The Anchor

12 Perco minhas meias e a minha mochila.


Notas iniciais
Aqui está o capítulo 11, pessoal! Então, vou falar umas coisas antes. Como eu já disse, os capítulos serão postados com uma frequência menor. Comentários. Isso é bom e todo mundo gosta. Se você que está lendo isso não concorda comigo ou algo do tipo, é porque é apenas um leitor, e não um escritor. Mas eu sou ambos. Não direi para vocês algo como "só continuo com 10 comentários", claro que não farei isso, mas eu preciso de comentários, porque preciso de motivação, preciso saber a opinião de vocês e tudo o mais. Comentários me deixam muito feliz, por isso peço que os fantasmas se revelem, por favor. Enfim, espero que todos tenham tido um bom ano novo! Boa leitura.

Capítulo 11.

Sabe quando a garota super ex-popular do colégio retorna ao reinado — depois de certo tempo longe —, apenas porque usava novamente o famoso uniforme das líderes de torcida? Aquela típica cena em que ela anda pelo corredor com as mãos na cintura, tudo fica meio que em câmera lenta, todos param para olhá-la e babar por ela, e um efeito de ventania (provavelmente um ventilador atrás das câmeras) aparece do nada, fazendo seus cabelos voarem? Não sei se você está entendendo o que quero dizer. Mas não faz mal, querendo ou não, o jeito que ela possivelmente se sentiu e o impacto que causou nos outros alunos eram, no mínimo, semelhantes ao que eu estava sentindo e a reação de todos aqueles que me encaravam entrar pelo portão da frente de BHS. Sem mentir, eu estava me achando. Eu gostava de ser o centro das atenções de forma positiva, todos os próximos de mim sabiam. Eu gostava que olhassem para mim positivamente surpresos, como se não estivessem esperando de jeito algum que fizesse algo que fiz. Surpreender. Gostava quando sorriam em aprovação e eu era reconhecida por algo que fiz. No dia anterior aos testes, eu era a garota que o vídeo sendo atacada por um bolo estava circulando nos celulares de todos. Três semanas depois do acontecimento com o bolo eu me transformei na garota que recebia olhares surpresos e parecia uma estrela. Não me considere muito superficial, eu não sou, apenas me importava com a imagem quando eu sabia que ela me perseguiria por toda a minha vida. Fala sério, ou você é alguém no ensino médio, ou não é. E eu estava cansada de ser ninguém, onde quer que fosse.

No dia seguinte ao testes, um desastre acontecera. Meu uniforme não estava na minha cama quando acordei ansiosa para usá-lo, então descobri que minha mãe tinha brilhantemente doado algumas roupas nossas, e acabou colocando meu uniforme junto. Minha mãe não quis comprar um uniforme novo (o primeiro foi de graça, mas o segundo não seria), então insistiu durante três semanas para eu ter paciência, e me prometeu que conseguiria o uniforme de volta. No fim, ela não conseguiu. Então finalmente comprou um novo. Durante as três semanas fui para os treinos das cheerleaders e fiz amizade com várias delas, mas pareceu que Harmony não foi muito com a minha cara. Na realidade, quase sempre parecia que ela exigia mais de mim na dança que das outras garotas. Quase sempre eu estava com Lizzie e Sophia, já que as duas saíam bastante e também me chamavam. Eu e Mish nos tornamos mais próximos a cada dia, e ele era simplesmente a melhor pessoa do mundo comigo, mas sempre era muito misterioso e aquilo me incomodava um pouco. Aprendi direito quase todos os assuntos de todas as matérias e conheci todos os amigos de Jennifer. Eu e Yv ensaiamos quase todos os dias na minha casa, porque ele queria que eu estivesse preparada para as audições do coral. Minha mãe simplesmente se apaixonou por ele, e ele também era amigo de Jennifer, então não havia problema. Eu encontrava o retardado do bolo e seu grupo todos os dias nos corredores, mas o evitava ao máximo. Às vezes eu e Lizzie conversávamos sobre ele, e digamos que tudo que ela me contava sobre ele apenas me fazia não gostar dele ainda mais. Sempre que me via ele soltava uma piadinha ou uma provocação, então não foi muito difícil perceber que eu era seu mais novo alvo.

Finalmente meu uniforme chegou, e eu estava pronta para usá-lo.

Quando entrei pelo portão principal não esperei que todos me olhassem do modo que olharam. Então parei no meio do corredor, surpresa. Para aquilo ficar mais épico apenas se eu tirasse uma foto, mas infelizmente meu celular estava com Jennifer — ela precisava dele para ligar para Angeline, já que eu tinha créditos e ela não.

Eu estava vestindo o uniforme das líderes de torcida, e ele serviu perfeitamente em mim. A blusa com o V de cabeça para baixo na frente deixando um pouco da minha barriga a mostra e a saia curta. Eu usava meu querido All Star roxo e branco. Eu estava dos pés à cabeça roxa, branca e preta; o uniforme branco preto e roxo, meu cabelo roxo, meu tênis roxo e branco. Uma das minhas mãos descansava em minha cintura, e me vi encarando todas aquelas pessoas com um sorriso. Ignorei os múrmuros e o modo como todos tentavam voltar a fazer o que faziam antes de eu aparecer. Eu sabia que aquelas reações eram graças ao vídeo e os boatos, como dissera Lizzie, eu era o novo assunto do colégio, e iria sim ser o alvo de brincadeirinhas. Mas aquilo iria passar como ela também dissera. Afinal, já fazia três semanas.

Olhei ao redor, não encontrando nenhum dos meus amigos. Voltei a caminhar, indo em direção ao fim do corredor, mas meu olhar se fixou num grupinho de garotos que conversava ali, no canto. Os reconheci sem nenhum ânimo, suspirando, sem parar de andar, querendo logo sair dali. O problema era que eles estavam exatamente na minha passagem. Johnny estava de costas para mim, na realidade, todos que eu conhecia estavam. Ele conversava animadamente com um rapaz loiro, então o loiro parou de falar quando me viu. Johnny, um pouco confuso, virou-se para ver para onde o loiro olhava e qual havia sido o motivo dele se calar. Johnny abriu um sorriso largo e satisfeito quando me viu, e até um pouco surpreso, correndo os olhos rapidamente pelo meu corpo. Eu esperava que ele fizesse aquilo, mas mesmo daquele modo me senti incomodada. Ele deu uma cotovelada no rapaz que estava ao seu lado, e quando ele se virou, percebi quem era.

O retardado do bolo parecia extremamente impactado, muito mais que Johnny. Diferente do primeiro rapaz, ele não teve pressa de me analisar dos pés a cabeça, mas não deixei que ele concluísse. Fechando a cara, me aproximei do grupo que, naquele momento, me encarava. No mesmo segundo em que eles perceberam que eu não estava ali para falar com eles, e sim para passar, abriram caminho. Metade dos garotos foi para um lado, a outra metade para o outro.

Eles soltaram um “uuuuuuh” quando passei, e eu, por mais que estivesse um pouco incomodada e até envergonhada, sorri com aquilo. Era até engraçado o modo como eles eram completamente babacas.

— Alguém tem coragem de ir lá e subir a saia dela? Porque eu preciso disso para o meu dia ficar melhor. — soltou o garoto que eu mais odiava do grupo.

Por mais que eu soubesse que ele não prestava, o comentário me pegou de surpresa. Virei-me, indo até o grupo novamente. Os garotos estavam rindo do que ele disse, e o próprio também. A raiva estalava nos meus ouvidos, e as risadas cessaram quando parei no centro deles.

— Não sei. Mas eu tenho coragem de fazer isso, e preciso para meu dia ficar melhor. — sorri com escárnio, acertando a bochecha do retardado do bolo com uma tapa.

Seu rosto virou para o lado quando meus dedos se chocaram contra sua pele, e o vi passar a língua nos lábios, entre umedecê-los e controlar a irritação, finalmente percebendo que eu ouvi seu belíssimo comentário. Ignorei os outros garotos, já que eu continuava parada em sua frente, encarando-o com raiva. Eu só não esperava que mais uma pessoa se juntasse ao grupo. Johnny moveu os lábios, formando uma frase para mim sem emitir som algum.

Você se fodeu.

Sem entender o motivo daquele comentário silencioso, virei-me, encontrando a coordenadora nos encarando de braços cruzados.

Aquilo só podia ser brincadeira.

Não olhei para o lado para encará-lo, e ele não se atreveu a me olhar. Ambos ficamos em silêncio quando adentramos o local, e aquilo não mudou nem mesmo vinte minutos depois. A poltrona de couro confortável seria até relaxante para mim, se não fosse tão angustiante estar sentada ali. Ele parecia relaxado, como se estivesse acostumado com a pequena sala.

Não havia muitas coisas na sala fria, graças ao ar-condicionado. As duas poltronas de couro escuro, uma ao lado da outra, nas quais estávamos sentados; Uma mesa que estava em nossa frente; Duas estantes recheadas de papéis e livros; Um notebook fechado em cima da mesa, ao lado de pastas brancas que formavam uma pequena montanha; Mais algumas coisas de pouca importância.

Minha atenção voltou-se para a figura atrás da mesa. Um homem alto e um pouco barrigudo, com olhos escuros, cabelo escuro e pele clara. Pigarreei, querendo que ele dissesse logo alguma coisa e desse um fim para aquele clima pesado de suspense.

— Nós temos regras aqui, Srta. Rocha. — começou ele, e eu sabia que um discurso estava por vir — Agressão física ou verbal não é permitida, nem a menor que seja. Alguns alunos ignoram essa regra, por isso quase sempre há pessoas nessas poltronas em que vocês estão. — suspirou, analisando-me por cima dos óculos de grau — Vejo que conseguiu entrar pra equipe da torcida, parabéns. Porém, lamento em lhe informar que terá que sair.

Eu arregalei os olhos, uma expressão de incredulidade estampada em meu rosto. Os garotos viviam brigando pelos corredores do colégio, pelo que eu sabia, e quase nunca eram pegos. Por que com uma mísera tapa eu tinha que ir à direção e ser expulsa da torcida?

— Quê?! Tudo isso por causa de uma tapa? — eu mal acreditava naquilo, ele estava tratando o assunto como se eu tivesse dado um tiro, e não uma tapa.

Certo, exagerei um pouco, mas aquilo era idiotice demais!

— Nós somos muito sensíveis com as líderes de torcida, Srta. Rocha. — ele me cortou, ríspido — É uma das atividades mais caras, os custos são assustadores, precisamos manter a ordem. Quando se é da torcida, não se pode cometer erros como esses. Leva à expulsão. É apenas uma conseqüência do fato de que as garotas podem ser retiradas das aulas nas horas que quiserem, para ensaiar. — antes que eu pudesse explodir, ele continuou: — Futebol também é caro para nós, mas nos trás benefícios e um nome maior para o colégio a cada campeonato ganhado. Além de que Victor não fez nada, a senhorita que o agrediu.

Depois de longos segundos em que estive calada, percebi que ele estava falando do retardado do bolo. Ou melhor, Victor. Aquele era seu nome, afinal. E nem precisei perder meu tempo perguntando a alguém. Suspirei profundamente, tentando reunir meus pensamentos e criar um bom argumento ao meu favor. Victor continuava calado, fitando o diretor e recusando-se a dirigir um olhar que fosse para mim.

— Mas... — comecei, sem saber muito bem o que eu iria dizer, mas Victor me cortou.

— Diretor, nós apenas estávamos ensaiando. — soltou uma risadinha calculadamente divertida — A professa de teatro passou para o primeiro ano uma tarefa prática de falsas agressões físicas, sabe? Sei que o senhor sabe desse trabalho. E a Geo aqui apenas estava me usando como cobaia, e eu aceitei, claro. — sorriu brilhantemente — A tapa foi falsa. Não está vendo? Não tenho nenhuma marca. — apontou pra bochecha.

E, realmente, não havia nenhuma marca ali. Eu não sabia qual o motivo de ele estar fazendo aquilo, como ele sabia daquele trabalho ou as suas intenções por baixo de tudo, mas aproveitei a oportunidade. Tentei soar o mais normal possível quando disse:

— É, diretor. O senhor não me deixou dizer isso. — resmunguei teatralmente.

O diretor parecia desconfiado, e ficou calado por longos minutos. Olhou de mim para Victor, cerrando os olhos com o olhar ainda desconfiado, mas nós apenas sustentamos aquilo e demos sorrisos inocentes.

— Estão liberados. — era a única coisa que eu queria ouvir.

Levantei-me rapidamente da poltrona, querendo sair o mais rápido dali. Victor se levantou logo depois, enquanto eu ia em direção a porta e a abria, finalmente saindo. Apesar da tensão dentro da sala ter sido intensa, eu esperava que fosse demorar mais. Segundos depois, ambos estávamos no corredor, nos encarando.

— Como sabia do trabalho? — foi a primeira coisa que perguntei, recusando-me a agradecer pela mentira que ele contara lá dentro ou me desculpar pela tapa.

— Meu irmão é do primeiro ano. — respondeu normalmente, cruzando os braços e encostando-se na parede — E você está gloriosa nesse uniforme.

Ignorei a segunda parte, mas, infelizmente, senti minhas bochechas esquentarem.

— Por que me ajudou? — finalmente perguntei o que eu mais queria perguntar, e aquilo estava óbvio, pois ele não pareceu surpreso.

Deu de ombros.

— De nada.

— Você não respondeu. — notei.

— Sabe, você está me devendo uma. — comentou como quem não queria nada.

— Não estou não. — falei, como se fosse óbvio, cruzando meus braços de frente ao meu peito — Não pedi pela sua ajuda.

— Mas eu ajudei, e agora você me deve uma. Fim da história. — seu tom era um pouco divertido, fazendo-me bufar pela sua frase — Então, eu quero ir à praia.

— Legal para você! — sorri brilhantemente, com falsa animação.

— Eu quero ir agora. — continuou, ignorando meu comentário — E não quero ir sozinho.

Abriu um sorriso significativo, e demorei alguns segundos com a testa franzida para entender o que ele estava insinuando.

— Eu não vou matar aula pra ir à praia com você! — exclamei incrédula.

O que ele estava pensando?

— Tecnicamente você já levou falta na primeira aula, porque estávamos na direção. Graças a sua tapa. — fez questão de me lembrar que eu o bati, como se fosse o maior erro do universo.

Fala sério! Qual era o problema daquele demente, além de demência?

— Uma coisa é levar falta na primeira aula, outra coisa é levar em todas! — bufei — Graças ao seu comentário idiota.

— Você está me devendo um favor. — sorriu vitoriosamente, ignorando a segunda parte.

Desencostou-se da parede, ainda de braços cruzados. Suspirei profundamente, segurando minhas têmporas. Descruzei meus braços, fitando-o irritada.

— Certo. — praticamente rosnei, mas claro que ele ignorou aquilo — Mas você vai me deixar em casa, e voltaremos cedo!

Victor apenas sorriu de lado, satisfeito. Rezei para que ele realmente fosse me deixar em casa depois. Eu não acreditava no que estava prestes a acontecer. Olhei ao redor, vendo que o corredor estava vazio. Todos estavam em suas salas. Victor, sem nem dizer nada, pegou minha mão, puxando-me em direção ao corredor principal. Começou a correr, e fui obrigada a acompanhá-lo. Afinal, não queria que alguém nos visse saindo do colégio escondidos, juntos, no horário de aula.

Sua mão estava fria e não apertava a minha com muita força. Passamos pelo corredor principal rapidamente, e logo estávamos no gramado da entrada de Blanchaster. Questão um: eu não sabia se ele tinha um carro. Questão dois: eu não iria de jeito nenhum de ônibus à praia, pois todos iriam perceber que estávamos fugindo da escola. Ao menos eu, pois usava o uniforme das cheerleaders e uma mochila nas costas. Victor vestia uma roupa normal.

Puxei minha mão, só então percebendo que ainda estava em contato com a dele. Vi que ele andava em direção a rua, e fui atrás dele, sem saber muito bem o que fazer. Paramos em frente a uma moto preta e grande, daquelas claramente caras e que pareciam brilhar. Ele pegou um dos capacetes que estava ali, preso na moto, dando-o para mim. Eu só havia andado de moto uma vez na vida, quando era bem menor. Fazia muito tempo, e eu nem me lembrava da sensação. Só sabia que tinha certo medo.

Mordi o lábio inferior, olhando da moto para o gramado, apreensiva.

— Tem medo? — perguntou ele, e apenas naquele momento percebi que já estava em cima da moto, com o capacete debaixo do braço.

— Claro que não. — menti e bufei, como se a idéia fosse idiota, vendo-o sorrir e colocar o capacete, prendendo-o.

Um pouco (lê-se muito) desajeitada, sem pedir ajuda a ele e sentindo o olhar provocativo sobre mim, coloquei o capacete. Victor estendeu a mão para mim, percebendo que eu não saberia como subir na moto. Suspirei profundamente, não vendo alternativa a não ser pegar sua mão. Ele me puxou com força para cima, e fui facilmente. Como um milagre, eu não caí. Quando sentei atrás dele, Victor soltou minha mão, colocando ambas suas mãos na moto. Minhas coxas estavam abertas, com seu quadril entre elas. Não era minha intenção, mas estava completamente colada nele, levando em consideração que havia um espaço considerável atrás de mim ainda. Victor não pareceu reclamar, pelo contrário, pude vê-lo sorrindo pelo visor aberto. Posicionei minhas pernas nos lugares certos, e um pouco relutante, passei meus braços por sua barriga. Victor girou a chave na ignição, acelerando rapidamente, fazendo-me levar um susto. Era claro que ele havia o feito de propósito.

Segundos depois, já não estávamos mais ali. Victor conduzia a moto com extrema maestria, como se tivesse passado a vida toda conduzindo uma. Não precisava ficar extremamente concentrado para fazer um bom trabalho, aquilo era natural dele. Meus braços ainda estavam em sua barriga, às vezes eu os imprensava, com medo de cair. Através do tecido fino de sua camiseta, podia sentir sua barriga malhada e bem definida, graças ao fato de que praticava esportes. Por um segundo, sua imagem sem camisa apareceu em minha mente, mas afastei o pensamento para o fundo da mesma.

Seu cheiro natural invadia minhas narinas, graças ao vento forte.

Eu não sabia classificá-lo, mas era muito bom. Eu queria tirar o capacete e sentir a liberdade que todos diziam sentir quando estavam em uma moto em alta velocidade, mas eu sabia que meus cabelos iriam atrapalhar toda a visão e possível liberdade.

Minha saia ameaçava subir todo segundo, então fui obrigada a colar-me ainda mais a Victor, finalmente impedindo o tecido de subir. Longos minutos se passaram, ambos estávamos calados. Meu coração batia rapidamente, provavelmente por medo de cair.

Depois de mais algum tempo, ele parou a moto lentamente, perto de uma calçada. Olhei ao redor, percebendo que havíamos chegado à praia, e que ela estava quase deserta. Claro. Era um dia da semana, de manhã cedo.

Victor era um dos únicos loucos a querer ir à praia. Victor tirou o capacete e desceu da moto, sem nem se importar em me ajudar. Ótimo cavalheiro. Bufei comigo mesma, tirando o meu capacete, pulando da moto em seguida e agradecendo por não ter caído. Prendi minha mochila na moto, assim como o capacete. Não estávamos muito longe da areia, apenas o que nos separava da mesma era a pequena calçada. A atravessamos sem pressa, e o silêncio dele estava começando a me incomodar.

Uma brisa leve passou por meus cabelos, bagunçando-os, assim como os dele.

Eu não deveria estar pensando naquilo, mas ele realmente era muito bonito. Poderia ser um completo babaca, mas era muito bonito. Meus pés começaram a afundar um pouco em contato com a areia fofa e branca.

Ele estava bem mais a frente, e parou perto do mar, sentando-se na areia. Sentei-me ao seu lado.

— Por que quis vir para cá? — me vi perguntando — Tem algum motivo real ou foi apenas para me irritar?

Eu fitava o mar azul claro no raso e escuro no fundo, sentindo aquela maresia me invadir. Eu gostava da sensação de estar na praia, por mais que eu não fosse a maior fã de areia. O sol da manhã tocava gentilmente na minha pele, não me incomodando muito, mas minha visão tremia um pouco e meus olhos ardiam quando eu olhava para aquela grande bola amarela e brilhante, então fixei meu olhar no mar calmo e nas ondas arrastadas. Não precisei olhar para Victor para saber que ele estava sorrindo um pouco, as pernas esticadas na areia enquanto ele estava apoiado nos braços. Abracei minhas pernas, agradecendo por estar de short por baixo da saia. Por mais que fosse curtíssimo, ainda era um short.

— Por que eu iria querer te irritar? — ironizou, e eu revirei os olhos sem me importar em ser discreta.

Ele riu.

— Não estou no clima para escola hoje. E você me pareceu uma ótima companhia. — respondeu, fazendo-me ficar calada por uns segundos. Eu não sabia se ele estava mentindo ou não, mas também não fazia muita diferença.

— Que honra. — resmunguei claramente irônica.

— Não gosta de estar na areia? — chutou ele, olhando para meu rosto.

— Não gosto de estar na areia com você. — corrigi.

— Ouch. — soltou ele, e segurei uma risada quando o vi levar uma mão ao coração e fazer uma falsa expressão ofendida — Então que tal estar na água comigo?

Olhei para ele, confusa por um segundo ou mais, e só entendi o que ele planejava quando o mesmo se levantou e me puxou para cima, pegando-me no colo e jogando-me por cima dos seus ombros. Eu não sabia se ele era muito forte ou se eu que era muito leve, pois fez aquilo sem nenhum esforço aparente.

— ME SOLTA! — gritei, socando suas costas repetidas vezes, enquanto ele marchava para o mar e ria descaradamente da minha desgraça. Comecei a sacudir as pernas, tentando fazê-lo cair ou acertar seu rosto. Não consegui.

— Para de gritar! — mandou, sem conseguir soar sério, já que ainda ria.

— Pelo amor de Deus, não faz isso! — implorei, sacudindo-me novamente, enquanto ainda o batia — EU VOU TE MATAR!

Mesmo sem olhá-lo, eu sabia que ele estava dando um daqueles sorrisos próprios dele.

— Então será uma honra ser morto por você, milady.

Não tive tempo para assimilar direito o que ele dissera, ou o quanto sua frase se tornou um misto de fofa e sexy no pouco sotaque britânico que ele possuía — que só então percebi ser pouco —, pois minhas pernas ainda sacudiam-se debilmente, tentando inutilmente acertá-lo, e senti uma incrível e inesperada leveza em meus pés. Percebi só então que eles estavam livres dos meus tênis, que pude ver na areia ainda seca quando Victor continuou com sua determinada caminhada em direção ao mar e eles ficaram para trás. Gemi de frustração, querendo descer ali e poder esganar aquele moleque. De repente, fui puxada com rapidez para baixo, sentindo um grito ficar preso na minha garganta e fechar meus olhos com força nos últimos milésimos, sabendo o que viria a seguir.

Nenhuma água atingiu meu rosto e eu apenas senti a água extremamente fria em minhas pernas, até um pouco abaixo dos meus joelhos. Abri meus olhos lentamente, primeiro um, depois o outro, com uma expressão um pouco dolorosa no rosto, como se eu estivesse esperando a dor de cair de costas na água, e até um pouco confusa.

Fitei aquele rosto de traços bem desenhados e expressão que estava entre divertida e satisfeita. Olhando rapidamente para baixo, conclui que estávamos sim no mar, porém na parte rasa dele. Eu estava de meias e uniforme numa praia, dentro d’água.

— Idiota! Babaca! — soltei furiosa, sentindo uma raiva maior que a anterior crescer dentro de mim, aproximando-me de Victor e distribuindo leves socos por seu peito, pois estava concentrada em não cair com aquelas meias que pesavam ainda mais meus pés.

Ele estava claramente segurando uma risada, achando graça da minha situação. Acertei o seu rosto sem força, e ele pareceu voltar pra terra, suas mãos agarrando meus pulsos com certa força, tentando me fazer parar. Continuei tentando acertá-lo em qualquer lugar que fosse, por mais que Victor fosse bem mais forte que eu e me segurasse firmemente.

— Estúpido! Doente! — continuei com minha extensa lista de ofensas dedicadas especialmente a ele.

Eu provavelmente estava parecendo uma menininha birrenta, pois Victor ria da minha cara, como se eu estivesse sendo completamente idiota. Bufei frustrada por não conseguir machucá-lo. Victor estava com a cabeça levemente inclinada para o lado, olhando-me com um brilho brincalhão em seus olhos escuros, achando graça. Olhava-me cautelosamente, mas também como se estivesse esperando algo, supondo que aquele algo iria acontecer e, ao mesmo tempo, ele me analisava. Eu não sabia como ele conseguia transmitir tantas coisas diferentes com apenas um olhar.

— Vou te soltar, okay? — perguntou calmamente, afrouxando o aperto quando assenti emburrada, e ele finalmente me soltou.

Aproveitando sua recente vulnerabilidade, voltei a estapeá-lo, mas Victor já esperava e foi mais rápido em agarrar, novamente, meus pulsos. Grunhi de frustração e, desesperadamente e a fim de liberar aquela raiva, gritei. Ele apenas riu pelo nariz.

Victor sabia que, uma hora ou outra, eu iria cansar. Ele apenas estava esperando pacientemente por aquilo. Continuei esperneando por mais um pouco de tempo, até suspirar profundamente e, finalmente, parar.

Eu não estava mais com raiva. A situação era até um pouco engraçada. Eu poderia rir daquilo depois, apenas depois. Só depois que meu ataque acabou totalmente, percebi que estávamos próximos. Não extremamente, porém mais que antes.

— Parou? — perguntou ele, um leve tom de deboche na voz, vendo-me assentir visivelmente derrotada.

A sombra de um sorriso passou por seus lábios, e quando percebeu que eu não iria mais reagir, soltou meus pulsos. Enganei-me em achar que estava livre.

Victor passou um dos braços por minha cintura, colando-me a si antes mesmo que eu pudesse fazer algo para impedir aquilo ou ao menos entender o que aconteceu. Sendo pega completamente de surpresa, o ar saiu com força pela minha boca, praticamente pulando para fora, provocando um som que mais parecia um ruído. Aquilo ocorreu graças ao movimento intenso de meu peito colando com o seu. A movimentação do meu corpo foi rápida em sua direção quando ele me puxou, fazendo-me quase tropeçar nos meus próprios pés graças à lentidão que os mesmos se moviam debaixo d‘água. Logo, quase caí por cima dele (e aquilo teria acontecido, se ele não estivesse tão firme em seu lugar), minha mão indo parar em seu peito, ao lado da jaqueta do time de futebol, enquanto ficávamos mais próximos que o aconselhável.

— O que...? — murmurei, meus olhos prendendo-se aos dele, que naquele momento pude ver que estavam claríssimos, graças a luz.

Eu não sabia o que estava acontecendo, qual o motivo de eu não estar me afastando dele, ou não ter nem tentado fazê-lo. Era como se toda a minha força tivesse me abandonado naquele instante. O ar não me faltou, pelo contrário, minha respiração estava descompassada, enquanto me perdia mentalmente por longos segundos procurando alguma imperfeição no seu rosto calculadamente perfeito.

Victor parecia tão desconcertado quanto eu, mas apenas por alguns segundos. Sorriu então divertido, abaixando-se um pouco e jogando para cima a água, molhando uma parte da minha cintura. Tomei um susto, olhando rapidamente para baixo e vendo-o se afastar e rir. Bufei de leve, indo atrás dele, que já estava indo mais para o fundo.

Quando a água já estava nas minhas coxas, bati de leve na mesma, na direção dele, fazendo-a molhá-lo. Ri, vendo-o me fitar, um pouco incrédulo e divertido.

— É? — soltou, aproximando-se mais de mim ameaçadoramente, enquanto eu continuava rindo e ia mais para trás — Toma essa!

Esperava que ele fosse fazer algo, como jogar mais água em mim, e eu já estava pronta para me defender. Mas Victor não precisou, já que uma onda me empurrou em direção a parte mais rasa novamente, fazendo-me quase cair. Victor gargalhou da minha cara, enquanto eu bufava e me equilibrava novamente. Segundos depois, ambos estávamos rindo daquilo. Ele se aproximou de mim e eu joguei um pouco de água na sua camisa. Já estávamos quase na beira do mar, já que eu corri para longe dele por medo de ser atacada novamente. A água batia no meio das minhas pernas, e Victor ainda ria enquanto vinha em minha direção. Sua risada era sincera e gostosa de ouvir, e presumi que talvez ele não risse muito.

Conseguiu chegar até mim, e me virei, pronta para correr pra areia, mas ele me agarrou por trás, pela cintura. Tirou-me do chão sem precisar de esforço, girando-me no ar, enquanto eu gritava e ria histericamente, com medo de ser largada. Depois de mais alguns segundos me girando e rindo, Victor me levou em seus braços até a areia, colocando-me sentada no chão. Ri de leve, afastando o cabelo do meu rosto e tirando aquelas meias molhadas dos meus pés.

Ele sorria de leve para mim, de pé, cobrindo o sol que ameaçava tocar em meu rosto. Era estranho vê-lo sorrir daquele jeito que não fosse malicioso ou maldoso, era estranho ouvir uma risada no lugar de uma provocação, era estranho o fato de que ele naquele momento me fazia rir, ao invés de me fazer ficar com raiva apenas pelo fato de que ele estava respirando. Talvez ele não fosse aquele cara babaca que conheci dias antes, o cara que olhava pra bunda de todas as garotas e se achava o rei do mundo. Talvez eu estivesse errada sobre ele, ou ele fosse mesmo aquele cara, porém com um lado que poucos conheciam. Eu apenas sabia que ele não estava fingindo ali. Não sabia o porquê de ter me levado à praia, mas sabia que ele se divertiu no pouco tempo que passamos na água, e eu também sabia que quando me puxou minutos antes de me levar pra areia um brilho diferente passou por seus olhos.

Eu não o conhecia, eu apenas conhecia o cara que me sujara de bolo no refeitório e vinha brincando comigo desde então, o cara que me usou como alvo para algumas provocações, o cara que estivera com raiva por eu tê-lo acusado de algo que não fez na festa de Booker. O retardado do bolo.

Eu não sabia quem era Victor, o Victor que me jogou por cima dos ombros e me levou à água, o que me tirou do chão e me girou, o que riu e me molhou.

Eu realmente não sabia quem ele era, mas uma parte de mim queria descobrir.

— Está com fome? — perguntou ele, ainda de pé.

Assenti um pouco, finalmente livrando-me das meias e suspirando, abraçando minhas pernas molhadas.

— Vou comprar alguma coisa. — resolveu, passando por mim e indo na direção de uma pequena cabana um pouco ao longe, onde eu sabia que vendiam comidas e bebidas.

Olhei para o lado, vendo ali meus tênis, jogados na areia fofa. Inclinei-me, pegando-os e deixando-os ao meu lado, deitando-me então na areia, com as mãos debaixo da cabeça e os olhos fechados. O sol não estava muito forte, tocando minha pele com delicadeza, enquanto eu sentia-o tocar minhas pernas e coxas molhadas de modo relaxante, pois ainda estavam um pouco úmidas. Eu sentia a preguiçosa sensação de estar deitada na praia e não fazer exatamente nada, apenas me sentir leve e bem, exatamente como eu fazia quando era bem mais nova. Lembrei-me de boa parte dos meus momentos na praia nos anos anteriores, com meus pais e Jennifer. Aqueles foram tempos bons.

Eu não estava com meu celular ali, não sabia que horas eram, mas também não me importei, apenas esperava que Victor fosse me deixar em casa mais tarde. Eu não sabia se tudo estava passando mais lentamente para mim, porque estava quase dormindo e perdida em pensamentos, mas parecia que eu estava esperando-o ali por mais de vinte minutos.

— ‘Tá’ aqui — anunciou Victor, fazendo-me levar um pequeno susto e abrir os olhos, sentando-me na areia rapidamente, sentindo minhas pernas já secas.

Ele se sentou ao meu lado, com um sanduíche em mãos e uma garrafinha de suco, dando-os para mim.

— Valeu. — sorri de lado, pegando a comida e vendo-o apoiar os braços nos joelhos.

Resolvi não comentar sobre a sua possível demora, já que ele também não falou nada.

Comi em silêncio por alguns minutos, abrindo o suco e bebendo-o pela metade, quando o sanduíche já não existia mais. Olhei para Victor, notando algo diferente em seu rosto. Seu cabelo escuro estava mais bagunçado que antes, e seus lábios mais avermelhados. Meu olhar desceu para seu pescoço, enquanto eu o analisava por um todo, vendo ali duas marcas roxas e um pouco chamativas, que Victor provavelmente esquecera-se de cobrir com a gola da jaqueta.

Dois chupões. Que não estavam em sua pele antes. Victor não fora apenas comprar comida, e naquele momento eu sabia daquilo. Sentia-me completamente idiota por achar que ele não era o babaca do colégio. Claro que ele era. Ele ainda era o cara que eu mal suportava, e alguns minutos de trégua não iriam mudar aquilo.

Vi-me com raiva, com raiva por ter acreditado que ele poderia ser um cara bom.

Eu ainda olhava para seu pescoço, e finalmente Victor percebeu aquilo. Subiu a gola da jaqueta rapidamente, enquanto eu desviava o olhar para meus pés.

Comecei a limpá-los com as mãos, o máximo que consegui, batendo meus tênis para tirar a areia de dentro deles e calçando-os. Bati minhas mãos, uma na outra, expulsando a areia delas. Antes que Victor pudesse dizer algo, fui mais rápida.

— Quero ir embora. — anunciei séria, me levantando.

— Por quê? — perguntou, vendo-me levantar-me.

Ele se levantou logo depois, batendo de leve nos jeans, afastando a areia deles. Não precisei olhar para seu rosto para saber que ele estava confuso, seu tom de voz o denunciava.

— Porque eu nem deveria ter vindo. — respondi, simplesmente — Não te devo mais nada agora. Espero que esteja satisfeito. — aquilo soou extremamente frio até para mim.

Victor suspirou um pouco, olhando-me.

— Olha, em relação a isso... — começou, fazendo-me fitá-lo e ver que o mesmo levava seus dedos ao próprio pescoço — É só que eu encontrei a H...

— Você não me deve explicação. — cortei — Nós não somos nada um do outro. Eu não preciso saber disso. Apenas não queria que você me tirasse da merda da escola e me trouxesse para cá para dar uma de legal comigo e depois me deixar aqui, esperando, enquanto você vai pegar sei lá quem. Isso apenas deixa mais claro ainda o que percebi desde o dia em que você me sujou naquela droga de refeitório. O fato de que você não se comporta como um babaca, você é um.

Passei por ele com passos firmes, indo em direção a calçada que não estava muito longe, querendo logo subir naquela maldita moto e ir embora. Victor vinha logo atrás de mim, e senti seus dedos envoltos no meu braço, puxando-me rapidamente para si.

Nossos corpos não chegaram a se chocar, pois não permiti que aquilo acontecesse. Eu estava com raiva, mas, acima de tudo, com nojo. Eu odiava aquele tipo de garoto, e fui obrigada a minha vida toda a conviver com eles.

— Você não me conhece, garota. — falou, e pude ver o brilho da raiva dançando em seus olhos. Ele não gostou do que eu lhe chamei, nem um pouco. Naquele momento em que me encarava, eu lhe dei razão. Eu não o conhecia. — Eu não sou um babaca, portanto não me trate como se eu fosse.

— Não preciso. — rebati de prontidão, com o mesmo tom frio — Você já faz isso por si próprio. — puxei meu braço com força, livrando-me de seu aperto — Você também não me conhece, então não se ache no direito de me tratar como uma palhaça, ou como as putinhas que você se sente tão orgulhoso por comer.

Eu sabia que tinha passado dos limites. Estava distante dele, ao lado de sua moto. Esperava que Victor gritasse comigo ou fizesse algo pior, mas ele não o fez. Apenas ficou ali, encarando-me fixamente com aqueles olhos tão profundos que não consegui olhar por muito tempo. Calado, se aproximou da moto preta, sentando-se nela. Sua expressão me dizia que ele estava com muita raiva. Victor colocou o capacete rapidamente, e eu percebi que se eu não subisse logo, ele não me esperaria.

Montei na moto, logo atrás dele, colocando meu capacete e prendendo-o.

Algo me dizia que aquela volta seria pior que a ida.

Depois de explicar onde ficava minha casa em pouquíssimas e calculadas palavras, Victor parou a moto em frente a ela. Como previsto, não falamos nada além do necessário na volta, e segurei no espaço da moto atrás de mim para não cair, ao invés de segurar nele como antes. Tirei o capacete, pulando da moto e colocando-o no local que antes eu estava sentada. Meus pés pareceram coçar um pouco, graças ao fato de que ainda estava com um pouco de areia neles e sem meia (resolvi deixá-las na praia mesmo, eu não sairia com elas na mão).

Eu não sabia muito bem o que dizer para Victor, ou o que fazer. Então eu não disse nem fiz nada. Marchei em direção ao portão de ferro, sentindo seu olhar em mim, de costas. Agradeci por estar aberto e por não precisar gritar por minha mãe, abrindo-o sem dificuldade. Suspirei comigo mesma, virando-me para trás e vendo Victor recolher o capacete que antes eu usava. Ele acelerou e, segundos depois, eu estava sozinha ali.

Notas finais
Acho que quem shippa o casal e gosta de praia amou esse capítulo! UHSUAHSHAS. Conversem comigo, sou legal -q Nos vemos no próximo. Xoxo, Little G.