Notas iniciais
Como muitas leitoras disseram, essa fic é mesmo diferente.
Se deliciem! Kisses!

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"Tudo estará sempre bem se mentirmos pra nós mesmo de maneira bem convincente."

- Com licença, professora. — Bella parou na porta da sala encarando a jovem senhora que estava a frente da sala com um livro grosso nas mãos.

- Entre, Srta. Swan. — ela disse com voz seca, apenas erguendo os olhos das páginas amareladas do livro, olhando-a por cima dos óculos de meia lua. Bella engoliu em seco e foi sentar-se ao lado de Alice, que era o único lugar vago na classe. — Agora, depois da leitura desse texto, quero que façam uma análise da situação econômica atual com base nos resultados da Segunda Guerra Mundial, entre vencedores e perdedores. Pro fim da aula. — ela disse com a voz seca de sempre e foi sentar-se a sua mesa, mexendo em seus papéis.

- Como foi lá, com meu irmão? — Alice perguntou num sussurro, cutucando Bella com a ponta da caneta.

- Foi bem, obrigada. — Bella resmungou, abrindo seu caderno e se preparando pra começar seu trabalho.

- Ele realmente ficou surpreso contigo, sabe. — Alice comentou enquanto escrevia em seu próprio caderno. — Á tempos que eu não via seus olhos brilharem daquela forma.

- Em que ele trabalha, exatamente? — Bella perguntou como quem não queria nada.

- Um departamento independente geralmente à serviço do governo, mas também trabalha pra pessoas físicas e jurídicas. — ela riu. — São chamados de "Polígrafos Humanos".

- Polígrafos Humanos? — Bella perguntou visivelmente surpresa.

- Sim. — ela concordou com a cabeça enquanto escrevia. — São treinados pra descobrir a verdade por trás de cada mínima mentira do que conta. Ajudaram a resolver vários casos importantes com esse trabalho peculiar.

- E... o que seu irmão é, exatamente? — Bella pigarreou, maldizendo-se por sua curiosidade.

- Segundo o governo, ele não tem profissão reconhecida. — Alice sussurrou no mesmo tom de voz baixo pra não atrair a atenção da professora pra elas. — É um ramo novo, Edward é um dos poucos recrutados e contratados por um de seus antigos professores de faculdade. Caleb Langdon, já ouviu falar?

- Não. — Bella respondeu, os olhos agora fixos em Alice que tinha seus olhos no caderno onde rabiscava.

- Edward sempre foi curioso, e desde muito pequeno sentiu-se enojado com a facilidade que as pessoas encontram ao mentir. — ela dizia, os lábios se contraindo levemente. — Micro-expressões passaram a ser sua meta depois de... de um episódio em sua vida.

- Micro-expressões? — Bella se interessou.

- Exato. — Alice parou de escrever pra olhá-la. — Ele estudou mais de dez anos pra conseguir fazer o que fez hoje com tamanha naturalidade. Como consegue?

- Como consigo o que? — Bella desconversou, engolindo em seco e voltando a olhar pro próprio caderno.

- Ler as pessoas desse jeito. Edward nunca me contou que pudesse existir gente que soubesse fazer isso sem estudar linguagem não verbal e coisas desse tipo assim como ele fez. — Alice estava visivelmente assombrada. — Como você faz?

- Não sei. — Bella deu de ombros. — A verdade está apenas ali, eu apenas a vejo.

- Não senhora. — Alice discordou. — O que você faz é quase mágica!

- Não exagere. — Bella riu, desdenhando.

- É verdade! — Alice insistiu. — Lá no ônibus, por exemplo: como você sabia de tudo aquilo.

- Ora, Alice, é muito fácil. — Bella relembrou a conversa que ambas tiveram no veículo escolar. — Você me disse que não tinha mais assentos vagos quando, na verdade, seu rosto dizia claramente que estava mentindo: os olhos baixos, as mãos apertando nervosamente a mochila, os lábios apertados depois de falar sobre a falta de assentos. Ora, todos na escola sabem quando uma novata chega, ainda mais a novata sendo uma garota problemática adotada pela quinta vez, e você demonstrou falsa surpresa em me ver. Em suma, você estava tentando uma aproximação pra colher informações.

- E quanto a minha personalidade? Ao Edward? A... minha família? — ela engoliu em seco.

- Quando eu falei em rock, você fez cara de nojo. Quem tem nojo de rock, geralmente é por que acham a linguagem vulgar e o contexto agressivo. Quando citou Taylor Swift e companhia, uma expressão sonhadora tomou seu rosto: uma romântica incorrigível. E quando falou que um certo Edward gostava de Linkin Park, você deu um ligeiro sorriso de cumplicidade: um ente querido, mas não um namorado, por que você não corou e nem piscou os olhos vezes seguidas. Ficou claro pra mim, quando o vi com você, que Edward era Edward, seu irmão mais velho. E... quanto a família. — Bella engoliu em seco. Família era sempre um assunto tão delicado.

- Diga, por favor. — Alice sussurrou, ansiosa.

- O que mais no mundo te deixa com uma expressão de infelicidade, mágoa e insatisfação logo pela manhã? — Bella sussurrou levantando seu dedo indicador e contornando algumas marcas de expressão na testa e no canto dos olhos de Alice. — Está escrito aqui que alguém que você ama muito te magoou antes de sair de casa. Sei bem como é.

- E as meninas lá fora? Como fez aquilo? Eu e Edward vimos desde o começo da conversa e você foi demais! — Alice estava assombrada, apesar de sentir-se tocada pela sensibilidade da amiga.

- Ah. — ela relembrou a cena completa. — Eu soube que ela era a líder do trio por sua postura: exatamente um passo a frente das outras duas, estando sempre no meio. E ela ainda se apresentou e disse o nome das amigas: capachos humanos. Vi pelos olhos de ambas e de alguns outros próximos a nós que Jéssica era respeitada, mas desprezada: filha de alguma autoridade escolar, possivelmente o diretor. Vi o jeito que Lureen olhava pra ela, por isso soube que a desprezava grandemente e que dormira com seu namorado: um ligeiro riso de esperteza e presunção em seus lábios quando olhava pra nuca de Jéssica, os olhos desdenhosos, vingativos. Ângela estava visivelmente deslocada, e transtornada por vir me importunar, nenhum segredo em como descobri que ela era o cérebro do trio, fazendo o trabalho das outras duas.

- E a maconha? — Alice estava cada vez mais assombrada.

- Apesar de ela tentar disfarçar os efeitos da droga com maquiagem. os olhos estavam avermelhados, fixos e o sorriso "mole" e fácil demais. Ela estava ligeiramente drogada. — Bella riu, encarando alguém por mais de três segundos, coisa que não fazia há tempos sem arrumar confusão com isso.

- Edward tem razão. — ela deu um riso satisfeito. — Você é um gênio. E eles precisam de você.

- Não quero falar sobre isso. — Bella resmungou voltando pro seu trabalho.

- Pense bem, Bella. — Alice insistiu. — Deve ser difícil pra você sempre estar um passo a frente das demais pessoas, sempre saber demais, mais do que realmente gostaria. — o lápís da garota deixara de riscar o papel, seus olhos fixos na folha quase em branco, mas seus ouvidos atentos as palavras dela. — Pode ajudar inúmeras pessoas com isso, Bella! É sua chance. É sua chance de ter seu dom reconhecido como deve ser, não ser fadada a sofrer por ser tão... especial. Eles são iguais a você, eles te compreendem. Podem te ensinar a lidar com isso. É só você querer.

- Esse trabalho — Bella suspirou, apertando o lápis entre os dedos com força. — Esse trabalho é pro fim da aula.

- Oh, é mesmo. Me desculpe. — Alice riu voltando a se concentrar em seu caderno.

Mas Bella não conseguia se concentrar. Sua mente trabalhava freneticamente enquanto ela mordia o lábio inferior com força, as lembranças fervilhando em sua cabeça.

"- Ele morreu e a culpa é sua! — a mulher berrava furiosa, sendo segurada por dois enfemeiros fortes que a impediam de agredir a jovem que soluçava.

- Não! — ela berrou entre soluços de dor e desespero.

- Sua monstrinha! Ele não precisava saber, não era da sua conta! Por que você contou! — ela agora soluçava, caindo de joelhos no chão de mármore do hospital, as mãos tapando os olhos. — Você acabou com a minha vida, Isabella.

- M...

- Não fale mais comigo! — a mulher berrou novamente, descontrolada. — Fique longe de mim, sua aberração! Ele está morto por sua culpa! Maldita!"

Ofegou, voltando a realidade.

Quanto tempo tentara fugir disso? Quantas noites insones? Quantas horas por dia trancada em seu quarto ou ouvindo seu MP4?

Quantas vezes tentara esconder suas habilidades? Quantas pessoas feridas por sua culpa?

Será... será mesmo que poderia ser diferente?

Notas finais
Bella tem um passado que a pressiona e intimida... o que será que aconteceu?
E será que ela procurará Edward pra aceitar a oferta?

Só no próximo pra saber, né?

Kisses!