The Anchor
17 Me vêem semi-nua e viro uma fazendeira. — Parte II.
Notas iniciais
Capítulo 16.
— No way! — foi o que Victor declarou, claramente prendendo uma gargalhada.
Eu não encontrei voz para gritar com ele ou ao menos perguntar o que estava fazendo ali, aquilo era extremamente vergonhoso e eu estava congelada no lugar. Victor começou a rir, desistindo de tentar prender o riso, fitando-me. Ele não estava rindo de mim, mas sim da situação em que eu me encontrava. Puxei um travesseiro que estava na cama, tentando me cobrir melhor com ele e soltando o vestido. Minhas coxas ainda estavam descobertas, mas as partes mais íntimas estavam cobertas. Sai da frente do espelho e encostei-me ao guarda-roupa, sabendo que se continuasse ali Victor veria meu reflexo de costas. — Caralho, eu ganhei meu dia com isso. Minha semana. Meu mês. Meu an...
— Cala a merda da boca! — cortei, fazendo-o se calar e novamente prender a gargalhada.
Mas daquela vez ele não se atreveu a rir, pois olhei de modo ameaçador para seu rosto. Minhas bochechas ainda estavam coradas, mas saber que estava ao menos um pouco coberta me confortou. Suspirei profundamente, tentando me acalmar, mas ao olhar rapidamente para o espelho vi que todo meu rosto estava extremamente vermelho. Merda.
— Desculpe. — ergueu as mãos em sinal de rendição, um insistente sorriso petulante em seus lábios. — É só que... wow.
Levei uma de minhas mãos rapidamente para o meu pescoço, tentando disfarçar meu desconforto. O que era praticamente impossível.
— Vire-se. — mandei, ignorando sua fala anterior.
Olhei para minha roupa na cama, levando meu olhar para o rosto de Victor e mandando-o uma clara mensagem. Ele revirou os olhos, e quase pude ouvi-lo resmungar.
— Pra quê? Eu já vi tudo mesmo. — declarou, sendo então alvo do meu olhar de “cala a boca ou eu te mato”.
Ele suspirou um pouco e virou-se, claramente de má vontade. Se a situação não fosse tão constrangedora, eu poderia rir um pouco do modo que ele parecia um garotinho emburrado. Certifiquei-me de que ele não estava dando um jeito de me olhar, mas não estava. Graças a Deus ele realmente estava olhando para frente. Fui até a cama, não largando o travesseiro por precaução, pegando a minha saia do uniforme. Olhei para Victor, ou melhor, para suas costas. Eu não sabia desde quando ele estava atrás daquela porta, antes de resolver entrar no quarto. Eu não sabia o quanto ele viu.
— Faz tempo que... — comecei, enquanto subia a saia com pressa, quase a rasgando e xingando baixo.
— Sim. Eu vi bastante. — eu sabia que com bastante ele queria dizer tudo.
— Maravilhoso. — resmunguei irônica.
— Belo sutiã.
— Calado.
Ele riu baixo, daquele jeito irritantemente encantador. Peguei minha blusa, terminando de vestir a saia e largando o travesseiro. Vesti rapidamente, resmungando ao tentar passar rapidamente meus braços pelas pequenas aberturas e fazendo a blusa não descer como eu esperava, além de sentir meus braços doerem um pouco. Bufei, tirando-a com esforço e tentando colocá-la novamente, um pouco mais calma.
— Quer uma ajuda aí? — ofereceu Victor, virando-se um pouco na minha direção.
— Não se atreva! — apressei-me em quase gritar, fazendo-o rir pelo nariz e virar novamente, ficando de costas para mim.
— Como quiser.
Finalmente consegui vestir a blusa, arrumando-a com os dedos e fazendo o mesmo com a saia, verificando se tudo estava certo. Passei as mãos pelo meu cabelo extremamente bagunçado — graças ao esforço de vestir a blusa — tentando domá-lo e fazendo um novo rabo de cavalo. Pigarreei algumas vezes, chamando a atenção de Victor e querendo dizer que ele já poderia se virar. Ele se virou rapidamente, com as mãos nos bolsos da jaqueta do time de futebol, parecendo um pouco desapontado a me ver devidamente vestida. Um silêncio se seguiu não tão constrangedor, apenas desconfortável. Fiquei um tempo olhando para um tapete claro que estava no chão do quarto. Eu sabia que Victor estava me olhando, esperando que eu dissesse algo, eu podia sentir aquilo. Ergui meu olhar, encontrando o dele, como desconfiei. Ele não parecia desconfortável. Na realidade parecia que estava achando graça em tudo aquilo.
— Esqueça que isso aconteceu. Estamos entendidos? — cruzei meus braços, tentando soar ameaçadora. Era realmente difícil, já que ele aparentemente queria começar a gargalhar e me olhava como se eu fosse uma presa suculenta e fácil. — Ninguém pode saber.
Aproximou-se de mim cautelosamente, sorrindo um pouco. Um sorriso com mil e uma intenções visíveis, fazendo-me descruzar os braços. No momento em que ele se aproximou demais, automaticamente fui um pouco para trás, batendo meu quadril de leve em um pequeno armário e quase derrubando uma boneca de porcelana que estava ali. Eu não tinha mais para onde ir. Olhei para o armário, trocando rapidamente a boneca de lugar, com medo de bater nela novamente e fazê-la cair e quebrar. Olhei para frente e vi o quão próximo ele já estava de mim, na realidade estava tão próximo que eu podia sentir sua respiração contra o meu rosto. Victor riu, realmente achando graça, vendo-me sem saída.
Aproximou-se apenas um pouco mais, praticamente colado a mim, fazendo-me sentir o cheiro do seu perfume misturado com o cheiro natural que ele possuía. Meu coração bateu descompassado, e eu torci para que ele não percebesse minha aflição. Deus, o que estava acontecendo comigo? Olhei para o outro lado do quarto, tentando fazer ao menos aquilo normalmente, sem parecer que estava em uma luta interna em relação a o que fazer. Eu quase podia ver um diabinho em um de meus ombros, e um anjinho no outro. O anjinho dizia “afaste-o agora mesmo! Ele é um idiota. Você conhece os idiotas, eles não valem a pena. Ele é só mais um idiota que você precisa se livrar” e o diabinho falava “besteira! Faça o que sabe que quer fazer. Quanto mais fugir disso, mais isso se tornará mais forte. Você nunca correu riscos, precisa começar. Você quer”.
— Prometo que ninguém vai saber. — disse Victor, mas eu continuei olhando para o outro lado, forçando-me a não olhá-lo. Eu quase podia vê-lo sorrir de minha tentativa, a qual foi inútil, pois ele retirou as mãos dos bolsos e tocou de leve no meu queixo, virando meu rosto em sua direção, fazendo-me olhá-lo nos olhos. Seus dedos estavam um pouco frios, e contra minha pele quente fez meu coração acelerar ainda mais. Novamente senti que ele me lembrava alguém, do mesmo jeito que senti quando o conheci no refeitório. Seus olhos me lembravam os de alguém. — Mas esquecer vai ser difícil. — sussurrou, mordendo o lábio inferior lentamente, fazendo-me olhar para sua boca e acompanhar delicadamente aquilo com os olhos.
Não, Geovana. Não. Você sabe o que ele está tentando fazer. Mas ele não vai conseguir, não com você. Não seja estúpida.
Minha consciência voltou de repente, fazendo-me sair de uma espécie de transe e empurrá-lo sem força, apenas para afastá-lo.
— Mas se fizer um esforço você consegue. — sorri brilhantemente, vendo-o me olhar com a sobrancelha erguida por uns segundos.
Ele pareceu desconcertado. Como se nenhuma garota tivesse feito aquilo antes. Como se nenhuma resistisse a ele. Continuei sorrindo, como se nada tivesse acontecido e estivesse completamente normal. Victor então pareceu entender algo, rindo um pouco consigo mesmo e dando de ombros, olhando ao redor e começando a caminhar pelo quarto. Aproveitei que ele não me olhava e respirei fundo, focando em normalizar as batidas do meu coração e me acalmar. Ele olhou rapidamente para o meu vestido, que estava em cima da cama.
— Vestido bonito, garota da fazenda. — elogiou, virando-se e olhando-me.
Franzi a testa, sem entender.
— Garota da fazenda?
— É. Realmente gostei do seu sutiã. — riu ao ver minha expressão irritada, continuando: — E para combinar, vou te chamar assim agora, farm girl.
Revirei os olhos, lutando contra a vontade de rir com ele. Mas eu não lhe daria aquele gostinho de vitória.
— Pelo amor de Deus, você tem cinco anos? — ironizei, referindo-me a sua visível falta de maturidade.
Victor sorriu divertido, voltando a caminhar pelo quarto e olhando algumas coisas que estavam em cima da cômoda.
— Completei seis ontem. — rebateu.
— Afinal, o que faz aqui? — perguntei, só então percebendo que não fazia idéia do que Victor fazia ali.
— A Lúcia é tia do Yv. Apareci por aqui pra pegar umas coisas dele, que o idiota fez o favor de esquecer. — revirou os olhos na última parte, cansando de olhar as coisas no quarto e sentando-se na cama, ao lado do meu vestido.
Ele me olhou com atenção, parecendo até um garoto direito sentado naquela cama. Só parecendo mesmo. Quem era Lúcia? Uma expressão confusa nasceu em meu rosto, fazendo Victor erguer uma sobrancelha. Então tudo se clareou em minha mente. O nome da costureira era Lúcia.
Meu Deus, como você é lerda.
Infelizmente aquilo não passou despercebido por Victor.
— Você ‘tá’ brincando, não é? É sério que você não sabia que o nome dela é Lúcia? — riu de leve, vendo-me fazer uma leve careta, que pareceu uma confirmação. — Você a chama de quê? Costureira?
Cocei a nuca, olhando rapidamente para cima antes de olhá-lo. Andei um pouco em sua direção, parando no meio do quarto.
— Bem, é que...
— Ah, meu Deus! — ele cortou, olhando-me incrédulo e entendendo tudo. — Você chama! Você chama a costureira de costureira! — riu, então em questão de poucos segundos ele estava gargalhando.
Tentei me manter séria, mas aquilo era completamente ridículo. Comecei a rir, e aos poucos eu também estava gargalhando. Até tentei prender o riso, mas não consegui. Foi de repente, em um segundo estávamos conversando, e no outro estávamos gargalhando juntos. Eu não sabia bem o motivo de estar rindo depois que se passaram alguns minutos, mas não consegui parar de rir.
A risada de Victor era verdadeira e muito agradável de ouvir, mas não era uma surpresa pra mim. Não era a primeira vez em que eu a ouvia, já que na praia ele também riu verdadeiramente. Era completamente estúpido estarmos rindo por algo tão bobo, mas estávamos.
Minha barriga começou a doer e eu me forcei a parar, o que foi realmente difícil, pois quando o via rindo, ria também. Na medida em que Victor foi parando, também parei, percebendo que estava quase chorando. Eu sorri quando finalmente acabamos, suspirando profundamente e rindo baixo.
— A culpa não é minha! — me defendi.
Victor se levantou, pegando meu vestido e estendendo-o, dando-o para mim. Deu um sorriso torto e divertido, passando por mim e indo até a porta.
— Minha que não é, farm girl. — falou, saindo do quarto.
Fui até a cama, peguei minha mochila e ri um pouco, indo atrás dele e fechando a porta ao passar. Victor estava indo em direção a sala, e pude ver que sua mão descansava em sua nuca. Ele provavelmente sabia que eu o seguiria à entrada da casa, mas eu precisava dizer algo enquanto ainda estivéssemos sozinhos. Coloquei meu vestido em cima de uma mesinha branca que estava no corredor, assim como minha mochila.
— Victor! — chamei, fazendo-o parar quando estava quase virando o corredor.
Virou-se, encarando-me. Não precisei pedir para ele se aproximar de mim, Victor o fez por conta própria. Suspirei um pouco, vendo-o parar em minha frente e esperar eu dizer algo.
— Acho que devemos parar com isso. — falei de uma vez, vendo uma expressão confusa e curiosa nascer em seu rosto.
Ele encostou-se na parede ao meu lado, ainda próximo.
— Parar com o quê? — quis saber.
— Todo esse ódio gratuito. — respondi.
Victor riu pelo nariz, e eu o acompanhei. Ele pareceu ponderar um pouco, e por um segundo me perguntei se ele tinha entendido. Bem, eu não tinha sido muito direta, mas ele não era burro.
— Então seremos como amigos? — umedeceu os lábios, olhando-me — Porque se for isso eu...
— Não! — cortei rapidamente — Eu ainda te odeio.
— Odiar é uma palavra muito forte, farm girl.
— O que eu sinto por você também é. — parei completamente ao vê-lo sorrir largamente, petulante e debochado. Aquela frase soou de um jeito completamente diferente a o que eu queria e esperava, e obviamente ele ficou feliz ao ver minha confusão e ao levar aquilo para outro sentido. Bufei diante daquele sorriso provocativo e olhar vitorioso, batendo o pé no chão e passando meus dedos pelos cabelos, nervosa. — Não foi isso que eu quis dizer! Eu quis dizer negativamente!
— Negativamente? — se fez de desentendido, prendendo o riso.
— É! O que eu negativamente sinto por você também é! — finalmente consegui corrigir aquilo, mas ao vê-lo rir percebi que estava apenas brincando comigo.
Apenas brincando. Era o que ele sabia fazer de melhor.
— Bem, que seja. Continue. — Victor fez um gesto com a mão para que eu continuasse, parecendo interessado, mas achando graça ao mesmo tempo.
Não valeria a pena eu iniciar uma briga ali quando estava quase propondo um acordo de paz, então apenas ignorei o cinismo dele e pigarreei.
— O fato é que... — parei um pouco.
— O fato é que... — ele me imitou, incentivando-me a continuar.
— Eu te odeio. Você me odeia. Continuaremos assim. — continuei.
— Por que você me odeia? Eu não te odeio. — ele ergueu uma sobrancelha, o pouco sotaque britânico parecendo um pouco mais forte.
— Porque você é insuportável. — respondi simplesmente, como se aquilo bastasse — Podemos continuar? — sorri brilhantemente.
— É um bom motivo, farm girl. Mas fica um pouco sem sentido você me odiar e eu não te odiar. Eu deveria te odiar também? — piscou os olhos inocentemente, se fazendo de confuso e levando uma mão ao queixo, fingindo analisar a situação.
Victor realmente queria me irritar.
— Garoto! Dá pra parar de agir como se tivesse cinco anos?! Estou tentando fazer algo aqui! — apontei para meu rosto, girando o dedo rapidamente no ar em círculos, querendo chamar sua atenção para mim, fazendo-o desfazer aquela pose e suspirar, murmurando um “é seis, não cinco. Mas vai, continua”. Suspirei um pouco, continuando: — Acho que devemos dar uma trégua. Não ser amigos, claro que não, apenas parar com as brigas desnecessárias. O que não faz muito sentido, porque eu disse que te odiava... mas, sei lá, o que quero dizer é que devemos nos odiar em silêncio. Mas também não faria muito sentido. Merda, isso pareceu bem mais fácil na minha cabeça. — bati na minha testa.
Victor riu um pouco pelo nariz.
— Acho que você quer dizer que a gente deve parar de se odiar. — falou como quem não queria nada, dando de ombros — Ou melhor, você mesma parar de me odiar. Eu não te odeio.
— Não é isso. Eu só estava querendo dizer que... — suspirei profundamente, desistindo de tentar — Quer saber? Acho melhor deixar isso pra lá.
— Entendi o que você quis dizer!
— Sério?
— Não.
Ele riu, mas daquela vez eu acompanhei. Ficamos um tempo em silêncio, então me lembrei de que a costureira — vulgo Lúcia — provavelmente estava achando que eu tinha morrido trocando de roupa. Ri um pouco com o pensamento.
— Vamos apenas esquecer isso, certo? Vamos esquecer essa conversa. — propus, querendo logo acabar com aquilo.
— Por mim tudo bem. — Victor se afastou um pouco, ainda virado em minha direção e me olhando. — Você vem, purple?
— Não, pode ir. Vai pela sombra, merda costuma secar no sol. — sorri debochadamente.
Victor não respondeu, apenas estendeu o dedo do meio em minha direção. Sorri cinicamente, estendendo o meu belo dedo para ele também. Ele deu uma piscadela e abaixou o dedo, virando o corredor e me deixando sozinha. Suspirei profundamente e desfiz o sorriso, abaixando minha mão e encostando-me na parede fria. Eu realmente não sabia qual era a dele. Em um momento era um cafajeste, em outro era frio, irônico, engraçado, idiota, bobo, sarcástico, falso, simpático. Tudo e nada. Eu simplesmente não entendia quem ele era, eu não o entendia. Eu não sabia se ele apenas era daquele jeito comigo para me irritar e confundir, ou se realmente era complexo. Eu não poderia ser amiga dele, eu não poderia querer ser, eu nem sabia o que ele queria, quem era. Além de que eu o odiava. Eu odiava. Eu odiava? Eu precisava odiá-lo. Mas o que foi aquilo no quarto, então? Estávamos rindo como se nos conhecêssemos há anos, como dois amigos. Mas eu sabia que ele não iria ser o garoto de cinco anos — na realidade, seis — e engraçado quando me visse novamente. Provavelmente ele seria o estúpido que não se importava com ninguém, ou o egocêntrico hipócrita, ou o cafajeste que eu já estava acostumada. Ou mostraria mais uma de suas caras, para me confundir ainda mais. Eu não sabia se ele fazia de propósito, mas, de um jeito ou de outro, fazia. O problema era que eu queria saber quem ele iria ser, eu queria descobrir quem ele era. Eu não conseguia ignorá-lo.
Virei-me pra parede, já que estava encostada de lado nela, encostando minha testa ali e fechando os olhos. Às vezes o silêncio me incomodava, já que eu estava acostumada com ambientes barulhentos, mas ali eu agradeci mentalmente por estar sozinha e o silêncio ser a única coisa presente, além da minha respiração lenta.
— Por que você está ferrando com a minha cabeça? — murmurei, apertando um pouco meus olhos já fechados.
Era aquilo que ele estava fazendo, mas eu sentia que já era tarde demais para me afastar. Eu não conseguiria fazê-lo, e eu sabia muito bem o motivo. Tudo começou quando ele me beijou. Não, começou no dia em que fomos à praia. Não... começou na festa de Booker e o nosso momento na cozinha, talvez, quando eu percebi o quanto ele era realmente atraente. Eu não sabia quando tinha começado, mas sabia o que era e que não adiantaria fugir. Talvez eu estivesse sendo precipitada em pensar daquele modo, talvez não. Eu não sabia. Apenas sabia que eu não o odiava, por mais que quisesse. O que eu sentia estava longe de ódio.
— Eu estou tão... tão ferrada. — declarei, suspirando derrotada.
Quase pude ouvir o anjinho e o diabinho responderem em uníssono “é, você está”. Mas não deixaria aquilo acontecer comigo, não mesmo. Eu sabia que aquilo que eu estava sentindo não seria algo duradouro. Provavelmente era apenas uma quedinha, ou aquele sentimento que achamos que é para sempre e não dura nem uma semana — nunca consegui defini-lo com algum nome.
Até porque eu estava exagerando, certo? Certo. Então eu iria apenas ignorar, não iria perder meu tempo tentando parar de sentir — o que nunca funcionava quando eu tentava — ou deixar que os outros soubessem. Ou até mesmo levar a sério.
Victor não era o primeiro que despertava um sentimento — até mesmo o mais fraco que fosse — em mim. Eu agiria normalmente quanto àquilo, afinal, não era a primeira vez e nem seria a última. Eu sabia que não poderia ignorá-lo, mas poderia ignorar o que eu estava começando a sentir, sentia ou o que quer que fosse. Eu iria ignorar, apenas ignorar, até aquilo passar.
Precisava passar.
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