The Angels Also Love Forever
2 À Primeira Vista
Notas iniciais
Era um dia claro e aberto na Terra, Deus estava de bom humor, porque, até onde Gabriel entendeu, alguém bom chegaria ao céu neste dia, mas quase sempre era a mesma história, pois uma coisa que não acabava era gente morrendo...
Gabriel se condenava, as veze, por parecer insensível, porém, acreditava ser incapaz de se surpreender, após ter visto tanto sofrimento durante os séculos que apenas a Primeira Guerra e o Holocausto o abalaram.
Além de proteger as pessoas, ele falava com elas, em seu subconsciente, sussurrando o que fazer ou como fazer para melhorar e, mesmo não desejando, se vangloriava por isso.
Entretanto, mesmo sendo frio para suportar toda a tensão e conseguir executar seu trabalho com êxito, foi em um de seus passeios rotineiros que tudo mudou. Foi nesse dia que Gabriel descobriu que o mundo nunca foi como acreditava ser.
Neste dia, durante um passeio no metro de Nova Iorque — pois adorava aquela caixa de metal sob trilhos e a maneira como lhe fazia refletir — encontrou a Morte sentada ao lado de uma senhora idosa, pensando em leva-la enquanto Gabriel planejava como iria salva-la, o trem passou a correr mais que o normal gradativamente e, de repente, não parava mais, seguido de uma batida estrondosa, mais forte até mesmo para Morte que anunciou levar, não só a senhora, mas o trem inteiro.
Absorvendo a maior parte do impacto, impedindo um desastre maior, Gabriel fitou as pessoas jogadas no solo do trem, desacordadas, porém vivas, exceto aquela senhora que encontrava-se nos braços de Morte, inerte e sem vida.
– Olá Gabriel – Proferiu seu nome em desprezo.
– Morte... – Suspirou um baixo rosnado.
–O que te trás aqui? – Indagou irônico — Além desses desprezíveis insetos... – Completou.
–Vim salvar estes insetos, Morte...
–Não sei por que vocês tentam tanto...Vocês sabem que não os levará a nada protege-los... O contrato entre Lúcifer e Deus é claro... Ninguém pode mudá-lo... Nem mesmo eles podem...
–Você sabe que este contrato é proibido de ser comentado Morte. – Destaquei — E sim eu sei que ele nunca será quebrado, mas Deus não se perdoa por isso até hoje... – Gabriel recordou-se de como os humanos gostariam de ser Deus para voltar no tempo e corrigir alguns erros, porém não sabiam que nem mesmo Deus podia fazer isso — E pretende redimir seus pecados salvando seus filhos. – Prosseguiu — Isso é o tal de amor...
–Amor não existe Gabriel, ele é apenas uma mascara para cobrir o mal existente: O ódio — Morte disse passando sua foice no pescoço de um dos corpos jogados. — Acho que você não fez seu trabalho direito... – Murmurou deleitando-se do acaso — Parece que vou levar mais uma...
Gabriel lançou o olhar para uma moça de, aparentes, 18 anos com cabelos loiros e cacheados, ornada por traços angelicais em sua face, destacando-se mais que os demais.
Em uma ação inesperada até mesmo por parte do anjo, Gabriel lançou seu corpo na frente da foice de Morte, impedindo-a de tocar na garota novamente.
– Calma Gabriel! – Levantou os braços em defesa — Ela está por um fio da vida, você não pode mais salva-la. Ela é minha agora. – Rugiu reivindicando sua presa.
–Não. – Respondeu decidido, fuzilando seu inimigo com um olhar mortal que vinha de séculos.
Uma dor percorreu desde seu corpo a sua alma, enquanto via o espirito daquela garota começar a sair de seu corpo e ir de encontro a Morte.
Cobrindo-a com suas asas, Gabriel desrespeitou uma das regras, a qual o impedia de fazer aquilo com qualquer humano que não fosse um profeta de Deus ou o próprio Criador, protegeu-a, ignorando a represaria que teria ao regressar ao céu.
Quando ela voltou a respirar, os músculos do anjo relaxaram, porém, ele manteve a mesma posição defensiva, guardando a alma daquela mortal.
–Ah Gabriel, não devia ter feito isto. – Zombou
–Porque não volta para o seu Senhor — Cuspiu aquelas palavras-Você já fez seu dever por aqui.
–Tudo bem, nos veremos em breve. — E sumiu entre seus corvos, deixando uma aura misteriosa no ar.
Voltando-se para a garota, prestes a abrir os olhos e ver o que acontecia, Gabriel gravou o rosto angelical dela em sua mente esperando encontra-la em outras vidas antes de, finalmente, partir para sua casa e deixa-la no trem, junto dos demais passageiros, aos cuidados de paramédicos e policiais que já seguiam para o local do acidente.
Ao chegar no Céu, Miguel direcionou o anjo à Deus e saberia que teria que passar um tempo no Purgatório para controlar o julgamento dos humanos que continuariam lá, decidir se eles iriam para o Céu ou o Inferno.
Lá era um lugar tão hostil quanto o próprio inferno, porém, diferente da casa de Lúcifer, o Purgatório era repleto de monstros piores que os próprios humanos, como se o pesadelo de todos, desde a criação, estivessem centrados ali. O lugar onde almas que Deus não podia acolher e Lúcifer repugnava, permaneciam lá.
Quando Gabriel encontrou-se com Deus, deparou-se com os mesmos olhos calorosos de sempre guiando-o até o canto do comodo, onde fez sinal para que ele se sentasse.
– Gabriel... – Deus começou com uma longa pausa — Nem preciso te dizer que você quebrou a maior regra daqui... – Seu olhar agora era de desaprovação.
–Sim meu Senhor, mas ela estava morrendo e eu sirvo a Você para protege-los... – Tentou se explicar.
–Sem esta desculpa Gabriel, se o nome dela estava escrito no caderno da Morte, era o destino, você só tem que proteger a meu Filho daquela forma. – Repreendeu o anjo – E aqueles que carregam minha palavra durante o passar dos anos.
–Mas ela é sua filha Senhor! — Insistiu
–Gabriel, você nunca me desobedeceu, agora por causa de uma morte como tantas que você já viu vem a cometer isto? – Indagou.
–Me perdoe, não irá se repetir, mas ela era...
–Diferente? Meu querido Gabriel, todos lá na Terra são diferentes, mas tem filhos meus que tem um propósito maior, este é o único motivo por você não estar no Purgatório. – Gabriel franziu o cenho com a interrupção de seu Pai. — Quando você estava discutindo com a Morte sobre O Contrato... – Deus fez uma pausa – Você quebrou essa regra também... – Ressaltou
–Mas Senhor Morte que falou!
–Tudo bem, mas mesmo assim, você deve ter cuidado, Anjos Caídos estão por toda parte e isto é algo que apenas eu, você, Lúcifer e Morte podem saber... Não sei porque fiz uma coisa daquelas... – Esse era um dos maiores segredos dos céus que jamais deveria cair nos ouvidos de qualquer outro que fosse — Mas voltando ao o que é precioso, quando você agiu, Miguel e Rafael já estava a caminho de protege-la, você poupou isto, então, não terá punição.
–Se é assim Senhor... Ótimo, mas por que ela tem que ser protegida? E quem é ela?
–Em breve Gabriel, você saberá o porque e quem ela é...Agora vá, você tem trabalho.
–Obrigado Senhor...-Saiu do recinto feliz por saber que fez o correto pela garota, imaginando quem era ela afinal, porém, tempo depois decidiu que isso não importava e o que valia era ela estar viva graças a seu trabalho.
Porém, mesmo deixando-a de lado, a mente curiosa de Gabriel voltou a pensar nela, quem era, sua famlia, quem amava, do que gostava e qual era seu nome, interferindo o rendimento no resto do dia, quase perdendo algumas vidas que, graças a Rafael e Miguel que conseguiram o manter lúcido, foram poupadas.
Condenando-se por se vangloriar ao ter salvo alguém que acreditava poder salvar o Mundo, Gabriel prosseguiu com sua vida.
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