Thats ̶r̶o̶c̶k̶ love, bitch!

9 Capítulo 9 - Clareando a história - pt. 2


Sábado, 02:38 p.m

Fiquei na pracinha por mais de meia hora e nada de Alexy aparecer, decidi voltar pra casa. Deitei na cama e fiquei pensando em tudo o que havia acontecido em uma semana de aula. Pensei em Lysandre e Castiel. Tudo o que me ocorreu os envolvia. Não estava nos meus planos esse tipo de coisa: nem me envolver com um rapaz (muito menos dois), e nem ser a Senhorita Sherlock Holmes. Eu vim pra cá com uma coisa em mente, e não, não era meu intuito vir pra cá para me matricular em uma boa escola. Fiz isso para minha mãe, e também aproveitei para usar como desculpa. Outra coisa que não estava nos meus planos era a chegada de Weyne, mas até que ele é uma boa companhia. Bom... no momento ele está estirado no sofá, babando e roncando feito um trator encalhado na lama, mas tudo bem...

– Gweeeeeeeeeen!– Ouvi um grito do lado de fora da minha janela, parecia a voz de Kentin. Vi Weyne dando um pulo de susto do sofá, gargalhei. Fui até a porta.

– Que que é, Ken?!– Abri a porta e lá estava ele, com um sorrisão no rosto e um pacote de bolachas nas mãos.

– Quer bolacha?– Ele ainda estava sorrindo, parecia querer alguma coisa, estava simpático demais.

– O que você quer?

– Eu... Eu...

– Desembucha, meu filho!

– Preciso de sua ajuda...– Ele abaixou a cabeça.

– Em que?

– Estou cansado de ser zoado por todo mundo. De ser o fraco, o esquisito, o sem graça... E eu queria tanto que ela me notasse...– Ele continuava com a cabeça abaixada.

– Violette?

– Sim! Violette...– Vi coraçõezinhos aparecendo sobre a cabeça do garoto, que abriu um sorrisinho apaixonado assim que tocou no nome dela. Dei-lhe um tapa em sua cara.– Por que fez isso???

– Vire homem, moleque! Como você quer ser macho se fica com esse mimimi todo só de falar numa mina?– Ele engoliu seco.– Vem cá... você já experimentou coçar o saco? Eu só vejo você de bixisse por aí. Tu já tocou uma punheta?– Ele ficou corado na hora, resolvi parar.– Enfim... se quer minha ajuda, não deixe a responsa toda pra mim. Terá que se ajudar.

– Você vai me ajudar??

– Vou, mané! Entra aí que daqui a pouco você vai fazer uns exercícios.

– Exercícios???

– Você quer continuar todo frango ou quer minha ajuda?– Ele respirou fundo e balançou a cabeça, baguncei o cabelo dele. Até que eu gosto do garoto, é bem inocente pra um moleque de 17 anos, muito bobinho e medroso... Tem muito o que aprender.

05:22 p.m

Fiquei por mais ou menos duas horas na pracinha com Kentin. Exigi uma série de abdominais e exercícios físicos do garoto. Vamos fazer isso durante toda a semana, com a ajuda da irmã dele, Melody. Assim que ele foi embora, decidi ficar um pouco lá sozinha, pensando. Tinha questões financeiras para resolver. Vim para França com uma certa quantia de dinheiro considerável, mas não tenho tempo definido para ficar aqui, ou seja, preciso de um emprego. Acendi um cigarro, e continuei ali, pensando sobre isso. Alguém sentou ao meu lado:

– Oi Gwen...

– Lys? Que cara é essa?– Olhei para baixo e vi Lysandre, um pouco abatido. Imagino que deve ser sobre Castiel, mas não curta nada perguntar.

– Estou com alguns problemas...

– Problemas esses relacionados à Castiel?– Sentei-me do seu lado, já que estava sobre o encosto do banco, como o de costume. O encarei fixamente, esperando uma resposta clara e sincera.

– Já deve saber, né?– Suspirou.– Olha, Gwen... Eu não queria que soubesse para não ter problemas em sua cabeça. Não quero te preocupar.

– Lysandre...–Respirei fundo e pensei ligeiramente, era a hora de por as cartas na mesa.– Eu estou envolvida nisso desde segunda-feira. Não que eu esteja envolvida, mas eu já estou ciente do que está acontecendo desde aquele dia. O mesmo dia em que você me prensou naquela rua escura por ter me visto observar o Castiel espancando um maluco no beco.

– Tal maluco... era meu irmão.– Arregalei os olhos. Então Lysandre está mesmo por trás de tudo isso?

– Leigh?

– É!– Ele abaixou a cabeça e suspirou fundo e lento.– Olha... É uma longa história, Gwen.

– Temos o tempo que precisar.

– Tudo bem...– Ele ajeitou-se, e respirou fundo. Deu sua versão:–No início do ano passado, descobri que tenho um irmão paterno, não que eu já não soubesse, eu fazia ideia por histórias contadas por minha mãe, mas eu não dava a mínima. Mas, em junho, ele resolveu fazer contato comigo, pois viria pra França visitar meu pai -já divorciado de minha mãe- e queria me conhecer. Eu não recusei, não vejo problema nisso, muito pelo contrário, eu poderia conhecer meu irmão e quem sabe, fazer um amigo. Ele veio pra cá em fevereiro, e eu o conheci em maio. Mal comentei com Castiel sobre isso, não via importância. Castiel é um pouco rude quando o assunto é família, pois ele não tem muito contato com a dele. Bom... Leigh arranjou um emprego pra se sustentar por uns tempos aqui, iria ficar até janeiro desse ano, mas precisava de um lugar pra ficar e de dinheiro para sobreviver sem precisar da ajuda dos outros, então ele arranjou um bico como segurança numa boate que acabara de inaugurar num bairro nobre. E sabendo que eu tinha uma banda com meu melhor amigo, ele deu um jeito de convencer o dono da boate à nos deixar apresentar lá, para a inauguração da boate e também para a divulgação da banda. Ele fez isso na melhor das intenções. Para me agradar. Para provar que só queria a amizade de um irmão que há alguns meses atrás ele nem fazia ideia que existia. Mas o que ele não sabia era que Louis, o dono da boate, era um cara perigoso. E como houve um "pequeno" ocorrido...

– Que ocorrido?– O interrompi me fazendo de quem não sabia, com a melhor cara de dúvida possível.

– Houve um incêndio. Não foi nossa culpa, não sabemos de onde veio. Mas Castiel acha que foi Leigh que armou isso pra gente... Louis não largava do nosso pé pois queria o dinheiro do show de volta. Apenas quinhentas pilas. Mas saímos perdendo assim como ele. Perdemos equipamento, e quase perdemos nosso bateirista.– Ele riu baixo.– Não é engraçado... Enfim, Castiel não quis devolver o dinheiro, mas mal sabe ele que Louis sequestrou Leigh, o deixando por três dias inteiros trancado em um cômodo vazio de sua casa.– Arregalei os olhos, disso eu não sabia.

– E por que não entregou o jogo para Castiel?

– Eu o conheço há quinze anos, o conheço bem para dizer que ele sairia morto dessa história por ir acertar as contas com Louis. Então resolvi fechar o bico e não contei em momento algum que Leigh era meu irmão.

– Certo... Continue.

– Aquele dia no beco, o cara que Castiel espancava era Leigh, como já sabe. Depois de conseguir tirar Leigh da casa de Louis, com ajuda de Armin, o baixista de nossa banda. E de Alexy também, que é filho de Louis... Pedi para Leigh ameaçar Castiel apenas para pegar o dinheiro que estava com ele aquele dia, de volta. Não era a intenção atirar na pata do Dragon ou enfurecer Castiel. Óbvio que ele ficaria enfurecido, mas, o tiro só piorou a situação. E já que ele não conhecia a face de Leigh, seria perfeito se o Leigh fosse tirar a grana dele. Fui eu sim quem te prensou na rua lá perto, para ter certeza de que você não seria nenhuma ameaça.– Lysandre olhou para baixo e sorriu.– Me desculpe por isso... Mas o bom de tudo isso, é que devolvemos o dinheiro. E o ruim é que Louis ainda está atrás de nós, mesmo com a grana em mãos. Ele não aceita o fato de Leigh ter escapado de sua casa. E prometeu mata-lo. E se não o achar, ele mata Castiel.

– Outro ponto ruim é não poder contar para ele, porque ele iria atrás do Louis e acabaria morto, certo?

– Certíssimo.– Suspirou.– Eu não sei o que fazer.

– Mas eu sei.