Thats ̶r̶o̶c̶k̶ love, bitch!
2 Capítulo 2 - Conhecendo as pessoas
Segunda-Feira, 08:34 p.m.
– O que faz aqui?– Estava escuro, e alguém com um capuz estava me encurralando com os dois braços na parede. Uma voz fina, mas bem afinada e suave, sussurrou enquanto me encarava. Não respondi, apenas cerrei os olhos e com um breve desfeche de luz de um carro que acabara de passar ali me permitiu enxergar pouco do perfil de seu rosto. Acompanhei as linhas de seu maxilar com os olhos e o escutei murmurar zangado, indo embora com passos rápidos e ajeitando o capuz. Me deixando ali com um ponto de interrogação na cabeça. Mas eu não ia voltar pra casa sem saber o que estava acontecendo.
Assim que estava saindo, escutei um barulho vindo de umas latas de lixo ali perto, e um gemido de um animal que parecia estar machucado. Voltei para conferir, e me deparei com um pastor alemão com uma das patas muito machucada.
– Eu tinha certeza.– Pensei alto, enquanto estava ajoelhada segurando a pata do pastor. Chamei ele, que me seguiu mancando. Assim que cheguei no beco que havia passado antes, senti algo gelado encostar na minha cabeça.
– Passeando com o cachorrinho?
– Abaixe a arma.– Continuei olhando pra frente, sem encarar a pessoa que apontava uma 38 na minha cabeça. Sua voz era diferente da que eu tinha acabado de ouvir sussurrar na próxima rua. Dessa vez, era uma voz mais grossa. Rouca e provocante, qual já tinha escutado alguma vez antes. Assim que senti que ele estava abaixando a arma, fechei o punho e o levei na direção de seu rosto, que no mesmo instante, segurou meu braço.
– Ligeirinha você.– Disse segurando meu pulso, e em seguida eu me soltei bruscamente.
– Qual é a tua de colocar uma 38 na minha cabeça?!– Sim, era o ruivo, que estava aparentemente tão irritado quanto eu no momento.
– Um filho da puta atirou na pata do meu cachorro, e eu estou atrás dele. Vou atirar na "patinha" dele assim como ele atirou na do Dragon.– Disse enquanto olhou para seu cachorro, que estava ao meu lado. Em seguida, me encarou dos pés a cabeça e completou. – Engraçado... o que faz com ele?
– Então foi você quem estava espancando um cara aqui mesmo, há alguns instantes?
– Não desvie o assunto.
– Você quem está desviando.– O tom sarcástico de ambas partes chegava a ser provocante. Continuaríamos o assunto, se não tivéssemos sido interrompidos por um carro policial passando por ali. Fugimos cada um para seu lado, sem qualquer forma de despedida.
Terça-Feira, 06:02 a.m.
Acordei meio perdida. Havia levado esporros verbais de Weyne por ter me atrasado para chegar em casa, o deixando preocupado. Mas não conseguia me lembrar se tudo não passava de um sonho.
Assim que cheguei na escola, me sentei embaixo da mesma árvore propositalmente. Esperando a chegada do ruivo, qual eu ainda não sabia o nome.
– Qual é seu problema comigo?– Suspirou ligeiramente impaciente, e sentou-se ao meu lado.
– Como se chama?– Ignorei sua breve reclamação, e o encarei.
– Por que não sai daqui?– Disse e me encarou, seus olhos estavam vermelhos, aparentemente de cansaço.
– Estamos em um local público. Aliás. Não vejo seu nome aqui.– Ele abaixou a cabeça e riu baixo, olhou pra mim novamente.
– Castiel. Feliz agora?
– Nome de anjo.– Disse ironicamente, ri baixo e abri uma lata de coca-cola que havia em minha mochila, que estava entre minhas pernas. Antes de dar um gole, Castiel puxou de minha mão e fez o ato primeiro.– Pode começar explicando o que aconteceu ontem á noite.
– O que te interessa?
– A parte em que apontou um revólver na minha cabeça.
– Ficou com medo?
– Sou do Brooklyn.
– E eu de Nova Jersey.– Ele voltou a me encarar com um sorriso no canto dos lábios.– Continue. O que isso importa?
– Não tenho medo de um malandro como você, nem se estiver acompanhado de uma HK.
– Você é um perigo, Gwen.– Disse se levantando, me levantei em seguida.
– Como sabe meu nome?– O sinal bateu, e ele foi direto para a aula, me deixando falar sozinha.
Assim que o sinal do intervalo bateu, avistei Castiel pulando o muro da escola e indo embora, tomando o cuidado para que ninguém visse. Mas eu o pegarei de surpresa. Pulei o muro, indo atrás dele. Pode parecer perseguição, mas eu e minha curiosidade eramos maiores naquele momento. E meu medo estava abaixo de zero. Ele entrou no mesmo beco da noite passada, fiquei escondida de um local em que eu pudesse ver pouco, mas ouvir muito.
– Ou você devolve a grana do show, ou eu mato aquela porra que você chama de cachorro!
– Eu vou devolver o tiro que você deu nele! – Vi Castiel tirando a arma de sua cintura, mas um garoto apareceu no mesmo momento para interromper.
– Cast! Relaxa!– Ele continuou com a arma apontada para o cara, enquanto um outro com cabelos brancos se aproximava com um envelope em mãos.– Aqui está seu dinheiro. Agora suma daqui antes que eu mude de ideia.– Ele foi embora com o dinheiro, Castiel encarou o cara de cabelos lisos e brancos.
– Eu devia matar aquele otário.
– Estávamos devendo essa pra ele, Castiel. Largue isso aí e vamos embora.– Ele jogou o revólver no chão, e acompanhado de seu amigo, acendeu um cigarro e foi embora do local. Assim que estavam distantes, fui até o local do acontecido, e peguei o revólver, colocando-o na minha cintura. Resolvi ir pra casa ao invés de voltar a escola armada.
Chegando em casa, joguei o revólver sobre a mesa e me deitei na cama. Fiquei pensando sobre que show eles haviam falado, e que dinheiro era aquele que estava em jogo. Fui interrompida por Weyne.
– Achei que tinha saído dessa vida, White.– Disse analisando o revólver em mãos.
– Solta essa porra aí, Weyne.
– Primeiro reprova na escola, e então chega tarde em casa, depois cabula aula no seu segundo dia, e agora aparece com uma arma em casa?– Ele senta-se na cama ao meu lado.– Achava que estava vindo a França para mudar de vida, não?
– Cala a boca, moleque. Você nem sabe o que aconteceu!– Sentei na cama, e o encarei.
– Vindo de você, eu posso imaginar mil coisas.
– Não tenho tempo para explicar agora.– Voltei a deitar, colocando o travesseiro sobre minha cabeça.– Preciso pensar.
– Tem macho na jogada...– Ele riu e eu joguei o travesseiro com força em sua direção, que continuou rindo.
– Muito engraçado!– Deitei e acabei cochilando.
06:48 p.m
Acordei e não vi Weyne em casa. Deve ter ido jogar basquete em algum lugar por perto. Weyne tem facilidade em fazer amigos.
Resolvi sair um pouco, fui para uma praça perto de casa. Acendi meu marlboro e coloquei meus fones, estava fazendo frio, coloquei um capuz e fui escutando um bom rap do Eminem até chegar no local desejado. Chegando lá, sentei em um dos bancos, enquanto observava algumas crianças brincarem, ainda com meus fones. Acendi outro cigarro.
– Oi Gwen.– Alguém sentou-se ao meu lado. Era Kentin, aquele garoto da minha classe.
– E aí.– Traguei meu cigarro.
– O que faz aqui sozinha?– Perguntou-me.
– O que faz aqui sozinho?– Sempre desviarei das perguntas inúteis, voltando-as para o questionador em questão. E o trouxa sempre irá responder, não me canso de fazer isso.
– Não estou sozinho. Estou com minha irmã, Melody.– Ele apontou para duas garotas que estavam em um banco próximo.
– Qual das duas é sua irmã?
– A que está com a blusa azul. A outra é... é a Violette.– Disse e suspirou, ri baixo da situação.
– Violette é sua namorada?– Disse ainda rindo.
– Não... deu pra notar?
– O que? Que você é afinzaço da mina? Nem...
– Droga!– Ele colocou as mãos no rosto e abaixou a cabeça.– Sou um mané!
Agora que ele percebeu?! Coloquei meus braços sobre seus ombros e tentei conforta-lo. – Vamos lá, moleque! Vira homem e vá falar com ela!– Não sou muito boa nisso.
– Acha que devo fazer isso?
– Eu não falaria isso á toa.– Mas falei.
– Certo.– Ele se levantou e foi até as garotas, balancei a cabeça negativamente, esse cara é um caso perdido. Quando fui novamente colocar meus fones, fui interrompida por alguém que se sentou ao meu lado e disse um breve "oi". Eu estava sentada no encosto do banco, olhei para baixo e vi o cara de cabelos brancos que estava acompanhado de Castiel no beco hoje mais cedo.
– Oi...
– Lindo dia, não?– Desisti de colocar os fones, parece que hoje não é um bom dia para ouvir música.
– Sim. Lindo dia...
– Parece desconfiada. E não, não está um lindo dia.– Ele olhou pra mim. Tinha cada olho de uma cor, a famosa heterocromia, e seu cabelo era um branco indo para prateado, com uma mecha preta na ponta da franja.– Prazer, me chamo Lysandre.– Esticou o braço e me deu a mão, o cumprimentei.
– Gwen.
– Você me parece desconfiada, Gwen.
– Você me parece confiável, Lysandre. Não há motivos para eu estar desconfiada.– Me sentei ao seu lado, meu intuito ainda era saber mais sobre a história do tal show e do dinheiro.
– Que bom que te causei uma boa impressão.– Ele sorriu. – Você é nova em Sweet Amoris, estou certo?
– Anda me vigiando, Lysandre?– Ó quem fala, a menina que quer saber do caso em que Lysandre faz parte, que ironia.
– Só te vi ontem por lá, Gwen. Estudo no mesmo lugar, caso não tenha notado.
– Não notei.– Ele parece querer alguma coisa, então ambos estamos buscando informações. Mas... o que?
(...)
Depois de um bom tempo de conversa, consegui tirar poucas informações de Lysandre. Sei que ele e Castiel são bons amigos, e na verdade, a única informação útil que consegui foi sobre uma suposta banda em que ele e Castiel são, ou eram, membros. Lysandre é um maluco esperto, difícil de se enrolar e de tirar informações sobre ele mesmo... Mas de uma coisa eu sei. Eu já conhecia sua voz de algum lugar.
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