The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
10 CAPÍTULO 09
Notas iniciais
“Por que a verdade é um ponto de referência. Conte uma mentira ou uma meia verdade e será difícil encontrar o caminho.”
Edward esperava impaciente o sinal que indicava o término das aulas, as mãos nos bolsos, as pernas cruzadas e o corpo descontraidamente encostado a seu carro. Pelos óculos escuros ele admirava as árvores que cercavam o colégio, observando os passarinhos voar entre elas, por vezes embrenhando-se em meio a seus galhos.
Apesar de sua postura descontraída e de estar observando algo tão singelo, estava preocupado. Caleb estava viajando, nesse momento se encontrava em uma Conferência na Europa, a agência estava nas mãos de Lia que sempre a dirigia com mãos de ferro, esperta e sagaz o suficiente pra ter ganhado sociedade junto ao antigo chefe.
Então empregados como Edward simplesmente recebiam ordens de Lia que as tinha recebido de Caleb que, mesmo do outro lado do oceano, ainda tinha os olhos e ouvidos na agência, a realização de uma vida inteira. E até agora Edward ainda remoia a conversa que tivera com Lia.
“- Encontrei uma Natural ontem. – ele dissera a Lia, uma mulher de trinta e poucos anos, alta, esguia, a pele morena, descendente de latinos, os traços tão delicados endurecidos pelo seu trabalho em meio a homens. Os cabelos longos e castanhos escuros estavam presos em um repuxado rabo de cavalo, acentuando ainda mais a dureza em sua expressão quando ela ergueu os olhos do computador pra Edward que se sentara em frente a sua mesa. – A melhor que já encontrei, ela é simplesmente genial!
- Damon já me disse. – ela disse naquela voz fria e sem expressão alguma, os olhos castanhos fixos em Edward que sempre se sentia pouco a vontade sob aquele olhar. – Me contou ontem depois que saiu da casa de Leslie, a testemunha do caso Carrow.
- Oh, ele já disse. – Edward disfarçou ao fazer uma pausa, querendo ocultar seu nervosismo. – E ele disse que eu ofereci emprego a ela?
- Disse sim. – ela torceu os lábios voltando a atenção ao seu computador.
- E...? – Edward incentivou fazendo Lia desviar mais uma vez o olhar da tela e suspirar depois de segundos de silêncio.
- Você sabe como as coisas são corridas por aqui. – ela começou a dizer lentamente como se Edward fosse algum tipo de retardado mental. Mas ele sabia que esse seu tom de voz nada tinha a ver com o nível mental dele: ela estava deixando bem claro o assunto abordado, as palavras lentas e bem articuladas pra que ele gravasse cada uma delas. – Não temos tempo de bancar as babás e ensinar Naturais nessa agência. Quando os encontramos, damos a eles a oportunidade de ingressar em uma das melhores faculdades de nossa área: aqui não é escola, Edward, é a vida real.
- Eu sei disso. – ele se inclinou pra frente e colocou ambas as mãos na mesa, seus olhos fixos nos dela pra que ela percebesse o tamanho de sua confiança no dom de Bella. – Mas ela... é diferente dos outros.
- Diferente ou não, ela só atrapalharia, pois é inexperiente como os outros. – Lia disse sem demonstrar entusiasmo algum pelo assunto. – Você sabe bem que pessoas podem se machucar trabalhando com criminosos.
- Sei que sim. – ele disse impaciente. – E é por isso que eu quero que ela trabalhe comigo e Damon. Poderemos ensinar a ela tudo que sabemos, Lia. É sério! Se deixarmos Isabella Swan passar, não encontraremos aliado tão forte em outra oportunidade tão... ao acaso!
- Está certo de que ela é mesmo boa no que faz mesmo sem treinamento? – ela questionou levando um dedo ao queixo enquanto refletia encostada a cadeira, os olhos semicerrados.
- O dom ainda é bruto, precisa ser lapidado pela ciência, mas sim, eu acredito que ela seja capaz de acompanhar a mim e Damon em qualquer caso que apareça. – sua garganta estava seca. Lia era quem decidia agora se Bella podia ou não trabalhar com eles. A opinião dela era a única que importava ali já que Caleb estava fora.
- Quero provas concretas. – ela suspirou por fim voltando a baixar as mãos e relaxar os ombros. – Deixe que ela ajude no caso Carrow, mas não faça muita coisa e peça a Damon que faça o mesmo. Quero ver até onde ela pode ir por si só e até onde vocês conseguem conduzi-la sem por o caso todo a perder.
- Ok. – ele suspirou ao se levantar, pois entendeu que a conversa estava encerrada. – Preciso voltar a escola hoje pra falar com...
- Você não vai falar com ninguém. – Lia disse com voz firme. – Vá apenas pra descobrir o que ela descobriu. Esqueceu-se de minhas ordens?
- Ah, é claro. – ele engoliu em seco desviando os olhos. Seria difícil deixar Bella fazendo todo o trabalho bruto... mas essas eram as ordens.
- Fique por perto o máximo de tempo possível. – Lia disse enquanto voltava a digitar, os olhos mais uma vez alheios a Edward. – E se ela fizer algo de errado... não temos nada a ver com isso.
- Sim, senhora. – ele disse em tom seco antes de sair da sala.”
Suspirou com as últimas palavras da chefe. Seria difícil, muito difícil deixar Bella às escuras naquele caso sendo que a garota era totalmente novata no assunto. Ele e Damon eram cientistas, conheciam a fundo a arte da mentira, mas Bella sabia apenas o que o mundo a fizera aprender, tudo por uma simples questão de sobrevivência.
Ao longe ouviu o sinal tocar anunciando o término das aulas, por isso seus olhos migraram dos céus que ele tanto observava pras portas da escola por onde saiam os alunos naquele momento. Por mais que dissesse a si mesmo que tentaria tratar Bella o mais profissionalmente possível, sabia que não era possível.Ela o atraía de uma forma... intensa.
Sabia a explicação pra tal atração, mas isso não o impedia de sentir-se cada vez mais atraído pela garota.
Ao longe viu Alice e Bella saírem da escola, a primeira o viu primeiro e apontou em sua direção dizendo algo a segunda. Bella levantou seus olhos e apertou os lábios quando o viu: estava zangada? Por que?
Fez sinal pra que ambas se aproximassem e esperou pacientemente até que elas chegassem ao seu carro.
- Oi, Alice. – ele cumprimentou a garota com um beijo no rosto.
- Oi, Edward. – a garota disse com animação ao deixar-se ser beijada e abraçar o irmão. – Não esperava vê-lo por aqui.
- A investigação continua. – Edward riu voltando-se pra Bella que o olhava em silêncio, as bochechas ligeiramente coradas informando-o de que ela se lembrava tanto quanto ele da noite anterior. – Oi, Bella. – ele saudou estendendo a mão, mas ela não a apertou: os braços cruzados em frente ao corpo indicavam que ela estava realmente furiosa.
- Por que não me disse que Leslie McCarter era filha da minha professora de história, Elizabeth McCarter? – sua voz estava até um pouco rouca, seca em sua irritação, os olhos duros fixos em Edward que tirou os óculos escuros pra que ela visse seus olhos enquanto ele dizia o que tinha pra ser dito.
- Bom, não sabia que você desconhecia esse fato já que a professora é sua. – ela estreitou mais os olhos, os lábios se apertando tanto que estavam brancos em volta. – Bella, você tinha que ter deduzido isso! O sobrenome não te deu nenhuma pista?
- Eu não sabia o sobrenome de Leslie. – ela disse em voz seca.
- Um erro muito grande de sua parte. – ele disse com um meio sorriso pra tranqüilizá-la. – Deve sempre observar todos ao redor dos suspeitos, fazendo todas as ligações possíveis entre essas pessoas e o crime, tendo em mãos todas as informações que puder colher. Não se tocar que Leslie tem uma mãe na escola foi um erro grave.
- É, eu sei que foi. – ela disse com voz seca. – Mas por que você não disse?
- Um de meus chefes concordou em te dar emprego desde que... – ele suspirou passando as mãos pelos cabelos já revoltos. – Desde que solucione esse caso.
- Desde que o que? – ela disse, incrédula. – Você está louco? Não tenho experiência nem competência pra isso, Edward!
- Experiência não tem mesmo, mas quanto a competência eu discordo totalmente. – ele riu dando de ombros pra tranqüilizá-la. – Vamos lá, Bella! Deixou passar um pequeno detalhe, mas acabou por descobrir sozinha a tempo, não estragou nada com isso. Posso lhe dizer que cometi erros mais graves do que esse quando comecei.
- Então a Bella vai ter que encontrar o assassino sozinha? – Alice se espantou, olhando de olhos arregalados de um a outro.
- É... em parte. – ele riu encarando Bella que estava bem mais calma agora. – Damon e eu ainda estamos no caso e investigaremos também, só deixaremos o campo livre pra que você descubra as coisas por si só.
- Que consolo. – ela deu um muxoxo olhando em direção a rua onde os alunos esperavam o ônibus escolar. – Tenho que ir pro ponto, o ônibus já vai chegar.
- Eu te levo pra casa. – Edward apressou-se em dizer já se afastando do carro, mas Bella riu de leve e fez um gesto com a mão que dizia claramente “Não. Pare.”.
- Não se preocupe, a resposta é a mesma de ontem. E... eu preciso pensar em tudo. – ela apertou os lábios enquanto balançava afirmativamente a cabeça. – A gente se vê amanhã, então.
- Ok, eu passo aqui pra saber como andam as coisas. – ele disse apressadamente, engolindo em seco. Ela apenas apertou os lábios novamente e acenou pros dois, se afastando em direção aos demais alunos que se preparavam pra subir no ônibus que acabara de chegar.
- Como ela é esquiva. – Alice comentou observando as costas de Bella enquanto a garota se afastava.
- Nem me diga. – ele resmungou brincando com o molho de chaves entre os dedos com os olhos também em Bella, não deixando de admirar como era diferente a Bella com aquelas roupas quase masculinas da Bella com... bem, era melhor não pensar nisso.
- Ela gosta de você. – ela disse de repente ao dar a volta e abrir a porta do passageiro.
- Você está delirando. – Edward resmungou também abrindo sua porta e entrando no carro.
- Ora, Edward, posso não ser uma perita em linguagem corporal, mas eu sei quando duas pessoas sentem tesão um pela outra. – ela fez uma cara que dizia “Dã-hã!”.
- Alice... menos, por favor, menos. – ele disse apertando os lábios pra não rir do comentário extremamente maldoso da irmã mais nova. – Ela será em breve minha colega de trabalho, então...
- Ficará bem mais fácil pra vocês darem uma fugidinha de vez em quando. – ela completou fazendo o irmão rir de sua espontaneidade. – Fala sério, Edward! Eu sinto a tensão entre vocês a quinhentos quilômetros de distância!
- É, mas ela não é fácil de conquistar. – ele suspirou ligando o carro, já entregando os pontos já que era impossível de esconder. Não de sua irmã que o conhecia tão bem. – Como estão as coisas lá em casa?
- Dá pra levar. – ela sussurrou olhando pela janela do carro, não querendo que o irmão visse seu rosto carregar uma expressão de tristeza.
- Ela está freqüentando o AA pelo menos? – ele perguntou com a testa franzida pela preocupação, mas Alice bufou, sarcástica.
- Se ele ajudasse, meu querido, tudo seria mais fácil. Bem mais fácil. – ela voltou-se pro irmão que viu os grandes olhos tão expressivos se encherem de lágrimas. – Mas sou eu que tenho que agüentar a barra, entende? Vê-los brigando todos os dias de manhã, a tarde e a noite e ainda ter que cuidar dela depois que ela cai de tão embriagada.
- Eu sinto muito. – ele suspirou olhando pra rua a sua frente pra fugir da culpa que sentia ao ver o sofrimento da garota. – Sinto muito por ter desistido.
- Não sinta, Edward. – Alice apertou o braço do irmão como se pra mostrar que não guardava qualquer mágoa ou ressentimento por ele ter se mudado de casa e ido morar sozinho em um apartamento. – Você fez a coisa certa, foi viver a sua vida. Eu sei que... não agüentarei isso pra sempre. Não faz bem a alma de ninguém ocupar a própria vida cuidando de pessoas que não dão valor a nada do que você faça.
- Pretende se mudar? – ele perguntou voltando a olhar o rosto delicado de Alice.
- Pretender, pretender não. – ela suspirou acomodando-se no banco. – Tenho pena de deixá-la naquela situação. Mas não posso prometer que irei ficar lá pra sempre.
- Eu entendo. – Edward suspirou, ambos ficando em completo silêncio durante todo o percurso.
Depois que deixasse Alice em casa, Edward iria pra agência onde Damon esperava pra que conversassem sobre o caso Carrow. Era fato que ocultara de Bella que Elizabeth era mãe de Leslie, e também ocultara que quando tinham estado na casa da moça, a mãe não se deixara interrogar, as poucas palavras que disse a ambos revelando que escondia algo. Mas... ele ainda não achara um motivo pra que uma professora tão competente e renomada como Elizabeth McCarter se envolvesse no assassinato da amante do namorado da filha. Ele a estar traindo era um fato muito fraco pra motivar tal envolvimento.
Só se existisse outra coisa... mas o que seria?
E era exatamente isso que Bella pensava ao assistir a aula de história no dia seguinte, seus olhos fixos na professora que falava pra classe com sua voz seca e desprovida de simpatia em frente a sala.
Ela sabia que Leslie estava acobertando alguém, daí seu comportamento de culpa pelo namorado preso. Mas o que faria Elizabeth McCarter se envolver na morte da amante do namorado traidor da filha? Ela não arriscaria sua vida, liberdade e carreira apenas pra incriminar o rapaz, não mataria Vanessa sem um motivo maior. Apesar de parecer pouco simpática, não lhe parecia o tipo de pessoa cruel e fria que matava sem motivo.
Pedira a Alice que não falasse com ela enquanto pensava sobre o caso, mas por mais que procurasse um motivo, uma razão, não encontrava. Sentiu os olhos da professora sobre ela algumas vezes e os sinais em sua expressão lhe disseram que ela estava extremamente zangada com Bella por ter provocado o colapso nervoso em Leslie no dia anterior, mas fora isso não houve qualquer outro tipo de atitude ofensiva em sua direção. Apenas aquele franzir de nariz que de alguma forma se assemelhava a alguns animais, o cachorro, por exemplo, um claro esgar de raiva e agressividade.
Mas isso era insuficiente pra que Bella pudesse deduzir se Elizabeth seria capaz de matar ou não. Nem todo mundo que olha pra alguém com tanta raiva é capaz de matar alguém, ainda mais sem motivo aparente.
Suspirou recostando-se na cadeira. Queria aquele emprego, precisava dele se queria sua tão sonhada independência. Mas pra isso tinha que resolver o caso... sozinha, essa era a pior parte do todo.
Teria que se mostrar capaz ou estaria fora. Segundo Edward, ele e Damon estariam por perto pra não deixar que ela estragasse tudo, mas o desfecho do caso, enquanto ela não desistisse, caberia a ela. E era por isso que tinha que ir mais a fundo, tinha que abranger mais sua visão, tinha que encontrar mais suspeitos.
Ou isso, ou encontrar um motivo realmente forte pra que a professora tivesse se envolvido com o crime brutal.
Só que nada a preocupava mais do que a baixinha ao seu lado. Alice insistira com a amiga pra que ela passasse a tarde em sua casa, alegando que não queria que Bella estragasse seu dia de aniversário trancada em uma casa com a tal da Susy. Queria que a amiga passasse o dia com ela, ambas se divertindo numa tarde de garotas.
Mas não fora a toa que Bella construíra um muro em volta de si: não queria ser atingida pelos problemas de ninguém. E algo lhe dizia que a casa da garota era repleta deles... só esperava que tudo desse certo e que não se metesse em encrencas por saber demais sem na verdade saber.
E que Edward Cullen não se aproximasse muito dela. Não conseguia pensar direito com a proximidade daquele Adônis. Só queria ver como faria pra trabalhar ao lado dele... ah, isso ela queria ver!
Notas finais
Kisses!
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