The Amazing Spiderbug
7 Quem é Tikki?
Notas iniciais

Sabe quando o amor da sua vida vem na sua direção e tudo parece mais bonito? Aquele friozinho na barriga que te faz querer sair correndo e gritando o quanto ama a pessoa?
— Marinette! — Alya estalou os dedos na minha frente. — Caramba, o Adrien tá vindo. Para de babar por um instante.
— Eu não estava babando. — ela riu. Logo sinto algo gelado cair sobre mim.
— Ops! — ouvi a risada de Chloé e senti meu sangue ferver. A loira mimada havia derrubado seu suco em cima de mim.
— Você não fez isso! — Alya ficou de pé e colocou as mãos na cintura. Chloé apenas riu maléfica — Ah é, eu tava mesmo querendo dar uma surra em alguém. — minha amiga começou a dobrar as mangas e depois colocou as mãos na orelha — Marinette, segura meus brincos.
— Não faz nada Alya! Deixa pra lá. — mais brigas era a última coisa da qual eu precisava.
— Isso, fuja dos desafios como sempre, Cheng. — Chloé chegou mais perto de mim — Eu avisei pra se afastar do Adrien.
— Marinette, tem certeza que eu não posso voar no pescoço dessa vaca?
— Deixa comigo, Alya. — falei baixo — Hum, isso é suco de laranja? — passei a língua pelos lábios — Como sabia que era meu favorito? — o pessoal que estava na volta começou a rir — Mas pelo gosto está sem açúcar. Realmente ia dizer que você está precisando emagrecer uns quilinhos. — novamente eles riram e Chloé ficou irritada.
— Como consegue fazer graça estando ridícula desse jeito? — a loira perguntou brava.
— A ridícula aqui é você, que mesmo tendo jogado seu suco em mim, não ganhou absolutamente nada. — rebati. — Além de, é claro, ter perdido o suco.
— Como assim? Você não tá brava?
— Claro que estou. Mas entre te dar uma bela surra e zoar com sua cara porque não conseguiu nada, eu prefiro zoar. Afinal se eu te der uma surra, vou derrubar o resto do suco que tem em mim, e eu estou guardando para mais tarde. — o pessoal riu de novo e Chloé saiu pisando forte.
— Só você mesmo para fazer graça com isso. — Alya veio me puxando e logo os alunos voltaram a circular novamente.
— Marinette Dupain-Cheng, você é a minha ídola! — Nino chegou ao nosso lado com Adrien, enquanto ria. — Deixou a Chloé totalmente brava.
— É, eu que to suja de suco e ela que tá estressada. Parece que o jogo virou, não é mesmo?— ele riu mais ainda.
— Vem, vamos trocar essa blusa.
— Alya, você não tem nenhuma blusa de mangas compridas? — falei parando ela.
— Hum, acho que não. Mas é só até você ir pra casa. Não vai morrer de frio.
— Acontece que eu estou com frio. — falei. Não podia vestir algo que mostrasse os cortes nos meus braços, pois certamente Alya perguntaria e eu teria que inventar uma desculpa esfarrapada como das outras vezes. Só que dessa vez, não tenho certeza que ela cairia.
— Mas o que você vai vestir então?
— Eu acho que tenho uma blusa mais quente no meu armário, se você quiser posso te emprestar ela. — Adrien falou e meu corpo entrou em combustão só de pensar que a roupa dele estaria em mim.
— P-Pode ser. — Alya e Nino começaram a se cutucar entre si. Minha vontade era de dar um belo peteleco na cabeça dos dois, mas eu estava ocupada demais paralisada.
— Eu e Nino vamos comer algo, você pode acompanhar a Marinette, não é?
— Claro, vamos lá. — ele sorriu e gesticulou para irmos. Olhei a última vez para Alya que piscou e mexeu os lábios dizendo um "Vai nessa". — Você está doente? — neguei com a cabeça — Então porque está com frio num dia quente?
— Coisa de mulher. — arrumei uma desculpa o quanto antes. Depois quis me jogar da ponte por ter dito isso.
— Ah, entendi. — ele riu. Chegamos no armário dele e ele logo me entregou uma blusa vermelha de mangas compridas, que por sinal era muito linda. — É da coleção do meu pai. — disse ao ver que eu analisava a peça.
— Sério? — ele assentiu. Adrien era filho do melhor estilista do país, Gabriel Agreste. Simplesmente amo as criações dele, porém nunca pude comprar nenhuma. Só de pensar que eu estava tocando em uma roupa da linha dele e que a usaria, me fazia querer gritar de felicidade. — Tem certeza que eu posso usar?
— E porque não poderia?
— Ah, sei lá. É uma blusa cara, e eu sou bem desastrada, posso acabar sujando ela.
— Não tem problema, se quiser pode até ficar com ela. Tem várias dessas e uma não me faria falta. — ele riu novamente e eu quase desmaiei.
— V-Vou me trocar.
— Tá bem, eu te espero aqui e depois a gente vai encontrar o Nino e a Alya. — assenti e entrei o mais rápido possível no banheiro. Acho que estou ficando sem ar.
Me sequei e troquei de roupa o mais rápido possível para ele não achar que aproveitei para fazer o número dois e logo saí.
— Voltei. — ele parou de mexer no celular, me olhou e sorriu.
— Ei, ficou ótima em você! — morri de vez.
— Obrigada. — corei.
— De nada. Alya e Nino estão nos esperando para comer. Vamos? — assenti e fomos caminhando lado a lado em silêncio. — Ué, onde eles estão? — os nossos olhos percorreram todas as mesas, mas nenhum sinal daqueles malucos. Adrien olhou o telefone e parecia ler algo — Nino mandou uma mensagem dizendo que saiu para tomar sorvete com a Alya.
— Ah! — só podia ser um tipo de armação daqueles dois.
— Bem, eu vou ficar aqui e almoçar. Se você quiser ir com eles, posso te acompanhar.
— Na verdade eu gostaria de almoçar aqui também. — falei meio baixo e ele sorriu.
Seguimos quietos para a fila e depois de pegar o almoço nos dirigimos para uma mesa qualquer.
— Tudo certo para hoje à tarde, né? — assenti.
— Oi Adrien, tudo bem com você? — Chloé Bourgeois se aproximou de nós e me lançou um olhar de superioridade.
— Tudo sim, e com você?
— Tudo ótimo! Mas então, eu preciso de ajuda na prova de história e queria saber, será que você pode me ajudar a estudar hoje à tarde?
— Hoje não dá. Eu combinei de fazer o projeto de física com a Marinette. — toma essa Chloé!
— É que a prova já é amanhã. — ela choramingou.
— Que peninha! — murmurei.
— Fica na sua!
— Abaixa o tom pra falar comigo, sua ridícula! — falei brava e a carranca dela se transformou em uma cara de tristeza.
— Já vi que não sou querida por aqui. — ela fingiu um choro e saiu dali. Ri da encenação e voltei minha atenção para Adrien que me encarava sério.
— Sei que ela não é um exemplo de pessoa, mas não precisava tratar ela assim. — Oi? Alguém me explica o que está acontecendo aqui?
— Ela é uma pessoa horrível. Faria mesma coisa com qualquer um. — expliquei.
— É, mas não pensei que você faria igual a ela. — ele ficou de pé e levou a bandeja — Faremos o projeto outro dia, hoje eu vou ajudar a Chloé na prova. Com licença. — pisquei várias vezes, assimilando o enorme tapa na cara que eu havia levado agora. Será que fiz mal em distratar a Chloé?
Só sei que se tinha alguma chance de Adrien estar gostado de mim, ela se foi no momento que ele levantou e saiu.
Mandei uma mensagem para Alya, dizendo que estava passando mal e falei a mesma coisa para o diretor. Só queria ir para casa ou bater em alguns bandidos para descontrair.
*****
Deitei na cama e notei que ainda estava com a camisa que Adrien tinha me emprestado. Meu peito apertou só de lembrar que ele brigou comigo por causa da Chloé. Que ótimo!
Meu dia estava indo de mau a pior. Minha mãe disse que teria que cortar minha mesada pois a geladeira havia quebrado e ela foi forçada a comprar uma nova. Não que eu me importe exatamente com o fato de não ganhar mesada, mas acontece que esse dinheiro eu uso para comprar meus equipamentos de Spiderbug.
Entrei no blog de Alya e vi que havia um roubo em andamento, então corri para me vestir e saí rapidamente pela janela.
Cheguei no centro de pesquisas e entrei pelo telhado, encontrando Dr. Octopus roubando algo.
— Ué, mas eu já não tinha prendido você?
— Acontece que um gênio como eu sempre dará um jeito de escapar. — revirei os olhos e parti para cima dele. Nós começamos a brigar e eu consegui pegar o frasco com o conteúdo roubado. Porém ele bateu na minha mão com seus braços robóticos e o negócio voou para fora do nosso campo de visão. Espero que não tenha quebrado, porque eu não vou pagar por isso. — Onde está? — ele começou a procurar, então eu aproveitei o momento de distração dele e o prendi com as teias.
— Parece que eu te prendi de novo.
— Maldição! Estava em minhas mãos! — saí dali o mais rápido possível e fui direto ao Clarim Diário, vender as minhas fotos.
— Escute Cheng, vou ter que te dar metade do que eu dava.
— Ué, mas porque? Você tinha me dado um aumento!
— Acontece que estamos num tempo de crise, então é pegar ou largar. — Jameson entrelaçou os dedos e me encarou.
— Vou oferecer a outros jornais, então. — ameacei.
— A essa hora a edição de todos já está fechada. — Touché!
— Tá, fica com elas e me dá metade mesmo. — quando você acha que o negócio tá ruim, a vida da um jeito de deixar pior.
Assim que cheguei em casa me deitei na cama e fiquei pensando o quanto meu dia estava ruim. Só de pensar que a Chloé fez Adrien brigar comigo e que Jameson deu um jeito de me pagar menos, me deixa com muita raiva.
Eu ainda estava com a roupa de Spiderbug, porém sem a máscara. Então levantei, parei na frente do espelho e fiquei me olhando. Entretanto, logo minha atenção foi desviada para um negócio vermelho com bolinhas pretas que tomava conta do meu traje, como se tivesse jogado tinta ou algo do tipo e ela estivesse se espalhando. Como eu só notei isso agora? E aliás, de onde isso veio?
— O que é isso? — até a máscara que estava em minhas mãos aderiu a estampa. Assustada, cambaleei para trás e bati de costas na penteadeira. Fui pra frente novamente, escorreguei e caí na cama. Fechei os olhos e quando os abri, estava em um lugar cinza, escuro e vazio. — Olá? — de repente uma criaturinha vermelha aparece na minha frente.
— Olá, eu sou a Tikki.
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