The Amazing Spiderbug
5 Lado Marinette
Notas iniciais

Se existe uma coisa que eu não tenho, com toda certeza é sorte. Tá, na verdade existem muitas coisas que eu não tenho. O fato é que eu só queria assistir em paz o jogo do Adrien, mas a minha falta de sorte interferiu novamente e tem um vilão roubando uma joalheria nesse momento. Sei disso graças à atualização que a Alya tem no blog. Não sei se agradeço ou condeno.
Avistei Flint Marko correndo com um saco de joias, assim que cheguei no local. É, parece que a parceria com aquele cara esquisito não durou muito.
Saltei na direção dele e joguei minhas teias no prédio. O bandido olhou para mim e sorriu, permanecendo parado. Quando ia acertar meus pés nele, ele se desfez. Pera, como assim?
— Agora você não é a única que tem poderes, Spiderbug.
— Eita! — permaneci parada que nem uma tonta, como se o Adrien tivesse acabado de falar comigo, mas na verdade era porque acabei de descobrir que Flint Marko tem poderes.
Obviamente ele aproveitou meu momento de distração e formou um punho gigante do que eu acho ser areia e o acertou em mim. Depois disso posso confirmar que quebrar a vitrine de uma loja com seu corpo, não é tão engraçado quanto nos desenhos.
— Até, mais inseto.
— Foi mal! — me desculpei rapidamente com a dona da loja e levantei com dificuldades, indo atrás do Marko — Você pode ter poderes, mas continua burro. Já disse mil vezes que aranhas são aracnídeos.
— Eu não ligo. — ele se virou e tentou acertar outro punho de areia, porém eu consegui desviar.
— Calma aí Homem-Areia, preciso terminar essa batalha logo, pois tenho um compromisso. — sim, eu ainda pretendia chegar para ver ao menos o final do jogo.
— Claro, pode deixar que eu acabo com você rapidinho. — seu corpo foi crescendo em forma de areia. Ele avançou em minha direção e eu lancei uma teia no prédio em frente e saí pendurada. — Há! Quem está fugindo agora?
— Eu não estou fugindo. Até me senti ofendida agora. — tá legal, eu estava fugindo. Mas eu só precisava de tempo para pensar em como derrotá-lo.
— Já chega, você não me importa. Eu quero é as joias. — Flint fez dois punhos enormes com a areia e tentou acertar o primeiro em mim, porém eu desviei. Entretanto não deu tempo de desviar do segundo e eu fui arremessada por alguns metros, caindo de cara no chão.
Levantei o mais rápido que pude, mas quando procurei pelo Homem-Areia, ele já não estava mais lá.
*****
— Amiga, onde foi que você conseguiu esse roxo? — droga, saí de casa tão apressada que esqueci de cobrir o machucado que ganhei na minha bochecha durante a luta de ontem.
— Caí enquanto corria ontem na batalha da Spiderbug e do Homem-Areia.
— Ufa! — ela levou a mão até o coração — Jurei que tinha entrado em uma briga de gangue.
— Engraçadinha! — ela riu, enquanto entrávamos na sala de aula.
— A propósito, seu lábio tá cortado também.
— É, eu sei. — levei a mão até o local e senti o pequeno corte arder — Como foi o jogo? Nós ganhamos?
— Sim. E adivinha quem fez o ponto da vitória? — abri um grande sorriso — Nem precisa responder, só pela sua cara dá pra saber que você já sacou que foi o amor da sua vida ou loiro dos seus sonhos, como costuma chamar.
— Fala baixo, sua doida! — a repreendi. Se alguém escutasse, minha vida escolar estaria acabada.
— Você que fica babando por ele que nem uma tonta e eu que sou a doida? — coloquei o dedo do meio para ela, que riu do ato — Brincadeira, amiga. Ah, Nino me falou o que ele te disse no jogo. — arqueei a sobrancelha, não recordando sobre o que exatamente ela estava falando — Sobre o Adrien estar começando a te olhar por outros olhos.
— Ah, sim. Na hora eu fiquei feliz, mas duvido que seja verdade.
— Não fica assim amiga. Quem sabe o Adrien não está começando a gostar mesmo de você? Eita, falando no diabo. — apontou para a porta e logo pude ver aquele que eu amava passando por ela.
— Você quis dizer no anjo, não é? — coloquei o cotovelo na mesa e escorei minha cabeça na mão, sorrindo como uma boba apaixonada, o que de fato eu era.
No entanto, meu sorriso foi se transformando em uma careta de nervosismo a medida que Adrien ia se aproximando de nós.
— Tem alguém sentado aqui? — perguntou apontando para o lugar em frente ao meu e ao lado do Nino.
— Era o lugar do Nathaniel, mas ele não vai ligar. Senta aí cara. — Nino respondeu. O loiro sorriu animado e sentou, virando de frente para o amigo, enquanto tudo que eu conseguia fazer era observar pasma — Mas me conta, porque o rei resolveu se juntar à nós, seus humildes servos?
— Os caras andam muito chatos ultimamente e só falando em festa, não aguento mais. E também porque amo você. — brincou dando um soquinho em Nino que retribuiu enquanto ria.
— Sei, sei. Talvez não seja bem eu. — o namorado da minha amiga lançou um rápido olhar para mim e foi aí que gelei de vez.
— Quê? — Adrien ficou confuso ao mesmo tempo que eu rezava para ele não entender.
— Nada não. — respondeu rindo.
Logo a professora entrou na sala e pude relaxar um pouco, enquanto lançava um olhar assassino para Nino, que fazia uma careta falsa de inocente.
Durante a aula fiquei me policiando para não fazer nada idiota já que o amor da minha vida estava sentado na minha frente.
Assim que o sinal tocou, nos quatro saímos da sala juntos. Alya me lançava um olhar sugestivo e eu sentia minhas bochechas queimarem.
Quando chegamos no corredor vi Kim, amigo de Adrien e jogador do time de futebol, zoando Peter Parker. Um garoto que os populares consideram perdedor, assim como me consideravam também.
— Aí cara, deixa ele. — Adrien colocou a mão no braço de Kim.
— Tá defendendo o Parker molenga porquê? Ele é seu amigo agora?
— Só para com isso que não é legal. — Kim puxou o braço de volta bruscamente e encarou Adrien de frente.
— E quem é você para me dar ordens? — ele empurrou Adrien, porém o mesmo não fez nada. A essa altura a multidão já se formava.
— Ele não vai fazer nada? — Alya comentou baixinho.
— Se um jogador agride o outro, ele tá fora dos jogos. — Nino respondeu — No caso de Kim, fazem vista grossa com medo de apanhar dele. — fuzilei o garoto com o olhar. Acho que está na hora de alguém dar uma lição nele.
— Não vai fazer nada, Agreste? — empurrou ele novamente. — Hein? — antes que empurrasse Adrien novamente, eu segurei a gola do casaco dele e o joguei contra os armários, deixando todos boquiabertos.
— A próxima vez que eu ver você batendo em alguém, juro que enfio sua cabeça na privada. — ele riu.
— Acha que consegue? — bati ele contra os armários novamente.
— Quer apostar? — ele me olhou com pavor depois de eu ter falado num tom completamente sinistro. Soltei Kim, então ele colocou as mãos nos bolsos e saiu andando bravo. — O que estão olhando? — a multidão que havia na volta começou a se dispersar.
— Marinette do céu, sabia que você tinha entrado em uma gangue. — Alya brincou e começou a rir.
— Arrasou garota! — Nino estendeu a mão e eu bati, ficando um pouco envergonhada assim que caiu a ficha do que eu havia feito.
— Obrigado! — Adrien falou e eu apenas olhei para ele e congelei — Sabe, eu não podia fazer nada, se não estaria fora do campeonato.
— Tudo bem. — comemorei internamente por não ter gaguejado.
— Espera aí, o que aconteceu? — ele perguntou e tocou de leve minha bochecha onde estava o roxo. Senti inúmeros choques percorrerem o meu corpo quando ele fez isso.
— Ela caiu enquanto fotografava a Spiderbug lutando contra o Homem-Areia. — Alya respondeu por mim ao notar que eu estava paralisada demais para o fazer. — Vamos indo pessoal. — Alya deu a mão para Nino e eles foram caminhando.
— Ãhn, Marinette? — ouvi alguém me chamar e virei na direção da pessoa, me deparando com Peter. — Obrigado por me defender. Você foi muito corajosa! — ele sorriu e ajeitou os óculos.
— De nada, Peter. — sorri de volta.
— Aliás, queria te perguntar uma coisa.
— O que é?
— O que acha de ser a minha dupla no projeto de física? — eu abri a boca para responder, porém alguém foi mais rápido.
— Marinette já é a minha dupla. — pera, era a voz de Adrien ou era só minha cabeça confundindo a realidade com minhas fantasias malucas? — Foi mal! — certo, era mesmo a voz de Adrien.
— Ah, tudo bem. Quem sabe na próxima.
— É. — sorri amigável enquanto ele ia embora. Então lembrei que não tinha combinado de fazer o projeto de física com Adrien.
— Desculpe por isso, mas eu estava querendo te perguntar a mesma coisa. — o loiro falou, justificando o que havia acabado de fazer — É que eu sou ruim em física, então preciso de ajuda. — é claro, tava bom demais para ser verdade. Ele não ia me escolher apenas por causa do meu charme inexistente. — Tudo bem pra você?
— Aham. — respondi meio tristonha.
— Então amanhã combinamos tudo e tal. A gente se vê por aí, Mari. Até! — ele deu um soquinho no meu ombro e saiu.
— Até. — fiquei ali imóvel vendo ele desaparecer no corredor.
Acho que só sirvo pra isso mesmo, ajudar as pessoas. Enquanto todos seguiam para a frente, eu continuava no mesmo lugar. Será que ninguém nunca vai olhar para mim de outro jeito? Voltando ao princípio sobre me faltar sorte, acho que é isso mesmo.
Minha vida é complicada, mas não pelo meu lado Spiderbug, e sim pelo meu lado Marinette mesmo.
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