amigo lá fora está brincando de segurança de boate.
- Não desconverse, você bem sabe por que estou aqui. – ele disse num quase rosnado começando a estralar os dedos ameaçadoramente. Bella não pôde deixar de sentir o pânico começar a se instalar em seu estômago... nem ajuda ela poderia pedir. Quem a ouviria? – Precisa de uma lição pra aprender a não mexer com as pessoas erradas.
- Do que você mais sente falta: da amizade de Roy ou dos lucros que ela acarretava? – ela perguntou depois de engolir em seco, tentando prolongar a conversa.
- Não sei o que diabos fez com ele, sua vadia, mas vai desfazer isso. E vou te convencer na base do tapa. – ele rosnou dando um passo em direção a ela que apertou a beirada da pia às suas costas com mais força.
- Eu fiz? – ela tentou manter a expressão superior que tanto lhe era comum. – Você é quem não viu quem ele era realmente. Ele sempre foi o que agora é, só não tinha coragem de lutar pra ser.
- Calada! – ele rosnou apontando o dedo imenso pro rosto dela. – Comigo não tem conversa. Você vai apanhar e ponto final. Vai aprender a não bancar a espertinha na minha escola.
E então avançou contra a garota que se encolheu. Tudo que ela pensava nesse momento era se isso iria doer muito... se ia demorar muito... se tudo seria como... como daquelas vezes...
E torcer pra que tudo simplesmente passasse, como sempre.
Notas finais
Alguém tem palpites sobre o passado de Bella? E sobre o desfecho desse caso?
Bem, sabemos que a assassina foi Elizabeth, a professora de História, mas... como Bella irá provar suas teorias sobre os motivos e o que de fato aconteceu?
Vamos, comentem. Eu amo seus comentários.
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