That Is The Way I Love You
1 Introduzindo o meu mundo.
Notas iniciais
O telefone estava tocando, mas eu não sabia aonde eu havia enfiado a desgraça. Até tentei seguir o som, mas aparentemente eu era péssima nisso. Finalmente enontrei.
Peguei o aparelho que estava jogado atrás do sofá (provavelmente derrubei sem querer e nem percebi) e atendi.
- Mari! Custa atender esse telefone? – já veio gritando e brigando. Era Larissa, minha melhor amiga.
- Atendi, não atendi? – falei tentando ignorar o mau humor dela, desde que ela e a Manu terminaram ela tem estado de mau humor. Não a culpo, nem fico com raiva, mas não dou mais moral também, senão sobra pra mim.
- Na vigésima chamada – falou e eu ouvi um barulho de transito do outro lado da linha.
- Estás aonde? – perguntei, enquanto me jogava na minha cama, de olhos fechados.
- Indo pro hospital, meu turno começa já já, vou ficar até 20h hoje, posso ir aí depois? – Larissa era residente num hospital próximo a minha casa. Quando eu conheci ela ainda faltava muito pra chamá-la de doutora e agora vendo-a formada, eu sentia um certo orgulho dela.
- Claro que sim, amor. Vou passar o dia aqui sem fazer absolutamente nada – falei meio que reclamando. Reclamando de barriga cheia, porque só de ter folga, já era um alívio do tamanho do mundo.
- Então descansa, porque hoje eu quero sair e me acabar! – falou empolgada. Eu ri, Larissa era a alegria da minha vida nesses últimos tempos e eu fazia questão de repetir sempre pra ela não esquecer.
- Vou descansar e vê se não me arruma outro turno pra amanhã, essas sua olheiras me assustam às vezes – ela riu e disse que ia tentar. Despediu-se de mim, dizendo que tinha que ir, porque tava atrasada e desligou. Abri meus olhos e passei meus olhos pelo meu quarto, pensando no que eu faria naquele dia.
Eu não costumo ficar tanto tempo sem o que fazer desde que me mudei pra cá quando me formei. Morar sozinho é barra, ainda mais em uma cidade ou num estado em que você não conhece ninguém direito. Claro que eu conhecia a Larissa, mas ela estava na mesma que eu, então não fazia muita diferença.
Eu tive que vir morar sozinha, porque quem bancava a Larissa era o pai e ela tinha uma irmã que morava com ela. Não ia invadir o apartamento delas e me instalar, né? Então acabei encontrando um lugar perfeito pra mim. Espaçoso para só uma pessoa, com o preço que cabia no meu bolso e com uma localização ótima. Era perto da empresa onde eu trabalhava e ainda por cima perto do Hospital da Larissa.
Resolvi que ia sair pra comer, é muito chato cozinhar só pra você.
Tomei um banho rápido e coloquei uma coisa básica. Calça jeans escura e uma regata preta colada, Haviannas brancas e rumo ao shopping. O shopping não estava tão cheio quanto eu pensei que estaria. Agradeci a isso, odeio quando tem tanta gente que é inevitável ter que ficar se esquivando e se esbarrando em alguém.
Fui até a praça de alimentação e pedi um Subway, fazia tempo que não comia. Comi dando uma olhada ao redor, Belo Horizonte limpava a minha vista com o tanto de mulheres bonitas. Comi devagar afinal não tinha pressa alguma, meu dia estava todo livre para perder tempo com o que eu quisesse.
Depois de comer, resolvi dar uma volta no shopping mesmo. Fui na loja de livros e comprei alguns pro trabalho. Estávamos iniciando um novo projeto na empresa e eu precisava estudar a fundo algumas coisas que eu havia visto há muito tempo na universidade. Sou formada em engenharia mecânica, acho que ainda não havia comentado. Paguei os livros e fui até a loja de instrumentos musicais, precisava comprar cordas novas pro meu violão.
Foi assim a minha tarde, saí do shopping eram 17h, pensei em ir pra casa, mas lembrei que ainda faltavam 3h pra Larissa sair e eu realmente não tinha nada o que fazer lá. Dirigi até uma praça e estacionei, comprei um sorvete e fiquei ali, foliando uma revista qualquer. Meu celular tocou e eu olhei no visor antes de atender: CARLA.
- Oi, Carlinha – atendi, deixando a revista de lado.
- Oi, amor! – falou ela, empolgada como sempre – Vem aqui em casa?
Carla era uma menina que conheci num barzinho que fui com Larissa assim que chegamos em BH. Ela passou a noite inteira me olhando e eu acabei indo até ela e ficamos. A gente quase namorou, pra ser sincera, mas acabamos decidindo ficar só na amizade mesmo. A gente se dava super bem e eu adorava demais ela.
- Claro, amor. To aqui bestando na praça – falei pegando a revista e indo até o carro.
- Eu sei, a Lari me disse que você não ia trabalhar hoje e eu to sozinha aqui, num super tédio – imaginei a careta que ela fazia, ela sempre fazia muitas caras e bocas quando falava, era engraçado e super fofo, eu achava, ao menos.
- Me espera então que vou matar o teu tédio – fiz uma voz sensual e ela riu.
- Ui, gata, vem logo, então – foi minha vez de rir. Nos despedimos e eu dirigi até a sua casa. Era um pouco longe da minha, mas nem tanto da praça onde eu estava.
O porteiro nem precisou me anunciar e eu já subi direto. Bati na porta e ela veio me atender. Carla é loira dos cabelos bem lisos, é meio baixinha e tem um corpo lindo. Mas o mais lindo nela era com certeza o sorriso, aquele bem aberto que dá até vontade de sorrir também, sabe?
Abracei ela forte, dando um beijo estalado em sua bochecha.
- Oi, minha lindinha – falei, carinhosa, como eu sempre era com ela.
- Oi, neném – segurou a meu rosto entre as mãos e me deu um selinho.
A gente sempre se tratou assim, mesmo depois que nosso rolo acabou. Era carinhoso e fofo, sem nenhuma malícia. Eu só tinha essa super necessidade de cuidar dela, porque ela é do tipo de pessoa que te faz querer protegê-la.
- Que milagre é esse, você de folga num sábado? – ela falou, se sentando no sofá, onde eu sentei do lado dela.
- Terminei o meu ultimo projeto do mês – falei, sentando com pernas de índio no sofá – Mas segunda-feira começamos outro, esse vai durar mais e dar muito mais trabalho. Tem umas máquinas que tão dando problema e vamos ter que fazer todo um estudo pra ver que merda que ta dando lá. E tu, como vai la no escritório de advocacia?
- Mais ou menos, olha, tem uma nova sócia agora e ela é um saco – falou revirando os olhos castanhos claros dela.
- Por quê? – perguntei, rindo divertida do jeito que ela falava.
- Ah, se acha a dona da cocada preta. Sabe aquele papo de que estagiário só bate Xerox e pega cafezinho? – concordei com a cabeça e ela continuou – Ela leva isso super a sério! – caí na risada.
- Então ela te faz de servente? – falei ainda rindo.
- Sim, cara e eu to pra me formar, se eu fosse do primeiro semestre e não soubesse nem o que é jurisprudência, eu até dizia, mas não, um saco.
Ela continuou falando da tal megera por um tempo e eu fiquei tirando com ela um pouco. Quando vi já tava escuro, olhei pro relógio e eram 19h30.
- Amor, você não quer sair comigo e com a Lari?
- Bem que queria, amor, mas amanhã acordo cedo, vou ir pescar com o meu pai – fez careta, mas ela adorava pescar com o pai dela, eu achava fofo o relacionamento dos dois. Eu nunca tive algo assim com o meu pai.
- Então eu vou indo, neném – beijei sua bochecha e a gente se despediu.
Entrei no carro e decidir ir buscar a Larissa na frente do hospital, dava pra ela ir andando, mas achei que ela ia gostar. Estacionei na frente e olhei no relógio, ainda eram 19h40, ia ter que esperar um pouco. Enquanto esperava fiquei pensando na Carla e no relacionamento que ela tinha com os pais. Por mais difícil que pareça hoje em dia, os pais dela ainda eram casados e pareciam ser super felizes. Eles sabiam da opção sexual dela também e levavam tudo numa boa. A mãe dela toda vez que me via, dizia que lamentava que não estivéssemos juntas, porque achava que formávamos um casal lindo. O pai dela também era super legal.
Os meus pais eram separados desde os meus 15 anos. Minha mãe não falava com o meu pai e o meu pai nem sequer ligava pra isso. Com 22 anos, eu me formei em engenharia pela federal do meu estado e resolvi sair de casa. Contei pra minha mãe da minha opção antes de sair e como eu já sabia, ela não recebeu tão bem assim a notícia, mas já fazia um tempo e ela voltou a falar comigo como sempre falou, o que me deixou feliz. Eu sempre fui o orgulho da minha mãe e eu gostava de ser, por isso sempre me esforcei nas coisas da minha vida e ver seus olhos de desapontamento foi difícil demais. Pelo menos eu tinha a Larissa durante esse tempo.
Mas hoje as coisas voltaram ao normal e ela já se acostumou com o meu estilo de vida. O meu pai, eu nem sei se sabe de mim, nunca me preocupei realmente em contar pra ele. Não que ele tivesse sido um péssimo pai, não, tinha os seus defeitos, claro, mas sempre apoiou as minhas decisões e eu nunca senti necessidade em contar ou me explicar, um dia ele ia acabar sabendo.
Eu estava imersa em meus pensamentos quando ouvi a porta do carro abrir e olhei pro lado e vi Larissa sentando no banco do carona.
- Meu amor veio me buscar? Que liiinda! – disse me apertando e me beijando. Eu ri, empurrando ela e dizendo “chega pra lá, coisa”, ela ria e continuava, até que desistiu.
- Eu sei que sou linda, mas não precisa me assediar – ela soltou uma gargalhada gostosa. Larissa era morena, linda, perfeita e maravilhosa. Eu sou suspeita pra falar, porque ela é uma das pessoas que mais amo na vida, mas ainda assim. Seus cabelos são castanhos escuros com algumas mechas claras, assim como os meus, só que as dela se destacavam mais. Ela tem uma pele muito branca e os olhos castanhos. Ela sempre foi mais alta que eu, mas não muito, poucos centímetros.
- O que fez esse dia todo? – falou ela, mexendo nos meu mp4, procurando uma musica para ouvirmos, enquanto eu guiava o carro até o meu apartamento. Relatei o meu dia, superficialmente, irritando-a porque ela gosta de detalhes, mesmo sobre coisas chatas como tinha sido o meu dia.
Subimos até o meu apartamento e eu me joguei na cama, enquanto ela ia tomar um banho. Liguei a TV e fiquei vendo as noticias do dia. Só desgraça, como sempre.
- MARIANA, PEGA UMA TOALHA PRA MIM! – berrou a outra de dentro do banheiro. Levantei da cama, revirando os olhos, ela sempre esquecia da toalha. Entrei no banheiro e ela abriu o Box, pegando a toalha das minhas mãos, sem se importar em estar nua na minha frente.
- Ta gorda, ein? – falei, zoando ela, encostando-me à parede, enquanto ela se secava.
- Gorda é a sua avó – falou rindo.
- Respeito, ambas são santas no céu – ela riu, indo pro quarto e eu a segui.
- Não vai tomar banho não, ô sua porca?
- To com preguiça – falei me jogando na cama.
Ela vestiu a calcinha e o sutiã e veio até a cama, me puxando e empurrando até o banheiro.
- Vamos, vamos que eu não quero perder a paciência – falou me ralhando. Eu cedi e acabei tomando banho. Quando teminei:
- LARISSA, PEGA UMA TOALHA PRA MIM!
- Que diabo de menina que sempre esquece a toalha...
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