Thats ̶r̶o̶c̶k̶ love, bitch!

3 Capítulo 3 - Conhecendo MELHOR as pessoas


Quarta-Feira, 06:04 a.m.

Mais um dia de aula. Acordei. Me deparei com uma cena forte: Weyne babando na almofada do sofá. Me arrumei. Fui para a escola.

Encontrei Castiel no mesmo lugar de sempre. Debaixo da mesma árvore, analisando uma folha. A única diferença era que seu cão não estava ali. Queria saber o que aconteceu.

– E aí.– Me aproximei dele, e tirei uma lata de refrigerante da mochila.– Quer?

– Tenho cara de quem passa fome?– Desviou o olhar pra mim, e logo em seguida voltou-os para o papel.

– Fome não. Mas sêde...– Ouvi um breve som de riso vindo de sua boca, sentei-me ao seu lado e perguntei:– E seu cachorro, como está?

– Com uma pata enfaixada.

– Se vingou do cara?– Ele permaneceu em silêncio, o sinal bateu e nos levantamos. E ele não havia me respondido.– Sempre tão prestativo...– Ele andava na minha frente, com passos largos e com a mochila em um dos ombros. Virou seu rosto pra mim e apenas sorriu de lado, sem parar de caminhar. Fui para minha sala.

– Olá. Deve ser a Gwen.– Escutei alguém falar atrás de mim, enquanto pegava uns livros no armário. Me virei.

– Sou...– Encarei um carinha loiro, o olhei dos pés a cabeça.– O que quer comigo?

– Bom... Eu só queria te dar boas-vindas a Sweet Amoris. Sou o representante de sua turma.

– Estou aqui há três dias.

– Ah!– Ele parecia incomodado, vou ser um pouco mais simpática.– Da mesma forma...

– Você já sabe meu nome. Mas e você, como se chama?

– Nathaniel.– Ele esticou a mão, e o cumprimentei.

– Esse mesmo Nathaniel?– Abri a porta do meu armário, e apontei para o nome que estava ali. "Gwen Hill e Nathaniel Smith".

– Exatamente.– Ele sorriu.– Estava aqui justamente por isso, apenas aproveitei para te cumprimentar.

– Legal de sua parte.

– Como você é fofa.– Uma voz feminina e enjoativa me interrompeu. Olhei para o meu lado direito, e me deparei com uma figura loira, com cabelos longos e ondulados. Tinha um nipe de patricinha de Beverly Hills. Daquelas que usam rosa até na cor do mijo e andam por aí com um poodle numa bolsinha (que com certeza, seria de cor rosa). E com uma incrível cara de mina nojenta.

– Quem é você?!– Bati a porta do armário com uma das mãos e me virei em sua direção, cruzando meus braços e a encarando. Fiz minha pior cara possível, e a examinei da cabeça aos pés.

– Ela é... minha irmã mais nova.– Nathaniel diz com a voz um pouco trêmula, acho que ficou um pouco assustado com minha atitude inesperada.

– Irmã dele.

– Eu já ouvi ele dizendo.– Continuei com minha cara de poucos amigos. Dei um passo a frente, só queria assusta-la um pouquinho, mas fui interrompida por umas das inspetoras, que nos mandou imediatamente para a sala de aula.

Chegando na sala avistei Lysandre sentado no fundo da classe. Na verdade, se ele não tivesse acenado pra mim eu nem o teria notado. Sorri de lado para cumprimenta-lo.

– Gwen!– Alguém estava interrompendo meu cochilo, acordei meio zonza e encontrei Kentin na sua cadeira virado para mim, me encarando.– Eu falei com ela ontem.

– Quem?– Na verdade, não era exatamente um pergunta. Não queria saber de quem ele estava falando, eu nem tinha ouvido o que ele tinha dito.

– Violette!– Sussurrou enquanto olhava a menina com o canto dos olhos.

– Quem é essa?– Falei alto, não era a intenção deixa-lo constrangido, mas eu realmente não estava entendendo nada que estava se passando no momento. E ver Ken sussurrando daquele jeito feito um idiota estava me deixando estressada.

– Shhhh! Fale baixo! Ela é Violette.– Apontou disfarçadamente para a garota de cabelos lílas, que sentava na fileira ao lado, um pouco atrás de nós.– A amiga da minha irmã.– Me virei descaradamente, e a encarei. Acho que ela percebeu, acenei e dei um sorrisinho falso pra ela, voltei a olhar para Kentin, que estava totalmente vermelho.

– Que foi?– Ele permaneceu em silêncio, olhei para o lado e vi Melody rindo junto de Rosalya. Estavam fuxicando algo, pareciam duas crianças. Kentin parecia incomodado.

(...)

As três primeiras aulas acabaram, era hora do intervalo. Assim que fui sair da sala, senti uma mão gelada segurar meu braço, olhei para trás.

– Por que não passa o intervalo aqui na sala comigo?– Era Lysandre, com um sorrisão no rosto. O olhei desconfiada. Esse cara é realmente esquisito... De qualquer forma, não recusei o pedido, por não ter mais o que fazer, e... podia ser a minha brexa para arrancar informações dele.

Trancamos a porta da sala para não sermos interrompidos por uma das tiazinhas chatas, mais conhecidas como inspetoras. Sentei-me no encosto de minha cadeira e Lysandre se sentou na minha mesa, de frente pra mim. Ficamos conversando por um tempo.

– Então, Gwen... você é de que lugar do Brooklyn?

– Como sabe tanto sobre mim? Aliás... todo mundo aqui parece saber coisas sobre mim.– Ao dizer "todo mundo", eu me referi a Castiel. E sim, exagerei um pouco. A única coisa que eu não sei como ele descobriu, foi meu nome, mas isso é o de menos. Ele pode muito bem ter perguntado a alguém, ou lido em alguma papelada. Se bem que, pelo que eu sei, Castiel não é de fazer isso.

– "Todo mundo"... quem?– Lysandre é um cara ligeiro, eu já tinha percebido isso antes. Sabia que eu me referia a Castiel, e fez a pergunta de propósito.
– Generalizei.

– Não pareceu.– Estava escrito na face dele que ele sabia, e ele fez questão de deixar bem claro, foi proposital, mas eu não me incomodei tanto com isso.– Bom, caso queira saber, Castiel me disse que você é do Brooklyn.

– Sim, de Bed-Stuy.

– Bedford-Stuyvesant?– Arregalou os olhos, e ao perceber tentou não parecer tão surpreso. Ri da situação.

– Sim.– Continuei rindo.– Surpreso?

– Um pouco, confesso...– Soltei uma gargalhada alta. A reação das pessoas sempre é um pouco preconceituosa, mas eu acho isso engraçado. Não por ser engraçado o fato em si. Mas por ser engraçado ver como as pessoas são hipócritas.
Lysandre acabou entrando no clima da gargalhada, quando percebemos, já estávamos rindo á toa, sem motivo, e riamos disso.

– Lysandre, você é engraçado. Fazia tempo que não eu ria assim.– A crise de risos foi embora, enxuguei minhas lágrimas que não consegui conter.

– Me chame de Lys.– Ele ignorou tudo o que eu disse, e mudou as feições de seu rosto, me olhando firmamente. Me distraí por poucos segundos em sua atitude, e balancei a cabeça soltando um tipo de "ok" meio tonto. Percebi ele rir baixo, e olhei para a porta, acabara de tocar o sinal. Continuamos ali, esperando os poucos minutos que faltavam para a multidão retornar a sala. O primeiro a entrar foi Nathaniel, que nos olhou desconfiados. Assim que que o restante da sala entrou, ajeitei-me em minha cadeira e Lysandre voltou para seu lugar.

Durante a aula, notei que Lysandre não tirava os olhos de mim. Tentei me conter, fazia tempo que não me relacionava com alguém, e a nossa conversa me fez o conhecer melhor. Mesmo não tendo tirado as informações que tinha em mente. E na verdade, já estava totalmente despreocupada em relação a isso. Mas... estava acontecendo tudo muito rápido. Acabei de conhecer o cara e já estavamos agindo assim? Talvez seja algo da minha cabeça, mas, sinceramente, eu não queria que fosse apenas isso.