The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
18 CAPÍTULO 17
Notas iniciais
kkkkkkk
Divirtam-se e depois não deixem de ler as notas finais.
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“Acredite mais naquilo que vir do que naquilo que ouvir.”
Bella sentia hoje pela primeira vez falta de seus amados fones de ouvido. Depois de passar algum tempo com Edward e Damon, os aposentara por que passara a aceitar mais essa coisa de ver nas pessoas mais do que elas queriam mostrar, mas hoje ela queria muito centrar-se apenas nos próprios problemas.
Por Deus, Edward era maluco! Gastara uma verdadeira fortuna naqueles presentes e simplesmente os deixara lá com um cartão de feliz aniversário atrasado, dizendo a ocasião na qual ela os deveria usar. Ela despertara sentindo falta de seu corpo quente na cama e se deparara com aqueles presentes... o rapaz colocava mesmo muita fé nela e isso a comovia e deixava nervosa na mesma medida.
Por que quando têm expectativas sobre você, junto com isso vem invariavelmente o peso da responsabilidade em atingir tais expectativas. E isso era o que a punha nervosa nesse momento. Ela sabia que McCarter matara Carrow, isso era óbvio, mas... por que? Eram tantas as possibilidades, tantas as coisas que investigar e tão pouco tempo!
- Você está diferente hoje. – Roy comentou enquanto deslizava no banco ao lado de Bella que apenas o olhou com pouco interesse.
- É que hoje eu penteei o cabelo. – ela disse com um pequeno sorriso fazendo o garoto torcer os lábios em desaprovação.
- Por que eu tenho a leve impressão de que está me evitando? – ele perguntou numa voz mais baixa e se inclinou mais pro lado de Bella que não se sentiu intimidada.
- Não estou te evitando. – ela deu de ombros. – Só não quero falar com você agora pois minha melhor amiga estará esperando no próximo ponto e você está sentado no lugar dela.
- Ninguém diz não pra mim. – ele rosnou apontando o indicador pra ela, sua expressão nada amigável.
- Não estou dizendo não, Roy. – ela disse pegando o dedo do rapaz e o baixando de volta ao seu colo, os olhos castanhos fixos nos olhos quase negros. – Só estou dizendo que agora não.
- E quando vai poder falar comigo? Estou farto de esperar. – ele bufou frustrado.
- E por que quer falar comigo? Acha que posso te ajudar ou apenas quer ver se posso? – Bella perguntou lentamente estudando as expressões que passavam pelo rosto do rapaz que levou alguns segundos pra responder.
- Eu acho que sou um idiota por acreditar em você, mas estou curioso depois do que fez naquele dia. – suspirou quando ônibus desacelerou e parou em mais um ponto. – Converse comigo na hora do intervalo e me explique como diabos fez aquilo naquele dia. – ele exigiu olhando nos olhos da garota que pra sua grande surpresa apenas riu.
- Ok, então nem pegue lanche algum e vá direto pro pátio. Eu também tenho curiosidades sobre você. – ela disse lentamente sem deixar de olhar nos olhos do rapaz que semicerrou os seus, visivelmente se perguntando o que a garota queria dizer com aquilo. Mas logo se levantou, pois Alice entrou no ônibus, seu ponto agora um pouco mais longe da escola já que ela se mudara pro apartamento de Edward.
- Oi, Bella. – ela disse com um sorriso, mas a amiga viu no fundo de seus olhos que os últimos acontecimentos acabaram por tirar um pouco daquele brilho que sempre existira nela. Levaria certo tempo até que tudo voltasse a ser como antes era.
- Oi, Alice. – Bella disse e antes mesmo que sua amiga pudesse se acomodar no acento ao seu lado a curiosidade gritou mais alto, fazendo-a perguntar. – Você sabia do presente que seu irmão queria me dar?
- Ahn... – Alice ergueu as sobrancelhas pela surpresa e encarou a amiga. – Você acreditaria se eu te dissesse que não?
- Não, não acreditaria. – Bella disse num muxoxo. – Não acredito que ele tenha gasto uma fortuna daquelas comigo.
- Bella, deixe de ser resmungona. – Alice disse cutucando a amiga com o cotovelo. – Você sabe quanto eu gastei pra renovar seu guarda-roupa? Mas é um prazer gastar do nosso dinheiro com quem se gosta.
- Alice, o que você gastou com todas aquelas roupas nem se compara com o que ele gastou com o meu presente. – Bella revirou os olhos. – Você viu?
- Claro que eu vi. Eu que ajudei a escolher. – Alice fez uma cara hilária de quem diz “Isso é óbvio, não?”.
- Hum, ajudou a escolher. – Bella resmungou cruzando os braços em frente ao peito. – Eu nem sei se tenho coragem de usar aquele vestido.
- Mas vai usar. – Alice disse com convicção. – Vai usar o vestido, as jóias e o sapato perfeitos que Edward comprou pra você. E vai usar na noite do jantar.
- Nem sabemos se eu vou nesse jantar, Alice. – Bella suspirou ao olhar pela janela as ruas quase vazias pelo horário matutino.
- Que é isso? Baixa estima enquanto está aí, toda gostosa nessas roupas novas? – Alice cutucou-a pra que Bella a encarasse. – Você vai solucionar esse caso, amiga, e vai ir toda poderosa no jantar sim. E a gente vai desfilar toda nossa beleza estonteante dentre aquelas pessoas chiques.
- Você também vai? – Bella perguntou erguendo uma sobrancelha e fingiu não perceber quando Alice corou, tentando esconder dela o quanto estava excitada com a idéia.
- Damon me convidou. Tipo, ele me disse que não quer ir sozinho já que Edward vai com você então ele me convidou pra ir depois de ter pedido um convite pra mim. – ela riu forçadamente. – É mais uma noite de amigos.
- Ah, claro. – Bella disse lentamente voltando a olhar pra janela.
- O que você quis dizer com esse “Ah, claro.”? – Alice perguntou depois de alguns segundos de silêncio.
- Bem... – Bella voltou a olhar pra amiga que a encarava com atenção. Ela guardara aquela verdade pra si por que queria dar espaço pra sua nova amiga, não queria invadir a privacidade dela ao dizer saber de uma coisa que Alice não estava preparada pra lhe contar. Mas agora... bem, isso poderia ser o ânimo que a garota precisava pra se reerguer. – Eu te conto um segredo se você contar um seu. Ou pelo menos confirmar o que eu já sei.
- Você sabe que eu gosto do Damon, não sabe? – Alice perguntou com uma careta e gemeu quando Bella confirmou com a cabeça. – Desde quando?
- Desde sempre, eu acho. – Bella deu de ombros. – No começo era apenas uma suspeita, mas depois eu tive certeza.
- Que coisa constrangedora. – Alice escondeu o rosto entre as mãos.
- O que seria constrangedor? – ela perguntou cinicamente e Alice virou o rosto pra encará-la com uma expressão mortificada.
- Eu, uma adolescente idiota, apaixonada pelo amigo gostoso do meu irmão mais velho. Realmente patético. – ela suspirou recostando-se no banco pouco confortável.
- Patético? Acho que só você acha isso. – Bella disse lentamente e Alice olhou-a com mais curiosidade dessa vez.
- O que você... – ela arregalou os olhos, a compreensão passando por sua expressão assustada. – Peraí, se você percebeu isso, quer dizer que... ele sabe? – ela sussurrou a última parte em um quase gemido. Bella não viu alternativa que não fosse concordar com a amiga, um leve aceno de cabeça sendo suficiente pra que Alice gemesse e novamente escondesse o rosto entre as mãos. – Céus, que vergonha! Nunca mais, eu juro que nunca mais saio de casa!
- E por que você faria isso? – Bella perguntou com um sorriso lento.
- Ora, por que! – Alice disse exasperada ao retirar as mãos do rosto. – Como eu poderei encará-lo agora depois de saber que ele sabe que eu sou caidássa por ele? Só em pensar meu rosto arde de vergonha!
- Alice, Alice. – Bella suspirou e riu ainda mais diante do rosto amargurado da amiga. – Será que você não vê o óbvio?
- Que óbvio? Que eu sou uma idiota sonhadora por querer aquilo tudo enquanto ele me considera apenas uma boa amiga? – ela perguntou em um muxoxo.
- Não, sua boba. – Bella riu alto. – Que ele sabe que você gosta dele e que mesmo assim te convidou pro jantar. Isso não te diz nada não?
- Peraí... – Alice disse lentamente enquanto semicerrava os olhos. – Você está querendo dizer que...
- Sim, Alice. O Damon está apaixonado por você. – Bella disse de forma lenta e clara, como se quisesse que cada palavra penetrasse na cabeça dura de sua amiga pra que ela entendesse e percebesse que aquele a quem ela chamava de amigo e por quem nutrira uma paixão platônica na verdade também gostava dela da mesma forma.
Ao invés de saltitar na cadeira e dar seus famosos gritos agudos, Alice simplesmente voltou a recostar em seu banco, os olhos perdidos, a boca entreaberta, o rosto pálido. Bella conhecia a amiga bem demais pra se preocupar por isso deu o tempo necessário pra que a baixinha absorvesse a idéia, entendendo o sentido das palavras ditas por ela.
- Bella. – ela disse lentamente sem olhar pra amiga.
- Sim? – Bella respondeu de forma bem doce.
- Me belisca, por favor. – ela disse ainda da mesma maneira. Bella riu e estendeu sua mãe, beliscando com gosto o antebraço da garota. – Ai, Bella! Era pra beliscar, não pra amputar meu braço! – ela reclamou depois de pular no banco pelo choque que a dor aguda causara, a mão esfregando o braço dolorido enquanto ela encarava Bella com fúria. Mas logo sua expressão mudou pra alegria extrema, um sorriso imenso se formando em seu rosto. – Eu não tou sonhando!
- Me diga algo que seja uma novidade. – Bella sorriu diante da alegria radiante da amiga. Não sabia se tinha feito certo em contar pra ela sobre os sentimentos de Damon, mas não agüentava mais ver aquele embate interno em sua melhor amiga.
- Não acredito em toda minha sorte. – Alice levou uma mão ao peito e respirou fundo. – Cara, isso é melhor do que ganhar na loteria! Um gato por quem eu sou apaixonada também gosta de mim e me convida pra ir em um jantar chique! Isso não é ótimo!? – e o famoso gritinho veio, chamando a atenção de alguns alunos ao redor delas que franziram a testa diante de tamanha histeria. – Agora me conta.
- Te contar o que? – Bella franziu a testa diante do pedido.
- O seu segredo. Você disse que ia me contar um segredo se eu te contasse um. Eu não te contei, ta legal, mas continuo querendo saber o que você vai me contar. – a garota fez um gesto impaciente. – Então começa.
- Ah, isso... – Bella engoliu em seco sentindo o rosto esquentar. Droga, por que ser legal era tão difícil? Teria sido mais prático chegar na Alice e desembuchar “Olha, eu sei que você é fissurada no Damon e que está aí, toda borocochô, por acreditar que ele seja muita areia pro seu caminhãozinho. Mas sorria, garota, ele é gamadão na sua.”. Mas então ela decidira ser cuidadosa e cautelosa... maldição! – Bem... é que eu... bem, ontem... – ela gaguejou mexendo no zíper da mochila que descansava em seu colo, totalmente sem jeito.
- Você está com vergonha de mim? – Alice estranhou. Bella com vergonha era uma novidade pra ela. Até que uma luz brilhou em sua mente e ela abriu sua boca em um ô de surpresa. – Ah, meu Deus! Não me diga que... você e Edward... ontem...
- É. – Bella soltou todo o ar que ela nem percebera que prendia. Alice batia palmas contidas e quicava no banco.
- Eu não acredito! Devia ter imaginado quando você me contou que ele te entregara o presente! – olhou em volta pra ver se ninguém mais ouvia e então se voltou pra Bella. – E aí, vai, me conta como foi.
- Foi... intenso! – Bella riu de forma envergonhada ainda mexendo em sua mochila. – Tipo, não esperava que fosse acontecer ontem, mas aconteceu. Ele subiu pela minha janela e estava no meu quarto quando eu subi depois do jantar e então... bem, apenas deixamos rolar.
- Ai, que lindo! – Alice suspirou romântica. – Foi sua primeira vez?
- Foi, foi sim. – Bella concordou sentindo-se corar ainda mais.
- Eu queria ser virgem ainda pra poder perdê-la com o Damon. – Alice suspirou pesarosa dessa vez, torcendo os lábios. – Mas já a perdi há dois anos.
- Dois anos? – Bella se surpreendeu. – Tipo, você tinha quinze anos quando transou pela primeira vez?
- Quase dezesseis. – Alice corrigiu. – Mas o caso é que eu namorava sério, sabe? Jasper Whitlock... se mudou pra Chicago há três meses e então rompemos um namoro de mais de três anos. – ela suspirou torcendo os lábios. – Mas a relação já estava meio gasta, sabe? E ele não era aquelas coisas na cama. – ambas riram divertidas. – E o meu irmão? Como foi o desempenho dele?
- Hum, numa escala de zero a dez... cento e cinqüenta! – Bella disse com falsa seriedade o que as fez rir mais uma vez.
- Que bom que enfim vocês deixaram de joguinhos imbecis e partiram pra um jogo mais interessante. – Alice comentou enquanto se levantavam já que o ônibus parara em frente a escola. – E por falar em meu irmão, ele tem sido um amor ao me deixar morar com ele e ainda me trazer ao ponto de ônibus já que ele mora em um bairro mais distante. Poderia ter me mudado de escola, mas eu agradeço por não tê-lo feito.
- Edward te ama, isso é mais certo do que dizer que o sol brilha durante o dia. – Bella comentou com um sorriso amigável. – Dá pra ver nos olhos dele o quanto você e Rosalie significam pra ele.
- Ele meio que se culpa pelo que aconteceu, sabe? – Alice riu com tristeza enquanto ambas atravessavam o estacionamento. – Mas eu não o culpo. Depois de mamãe... bem, eu não o culpo por não querer ver o sofrimento de nenhum dos seus familiares. Eu acho que ele sentiu-se tão impotente naquela época e agora acabou por reviver essa sensação quando não viu a depressão de Rosalie, quando não pôde ler no rosto dela as atrocidades que o homem a quem chamávamos de pai fazia. – Alice deu de ombros. – Mas não o culpamos. De certa forma, cada um de nós procurou proteger-se disso tudo de formas diferentes.
- Eu disse à ele pra não se culpar. Eu vi sim, mas... também já errei muito em julgamentos precipitados. – Bella disse de forma sombria, mas parou por ali. Aquele assunto era Tabu, ela jamais falava sobre aquilo. Jamais.
Alice entendia que algo no passado de Bella era mais sombrio do que toda aquela tragédia familiar a qual ela enfrentava. Pois ela tinha Rosalie, Edward e os amigos pra ajudá-la e ampará-la enquanto Bella saíra de tudo aquilo sozinha. Observou o perfil da amiga enquanto caminhavam e se surpreendeu com a tristeza que viu estampada em suas expressões.
Não precisava ser um mestre em leitura da linguagem não verbal pra ver o quanto aquelas lembranças atormentavam Bella. O sofrimento estava ali, quase palpável. Sentiu uma vontade quase irresistível de lançar-se contra a amiga e abraçá-la bem forte, retribuindo a ajuda que ela lhe dispensara durante tudo aquilo. Mas compreendeu que Bella precisava naquele momento que ela agisse como se tudo estivesse bem.
Ia abrir sua boca pra dizer algo quando uma sombra enorme parou em frente a elas. Parou abruptamente e abriu sua boca em um mudo espanto quando viu o zelador jovem, calado, mal humorado e solitário dirigir-se a Bella que não parecia nenhum pouco surpresa.
- Os rumores não são favoráveis à você. – ele disse numa voz baixa sem nem mesmo dar bom dia. – Se eu fosse você, parava com toda essa história de investigação.
- Vinganças de anoréxicas populares não me assustam, Emmett. Mas de qualquer forma, obrigada pela informação. – Bella disse lenta e despreocupadamente.
- Você é quem sabe, só estou repassando aquilo que ouvi. – ele disse com sua voz dura e se afastou sem mais nada dizer.
- O que diabos foi isso que acabou de acontecer? – Alice perguntou num sussurro mortificado ao observar as costas musculosas se afastarem pelo corredor.
- Ele me ajudou com informações sobre o Roy e coisas assim.Também conversamos um pouco e parece que devido essa aproximação ele tenha se sentido na obrigação de me contar sobre essa vingança idiota da Jéssica sobre a minha pessoa. – Bella disse de forma despreocupada enquanto voltava a caminhar pelo corredor.
- Mas você sabia que ele não fala com ninguém, não sabia? – Alice comentou seguindo a amiga. – Tipo, todo mundo que estava perto da gente se espantou quando o viu se dirigindo à você.
- Foi por isso que ele falou em voz baixa. – Bella constatou ainda sem se alterar. – Ele não é anti social, só tem que saber o jeito certo de se aproximar. E esse aviso... bem, não foi só preocupação com a minha pessoa. Ele só está querendo manter contato, do seu jeito turrão e misterioso, mas mesmo assim manter contato.
- Você me assusta, sabia? – Alice comentou em um sussurro fazendo Bella rir.
As aulas seguiram normalmente, Bella e Alice compartilhando apenas a primeira das três aulas. Quando a terceira aula acabou, Bella caminhou pelo corredor até parar na porta da sala de Alice, que vinha saindo com sua mochila à tiracolo.
- Vou conversar com o Roy lá no pátio. – ela disse de uma só vez ao que Alice a encarou com curiosidade. – Pode tomar seu lanche e passar o horário do intervalo sem mim?
- Não posso ir com você? – ela perguntou sondando o rosto da amiga.
- É melhor não. Pedi pra que ele estivesse no pátio agora por que sei que os alunos estarão no refeitório. Com você por lá, ele travaria total.
- Ok, então. Nos vemos na saída. – deu um beijo rápido na bochecha de Bella e seguiu rapidamente em direção ao refeitório. Com um sorriso satisfeito nos lábios, ela seguiu em direção ao pátio onde o garoto certamente a estava esperando.
O dia estava ainda mais bonito do que o anterior, fato que fez com que alguns alunos desistissem de lanchar e resolvessem tomar um sol. Mas uma pessoa sentada distante de todas as demais atraiu o olhar de Bella e foi até lá que ela caminhou despreocupadamente, a mochila pendendo de um ombro.
- Que dia lindo, não? – ela comentou com um sorriso que não foi retribuído por Roy, mas ela apenas sentou-se ao lado do rapaz, depositando a mochila ao seu lado. – Num dia como esse eu quero apenas me deitar ao sol e relaxar.
- Hum. – o rapaz resmungou mal humorado e remexeu os pés ao se debruçar sobre eles, os cotovelos apoiados nas coxas.
- É o que você precisa fazer, Roy. Relaxar, apenas relaxar. E então a gente conversa. – ela disse com o mesmo sorriso de antes ao cruzar as pernas dobradas, estando quase sentada em cima dos pés, as mãos largadas em meio as coxas. – Vamos, sente-se direito e apenas sinta o calor gostoso do sol.
Roy a olhou desconfiadamente e sentou-se como ela pedira, as costas retas encostadas ao banco. Mas sua postura ainda continuava tensa.
- Vamos, Roy, você pode fazer mais do que isso. Relaxe esses ombros e deixe que a luz te aqueça completamente. – Bella insistiu recebendo um olhar mal humorado.
- E o que essa porra pode me ajudar? – ele resmungou impaciente.
- Não coloque a carroça antes dos bois, meu filho. Sem estar relaxado, não vou poder te ajudar. – Bella disse lentamente sem desviar os olhos do rapaz. – Vamos, apenas relaxe. Sei que quer ajuda, senão não teria aceito estar aqui então faça o que eu digo.
Ele torceu os lábios, relutante, mas soltou os ombros como ela dissera. Ficaram ali, parados ao sol, apenas respirando e observando as árvores em volta por alguns poucos minutos. As poucas pessoas que se reuniam por ali nem davam atenção aos dois por eles estarem afastados dos demais e por não ser mais novidades o fato de que Roy estava interessado pela novata. E ninguém se atrevia a questionar as opções de Roy.
- É difícil, não é? – Bella começou a dizer lentamente, seus olhos perdidos nas folhas das árvores balançadas pelo vento. – É difícil todos aqueles gritos, todo o choro, todas as ameaças, toda a violência... e por mais que você queira ser forte, ainda não é forte o suficiente.
- Você não faz idéia do que está dizendo. – Roy comentou ao lado dela, sua voz rouca e trêmula, mas ela prosseguiu ainda sem o encarar.
- Você precisa disso. Desse controle, dessa agressividade, dessa submissão sob a qual você os mantém. Isso faz a dor ficar menor, faz a sensação de impotência e vulnerabilidade parecerem tão distantes... mas você não consegue simplesmente se livrar da dor. Apenas a mascara.
- E o que eu deveria fazer? É só isso que eu sei fazer. – Roy disse numa voz cansada. Bella virou-se lentamente pra fitá-lo e viu o quão perdido ele estava. Pobre alma atormentada...
- Não é feio ter medo, Roy. – ela sussurrou com seu olhar conectado ao dele. – Não é feio sentir-se machucado. Não é feio chorar.
- Mas eu não quero mais passar por isso. – ele disse por entre dentes desviando seus olhos e começando a cavoucar o chão com o calcanhar. – Você não entende... não é com você.
- Quem não entende é você. Que fica triste quando se aproveita de algum pobre coitado que atravessa o caminho de sua pequena gangue apenas pra provar sua valentia aos seus amigos. Que se remói de tristeza por dentro quando simplesmente finge ser o que não é diante de todos eles. Que morre um pouco mais a cada dia apenas pra tentar matar essa sua parte que tanto odeia, mas que na verdade é apenas a sua parte humana. – Bella suspirou e estendeu sua mão, apertando o braço do rapaz ao vê-lo tremer, controlando as emoções que passavam por ele. – Você quer ajudá-la a se livrar daquele desgraçado, não quer? Então revide!
- Como? – ele perguntou num rosnado frustrado. – Como eu posso fazer isso?
- Use a sua inteligência pra algo útil. Faça as pessoas te admirarem pelo que você é ao invés de fazê-las terem medo de você pelo que parece ser. – Bella apertou o braço dele com mais força. – Pare de destruir, maltratar e causar confusão, Roy. Por que ambos sabemos que, quando age assim, está indo contra sua natureza e agindo como ele age. E ambos sabemos que isso, ao invés de te fazer sentir mais forte e menos impotente, apenas te mata aos poucos.
- Por que você acha que eu sou diferente deles que gostam da anarquia e confusão? – Roy perguntou curioso enquanto observava o rosto sereno daquela garota intrigante. Bella riu.
- Não foi à toa que eu te enrolei até hoje. Eu estava analisando você a distância, colhendo informações sobre você aqui e ali sem que mais ninguém percebesse. E o tormento em seus olhos – ela disse ao encarar os olhos escuros. – nenhum deles tem.
— O que sugere que eu faça? Acha mesmo que eu sendo diferente do que sou vai mudar alguma coisa? – ele deu de ombros incrédulo.
- Claro que vai. – ela riu abertamente. – Por que, apesar dos pesares, você terá orgulho de você mesmo e não mais terá pesadelos com os rostos agoniados das pessoas que sofrem em suas mãos.
- Ok. – ele engoliu em seco. – Eu vou tentar... por ela. Por que... eu sei que se eu puder ganhar uma bolsa e fazer uma boa faculdade, poderei tirá-la de lá.
- Melhor do que isso, Roy. Digamos que eu possa fazer algo quanto ao canalha que mora em sua casa se você me prometer duas coisas. – Bella disse lentamente.
- O que? Você... mas como você poderia fazer algo? Nem mesmo eu posso com aquele desgraçado! Ele é barra pesada, garota, não sabe do que está falando! – Roy desacreditou se mexendo no banco, incomodado.
- Se eu digo que tenho um jeito de acalmá-lo é por que tenho. – ela disse com firmeza. – Vai querer arriscar?
- Pode parecer loucura, mas seria mais loucura do que eu ter te procurado? – ele suspirou derrotado. – O que quer que eu prometa?
- Que vai tentar aos poucos voltar a ser você mesmo e que vai me contar uma coisa realmente importante. – ela disse lentamente ganhando a total atenção do garoto.
- E o que seria esse algo importante? – ele perguntou interessado pelo tom sério da estranha garota que parecia ter um imã, um imã irresistível por parecer saber o que dizer pra atrair as pessoas. E apesar de saber que ela o estava manipulando, ele estava curioso demais por saber o por que de ela o manipular. E pelo que parecia, ela o estava ajudando também de alguma forma ao abrir seus olhos pra verdade que ele se recusara a enxergar. E ainda havia aquela promessa... vindo daquela garota ele agora acreditava em tudo.
- Conte-me tudo, Roy. – Bella disse lentamente, seus olhos fixos nos olhos do rapaz. – Conte-me tudo o que viu na noite do assassinato aqui na escola.
Notas finais
Primeiro agradecer as lindas recomendações de daniela_osorio (simplesmente uma das melhores fics que ela já leu... extremamente carinhosa ela), JennyDay (encantada com a narrativa), Marih-c (essa fic está quebrando Tabus, segundo ela), Clarissa_Cullen (isso foi pq ela diz não ser boa em recomendar... imagina se fosse!), Cullen_E_Swan (cais chorei nessa aqui viu? Parabéns, flor, vc me tocou profundamente.), rita_portugal (minha fic tocando pessoas do outro lado do oceano) e NTaubz (amei sua super recomendação).
E Segundo, agradecer a todos que leem, comentam e recomendam, passando adiante a história de minha fanfic. Sério, nem mereço essa atenção toda... emocionada com os mega elogios que recebo ultimamente.
Vcs são show!
Bjks!
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