The Amazing Spiderbug
6 A Lâmina Negra
Notas iniciais

Existem momentos na vida que as coisas estão ruins e tendem a piorar. Isso é exatamente o que acontece comigo.
— Sei que você não gosta de injustiças, mas brigar na escola é muito feio, minha filha. — escorei a cabeça na mão olhando a paisagem do vidro do carro, enquanto minha mãe me dava uma lição de moral à caminho da escola. — E tem mais, eu não posso ficar faltando ao serviço. — suspirei.
— Desculpe mãe. — foi a vez dela de suspirar.
— Tudo bem, só me prometa que não vai fazer de novo.
— Vou tentar.
*****
— O que acha de começarmos o projeto de física hoje à tarde? — Adrien chegou ao meu lado enquanto eu retirava os livros do armário, me dando um susto.
— Pode ser. — respondi baixo.
— Ei, o que aconteceu? — perguntou ao notar minha tristeza aparente.
— Nada... Nada demais. — fechei o armário e fui andando em direção à sala de aula.
— Tem certeza? Porque se quiser falar, pode contar comigo. — aquelas palavras mexeram comigo. Mas eu estava confusa demais para pensar algo à respeito disso. Então apenas assenti e sentei no meu lugar de sempre.
— O que sua mãe falou? — Alya disparou assim que eu sentei.
— Que não era pra eu fazer de novo e blá blá. Mas o pior não é isso, o problema é que ela teve que faltar no trabalho e isso vai ser descontado do salário dela. — bati a testa contra a mesa.
— Ai amiga, sinto muito. — senti a mão dela pousar no meu ombro. — Sabe que se precisar de ajuda tanto emocional quanto financeira, eu estarei aqui. — levantei a cabeça e sorri.
— Muito obrigada, Alya. Sabe, acho que posso tentar pedir um aumento ao senhor Jameson.
— Aquele pão-duro nada simpático? — ela cruzou os braços e eu sorri forçadamente.
— Não custa tentar, não é mesmo?
*****
Rindo. Rindo da minha cara, é isso J. Jonah Jameson está fazendo agora, literalmente.
— Aumento? Isso é sério?
— Sim senhor Jameson, eu estou precisando de dinheiro e...
— Não é problema meu, agora cai fora! — berrou.
— Sem problemas, o senhor não vai querer essas novas fotos da Spiderbug mesmo. — falei virando as costas.
— Espere um pouco Cheng! Volte aqui.
— Sim senhor? — me virei com cara de inocente.
— Deixe-me ver as fotos. — peguei o envelope na bolsa e mostrei a ele — Certo. Vou te pagar o mesmo de sempre.
— Bem, talvez algum jornal concorrente pague mais e...
— Tá bom! Tá bom! — ele bufou e anotou algo em um papel — Pegue o pagamento com Bridgette e suma daqui. — sorri e parei em frente a mesa da secretária.
— Nossa! Me diz como você conseguiu um aumento porque preciso usar essa técnica. — ela brincou.
— Nem pense nisso! — ouvimos o grito de Jameson e rimos.
—Aqui está. Faça bom proveito.
— Obrigada Bridgette. Bom trabalho. — peguei o envelope e saí correndo do prédio. Tinha alguns minutos antes de fazer o trabalho com Adrien, então eu iria andando mesmo.
Foi uma péssima ideia.
Darkblade estava roubando um banco. Mereço.
Entrei em um beco qualquer, joguei minhas coisas na parede e prendi com as teias. Em seguida, já trajada, escalei o prédio, prendi a câmera na parede e desci novamente, parando na frente do vilão.
— Droga! — ele exclamou e em seguida tirou lâminas do seu sobretudo e jogou na minha direção. Desviei de todas e parti para cima dele inciando uma luta corpo a corpo.
Pulei para o lado assim que ele tentou acertar uma lâmina em mim. Continuei desviando até que ele conseguiu cortar meu braço.
— Aí, esse uniforme era novo! — reclamei. Lancei a teia e saltei na parede, ficando grudada nela.
— Não se preocupe, Spiderbug. Em breve não precisará se preocupar com esse pequeno rasgo, pois o traje estará sujo demais com seu sangue. — o vilão abriu o sobre tudo e jogou inúmeras lâminas na minha direção. Desviei de várias, mas algumas pegaram de raspão no meu braço e eu caí no chão.
Darkblade sorriu maldoso e puxou uma lâmina maior. Porém quando estava prestes a atirar, algo atingiu a lâmina e a derrubou na minha frente.
— Você não lutou com nobreza, meu amigo. — lá estava ele, Chatpool. Não faço a mínima ideia de como ele me encontra. Talvez seja pela atualização do blog da Alya, ou coisa do tipo, mas só sei que quase sempre ele está onde eu estou. E as vezes isso é bom.
— Não, não. Hawk Moth não gosta de imprevistos. — o vilão reclamou baixo.
— Pera, quem? — questionei.
— Não te interessa! — ele abriu seu sobretudo e puxou mais lâminas. Respirei fundo e levantei.
— Lá vamos nós de novo!
*****
O bom do verão em Nova York é que ele não é tão intenso. Mas continua sendo época de você usar roupas mais curtas e tudo mais. É uma pena eu não poder fazer isso por algum tempo. Obrigada Darkblade e suas malditas lâminas.
— Tá com frio, Mari? — Alya questionou assim que me viu sentar.
— Não, eu só saí atrasada e não encontrei nenhuma blusa de mangas curtas.
— Se quiser posso te emprestar uma que tenho no meu armário. — minha amiga é uma fofa, mas infelizmente terei que negar sua oferta generosa.
— Não precisa, me deu um pouco de frio agora. — sorri forçadamente. Quando Adrien entrou na sala de aula, bati minha mão na testa. Com a função da luta contra Darkblade, havia esquecido completamente do projeto de física. — Antes que me mate, eu não fui pois eu tive que fazer uma coisa importante. — disparei assim que ele sentou na minha frente.
— Sem problemas, eu também tive um compromisso e ia ter que adiar o projeto de qualquer forma. — ele sorriu amigável, fazendo com que eu ficasse com calor e não era por causa da blusa de mangas compridas que eu usava. — Hoje a tarde então? — assenti.
Durante a aula fiquei comemorando internamente por ter conseguido falar igual gente com Adrien. No entanto, ainda estava um pouco triste por gostar tanto dele, mesmo sabendo que não é recíproco.
Também fiquei pensando sobre o que Darkblade tinha dito. Quem diabos era Hawk Moth?
No intervalo Adrien e Nino foram falar com o professor de biologia, já que o namorado da minha amiga precisava aumentar sua nota na matéria e o loiro dos meus sonhos havia se oferecido para ajudá-lo. Então, eu e Alya ficamos conversando num canto isolado do pátio.
— A verdade é que ele só queria a minha inteligência. — me lamentei sobre o fato de Adrien querer fazer o trabalho comigo somente por eu ser boa na matéria que ele dizia ser ruim. — Não acredito que cheguei a achar que ele pudesse estar começando a me notar, ou até gostar de mim.
— De onde você tirou isso?
— O Peter queria fazer o trabalho comigo, mas o Adrien disse que eu seria a dupla dele e tal. Depois ele me falou que era ruim em física e deu um soquinho super amigável no meu ombro e....
— Pode parando! — Alya me interrompeu enquanto balançava as mãos — O que você disse?
— Que ele me deu um soquinho super amigável no ombro.
— Antes disso.
— Que o Peter queria fazer o trabalho comigo, mas...
— Não isso! Sobre ele ser ruim em física.
— Ah sim, ele me disse que era ruim em física e precisava de ajuda. Por isso ele queria fazer o trabalho comigo. O que tem isso? — Alya começou a rir, me deixando completamente confusa. — Tá legal, você tá me dando medo!
— Marinette, Marinette. As vezes sua inocência me mata! — ela bateu na própria coxa e riu.
— Vai me explicar o motivo de você estar rindo como uma hiena ou só vai continuar rindo como uma hiena? — sim, disse hiena duas vezes para dar ênfase.
— Adrien Agreste? Ruim em física? Acha mesmo que isso é verdade?
— O quê? Mas foi ele quem disse.
— Amiga, na última prova de física ele tirou A+.
— Ué, mas se ele não está fazendo isso porque é ruim em física...
— Quer dizer que ele quer passar um tempo com você. — Wow! Definitivamente eu estava sem reação.
Agora a ficha, o queixo e até o forninho caiu.
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