Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem :D

“Não há mentira maior do que aquela contada a si mesmo.”

Bella suspirou enquanto se sentava em um dos poucos bancos vagos do ônibus, os fones já em seus ouvidos berrando um rock pesado.

Era loucura. Uma completa loucura, ela sabia.

De manhã, ao sair da casa dos Williams, era apenas Isabella Swan, a garota problema que ninguém queria por perto. E agora... uau! Alice, Edward e Damon eram pessoas espetaculares, sinceras ao dizer que tinham simpatizado com ela, amigas ao se aproximarem dela mesmo ao saber de seu dom peculiar, dom que somente afastara as demais pessoas desde que ela se entendia por gente.

Durante anos ela teve vergonha do que era capaz de fazer. Durante anos só o fazia quando queria ferir, magoar ou humilhar alguém... antes que eles pudessem fazê-lo a ela. Era sua válvula de escape, sua maneira de se isolar do mundo, de se manter segura.

Mas então aparece Edward. O cara mais charmoso que ela já vira em vida e que a fizera enxergar que ficar se lamentando pelo passado não mudaria as coisas que, por mais que quisesse e tentasse, não poderia mudar o que era, o que sempre fora.

Nascera com aquilo e teria que aprender a lidar com isso. Tinha que aceitar. Tinha que parar de usar aquilo pra agredir as pessoas. Tinha que aprender a lidar com a rejeição decorrente de suas habilidades especiais.

Manteve seus olhos fixos no vidro do ônibus pra não ter que encarar ninguém. Queria um tempo pra sua cabeça, queria um tempo em que não estivesse participando das mentiras e emoções de ninguém.

Alguns minutos de viagem e seu ponto enfim chegou. Bella levantou-se, jogou a mochila no ombro e saiu sem nem reparar nas pessoas que as cercava, saltando na calçada da rua pouco movimentada e começando seu caminho até a casa de seus pais adotivos.

Conforme foi se aproximando da bela casa de classe média, seu semblante foi ficando mais e mais sério. Muitas coisas a incomodavam naquela família, muitas perguntas ainda sem resposta, pelo pouco que sabia do casal poderia dizer que não gostava muito deles.

Susy era sempre arredia e agressiva, John sempre calado e inexpressivo. Não via a hora de fazer aniversário e sumir daquela casa, Bella bufou, exasperada, sentando-se em um banco no pequeno parque que ficava algumas quadras de sua casa. Sabia que a essas horas somente Susy estaria em casa, ou seja, teria que aturar olhares raivosos, culpando-a de um mal que nem mesmo cometera. Bem, não a ela, pelo menos.

Ficou olhando os poucos carros passarem enquanto os acontecimentos do dia passavam por sua cabeça. Uma professora vadia que tinha um caso com pelo menos um aluno e o diretor fora morta dentro da sala de aula quando não havia mais ninguém na escola. Mas alguém ligara pra polícia, alguém telefonara pra que a polícia estivesse no lugar antes que Eric pudesse fugir. E então o rapaz se tornara o principal suspeito pois tinha tudo contra sua inocência: fora encontrado na cena do crime, com a arma na mão e coberto pelo sangue da vítima.

Mas Edward e Damon afirmavam que ele não tinha cometido tal crime e ela acreditava na opinião deles. Então tinham que encontrar mais suspeitos: Mike que nutria um amor platônico pelo melhor amigo; Leslie que descobrira o caso do namorado com a professora; o diretor que também tinha um caso com ela.

Mike não era suspeito já que era medroso demais pra tal coisa. E jamais incriminaria seu amor, Bella riu ao pensar, poderia até ser se a pessoa presa fosse Leslie, mas nunca se tinham prendido Eric em lugar do assassino.

Sobravam o diretor e Leslie. Mas sempre poderia haver um suspeito oculto nas sombras... tinham que investigar com cuidado se quisessem descobrir a verdade por completo, livrando Eric da condenação.

Mas isso era trabalho pra Edward e Damon, ela suspirou ao se levantar e recomeçar a caminhar de volta pra casa, ela só devia observar e opinar, nada mais do que isso. Percebeu que tinha se passado muito tempo desde que ela se sentara naquele banco e viajara, ouvindo música, Susy certamente não iria gostar de seu atraso.

Estava atravessando o pequeno gramado em frente à residência quando a porta da frente se abriu e Susy apareceu, cruzando os braços e carregando o rosto com uma expressão sarcástica ao encarar Bella.

- Então a queridinha resolveu aparecer. – ela disse com um riso nada agradável. Bella apenas parou em frente a ela depois de ter retirado os fones de ouvido.

- Desculpe. Atrasei-me. – ela disse simplesmente.

- Escute aqui, mocinha. Não sei se John lhe disse, mas temos regras nesta casa, ok? Sei muito bem a hora de término de suas aulas e isso foi há horas atrás. Onde esteve? – ela perguntou com dureza.

- Não te interessa nem um pouco. Sei que não se preocupa comigo e que só me suporta por que seu marido me quis adotar por algum motivo que eu ainda não sei. Mas não se preocupe, são só dois dias até meu aniversário de dezoito anos e então eu sumirei da vida de vocês, que poderão, assim, dar lar a outra criança sem família. – Bella disse rapidamente, seu rosto inexpressivo. – Agora me dê licença, por favor?

- Você não vai usar de suas bizarrices com meu marido! – Susy rosnou.

- Não seja mais detestável do que a natureza já te fez. – Bella desdenhou. – Pretendo apenas conversar com ele, nada mais do que isso. E quanto a você não gostar de mim... saiba que a recíproca é verdadeira.

- Pense bem, Bella. Pense muito bem no que dirá a John quando ele chegar do serviço. – ela apontava um dedo ossudo pra cara da garota. – É mal agradecida ao extremo me tratando desse jeito enquanto te dei um teto.

- Te tratando desse jeito? Dá um tempo, Susy! – a garota estava perdendo a paciência. O dia estava no fim, o sol declinando, ela estava cansada e a fulana não a deixava entrar na casa. – Se você permitisse, eu nem conversaria com você! Mas, por medo de que eu conte seus segredos ao seu marido, vive me acuando e ameaçando, pra agora dizer que eu te trato mal? Dá um tempo!

- Você não me engana, nunca enganou! – Susy deu um passo à frente, seu rosto a centímetros do rosto de Bella. – Idiota foi John em colocar você debaixo de nosso teto quando sabia que em cada lar pelo qual você passou só casou discórdia e separação! Mas a mim você não engana! Está nos espionando, colhendo nossos podres, só pra usá-los contra nós depois!

- Sinto muito desapontá-la, Susy, mas eu não sou esse monstro destruidor de famílias que te contaram. – a voz de Bella era lenta e seu olhar fixo nos olhos da mulher era letal. – Tenho minha dignidade.

- Grande dignidade. – um sorriso torto e malicioso passou pelo rosto da mulher. – Eu sei o que você fez com eles, Isabella. Que coisa feia! Desde criança já era esse monstrinho estranho, destruidor de vidas e...

A bofetada veio com força, lançando os cabelos loiros por todo o rosto de Susy que foi lançado com violência pro lado, ela cambaleando e levando as mãos a face atingida tentando recuperar o equilíbrio. Bella ainda tinha a mão erguida, os olhos úmidos e fixos na mulher, o corpo trêmulo, o rosto franzido pelo nojo quando uma voz masculina soou, seguida por um bater de porta de carro.

- Bella? O que você pensa que está fazendo? – John vinha correndo em direção as duas, irritadíssimo.

- Essa garota é problema, John! Eu bem que te disse! – Susy berrava enquanto o marido a segurava pelos braços, encarando Bella com uma expressão severa.

- O que está acontecendo aqui? – ele perguntou num rosnado. – Vai ser sempre essa palhaçada de vocês duas discutindo a todo o momento?

Bella desviou seus olhos do rosto de Susy pra olhar John, sua expressão revelando apenas a intensa mágoa pelo que a mulher dissera.

- Por que você não me deixou no orfanato? – sua voz era um sussurro que fez o homem engolir em seco. – Por que me trouxe pra cá sabendo que ela não me queria por perto?

- Vá pro seu quarto, Bella. – John suspirou fazendo um gesto pra calar a mulher que queria protestar. – Tome um banho, mais tarde irei levar seu jantar e conversar com você.

- Mas John... – Susy começou e foi calada por um olhar do marido.

- Vamos conversar. – ele disse numa voz baixa, levando a mulher pra dentro. Bella ainda ficou por um momento de pé na soleira da porta, o coração galopando em seu peito em uma louca vontade de sair correndo dali, de sumir, desaparecer, ser nada.

Por que eles não a deixavam em paz? Por que tinham que sempre lançar em seu rosto o quanto era diferente? Por que tinham que magoá-la, machucá-la tanto?

Não querendo pensar na expressão de John ao dizer que conversariam mais tarde, resolveu entrar na casa, pois a noite já caíra por completo. Subiu correndo as escadas e entrou em seu quarto, trancando a porta à chave, jogando a mochila sobre a cama e entrando em seu banheiro.

Desde o momento em que os vira no orfanato, sabia que Susy não a queria em sua casa e que John tinha motivos maiores do que o desejo de ajudar uma pessoa sem família. Mas não sabia por que ela aceitara a decisão do marido e tampouco conseguia entender os motivos dele pra tê-la adotado.

Enquanto via nos olhos de Susy a raiva e desconfiança, os olhos de John sempre estavam calmos e cheios de algo que ela não sabia definir. John era uma pessoa difícil de ler, a mais difícil que Bella já conhecera, mas pelo menos ela tinha certeza de que não estava ali pra realizar nenhuma fantasia sexual dele que parecia amar Susy de verdade.

Suspirando, resignada, Bella se despiu e entrou embaixo da ducha de água quente deixando que esta deslizasse por seu corpo, acariciando os músculos, relaxando-os, levando embora a tensão que a assolava. Estivera tão feliz minutos atrás, mas agora parecia que seu encontro com Alice, Edward e Damon não passara de um sonho. Massageou o couro cabeludo enquanto deixava a água levar embora a espuma do shampoo, seus olhos fechados procurando não pensar nas coisas bizarras que só aconteciam a ela.

Quando se deu por satisfeita, desligou o chuveiro e saiu do boxe, pegando uma toalha e se enxugando rapidamente com ela, vestiu um robe e saiu do banheiro esfregando o couro cabeludo com a toalha. Nem que ela fosse a pessoa mais preparada desse mundo estaria realmente preparada pro que viu em seu quarto e por isso gritou, sua boca sendo imediatamente tapada por um mão enorme enquanto Edward a encarava, o indicador da mão direita subindo até os próprios lábios que formaram um bico em um pedido mudo de silêncio.

- Que porra você ta fazendo aqui? – ela resmungou furiosa depois de tirar a mão que cobria sua boca.

- Oi pra você também. – ele riu de maneira bem cínica, voltando a colocar as mãos nos bolsos da calça social. Bella percebeu que ele tirara o paletó e a gravata, arregaçando as mangas até a altura dos cotovelos, os dois botões superiores abertos. Por mais que estivesse irritada com ele por ter invadido seu quarto, não poderia negar que ele era a visão mais sexy que já tivera.

- Não costumo ser simpática com quem invade meu quarto. – ela resmungou, mas agora havia a sombra de um sorriso em seus lábios ao voltar a secar os cabelos, olhando-o com curiosidade. – O que faz aqui? Não, espera aí. – ela riu fazendo cara de quem pensava. – Hãn... deixe-me reformular a pergunta: o que te fez invadir meu quarto dessa forma?

- Curiosidade. – ele deu de ombros, pigarreando e fazendo um gesto com a cabeça em sua direção ao se virar pro lado da janela. – Você poderia... se vestir?

Bella, que tinha os braços erguidos enquanto enxugava os cabelos, olhou pra baixo e percebeu que com esse gesto acabara por fazer a barra do robe, que já era curto, subir até quatro dedos acima do meio das coxas. Mordeu o lábio inferior e sentiu o rosto corar ao voltar a olhar pra Edward que continuava de costas pra ela, examinando atentamente a parede.

- Me desculpe. – ela disse lentamente, exultante em ter mexido com a sanidade do rapaz. Sabia por que ele se virara e tinha dois grandes motivos pra isso: sua pouca roupa o incomodava e distraia e também não poderia olhá-la tanto tempo sem tornar evidente a atração. – É que eu não esperava receber visitas. Mas espere um segundo que eu vou me trocar e já volto. – dessa vez foi ela que não deixou que ele visse seu rosto ao abrir uma das gavetas da cômoda e pegar algumas peças de roupa, desaparecendo pela porta do banheiro.

Edward soltou a respiração depois de ouvir os passos de Isabella entrando no banheiro e a porta batendo. Fora burrice vir ali em seu quarto, agora sabia, mas... como poderia adivinhar que garota era tão gostosa? Depois que tinham se despedido, ela plantara a sementinha da dúvida em sua mente, e mesmo depois que ele e Damon tinham deixado Alice em casa, seguindo pra casa de Leslie, ele não deixara de pensar nela. E fora com a desculpa de que, se ela estava aprendendo como funcionava o trabalho deles com aquele caso, deveria se manter atualizada quanto aos fatos.

Não tinha explicação o fato de que ele possuía o numero de telefone dela e mesmo assim ali estava, de pé, com o começo de uma ereção apenas por ter visto uma parte das pernas da garota. Mas que pernas eram aquelas? Nossa mãe! Eram tão macias... pelo menos pareciam ser.

“Que coisa feia, Edward!”, ele se repreendeu mentalmente ao se aproximar da cama de Bella, remexendo nas revistas que repousavam na mesa de cabeceira, “Excitado por uma garota! Tome vergonha, você já tem 28 anos, meu filho!”

Mas ele sabia que Bella não era uma simples garota, apesar de nem ter completado dezoito anos ainda. Ela era mais do que isso, madura, esperta, sagaz, inteligente... e linda como o diabo.

Ele bufou impacientemente ao pegar uma das revistas e sentar-se na beirada da cama. Hum... era macio aquele colchão... e de repente ele se viu pensando no corpo desnudo de Bella enrolado nos lençóis, os cabelos despenteados de maneira adorável enquanto ela ressonava.

Fora um erro ir até ali, a merda de um erro. Mas ele sabia desde o começo que aquela sua visita noturna nada tinha a ver com a morte de Vanessa... ele estava fascinado por aquela garota e por isso queria, precisava conhecer mais dela.

Um barulho o informou de que ela saía do banheiro, ele pigarreou ainda com os olhos na revista que ele percebia ser de música. Percebera só agora já que sua mente estava tão longe. Não tão longe assim, apenas a alguns metros dali, dentro daquele banheiro onde minutos atrás ela estivera se despindo do robe, revelando seu corpo totalmente nu...

- Você gosta de Linkin Park. – ele comentou pigarreando, as mãos folheando a revista pra disfarçar o quanto tremiam.

- As músicas são boas. – ela comentou com voz inexpressiva. – E então, Sr. Mistério, o que quer de tão urgente a ponto de escalar minha parede e pular minha janela?

- Eu... – ele começou mas perdeu o fôlego ao levantar os olhos da revistas e se deparar com Bella a sua frente. Ela trocara de roupa, como ele pedira, mas o fizera apenas pra atiçar ainda mais os pensamentos maliciosos que lhe subiram a cabeça com a visão de suas pernas pois colocara sobre o corpo um curtíssimo short doll que deixava a maior parte das pernas à mostra, um pedaço da barriga lisa e boa parte de seus seios que (Edward agradeceu aos céus mentalmente por isso) estavam com sutiã, pelo menos. – Eu não disse pra você trocar de roupa? – ele engoliu em seco tentando fixar seu olhar no rosto de Bella.

- E eu troquei. – ela deu de ombros. – Pena que esse seja o tipo de roupa que eu use pra dormir, não é?

- Você está me provocando. – ele constatou, estreitando os olhos pra ela que riu, fazendo cara de falsa inocência.

- Não sei de onde você tirou isso. – ela retrucou fazendo-o rir. Sim, sem dúvidas Isabella Swan era diferente de toda e qualquer mulher que ele tivesse conhecido em sua vida. – E aí, vai me dizer por que pulou minha janela?

Ele ia responder justamente quando uma batida discreta na porta os sobressaltou, ambos arregalando os olhos, completamente imóveis por um momento, sem saber o que fazer.

- Bella? Trouxe seu jantar. – a voz de John se fez ouvir, abafada pela madeira da porta.

- Merda! – ela resmungou ao mesmo tempo em que Edward se levantava, andando depressa até a janela. – Rápido, rápido! – ela o apressou, ao pegar um de seus robes, colocando-o por cima do pijama. – Um minuto, John! – ela disse em voz alta, parando as costas de Edward que recuou um passo pra longe da janela, pisando dolorosamente em seu pé. – Ai, seu imbecil!

- Shhhhi! – ele novamente tapou a boca de Bella levando o dedo ao lábio em forma de bico olhando nervosamente pra porta. – Sua madrasta está lá fora fumando, não dá pra eu sair!

- Fudeu. – ela gemeu ao se livrar da mão de Edward.

- Bella? – John chamou novamente do lado de fora.

- Estou terminando de me trocar. Já vou. – ela disse em voz alta, depois apontou pra cama. – Entra lá embaixo, agora!

- Ótimo. – ele resmungou, amaldiçoando-se, ao deitar-se no chão e rastejar pra baixo da cama. Bella conferiu se nenhuma parte do corpo dele estava visível antes de caminhar até a porta e destrancá-la, dando de cara com John que trazia uma bandeja nas mãos.

- Bife com batata frita. – ele riu de leve ao erguer a bandeja em direção a ela. – E suco de laranja pra acompanhar.

- Nossa, é muita comida! Não vou comer isso tudo. – Bella comentou, abrindo espaço pra que ele passasse por ela, entrando no quarto e colocando a bandeja sobre sua escrivaninha. – Mas muito obrigada por trazer meu jantar até aqui. – ela tentou sorrir quando John a encarou. Ele era ainda jovem, pelo que ela sabia tinha 39 anos, os cabelos negros já começando a rarear e ficar grisalhos, os olhos castanhos agora fixos em Bella que admitia a si mesma ter feito um primeiro julgamento muito errado sobre ele.

Mas não era culpa dela. Estava apenas com medo, queria se proteger.

- Queria que você soubesse que Susy não te odeia. – ele começou, andando até a cama de Bella e sentando-se no colchão. Ela tentou se manter séria ao pensar em Edward, que naquele momento devia estar recebendo uma chuva de ácaros em sua cabeça, e limitou-se a sentar-se ao lado de John, devolvendo o olhar com firmeza. – Apesar desse comportamento agressivo desde que chegou a esta casa, Susy é um amor de pessoa.

- Eu sei que é. – Bella sussurrou baixando seus olhos pras próprias mãos. – Já observei vocês dois juntos sem que me vissem e posso dizer que ela não é o que me mostra ser. Mas não adianta nada ela ser legal se não é legal comigo... – ela olhou novamente nos olhos castanhos que a encaravam pra que ele pudesse ver toda a mágoa que havia nela pelas palavras de Susy, horas mais cedo. – se me diz coisas tão ruins.

- Ela me disse o que te falou lá fora. – ele sussurrou levando uma mão e apertando o ombro da garota. – Não foi nada legal da parte dela. Mas você tem que tentar se dar bem com ela.

- Eu tento, John. Só queria ficar na minha, sabe, não interferir na vida de vocês, mas ela me atacou desde o primeiro dia que eu estive aqui, me acuando, me ofendendo, me ameaçando. – ela engoliu em seco. – Não sei por que me trouxe pra sua casa, John, mas sei que não tem más intenções comigo. E posso lhe afirmar que nada farei pra estragar seu casamento, por mais que tenha ouvido o contrário por aí, não sou esse tipo de pessoa.

- As pessoas são cruéis, Bella. Mas Susy não é ruim, ela apenas teme que você possa interferir de alguma forma em nosso relacionamento que passou por períodos conturbados ultimamente. – ele concordou com um gesto de cabeça. – Eu entendo você, sua reação as provocações dela são totalmente naturais. Mas me prometa de que vai usar dessa sua sensibilidade pra tentar manter uma relação amigável com Susy?

- Ok, eu prometo. – ela suspirou e ele riu.

- É uma boa garota, Bella. – bagunçou os cabelos dela antes de se levantar e caminhar em direção a porta. – Logo saberá por que te trouxe pra cá. – ele deu de ombros diante do olhar curioso dela. – Espere pelo momento certo. Boa noite. – e saiu pelo corredor.

Bella ainda ficou imóvel por um tempo antes de se levantar e trancar novamente a porta do quarto. John deixara de ser suspeito pra ser misterioso, bela coisa, mais caraminholas em sua imaginação fértil.

Mas seus problemas de repente evaporaram quando ela se voltou pra cama e riu ao se lembrar que Edward ainda estava lá embaixo. Será que se ela atacasse alguém que invadira seu quarto seria considerado estupro?

Hum... isso lhe dava idéias.

Notas finais
E aí? Gostando do desenrolar da história?

E essa do Ed entrar pela janela da Bella, hein? Hum... isso ME dá idéias hhahahahahahahahaha

Reviews? Recomendações?

Please, vcs farão uma autora muito feliz!

Bjks!