The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
8 CAPÍTULO 07
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo romântico, de um jeito diferente, mas muito romântico.
“Não estou mentindo. Estou apenas ocultando a verdade.”
- Já pode sair, Sr. Coragem. – Bella gracejou dando dois tapas no colchão. Logo viu a cabeça de Edward apontar em meio a barra da colcha enquanto ele se arrastava pra fora de seu esconderijo.
- Não foi falta de coragem. – ele resmungou ao se levantar e tirar o pó da roupa. – Eu estava apenas... tentando não lhe causar problemas.
- Oh, é claro. E aquela cara de pânico quando ele bateu a porta e Susy estava fumando no jardim, nervosa, era tudo preocupação comigo. – ela disse, balançando a cabeça em negação, a expressão completamente cínica.
- Você é tão engraçada. Se eu fosse você, largaria tudo e montaria um circo. – ele desdenhou fazendo-a levar a mão a boca ao rir contidamente. Suspirou e voltou a sentar-se no colchão, muito mais a vontade agora que ela colocara alguma coisa mais comprida por cima do pijama: aquilo era tortura.
- John leva muito a sério esse papo de fase de crescimento. – ela comentou enquanto pegava a bandeja e se sentava ao lado dele na cama. – E então, Don Juan Pulador de Janelas, o que veio fazer aqui?
- Eu e Damon fomos conversar com Leslie depois que saímos da escola. – ele contou fazendo-a erguer uma sobrancelha enquanto cortava o bife em pedacinhos, a bandeja apoiada no colo depois de ter colocado o copo de suco no chão.
- Valeu pela consideração. – ela balançou a cabeça, comendo um pedaço do bife.
- Iríamos com mais calma, sabe. O plano era voltar pra agencia, mas no meio do caminho decidimos conversar com a garota antes que ela volte pra escola e se encontre com Mike: uma discussão pode acontecer e acabar por prejudicar os resultados. O que é isso? – ele se assustou quando Bella espetou um pedaço de carne e levou em direção a sua boca.
- Fica tranqüilo, não está envenenada. Pelo menos eu acho que não. – ela riu e ele se esforçou em esconder sua satisfação ao abocanhar o pedaço de carne frita, tentando não pensar que os lábios dela tinham passado por aquele garfo. “É, Edward. Parece que ao invés de ajudá-la a amadurecer é você quem está regredindo a adolescência.” – E descobriram alguma coisa? – ela tomou um gole de suco e passou o copo pra ele que também o provou.
- Leslie está chocada, em prantos desde que soube que Eric tinha sido preso. Fizemos algumas perguntas pra ela quanto ao romance dele com Vanessa e aí ela chorou ainda mais. Oh, obrigado. – ele comeu a batata que ela espetara na ponta do garfo e estendera a ele.
- O que exatamente vocês perguntaram? – Bella perguntou depois de engolir o que tinha na boca. Estava alimentando Cullen nem tanto por sua educação, mas por que era muito sexy vê-lo abocanhar os nacos de carne e batata que ela lhe dava, ambos partilhando o mesmo talher e o mesmo copo. – Ah, e não se preocupe. Eu não tenho herpes.
- Mas eu tenho. – Edward disse com cara séria mas Bella riu.
- Mentiroso. O que vocês perguntaram? – ela repetiu dando mais algumas batatas pra ele que aceitou de bom grado. A tal de Susy cozinhava muito bem.
- Primeiro perguntamos por que ela não tinha ido a aula hoje. Ela respondeu que estava chocada por saber que seu namorado estava sendo considerado como culpado pela morte da professora de ambos. E aí Damon perguntou se ela sabia sobre o caso dos dois, ela arregalou os olhos e perguntou “Como vocês sabem disso?”. – a imitação tosca de Edward arrancou risos de Bella. – E eu respondi que era o nosso trabalho. Então ela contou a mesma coisa que Mike, que ela pegara ambos no flagra e que “armara o maior barraco”, todos acabaram na diretoria e o caso foi facilmente abafado graças ao fato de que tinha poucas pessoas na escola aquela hora.
- Perguntou a ela sobre a advertência? – Bella quis saber depois de beber um pouco de suco, devolvendo o copo a Edward. Era tão natural aos dois dividirem o mesmo prato... Bella nunca pensara que fosse encontrar alguém como Edward, tão diferente dela, mas ao mesmo tempo tão parecido. E Edward estava cada vez mais fascinado por ela, se concentrava em cada um de seus movimentos, cada fala, cada olhar, cada gesto, tudo era examinado por ele em sua busca por entender aquela garota fascinante.
- Perguntei. Ela disse que isso não era assunto dela, por isso o diretor tinha pedido que ela saísse enquanto conversava a sós com Eric e Vanessa, ela acha que foi nessa hora que Stanley passou a suposta advertência. – Edward continuou, recostando-se na cabeceira da cama quando Bella deu-lhe a última batata que ele fez questão de dividir em duas e dar metade a ela. Bella achou esse gesto simplesmente perfeito e se esforçou pra não deixar que isso ficasse tão na cara assim.
- Mas tem alguma coisa na garota que te deixa desconfiado. – ela concluiu enquanto colocava a bandeja vazia sobre a escrivaninha e voltava a sentar-se na cama, dessa vez do lado oposto dela, encostada a cabeceira, ao lado de Edward.
- Exato. – ele riu, concordando com a cabeça. Ela sempre sacava tudo. – Respondeu a todas as nossas perguntas e não pareceu mentir quanto a isso, mas me parece que ela esconde algo, sabe?
- Algo, tipo... – ela perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Não sei exatamente. – ele suspirou. – Amanhã você a verá na escola. Quem sabe em uma conversa informal não acaba por tirar algo dela?
- Posso tentar. – ela deu de ombros. – Mas me diga o que você suspeita. Assim fica mais fácil pra eu achar alguma coisa útil.
- Eu acho que Leslie estava na escola quando Vanessa morreu. – Edward disse lentamente enquanto encarava o teto. Bella sentou-se e virou seu corpo na direção dele a fim de olhar diretamente pra seu rosto.
- Você acha que ela pode ter matado a professora? – Bella sussurrou. Edward encarou-a por um momento, apertando os lábios.
- Não sei. Matar... sozinha, não. Talvez seja cúmplice... talvez esteja acobertando alguém... não sei, só sei que quando eu falei sobre o telefonema que tinha levado a polícia até a escola, onde pegaram Eric no flagra, seus olhos se arregalaram e ela engoliu em seco, pra depois baixar os olhos.
- Medo e vergonha? – Bella perguntou fazendo Edward sorrir mais uma vez.
- É, achei que sim. Damon também desconfia que foi Leslie quem ligou pra polícia.
- Acha que ela armou tudo isso pra incriminar o namorado e agora se arrepende? – Bella estava cada vez mais animada com aquele mistério todo. E ainda trabalhando com Edward... bem, isso podia ser considerado um bônus, não podia?
- É possível. – ele foi vago novamente. – Mas só poderemos fazer hipóteses se encontrarmos o suposto cúmplice dela.
- O diretor é impossível. Não é do tipo que se aliaria a uma garotinha pra punir a amante e o namorado. – Bella comentou voltando a encostar-se no cabeceira da cama, aconchegando-se junto a Edward que se assustou ao perceber que erguia um dos braços pra abraçar o corpo dela junto a si, parando então no meio do movimento pra coçar a cabeça e colocar ambas as mãos na nuca. Bella tão perto... era tentador.
- Exato. Então temos que olhar mais de perto. – ele suspirou olhando pra garota ao seu lado apenas de relance. – O que está achando de tudo isso? Desse trabalho louco que eu e Damon fazemos todos os dias?
- Fascinante. – ela riu, empolgada. – Há tempos que eu não me divertia tanto, sabe?
- Oh, desvendar mistérios e caçar bandidos é realmente muito divertido. – ele riu contidamente pra não alarmar o casal que provavelmente estariam indo dormir aquela hora.
- Eu acho. Sempre disse ao meu pai que eu queria ser... – ela parou no meio da frase, sua voz morrendo aos poucos fazendo com que Edward virasse a cabeça pra olhá-la e perceber pelo perfil de seu rosto que ela estava triste e pesarosa, de repente.
- O que você queria ser? – ele perguntou num sussurro vendo-a engolir em seco.
- Policial. – ela sussurrou sem olha-lo, os olhos úmidos fixos no teto muito branco.
- Igual ao seu pai? – ele sussurrou movendo seu corpo pra virar-se de lado a fim de captar cada reação da garota.
- Não quero falar sobre isso. – a voz dela era praticamente inaudível e Edward teve certeza de que o passado de Bella escondia coisas terríveis ao perceber que a angústia que a dominava se convertera em lágrimas que agora escorriam por seu rosto tão delicado.
- Ei, não chora! – ele sussurrou levando uma mão ao rosto da garota, seu polegar enxugando a lágrima que deslizava pela pele enquanto a acariciava. Ao invés de se acalmar, Bella sentiu um soluço imenso brotar de seu peito, ela levando ambas as mãos ao rosto enquanto deixava aquela tristeza que tanto a assolava esvair-se em lágrimas, um lamento baixinho saindo por seus lábios. – Não, querida! Não chore!
- Ed... Edward. – ela soluçou se aconchegando mais a ele ao sentir que os braços do rapaz a puxavam ao encontro de seu peito firme, as mãos apertando-a contra ele, afagando seu cabelo e suas costas.
- O que aconteceu contigo, menina? – ele sussurrou sentindo as lágrimas dela molharem sua camisa, o corpo dela trêmulo, apertado contra o seu. – O que fizeram com você?
- Fui eu. – ela sussurrou num gemido. – A culpa é minha. Ela tem razão.
- Quem tem razão, Bella? – ele perguntou, levando suas mãos até o rosto dela e erguendo-o pra que pudesse olhá-la nos olhos castanhos lacrimosos. – Me conta.
- Eu não posso. – ela suspirou fechando os olhos. – Não posso falar sobre isso.
- Eu entendo. – ele deu um beijo casto no alto da testa da garota voltando a aninhá-la junto a si. – Apenas saiba que, quando sentir-se pronta pra contar, eu estarei aqui.
- Eu sei que estará. – ela sussurrou com voz abafada junto a camisa dele que seus dedos agarravam possessivamente. – Nunca antes conheci pessoas como você, Alice e Damon. Vocês são tão... sinceros.
- Não conheceu gente decente por aí então, Bella. Por que o Damon é um tremendo mentiroso. – Edward gracejou sentindo-a rir de leve.
- Palhaço, tou falando sério! No começo, eu tentei me afastar de vocês como sempre faço, mas depois percebi que não me tratavam como os demais, que vocês me respeitavam, que gostavam de mim. E isso me faz tão bem, me faz sentir...
- Segura? – Edward completou sentindo as mãos de Bella apertá-lo ainda mais por um momento.
- É. – ela sussurrou.
- Descanse, Bella. Descanse e saiba que nada de ruim vai te acontecer novamente. Não enquanto... você nos tiver por perto. — ele quase dissera “me tiver por perto”, mas parara antes. Não queria se precipitar... sabia que as coisas não poderiam ir por aquele caminho, que relacionamentos dentro do trabalho eram complicados e nunca terminavam bem. E ele era dez anos mais velho do que ela. – Arranjou bons amigos. – ele terminou com um suspiro de resignação.
- Sei que sim. – ela sussurrou em uma voz amolecida pelo choro e pelo cansaço do dia, relaxando cada vez mais contra o corpo de Edward que não tinha em si coragem de ir embora. Não pelo menos enquanto ela estivesse acordada.
- Gosta de música, não é? – ele perguntou enquanto acariciava o couro cabeludo dela que ainda estava úmido pelo banho.
- Hu-hum. – ela resmungou, já grogue pelo sono. Aquele carinho estava tão bom...
- Vai rir de mim se eu disser que gosto de algumas músicas da Miley Cyrus? – ele sorria antecipadamente sabendo que sentiria o corpo dela sacudir de encontro ao seu enquanto ela ria.
- Fala sério. – ela resmungou. – Você, um cara de quase trinta anos, gostar das músicas de uma garotinha? Eu também gosto! – ela levantou uma das mãos, fazendo-o rir.
- Então vou cantar uma música dela pra você dormir, ok? Depois disso, eu vou embora e a gente se vê amanhã.
- Ok, chefe. – ela resmungou fazendo-o rir novamente.
- Minha voz não é grande coisa, mas pelo menos vê se presta atenção na letra, pra ver se te diz alguma coisa. – ele sussurrou voltando a massagear os cabelos dela.
- Canta logo. – ela resmungou. Ele riu ainda mais: Bella era simplesmente única.
- Lá vai. – ele respirou fundo antes de começar a cantar num quase sussurro, a música em sua voz suave e rouca acariciando os ouvidos de Bella que lutava contra o sono pra aproveitar ao máximo aquela sensação gostava de tê-lo por perto, de sentir seu calor, seu cheiro tão bom, sua voz tão gostosa... não custava nada sonhar que ele sempre estaria ali. Tudo aquilo parecia um sonho mesmo.
“Eu posso quase ver / Esse sonho que estou sonhando. / Mas tem uma voz dentro da minha cabeça dizendo / Você nunca irá alcançá-lo.
Cada passo que eu estou dando / Cada movimento que eu faço / Parece perdido sem direção / Minha fé está abalada / Porém eu tenho que continuar tentando / Tenho que manter minha cabeça erguida”
Aquela música não refletia apenas a vida e os problemas de Bella. Refletia a vida e os problemas de Edward.
Todos tem um passado, todos tem algo a temer, a esconder. E ambos sentiam que as mentiras que contavam tão descaradamente um ao outro nada tinha de maldade: apenas não tinham coragem de falar sobre o que tinha ficado lá atrás, mas que ainda os acompanhava como sombras de medo, de culpa, de sofrimento.
“Sempre haverá uma outra montanha / E eu sempre irei querer movê-la / Sempre será uma batalha difícil / Às vezes eu terei que perder / Não se trata do quão rápido eu chegarei lá, / Não se trata do que está me esperando do outro lado / É a subida.”
Edward acariciava os cabelos dela enquanto cantarolava, sentindo a respiração quente da garota ir aos poucos regularizando enquanto o sono e o cansaço a venciam. Não sabia o que ela escondia dele, não sabia o que ela escondia de todos, não sabia o que a fazia temer tanto se envolver daquela forma. Mas ele sabia que alguém se ferira por causa do dom que ela carregava consigo... ele achava agora que esse fora o ponto tão forte que os havia unido daquela forma.
Por que ela acreditava que se não fosse uma “Natural”, tudo estaria bem. E ele achava que se tivesse nascido com os dons dela, nada daquilo teria acontecido.
“As lutas que estou enfrentando / As oportunidades que estou tendo / As vezes podem me derrubar / Mas não, eu não estou caindo / Eu posso não saber disto
Mas são esses os momentos dos quais eu mais irei me lembrar / Só tenho que continuar / E eu / Tenho que ser forte. / Continuar prosseguindo / Por que
Sempre haverá uma outra montanha / E eu sempre irei querer movê-la / Sempre será uma batalha difícil / Às vezes você terá que perder / Não se trata do quão rápido eu chegarei lá, / Não se trata do que está me esperando do outro lado / É a subida.”
A música já terminara a algum tempo, mas ele ainda permaneceu ali, acariciando os cabelos tão macios e perfumados, sentindo-a ressonar de encontro a ele. Como pudera se afeiçoar a ela de forma tão rápida e intensa? Mas isso não importava. O que importava é que ele a queria ajudar, a queria fazer entender, a queria levar adiante.
Ela seria grande. Talvez muito mais do que ele jamais seria. Só que grandes poderes requer grandes responsabilidades. Ele buscou aquilo tudo com as próprias mãos, ela recebeu sem ter pedido e o destino os colocara frente a frente.
Agora eles subiriam juntos. Ela nunca mais estaria sozinha pois ele sempre estaria ali. Mesmo que só como amigo.
Suspirou e se levantou lentamente pra não acordá-la, acomodando a cabeça dela no travesseiro e cobrindo-a com a outra ponta da colcha. Olhou pro rosto inocente e sereno, algumas mechas de cabelo caídas pela pele alva e macia e não pode deixar de sorrir, depositando um beijo casto em sua bochecha e enfim andando até a janela que ele abriu, lançou um último olhar a ela, saindo pra noite escura tão silenciosamente quanto entrara.
Notas finais
E aí? Querem mais???
Reviews são um ótimo incentivo. E recomendações mais ainda.
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