The Anchor

20 O desfile que deu errado. — Parte III.


Notas iniciais
CHEGUEI! Carnaval acabou, tive uma longa viagem, mas agora tô aqui! Terceira e última parte do capítulo. Galera, futuramente farei um anuncio lá no grupo da fic, então entrem lá! https://www.facebook.com/groups/658737297581621/?fref=ts Boa leitura!

Sentei-me no espaço vazio ao seu lado, olhando para frente e apoiando o queixo na minha mão, esperando Victor voltar com Luke, ou algum conhecido — Alex, Andrew, Diana ou Juliet — aparecer. Uma música completamente desconhecida tocava, e sinceramente não era nada boa. Aquilo estava tão animado quanto um funeral. Eu estava completamente entediada, o que não era normal acontecer em festas. Mas aquela festa não era o meu tipo de festa.

— Você é de qual? — o homem ao meu lado perguntou de repente, fazendo-me olhá-lo confusa.

— Como? — franzi a testa, recolhendo minha mão e sentando normalmente no sofá.

— Você é de qual agência? — ele reformulou a pergunta, sorrindo simpático.

Eu ri pelo nariz, sentindo minhas bochechas esquentarem contra minha vontade.

— Ahn, não, eu não sou modelo — respondi, vendo uma expressão chocada nascer em seu rosto.

Ri de leve, um pouco envergonhada. Quando sua expressão de choque passou, uma incrédula apareceu no lugar. Ele negou algumas vezes com a cabeça.

— Como eles podem deixar passar despercebida uma moça linda como você? — eu ri um pouco, desconcertada e murmurando um “obrigada”. Eu simplesmente não sabia o que fazer quando me elogiavam. Eu não sabia se ele estava sendo educado ou dando em cima de mim, mas pelo jeito que falou pareceu que apenas estava sendo educado mesmo. — A propósito, sou Robert. Fotógrafo.

Estendeu a mão e eu sorri de lado.

— Sou Geo. Uma pessoa qualquer. — apertei sua mão e depois recolhi a minha, vendo-o rir da minha fala.

— Engraçada e bonita. É uma boa combinação. — elogiou, ficando de lado no sofá e encostando-se nele — Por que não é modelo? Você daria uma ótima modelo. E não estou brincando.

Ri sem jeito, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e olhando-o agradecida.

— Não gosto. — não era totalmente verdade.

Eu não tinha nada contra modelos — até porque minha prima era uma —, até achava legal toda aquela coisa de ensaios fotográficos e passarelas. Porém, eu não saberia desfilar em uma passarela, já que eu não gostava de andar de salto alto e era mais desastrada que sei lá o que. Eu amava moda, mas odiava os padrões dela, e eu também não seguia os padrões das modelos (que, diga-se de passagem, eu não era a maior fã). Eu não tinha uma barriga perfeita, um corpo perfeitamente magro e nem era alta. Além de que para uma garota ser modelo precisava ser linda — ou amar ficar horas se maquiando. E em questão de beleza eu não me achava feia, mas também não me achava linda. Normal, eu diria.

— Nunca pensou em ser? — Robert quis saber.

— Hum... quando eu era criança, sim. Eu e minha prima Juliet. Ela acha que ainda quero. — ri e ele me acompanhou — Mas, não. Atualmente não. Não levo jeito pra isso. — dei de ombros.

— Juliet? Juliet Costt? — seus olhos se iluminaram e ele sorriu largamente, vendo-me assentir. — Está vendo! O talento é de família. Juliet é simplesmente maravilhosa.

Meu Deus, todo mundo conhecia Juliet? Ela quando era mais nova não costumava falar com quase ninguém, e então anos depois se tornou uma modelo conhecida por todos. Quem diria. Meus tios deveriam estar muito orgulhosos dela, do mesmo jeito que eu estava.

— Você é amigo dela? — perguntei.

— Claro que sim! — ele riu um pouco.

Senti-me bem melhor. Robert aparentemente era um cara bem legal, mas depois que falou que era amigo de Juliet eu me senti mais a vontade com ele. Afinal, não era um total estranho. E se dei uma chance para Alex, Andrew e Diana, por que não daria à ele?

— Sabe o que eu acho? — perguntou ele, colocando de leve a mão no queixo, pensativo. Neguei com a cabeça, sem saber — Acho que não nos conhecemos por acaso. Eu sou um fotógrafo, e você quando pequena queria ser modelo. Além de ser prima de uma das melhores modelos que já vi, que também é minha amiga. O que acha de fazermos um teste?

Ergui as sobrancelhas, olhando-o com curiosidade.

— Como assim?

— Nós tiramos algumas fotos suas e vemos o resultado. Se ficarem ruins, tudo bem, você vence. — ergueu as mãos em sinal de rendição, então assumiu uma expressão desafiadora — Mas, se ficarem boas, eu venço. E você me deixará mostrar as fotos para ao menos uma agência.

Parei por uns segundos, pensando. Eu? Posando para fotos, jogando o cabelo para um lado e para o outro? Sem chance.

— Não sei não...

— Ah, vamos lá! Corra alguns riscos. — sorriu divertido — Sabia que sua prima começou assim? Pois é. Mas não comigo, e sim com meu amigo. Ele a convenceu a tirar algumas fotos, e agora veja onde ela está!

— Sério?! — ri incrédula, negando algumas vezes com a cabeça. Parei um pouco, vendo que ele não estava brincando. — Sério mesmo?

— Sério mesmo. — assentiu convicto — Vamos. Apenas algumas fotos. Você não tem nada a perder.

Era verdade. Eu não tinha nada a perder. E se desse certo? Eu não iria me tornar uma modelo, claro que não, mas poderia ganhar algum dinheiro com as fotos e ajudar minha mãe em casa. Eram apenas algumas fotos.

Suspirei, vendo-o me olhar com expectativa. Ri um pouco, cedendo.

— Está bem! Apenas algumas fotos.

— Apenas algumas fotos. — concordou, cruzando os dedos em frente aos lábios, como um juramento.

Eu ri. Robert se levantou, arrumando o cachecol.

— Bem... hoje eu não esperava conhecer uma futura modelo muito talentosa... — fez uma breve reverência divertida, fazendo-me prender o riso — Então deixei meus equipamentos no meu apartamento, não é longe daqui. Eu queria ter te conhecido antes, dei uma festa essa semana. Sua prima estava lá, inclusive. Enfim, eu e você vamos lá, fazemos as fotos e eu te trago de volta. Tenho carro.

Assenti um pouco, levantando-me e arrumando meu vestido. Quando estava sentada eu mal sentia dor nos pés, então comecei a sentir um incômodo quando me levantei e miseravelmente lembrei que estava de salto.

— Certo. Mas antes tenho que falar com a minha prima e...

— Juliet está tirando fotos com pessoas importantes. — cortou ele, fazendo-me franzir a testa — Não vai querer atrapalhar isso. Os ricos ficam mais chatos do que já são quando alguém os incomoda.

— Mas...

— Quando chegarmos lá você liga para ela então, tudo bem? — propôs, tocando de leve em meu braço e subindo a mão para meu ombro, acariciando-o de leve — Agora temos que ir. Você é uma estrela, mas precisa aprender a brilhar ainda.

Ri de leve. Depois eu ligaria para Juliet e explicaria toda a situação. Com certeza ela teria alguns surtos e ficaria feliz por mim. Eu precisava avisar a Victor, mas onde diabos ele estava? Não que eu fosse obrigada a me despedir dele, mas talvez ele me procurasse depois e nunca saberia que eu tinha saído. Além de que eu queria ver Luke.

— Tudo bem. Mas há outra pessoa com quem preciso falar. — Robert recolheu a mão, olhando-me curioso. — Victor, ele é...

— Seu namorado? — o tom de voz dele pareceu mudar ao pronunciar “namorado”.

— Não, não! — me apressei em dizer, rindo um pouco da pergunta absurda de Robert — É só um... amigo. — eu não sabia se Victor era meu amigo, na realidade eu não fazia idéia do que ele era meu.

— Tenho certeza de que você também pode ligar para depois. — Robert sorriu sereno, tocando de leve em meu queixo.

Olhei para sua mão e depois para seu rosto, sentindo uma sensação estranha. Novamente pareceu que meu subconsciente estava querendo me dizer algo, mas o quê?

— Na realidade não posso. — falei, o que era verdade, já que eu não tinha o número de Victor.

— Nós daremos um jeito. No entanto temos que ir agora, bela. — insistiu e tocou em meu braço, parecendo impaciente.

Neguei algumas vezes, calma. Algo me dizia que eu realmente precisava falar com Victor. Parecia que... algo ruim poderia acontecer se eu não falasse. Era uma sensação realmente estranha, e eu normalmente ignoraria, mas simplesmente não consegui.

— Eu realmente preciso falar com ele. — relutei.

— Vamos agora. — seu tom de voz se tornou mais duro, porém ele ainda sorria. Robert tocou no meu braço, agarrando-o sem força — Vamos. — seu toque se tornou tão insistente quanto seu tom, apertando meu braço.

Ergui o olhar e o encarei, olhando fixamente para seus olhos. Inexplicavelmente uma raiva nasceu em meu corpo, subindo por minha garganta.

— Não. — puxei meu braço, livrando-me do toque dele e finalmente entendendo tudo — Não vou a lugar nenhum com você.

Ele definitivamente não queria apenas tirar fotos minhas. Eu só não sabia como tinha sido tão idiota a ponto de cair na conversa dele. Algo daquele tipo já tinha acontecido antes comigo, e não só uma vez, mas eu nunca caia! Claro que ele estava tentando me enganar, e eu quase caí. Ele usou Juliet para me manipular, sabendo que eu confiaria nele ao saber que era amigo dela. Eu nem sabia se ele de fato era amigo dela ou se mentiu. Robert trincou o maxilar, dando um sorriso forçado, os olhos parecendo faiscar.

— Que isso, Geo. Eu só estou ansioso pelas fotos. Só isso! — tentou mentir, mas ele não conseguiria me enganar mais.

Robert agarrou novamente meu braço, porém com mais força que antes.

— Me solta agora. — rosnei, tentando puxar meu braço e ignorando a dor que eu começava a sentir. — Eu vou gritar. Me solta.

— Grite. Pode gritar. Mas as pessoas me conhecem aqui, garota. — ele rosnou de volta, finalmente se mostrando. Tentei parecer desafiadora e intimidadora, mas eu estava com medo. Era quase sensação que eu tinha sentido na corrida de carros, quando aquele homem tentou me agarrar. Mas na corrida foi pior. — Pessoas importantes. Elas acham que eu sou um ótimo fotógrafo e um cavalheiro. E você é apenas uma garotinha ingênua que não deveria estar aqui. Eu posso facilmente dizer que você tentou roubar qualquer um aqui, eles vão acreditar. Você não é como eles.

Sua voz era completamente ameaçadora. Eu estava com medo, mas o ódio era maior. Cerrei meus olhos, sentindo meu corpo querer começar a tremer de raiva. Ele ainda segurava meu braço firmemente, e eu sabia que não iria me soltar. Eu odiava quando me chamavam de criança ou qualquer coisa do gênero, e garotinha fazia parte.

— Eu não sou uma garotinha ingênua. — olhei para seu braço e depois para seus olhos, sentindo minha respiração começar a falhar.

— Não é? Tem certeza? — riu baixo, debochado, olhando ao redor e disfarçando para ninguém desconfiar de nada. Robert olhou novamente para mim, como se eu fosse a pessoa mais patética do planeta — Então como consegui te fazer cair na minha conversa tão rápido?

— Você é um desgraçado nojento. — praticamente cuspi as palavras, sentindo a dor do aperto começar a se espalhar pelos meu braço.

— O que você acha, garota? Você acha que quando as modelos vão às casas dos fotógrafos é apenas para tirar fotos? — minha expressão dura se tornou surpresa, e logo depois horrorizada. Aqui não podia ser verdade. — Por que você acha que há modelos que tem fotos melhores que as outras? As mais famosas, as favoritas?

— Não... você está mentindo... — o meu disfarce de garota durona estava indo por água abaixo, mas eu estava tão chocada que mal percebi.

— Estou? Claro que não. É assim que funciona aqui dentro, sua estúpida. — com a mão livre ele tocou em meu queixo, erguendo meu rosto e fazendo-me olhá-lo. Eu queria afastá-lo, mas eu estava simplesmente paralisada. Pelo toque daquele homem, suas palavras, tudo. — Inclusive a sua queridinha prima faz parte de tudo isso. Pois é, você não sabe, mas ela é uma vagabunda que...

— Não! NÃO! — eu não sabia mais o que estava falando ou fazendo, apenas sabia que estava cega pela raiva e gritando no meio da festa.

Aquilo não era verdade. Juliet não era daquele jeito, não era! Ele estava mentindo. Ele precisava estar mentindo. Empurrei Robert com força no peito, usando uma força que eu não sabia que tinha. Ele foi obrigado a se afastar de mim. Minha respiração estava descompassada e meus pulmões pareciam estar prestes a explodir. Lágrimas de ódio brotaram em meus olhos, meus punhos se fechando com força. Juliet era mais que apenas minha prima, ela foi minha primeira amiga de verdade. Ela sempre esteve comigo, eu não podia deixar que falassem dela daquele jeito. Eu não podia aceitar. Eu podia sentir todos os olhares da festa direcionados para mim. Eu não me importei.

— Garota... — Robert ameaçou, dando um passo em minha direção.

— Não se atreva a se aproximar de mim, seu pedófilo nojento! — gritei, vendo Robert ficar tão vermelho quanto um tomate, seus olhos me mandando uma clara mensagem que fiz questão de ignorar.

Os garçons que antes passavam com as meninas pararam completamente, assim como todos os convidados.

— Seguranças! — Robert gritou, olhando ao redor, seu peito estufando e seus punhos se fechando — Essa garota é maluca, está inventando essa história! Seguranças! Onde estão esses malditos seguranças?! Expulsem essa menina daqui!

Trinquei o maxilar, sentindo meus olhos arderem a ponto de minha visão embaçar um pouco.

— Isso... isso não é verdade... não é... — eu simplesmente me odiei por ser tão fraca e não conseguir completar a frase. Eu sentia que todos os presentes estavam do lado de Robert. Eu não suportava injustiças, e estava vivendo uma. Os seguranças provavelmente estavam a caminho. Apontei minha mão para o rosto de Robert, aquilo não podia ficar como estava! — Você quis me levar a força para sua casa, desgraçado! E agora está mentindo aqui, na frente de todos!

Antes que eu ou Robert pudéssemos falar algo, Juliet apareceu seguida de duas meninas que provavelmente também eram modelos. Senti-me muito mais calma ao vê-la ali, mas tudo mudou quando ela abriu a boca.

— O que está acontecendo aqui?! — gritou, olhando para Robert e depois para mim.

Senti que alguém tocou em meu braço, e ao olhar rapidamente para o lado vi que era Victor. Ele olhava fixamente para Robert, e senti meu coração acelerar novamente. A calma se foi. Apenas naquele momento percebi que as pessoas tinham feito um círculo ao nosso redor. Olhei para Robert, pronta para responder a pergunta de Juliet, mas ele foi mais rápido.

— Julie, a sua prima veio falar comigo. Ela soube que eu era fotógrafo. — ele falou calmamente, fingindo. Desgraçado. Desgraçado! — Veio pedir para eu fazer umas fotos dela. Educadamente falei que ela não tinha talento, e ela simplesmente não aceitou ser rejeitada! Ela me contou tudo sobre ela! Eu sei que desde pequena ela quer ser modelo, mas o que posso fazer se ela não serve? — olhou para Juliet como se realmente fosse inocente.

Infelizmente ele atuava muito bem. Senti toda aquela raiva me invadir novamente, fazendo-me cerrar os olhos. Juliet assentiu, tocando de leve no ombro de Robert e olhando-me com a expressão dura. Eu parei. Ela não estava contra mim, estava? Era impossível. Ela não poderia ter acreditado nele.

— Julie, não foi nada disso! — gritei. Um erro, pois Robert falou calmamente e eu estava gritando. Se todos não acharam que ele estava falando a verdade e eu mentindo, a partir daquele momento acharam. Eu respirei fundo, tentando me controlar, mas era impossível. Todos estavam contra mim. — Eu... não foi. Não foi! Ele deu em cima de mim, veio com um papo de que eu serviria para ser modelo e tudo o mais! Ele quis me levar pra casa dele, Juliet. E o plano dele era fazer mais que tirar fotos! Ele... ele me disse que... — minha voz ia morrendo na medida em que o olhar da minha prima se tornava mais firme. Mas eu não iria desistir. Apenas quando um soluço me escapou percebi que estava chorando. — Ele me disse que as modelos deitavam com os fotógrafos... e... i-inclusive você, J-Julie! Ele disse isso!

Juliet negou várias vezes com a cabeça, lentamente. As duas garotas atrás dela estavam completamente pálidas, ambas olhando diretamente para o chão. Juliet me encarava firmemente, e eu pude ver pura mágoa em seus olhos castanhos. Por que ela não acreditava em mim? Por quê?

— Eu nunca imaginei que você fosse capaz disso, Geovana. — o tom que usou para pronunciar meu nome fez meu coração parar por alguns segundos, uma lágrima rolando pela minha bochecha. Era como se eu fosse um monstro. Como se ela tivesse nojo de mim. Como se eu fosse a vilã da história. — Você não sabe lidar com a rejeição, mesmo. Sabe o motivo? É porque você sempre foi a melhor! Sempre a favorita, Geovana. Sempre. Geovana, a garota que sabia cantar, dançar, tudo! Ela era amiga de todos, todos a amavam! Ela fazia tudo! Ela faz tudo! — eu não era a única que estava chorando. Uma lágrima rolou pela bochecha de Juliet, mas ela a limpou com violência — Eu sempre fui a sua sombra. Eu recebia “não” de todos! Você sempre teve tudo, Geovana. E eu sinto muito se você não pode ser modelo, eu sinto muito se eu finalmente tenho algo que você não tem! Sinto muito se eu não sou mais inútil, sinto muito por ser alguém, sinto muito por saber fazer algo que a incrível Geovana não sabe fazer, sinto muito por não depender mais de você! Mas você não vai conseguir tirar isso de mim. Eu tentei ser você por muito tempo, mas nunca deu em nada! Agora eu estou sendo eu, e adivinhe aonde cheguei? Eu sou muito melhor que você agora. Você perdeu. Eu tenho um namorado incrível, eu tenho um trabalho incrível, é a minha vez de ter uma vida incrível! E você não vai estragar isso. Você não vai estragar a minha noite! Fora. Saia. EU NÃO QUERO MAIS OLHAR PRA SUA CARA! — ela berrou, apontando pra escada.

As palavras de Juliet me atingiram como facas. Entrando e saindo do meu corpo, me apunhalando. Quem era aquela garota à minha frente? Eu não sabia. Mas eu sabia que aquela não era a minha prima. Não era.

Meus ombros tremiam sem controle, minha mente girava e eu sentia enjôo. Eu respirava com tanta dificuldade que achava que poderia morrer ali mesmo. Eu nunca fui tão humilhada, palavras nunca me atingiram tão intensamente como estava acontecendo ali. Todo meu rosto estava molhado pelas lágrimas que insistiam em rolar. Meus olhos ardiam pelas mesmas e pelo rímel que escorria. Eu nunca soube que Juliet tinha raiva de mim na infância, mas aquilo não era justo. Tudo que eu fazia era por ela, sempre por ela. Tantas vezes desisti de coisas por Juliet, porque sabia que ela queria mais que eu. Eu e Juliet sempre fomos mais próximas que eu e Jennifer, por que ela nunca me disse nada daquilo? Por que tinha tanta raiva guardada de mim? Por que ela estava tratando tudo como se fosse uma competição, como se estivesse no topo e zombando de mim por eu não estar? Meu Deus, quem ela se tornou? Eu entendia a parte em que ela se sentia um pouco mal por eu saber fazer coisas que ela queria saber fazer, eu mesma já tinha me sentido daquele jeito com outras pessoas, mas aquilo ia além de "se sentir um pouco ma". Juliet estava sendo mais que injusta. Como ela pôde acreditar em Robert, e não em mim? Quando ela se tornou tão...? eu não sabia definir. Apenas estava com nojo dela. Quando pequenas, nós assistíamos filmes em que garotas eram metidas e humilhavam as outras pessoas. Elas se sentiam bem em fazer aquilo, eram como monstros que se alimentavam da dor dos outros. Juliet e eu prometemos que nunca seríamos daquele jeito.

Eu não conseguia me mover. Minhas pernas estavam congeladas, todo meu corpo estava. Eu não a obedeci. Eu não saí. Até porque eu não conseguiria. Eu estava suando graças a adrenalina que corria por minhas veias.

— Eu conheci uma garota. Eu cresci com uma garota. — comecei, minha voz baixa, porém firme. Ela iria me escutar. Ela poderia até ter seus motivos para ter alguma raiva de mim, talvez alguma coisa que fiz sem perceber, mas ela iria me ouvir. — Eu a amava, ela era a minha prima. Mas você? Não. Você não é essa garota. Aquela garota sentava no fundo da sala de aula e não se importava em não ter muitos amigos, porque os que ela tinha eram o suficiente. Aquela garota era boa, honesta. Ela se importava com os outros, ela queria ser modelo, mas também queria ser veterinária. E pediatra. — funguei, olhando fixamente para seu rosto. Ela estava sem expressão. — Aquela garota era incrível, ela era bondosa, ela era especial. Eu não sei onde ela está. Mas eu vim aqui hoje para vê-la, eu vim por causa dela, eu vim dar parabéns porque um dos sonhos dela se realizou. Eu não a encontrei, encontrei uma cópia no lugar. — ri sem humor, negando várias vezes com a cabeça, incrédula. Apertei meus olhos com certa força, sentindo-os arder. Abri em seguida. — Você está tão ocupada sendo alguém que você não é, que não percebe o que se tornou. Você acha que tem algo para provar, você acha que eu te odeio? Eu te amo, garota! — gritei, vendo-a soltar um soluço e abaixar a mão que apontava pra escada — Eu sou a pessoa que mais te amou em toda a sua vida! Você tem um namorado que se importa com você, e quando foi a última vez que você passou um tempo a sós com ele? QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE DISSE QUE O AMAVA, JULIET? — berrei, e pelo canto do olho pude ver Alex abaixar a cabeça. Eu não sabia se ele estava chateado comigo por ter exposto aquilo, mas eu precisava. — Você não o merece! Você se tornou tudo que tanto detestava quando era mais nova. Tudo. Eu preferia você naquela época, porque você não era uma vadia egoísta! Você queria ser modelo. Parabéns, você é. Mas essa é a hora de dar valor as coisas que você tem, que sempre teve. — me aproximei dela lentamente, parando exatamente em sua frente. Não olhei para Robert. Juliet abaixou a cabeça. Limpei uma lágrima que rolou por minha bochecha, sentindo o gosto salgado de várias outras na minha boca. — A garota que você era teria orgulho de quem você é hoje, Juliet? Teria?! Porque eu acho que não. Eu não vou estragar nada, Juliet. Porque você já estragou. Quando éramos pequenas assistíamos filmes em que as garotas eram superficiais, egoístas, insensíveis, tudo de ruim. Parabéns, você se tornou uma delas. Você prefere acreditar em um cara que conhece há meses à acreditar em mim, sua própria prima. E, se quer saber, ele disse que você se deitou com ele pra tirar fotos melhores! — naquele momento Alex ergueu a cabeça, olhando fixamente para Juliet. — Eu vou embora. Mas não vou porque você mandou, eu vou porque eu não aguento mais ficar aqui. Eu que não quero mais olhar pra sua cara! — cuspi as últimas palavras, afastando-me dela e vendo-a cobrir o rosto com as mãos.

Eu estava pronta para ir embora. Eu queria ir embora daquele lugar o mais rápido possível. Eu queria esquecer aquela noite. Esquecer Robert, esquecer as palavras de Juliet, esquecer tudo.

Victor aproximou-se de mim, mas não falou comigo ou ao menos pareceu me notar. Apenas passou por mim rapidamente. Pelo segundo que pude vê-lo, seus olhos estavam com um brilho de puro ódio. Brilho que eu reconheci. O mesmo brilho do dia da corrida, quando ele bateu no homem que me agarrou e depois me levou embora. Eu já sabia o que ia acontecer. Quando me virei, foi no exato momento em que o punho fechado de Victor foi contra o rosto de Robert, que cambaleou e caiu no chão com força no chão, gemendo de dor e levando as mãos ao rosto. Victor aproximou-se dele, chutando duas ou três vezes a barriga de Robert.

Eu não gritei. Eu não o impedi. Eu não fiz nada. Apenas fiquei parada, encarando a cena. Robert merecia. Não por mim. Ele não tinha tocado em mim de verdade, apenas tinha tentado. Mas ele merecia aquilo por tudo que já tinha feito com tantas outras meninas. Apenas deixei que Victor fizesse o que quisesse, eu sabia que ele ainda tinha sanidade, e que não iria matar Robert. Eu não sorria. Eu não chorava, ao menos não sentia se estava chorando ou não. Eu estava sem expressão. Ninguém se atreveu a parar Victor, ninguém. Robert estava apanhando, todos estavam vendo, mas ninguém estava impedindo Victor de batê-lo mais. E foi o que ele fez. Chutou mais, socou mais. Olhei para o chão e fechei meus olhos com força, querendo que aquele pesadelo acabasse. Acabasse. Acabasse... acabasse...

Abri os olhos lentamente e ergui a cabeça quando parei de ouvir gemidos vindo de Robert. Eu não ouvia nada. Apenas o silêncio. As pessoas estavam caladas, ainda naquele circulo em que eu fazia parte dos que estavam no meio. Dois garçons foram até Robert, ajoelhando-se ao seu lado. Ele estava horrível. Seu rosto estava completamente sujo de sangue, cobrindo quase todos os machucados. Eu não sabia o motivo de os seguranças não terem aparecido, mas eu também não queria saber.

Victor foi até Luke rapidamente, colocando a mão no bolso da calça e puxando a carteira, suas mãos parecendo tremer um pouco. Seus cabelos estavam bem mais bagunçados e rapidamente olhei para suas mãos, vendo seus punhos um pouco machucados e sujos de sangue. Olhei para Luke. Ele estava desconcertado, mas não muito assustado. Olhou para mim e deu um fraco sorriso. Ao lado dele estava uma garota loira que olhava para Robert com puro nojo. Ela olhou para mim, e naquele momento descobri que tinha sido uma das modelos que trabalharam com Robert. Ela me deu um sorriso agradecido, e retribuí com um fraco. Não consegui sorrir direito. Sorrir não parecia certo naquele momento, por motivos óbvios. Victor entregou algumas notas de dólares para Luke.

— Pegue um táxi e vá pra casa agora. — mandou Victor.

Luke assentiu. Parou um pouco, olhando para o irmão mais velho.

— E o papai e a mamãe? — quis saber, parando um pouco — Você sabe que ele...

— Eu me viro com eles depois. — foi o que Victor respondeu, afastando-se do irmão.

Luke olhou uma última vez para mim e sorriu, moldando com os lábios um “confie nele, você vai ficar bem”. Assenti um pouco, vendo a garota loira ao lado dele murmurar algo como “eu vou com você” para ele. Os dois saíram juntos e se perderam no meio de tantas pessoas.

Victor veio na minha direção, e eu não sabia como encará-lo. Era a segunda vez que ele me salvava de situações como aquela, eu simplesmente não sabia como agradecer. Olhei para ele de modo agradecido quando ele parou em minha frente.

— Vamos sair daqui. — Victor murmurou para mim, afastando o cabelo que estava na frente do meu rosto.

Victor estendeu a mão para mim. Olhei para o lado, vendo Juliet me encarar com os olhos inchados e vermelhos. Olhei para o outro lado, vendo Alex, Andrew e Diana na multidão. Olhei para frente, vendo aquele garoto me fitando e sorrindo minimamente.

Ele? Bem, ele eu não tinha certeza de quem era, mas eu fiz a única coisa que eu tinha certeza que queria fazer naquele momento. Eu peguei sua mão.

Saímos dali de mãos dadas, com todos nos olhando. Não precisamos fazer esforço para passar entre a multidão. Todos abriram espaço para nós. Eu sempre via aquilo acontecer na televisão, nunca achei que iria acontecer comigo. Eu poderia rir das expressões de todos, porém as circunstancias não eram nada engraçadas. Durante toda a confusão nenhum fotógrafo tirou fotos — até porque eu não era famosa, e Juliet era apenas uma entre várias modelos na festa —, mas, no momento em que Robert foi praticamente espancado por Victor, os fotógrafos aproveitaram a situação, já que Robert era muito conhecido. Eu e Victor descemos as escadas juntos, e ele me ajudou a não cair naqueles sapatos. Eu sabia que eu estava acabada, e parecendo um monstro com a minha maquiagem toda borrada. Quando chegamos ao último degrau — no caso, o primeiro —, fomos até a saída. Ficamos em silêncio, e às vezes Victor soltava umas piadinhas para me fazer rir. Procuramos o carro dele no estacionamento por uns minutos, até finalmente acharmos.

Victor destrancou as portas, abrindo a do motorista. Eu estava pronta para abrir a do passageiro e entrar no carro, mas algo me chamou atenção.

— Geo! — Juliet gritou.

Parei completamente surpresa, e me virei. Juliet vinha correndo em minha direção, os sapatos balançando nas mãos e o longo vestido que usava arrastando um pouco no chão. Alex estava atrás dela, porém apenas andava, não corria. Ela parou em minha frente, ofegante, tentando achar ar para os pulmões. Eu estava sem expressão. O que ela queria?

Victor olhou para ela e franziu a testa.

— Olha... eu acho que você já fez o bastante por uma noite. — falou ele, e me surpreendi com seu tom de voz calmo.

Olhei para ele, agradecida, mas ele olhava para Juliet e Alex com os braços cruzados.

— Por favor, esperem. Apenas ouçam o que ela tem a dizer. — pediu Alex.

Permaneci calada, mas olhei para Juliet, esperando. Ela respirou fundo e soltou lentamente o ar.

— Me desculpa Geo! Desculpe. Por favor. Eu sei que eu não mereço, eu sei! Mas me desculpe. — sua expressão caiu, derrotada. Alex se aproximou de Juliet, pegando sua mão e entrelaçando seus dedos, incentivando-a a continuar. E foi o que ela fez. — Você estava certa. Essa garota não sou eu. Eu não sou assim. Você disse que preferia quem eu era, eu também prefiro quem eu era. Que é quem eu sou de verdade. Não isso. — ela soltou a mão que pegava a de Alex e largou os sapatos no chão, rasgando um pedaço do próprio vestido, jogando no chão e rasgando mais. Encarou-me. — Eu não quero ser assim. Eu não quero isso pra mim. Eu não quero ter que... ter que... ter que colocar o dedo na garganta no fim do dia porque acho que estou gorda.

Eu parei. Ela estava fazendo aquilo? Por que ela não me disse?

— Julie... — comecei, negando algumas vezes com a cabeça.

— Não! Eu não acabei! Me deixa acabar. — implorou, e eu assenti. — Eu quero parar, eles me forçavam a fazer isso tudo. Eu não quero, Geo. Eu quero ser eu mesma. Desculpe-me por tudo que eu te falei, nada era verdade. Nada. Eu só queria te atingir. Eu agi como uma vadia. Desculpe-me por ter agido como uma vadia dos filmes que assistíamos. Eu não quero ser uma. Você estava certa sobre tudo. Eu não dei valor a você, meus pais, Alex... — ela pegou a mão do garoto, sorrindo um pouco para ele e virando-se para mim — e meus amigos. Eu estava cega. Eu acreditei em Robert, aquele pervertido-pinto-pequeno, e não em você. Eu nunca tive nada com ele, eu te juro! Eu achava que ele era meu amigo. Eu não sabia do que ele fazia com as meninas. Geo, por favor, me perdoa. Eu me perdi totalmente, mas você me ajudou. Eu não queria ter te humilhado, eu não queria mesmo. Eu vou sair agora de toda essa vida de modelo. Eu queria quando era menor porque achava que era bom e divertido, e não essa realidade! Eu não quero ser uma vadia esquelética egoísta, me desculpe por ter parecido uma. Por favor.

Juliet estava quase chorando, fitando-me e implorando por perdão. Eu fiquei um tempo parada, encarando-a. Suspirei.

— Vem aqui. — a puxei para um abraço apertado.

Juliet suspirou aliviada, abraçando-me de volta. Afastamos-nos minutos depois, uma encarando a outra. Eu sorri. Eu nunca conseguia ficar com raiva dela por muito tempo, e era quase a mesma coisa com Jennifer.

— Eu te amo. — falei.

— Eu também te amo. — sorriu largamente, dando uns pulinhos e pulando por fim nos braços de Alex, que murmurou um “está vendo? Deu tudo certo”. Ri com a cena e fui até a porta do passageiro do carro de Victor, abrindo-a e vendo-o entrar na do motorista. Juliet se soltou delicadamente e olhou para mim. — Você não vem? Vamos para uma festa de um amigo do Alex. Qualquer coisa é melhor que essa festa aqui.

— Não, pode ir. — sorri de lado. Ela olhou um pouco desconfiada para Victor, cerrando os olhos — Ele é meu amigo. Está tudo bem. Depois nos falamos.

Juliet assentiu, pegando os sapatos no chão.

— ‘Tá’ bem, tchau!

— Tchau! — olhei para Alex, sorrindo de lado — Foi um prazer, Alex. Diz pro seu primo que mandei um beijo. Para Andrew e Diana também.

Alex assentiu, acenando para mim e para Victor. Pulei dentro do carro, fechando a porta do passageiro e colocando o cinto. Não precisei dizer nada para Victor, ele simplesmente deu a ré e saiu do estacionamento.

— Você disse que eu sou seu amigo. Que merda. Eu ‘tô’ na porra da friendzone. — fingiu estar bravo, me fazendo rir alto.

Victor me acompanhou, rindo daquele jeito encantador que apenas ele possuía.

Soltei uma última e curta risada, relaxando no banco e me livrando dos sapatos. Olhei para Victor, vendo que ele olhava para frente, dirigindo sem pressa. Olhei para seus punhos, vendo novamente sangue neles.

Suspirei profundamente, determinada a esquecer Robert.

— Obrigada pelo que fez. — agradeci, olhando diretamente para o rosto de Victor.

Ele deu de ombros, como se não fosse nada de mais.

— Que nada. Adoro bater nas pessoas. — olhou rapidamente para mim e deu uma piscadela.

Ri de leve, sabendo que aquele era o jeito dele de dizer “de nada”. Olhei para o vidro que estava ao meu lado, vendo poucas gotas de chuva molhando-o. Observei as gotas escorregarem pelo vidro e sumirem. Rapidamente a fraca chuva se tornou forte, e eu já podia ouvir o barulho abafado das gotas caindo com força no capô do carro.

Tremi involuntariamente, com um pouco de frio.

— Não espere que eu te dê o meu blazer. — comentou Victor, fazendo-me olhá-lo e rir. — Seria clichê demais pra mim.

— Sr. Stonem, nós somos clichês.

— Eu não! Ninguém nunca viu por aí um cara capitão do time de futebol, super popular no colégio e que todos consideram cafajeste e cretino. — ironizou, sorrindo divertido — Sou único, milady.

Gargalhei, negando várias vezes com a cabeça como se dissesse “você não existe”.

— Claro. Mas, se quer saber... seria educado.

Victor revirou os olhos e parou de dirigir, encostando o carro perto de uma calçada. Retirou o blazer, ficando apenas com a camiseta branca. Soltou o cinto e se aproximou de mim, inclinando-se no banco e passando o blazer pelos meus ombros, olhando para eles e tentando arrumar o blazer direito. Aproveitei o momento — já que ele não me olhava — para olhá-lo. Deus, como ele conseguia ser tão bonito? Ele parecia uma pintura. Era simplesmente lindo. Não era uma beleza de ator de cinema ou de garoto dos sonhos, mas sim uma beleza natural. Uma beleza única.

Victor ergueu o olhar e eu sabia que deveria desviar meus olhos dos seus quando ele me olhasse, mas simplesmente não o fiz. Ele ficou ali, parado, com uma mão tocando de leve em meu ombro. Ele olhava fixamente para meus olhos e eu para os dele, perdendo-me naquela imensidão castanha. Sorri um pouco, fraco. Victor parecia em uma espécie de transe, e eu sabia que ele não era o único. Ouvimos uma buzina de um carro que passou ao lado do de Victor, cortando totalmente o clima.

Eu prendi o riso, assim como ele. Resolvemos soltá-lo, e acabamos rindo juntos.

— Você tem uma espinha na bochecha, farm girl. — comentou ele, ainda próximo.

Fiz uma expressão falsamente ofendida e o empurrei no peito, rindo. Victor caiu sentado no banco, rindo de leve.

Colocou o cinto de segurança, ligando o carro e voltando a dirigir. Abracei minhas pernas e me enrolei com o blazer, sentindo o cheiro maravilhoso de Victor impregnado no tecido.

— Vai continuar me chamando de farm girl até quando? — perguntei, olhando-o de lado.

Victor sorriu divertido e maldoso, parecendo prender o riso.

— Até o dia em que eu esquecer a imagem de você de sutiã. — respondeu simplesmente — Então, acho que te chamarei assim pra sempre.

Senti meu rosto esquentar miseravelmente, obviamente eu estava corando. Resolvi mudar de assunto, era a melhor coisa a se fazer.

— Para onde vamos? — perguntei baixo e descansei minha cabeça no vidro, sentindo o cansaço em meu corpo graças ao dia nem um pouco relaxante que tive.

Victor ficou um tempo em silêncio, dirigindo com cuidado, já que estava chovendo bastante. Ele suspirou um pouco, tocando delicadamente na minha coxa — por cima da meia — e sorrindo de leve ao me responder:

— Para onde você quiser ir.

Notas finais
AQUI ESTOU EU! O que acharam da atitude de heroi do Victor? O que acharam do (desgraçado) do Robert? O que acharam da Juliet e do Alex? Eles irão aparecer novamente, várias vezes, na realidade. Sentiram pena da Geo? Porque eu senti! Quero saber tudo, comentem! Xoxo, Little G.