That Is The Way I Love You
2 A agulha no palheiro ou a hetero no sapateiro
Notas iniciais
Eu sou ansiosa e não aguento, então vou postar o segundo capítulo, ok?
Eu sei que pra quem já leu "Seria cômico se não fosse trágico", essa história pode parecer parecida. Afinal a Laís é baseada em mim assim como a Mariana. Ai que narcisismo, rs. Mas eu queria escrever sobre a minha vida, ela está tão mais interessante agora.
Obviamente as histórias não serão iguais, apesar de o começo parecer, tenho idéias pra essa história, mas vamos deixar ela se desenrolar.
Eu falando demais como sempre. Boa leitura!
Agora que a Larissa voltou a ser solteira, eu voltei a sair mais. Não gosto de sair sozinha e as minhas outras amigas estão todas em relacionamentos sérios. Lésbica apaixonada é triste, você que lê essa história sabe. Não existe ser mais babão e grudento que lésbica apaixonada, mas agora com a minha amiga baladeira de volta à ativa, voltarei à ativa também.
Fomos ao mesmo bar onde eu conheci Carla. A gente adorava ali. Música de qualidade, pessoas bonitas e um ambiente agradável.
Larissa pegou na minha mão e me levou até a mesa. Ela recebeu uma secada de longe de uma sapatênis que estava do outro lado do bar que me deu até vontade de rir. Ela tava linda mesmo, vestido preto e curdo, sandálias altas. Ao contrário de mim, ela era bem feminina e vaidosa. Não que eu não fosse vaidosa, mas eu era menininho demais de acordo com ela.
- Sacou a sapatênis de secando ali? – perguntei aos risos, quando finalmente nos sentamos em uma mesa de canto.
- Não. Onde? – ela falou dando uma olhada ao redor. Eu apontei com a cabeça discretamente pra onde estava a menina. Não dava pra ver muito bem o rosto dela de onde estávamos, mas ela era daquele estilo bem masculina. Calça larga, tênis e regata, o que eu e Larissa chamávamos de sapatênis.
Eu sei que disse que era menininho, mas eu era menos. Minhas calças jeans eram do tamanho certo, eu nunca realmente pensei em cortar o meu cabelo curto e variava entre as blusas baby looks e regatas. Eu não me excluía do grupo sapatênis, mas de acordo com a Larissa, eu tinha um estilo próprio, mistura de sapatênis, nerd e fofinha. Não sei se isso combina ou se realmente é uma boa combinação, mas pra mim dava certo até então.
Pedimos cerveja e Larissa ficou encarando a menina. Mal chegou e já partia pro ataque, ela sempre foi assim.
Recebemos uma ligação de uma das nossas outras amigas dizendo que iriam nos encontrar no bar. Agradeci, porque logo Larissa se encontraria com a boca ocupada demais pra me dar atenção.
Elas não demoraram a chegar e como as minhas suspeitas são sempre verdadeiras quando se trata da Larissa, ela já estava aos amassos com a sapatênis no canto do bar. Luana e Fernanda chegaram de mãos dadas junto com Lívia e Patrícia. Elas se sentaram ao meu lado e começamos um papo leve e divertido.
Todas elas eu conheci ali mesmo, naquele bar, menos Patrícia, ela era enfermeira no hospital da Larissa e a gente que acabou apresentando ela à Lívia, agora sua namorada. Quando as meninas começaram a se beijar e eu acabei ficando só de novo, decidi que já era hora de dar uma volta pelo bar. Me levantei e dei uma olhada ao redor, no canto oposto de onde Larissa estava, tinha um grupinho de meninas. Elas pareciam mais novas, olhei atentamente e uma delas me chamou a atenção.
Seus cabelos ondulados caiam longos sobre sua costa. Ela tinha os olhos claros, só não dava pra dizer que cor eram de tão longe. Quando sorriu, vi que se abriram duas lindas covinhas em sua bochecha, ela era muito linda. Fiquei olhando sem nem notar que uma das amigas dela percebeu que eu olhava e cutucou a mesma. Ela me olhou e deu um sorriso diferente de antes, acho que sem graça e desviou o olhar.
Antes de eu sequer pensar no que fazer, Larissa apareceu na minha frente, entrelaçando suas mãos na minha cintura e me beijando a bochecha lentamente:
- Desculpa te deixar sozinha – neguei com a cabeça.
- Tudo bem. E aí? – ela sorriu e deu de ombros, me largando e pedindo duas cervejas pro carinha do bar. Me entregou uma e se apoiou no balcão ao meu lado.
- E aí, achou alguém legal? – seguiu o meu olhar e acho que sacou na hora qual daquelas garotas era a que me chamava atenção. Não porque ela tinha o mesmo gosto que eu, muito pelo contrário, mas porque ela me conhecia quase melhor que eu mesma – Só você que acha que ela ta no lugar errado? – falou rindo, enquanto dava um gole na sua cerveja.
Concordei com a cabeça, porque tinha sentido a mesma coisa. O meu gaydar piscava: HETERO, HETERO, HETERO em letras maiúsculas mesmo. Dei de ombros e tomei um gole da minha cerveja, dando pra ela segurar.
- Vamos ver no que dá – falei me desencostando do balcão e andando em direção da mesa onde estava a tal menina.
Uma das meninas que estava com ela me olhou de cara feia. De duas uma, ou era a namorada ou tinha um amor platônico pela amiga. Achei que era segunda opção.
- Oi – falei, olhando pra ela. Ela ficou me olhando, sem falar nada, parecia ser tímida – Quer conversar um pouco? – continuei falando. Ela olhou pras amigas e eu ouvi “Vai, uai, tem nada demais”, as outras deram risadas, menos aquela que ainda me olhava como se quisesse me socar. Continuei olhando pra ela, sem dar trela. Ela acabou concordando com a cabeça e se levantando. Sorri abertamente, colocando as minhas mãos nos bolsos da minha calça quando ela se pôs do meu lado. Mesmo de salto ela ainda continuava alguns centímetros mais baixa que eu. Andou comigo até uma área do bar que tinha pouca gente e se sentou no banco do balcão de frente pra mim, eu sentei de frente pra ela e sorri. Cheguei um pouquinho perto do rosto dela, mas não tanto e falei:
- Ah, são azuis – ela sorriu, concordando – Desculpa ter te tirado da tua mesa assim.
- Não precisa – ela finalmente falou. E que voz linda, gente – As meninas já estavam começando a me deixar louca – ela riu. Preciso dizer que a risada também era linda? Não, né?
- Desculpa, mas você parece meio deslocada – sorri e ela concordou.
- Ta na cara assim?
- Só se olhar atentamente – eu ri – É sua namorada aquela que me olhou querendo me matar quando me aproximei? – claro que eu joguei verde.
- Quem? – Virou pra olhar pra mesa – A Sara?
- Se Sara for o nome da de vermelho, ela mesma.
- Não – falou negando com a cabeça – Eu acho que ela gosta de mim.
- Acho que você pode ter certeza agora – ela ficou me encarando – O que?
- Eu não gosto de meninas – foi direta. Eu ri, porque já sabia. Meu gaydar é bom.
- Eu sei, isso quer dizer que a gente não pode conversar? – ela pareceu ficar sem graça.
- Não, claro que não. Mas como sabe? – pareceu curiosa agora.
- Você grita hetero – ela riu alto e eu acabei rindo também.
- Como te chamas? – ela perguntou.
- Mariana e você?
- Fernanda – eu estendi minha mão pra ela e ela apertou a mesma.
- Prazer, Fernanda – ela riu e soltamos as nossas mãos.
- Ok. E o que fazes aqui nesse bar claramente gay?
- Vim acompanhar a Clara – olhou mais uma vez pra onde estavam as amigas dela – A de preto, no lado direito, vê – concordei com a cabeça e ela voltou a me olhar – Ela é minha melhor amiga desde sempre. Ela sempre vai nos lugares que eu vou, resolvi vir uma vez no que ela gosta de vir.
- Entendi. Eu vim com as minhas amigas também – apontei com a cabeça pra onde as meninas estavam. Larissa me olhou com uma cara engraçada e eu ri – Aquela palhaça ali é a minha melhor amiga – Fernanda sorriu pra ela – Mas nesse caso, aqui é onde eu gosto de vir mesmo – falei rindo, ela riu também.
Continuamos conversando por bastante tempo mesmo. Eu perguntei o que ela fazia e ela disse que estava no segundo ano da faculdade de arquitetura. Sabia que ela era nova. Ela tinha 19 anos e era de Curitiba, só que tinha se mudado com a família pra BH com 14 anos. Falei sobre mim também e nossa conversa fluiu. Era bom conversar com ela e a gente nem viu o tempo passar.
De repente a tal de Sara para ao nosso lado e diz pra ela:
- Fê, a gente já ta indo, vamos? – Fernanda olhou da menina pra mim. Voltou a encarar a Sara e disse que já estava indo. Se levantou e me beijou a bochecha:
- Tchau, Mari, foi um prazer te conhecer – lançou aquele sorriso lindo pra mim e se afastou, fiquei olhando pra ela com uma cara abobalhada, tenho certeza. A tal de Sara me olhou com cara feia antes de se virar e ir atrás das amigas. Nem liguei.
Assim que elas saíram, voltei pra mesa onde estavam as meninas e me sentei no colo da Larissa.
- Só ficou no papo, Mari? – Falou Lívia, fazendo todo o resto rir. Dei de ombros, rindo também. Não me importava, tinha sido legal.
Ficamos mais um tempo la e resolvemos ir embora. Eu e Lari nos despedimos das meninas e eu fui dirigindo, já que eu estava mais sóbria, por ter parado de beber enquanto conversava com Fernanda.
Chegamos em casa, tomamos banho e fomos pra cama. Dei um beijo de boa noite na Lari e dormimos. Acordamos já era meio dia, então resolvemos sair pra comer. Passei o dia indo de um lado pro outro com a Larissa, só voltei pra casa tarde da noite, então fui logo pra cama, já que no outro dia tinha trampo.
Notas finais
(00:30) Vanessa: No quesito lésbicas mais masculinas existem dois tipos: As caminhoneiras e as menininhos.
(00:30) Vanessa: Caminhoneira é um homem no corpo de uma mulher.
(00:31) Vanessa: Meninhos, como você. São lésbicas alá menininhos de 13 anos.
(00:32) Vanessa: São basicamente, a melhor aplicação da palavra: fofinha.
Awn, linda ela, né?
Comentários, por favorzinho?! *-*
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