Thats ̶r̶o̶c̶k̶ love, bitch!
5 Capítulo 5 - Descobrindo um pouco mais
Quinta-Feira, 08:42 a.m
– Gwen! – Sentia alguém me cutucar, ainda inconsciente.– Gwen!– Fui chacoalhada, as pessoas devem sentir um prazer imenso ao fazerem isso.
– Hein?– Abri os olhos e levantei a cabeça.
– Agora é aula de educação física, se dormir vai ficar trancada aqui na sala.– Era Ken me acordando, pra variar.
– Ah... valeu, Ken. Dormi tarde essa noite.
– A noite foi longa?– Ele riu e passou pela porta, fui indo atrás.
– Foi...– Respondi sua pergunta para mim mesma, refletindo sobre a noite passada.
Ele já estava no final do corredor, correndo para alcançar a turma que estava chegando na quadra. Não me preocupei em chegar cedo, tranquei a porta da sala e com sono, suspirei e me preparei psicologicamente para os exercícios que faria brevemente.
– Ei!– Alguém se esbarrou em mim e derrubou meu celular no chão, e então vi que era Castiel, que passou reto me ignorando. Fui atrás.– O que aconteceu ontem... Eu...
– Não precisa me lembrar do que aconteceu. Só finja que nunca aconteceu.– Curto e grosso. Pegou um maço de cigarros de seu bolso e entrou no banheiro masculino. Talvez eu já esperasse uma reação parecida. Balancei a cabeça e fui para a quadra. Era a quadra do campo, haviam algumas líderes de torcidas e uns caras jogando bola, exceto Kentin, que estava sentado na arquibancada vazia. Observando as garotas ensaiando. Sentei-me ao seu lado.
– E aí, Ken.
– Hã? Ah... você chegou, Gwen...
– Distraído com o jogo?– Sabia que o motivo não era esse, mas quis ser discreta.
– É... Um pouco...– Suspirou.
– Por que ela não faz parte das dançarinas de barrigas lisinhas?– (HAHAHA, "quis ser discreta"...) Me referia a Violette, que era o motivo da distração do garoto. Ela estava sentada há alguns degraus abaixo de nós, com uma caderneta na mão enquanto assistia as garotas dançarem.
– Ela é muito tímida...– Ele continuava com os olhos pregados nela, que nem se dava conta.– E a Ambre nem deixaria ela fazer parte mesmo...
– Ambre? A irmã do Nathaniel?
– Sim. Ela é A líder da torcida. E outra... Violette cuida dos detalhes.
– Sabe bastante sobre ela, hein?!– Ele respondeu balançando a cabeça positivamente, e com um suspiro. Vive uma paixão que passa despercebida a tempos, pelo que notei. Sinto pena dele, já passei por isso. Suspirei.– Por que não fala com ela? Aproveite que ela tá sozinha, vai lá.
– O-o quê? E-eu não...– Gaguejava feito um gago desesperado.– Eu não sei como!
– Eu chamo ela aqui.– Desci os degraus e fui em direção da garota, sem deixar Kentin se pronunciar. A cutuquei e disse que ele queria falar com ela, que olhou pra trás antes de abrir um sorrisinho. Me direcionei até o gramado perto da quadra onde os meninos da minha classe jogavam futebol, deixando Ken e Violette sozinhos. Acendi um cigarro. Uns dez minutos se passaram, e os garotos, todos soados, foram ao vestiário tomar banho. Exceto Lysandre, que se sentou ao meu lado, exageradamente soado e com a camisa do uniforme do time enrolada sobre o ombro. Notei uma grande tatuagem de asas em suas costas, ri baixo. Coincidência, será?! Resolvi não comentar.
– Ganhamos.– Disse ofegante e com um sorriso que ia de orelha á orelha.
– Nem notei.– O olhei e tentei conter o sorriso, ele riu.
– Vou tomar um banho, aposto que tem nojo de um cara nesse estado que estou.– Ele disse se levantando, soltei uma gargalhada alta.
– Eu era moleca, fui criada no meio de sete homens, e era a que voltava mais nojenta o possível pra casa. Acha mesmo que tenho nojo de suor?– Ele me olhou ainda sorrindo, um pouco surpreso.
– Ah! É que eu não esperava que uma patricinha como você pudesse ser tão... diferente.– Ele fez de propósito me chamando de patricinha. Pra provocar.
– Patricinha??!– Me levantei e ri, com cara de quem não gostou da brincadeira, mas ao mesmo tempo não levou á serio.
– Sim. Vai se candidatar á Ambre do ano, patricinha??– Ele disse rindo, eu ri junto, e dei uma série de socos em seu ombro.
– Atrapalho a brincadeira?– Castiel aparece nos interrompendo, instantaneamente, engoli seco. Minha feição se alterou bruscamente em questão de segundos. Segundos não, milésimos.
– Não, Cast. O que houve?– Lysandre o olha com cara de preocupado. Castiel estava com cara de poucos amigos, parecia que já sabia o que tinha rolado entre eu e Lysandre, e que Lysandre nem fazia idéia do que havia acontecido nessa madrugada. Ou talvez fosse só coisa da minha cabeça. Mas eu estava começando a ficar receosa.
– Preciso falar com você.– Castiel que falava olhando para Lysandre, voltou seu olhar pra mim e me secou friamente.– Sem ela.– O olhei com desconfiança. Ele entendeu o que quis dizer. Por que me tratava tão mal depois do que aconteceu? Não que eu quisesse que fosse tudo muito fofo e blá blá blá, mas, eu não achava que ele ficaria tão revoltado assim. Talvez seja pelo mesmo motivo da minha hipótese anterior: ele já estava sabendo sobre o que ocorreu comigo e Lysandre. Seria assim, ciúme? Mas não existiam motivos para ele estar enciumado, Castiel não é esse tipo de cara, pelo que sei.
Eles foram para o vestiário, e eu então, não ia ficar com cara de idiota me torturando para tentar entender o que se passava, fui atrás deles. O restante dos caras já haviam saído do vestiário, me deixando mais segura por entrar lá. Me escondi atrás da porta principal que era formada por uma divisória do vestiário, onde eles estava bem atrás. Não peguei a conversa do início, mas podia ouvir tudo perfeitamente.
– Mas Cast, o Louis o jurou matar você!– Lysandre dizia em um tom de voz meio desesperado. Eu podia enxerga-los por uma fresta das divisórias da entrada, ele estava apenas com uma toalha amarrada na cintura (mas isso era só um detalhe que não pude deixar de perceber), e aparentava estar aflito, enquanto Castiel parecia despreocupado, encostado na pia. Aquilo me lembrava algo...
– Ele não vai me matar, Lysandre... Deixe de ser ingênuo! Um dos caras dele já pegou o dinheiro! Além de atirar na pata do Dragon...– Dragon! Eu sabia que o chaveiro tinha alguma coisa a ver com aquela história toda. Além de ter um "WS" marcado atrás: Winged Skull. A banda em que Castiel tem diversas camisas. Como não pensei nisso antes?!– A não ser que aquele maluco tenha pego o dinheiro e se mandado, e eu não duvido nada!
– Ele devolveu o dinheiro, Castiel! Pode acreditar em mim!
– Como pode confiar tanto num cara que nem conhece, Lysandre? O cara pode muito bem ter armado pra gente, ter pego o dinheiro e se mandado! Quinhentos contos pra um vagabundo é coisa pra caralho!
– Cale a boca!– Lys alterou o tom de voz, parecia estar ficando irritado, coisa qual era um pouco fora dos padrões de pessoa tranquila e paciente que era Lysandre.
– Por que dá tanta confiança? Quer me contar algo?– Lysandre permaneceu em silêncio por alguns segundos, levantou a cabeça e deu um longo, mas breve, suspiro.
– Eu só acho que devia começar a pensar positivo pelo menos uma vez, Castiel.
– Sei que tem algo á mais nessa história, Lysandre. E você sabe que eu ainda vou descobrir.– Castiel disse já se retirando de onde estava, vindo em direção da saída do vestiário, me vi pressionada à sair de lá.
– O que faz aqui?– Esbarrei com Nathaniel do lado de fora do vestiário, mas ainda no corredor masculino do local, fiquei muda por alguns segundos, até que vi Castiel saindo do banheiro.
– Ah! Castiel! Você deixou isso cair no gramado, lá fora!– Puxei o chaveiro que estava em um dos bolsos da minha jaqueta de couro preto, entregando-o para ele, que ficou sem reação. Nathaniel caiu na minha desculpa, e entrou no vestiário assim que eu me retirei dali.
Assim que estava passando da quadra para entrar na escola, Castiel segurou meu braço:
– Onde achou isto?
– Eu já disse, deixou cair aqui no gramado.– Ele riu sarcasticamente.
– Gwen, eu não vim pra cá com esse chaveiro hoje. Assim que peguei minhas chaves hoje cedo, notei que não estava nelas.
– Tudo bem. Eu digo: você deixou o chaveiro na minha casa essa madrugada.– Tentei novamente, essa seria minha última chance de convence-lo.
– E por que não disse antes?– Ele parecia convencido, mas não tão confiante daquilo.
– Por que mandou eu fingir que não tinha acontecido nada.– Ele murmurou, aposto que não esperava por essa.– Á propósito... o que houve com sua testa? Parece estar cortada...– Sorri ironicamente, ele retribuiu.
– Me machuquei ontem brincando com meu cão, e uma enfermeira mal posicionada ao seu cargo, tentou me ajudar, sem sucesso... por isso tá essa bosta aqui.– Disse devolvendo o sorriso, suspirei e entrei na escola, o ignorando. Não aceitaria ouvir cobranças de respostas, pois foi com ele que aprendi á agir dessa maneira.
Fale com o autor