That Is The Way I Love You
3 Reencontro
Notas iniciais
Fazia duas semanas que eu não tinha tempo pra nada. Estava cheia de coisas pra fazer no trabalho e ainda tinha começado um curso de especialização duas vezes na semana, estava ficando louca. Mas era um mini curso e essa seria a ultima semana, graças a Deus.
Era sexta-feira, eu estava deitada na minha cama, não ia trabalhar no dia seguinte, mas não queria nem escutar a palavra “levantar”, estava precisando dormir. Mas sabe que quando mais a gente quer, menos a gente consegue, porque o meu telefone começou a tocar. Xinguei antes de levantar.
- Alô – falei de mau humor mesmo.
- Desculpa – era Carla. Eu ri, como era fofa, meu Deus.
- Oi neném, desculpa eu. To estressada – falei me jogando na cama de novo, com o telefone em mãos.
- Liguei pra falar que vai todo mundo amanhã la no Posto Nove — é o nome do bar onde a gente se conheceu – Eu sei que você ta cansadinha hoje, mas descansa bem, porque to morrendo de saudades de ti – fez voz manhosa e eu derreti. Falei que ia sim e fui dormir o sono dos justos.
O outro dia passou voando e quando deu 19h30 eu saí de casa pra buscar a Larissa e depois a Carla pra irmos pro Posto Nove. O resto das meninas daquele dia e mais outras estariam por lá também.
Larissa demorou horrores como sempre e acabamos nos atrasando pra pegar Carla, pedi desculpa pra ela, que disse que já sabia que a Larissa ia atrasar. Larissa se fez de ofendida e nós duas rimos.
Chegamos no bar e eu pedi Caipiroska de Absolut, depois ia pra cerveja. Carla me acompanhou na caipiroska e o resto foi na cerveja mesmo.
Fiquei conversando animadamente com as meninas e principalmente com a Carlinha. Às vezes a gente era tão carinhosa uma com a outra que as pessoas entendiam outra coisa do nosso relacionamento. Ela estava com a cabeça apoiada no meu ombro e com os dedos entrelaçados nos meus quando eu vi Fernanda entrar no bar com as amigas. Abri um sorriso sincero e feliz pra ela que quando me viu fez o mesmo.
Foi até a mesa com as amigas e eu cutuquei a Carlinha.
- Carlinha, viste aquela menina? – falei meio empolgada.
- Que menina? – ela falou olhando de um lado pro outro.
- Ali – apontei com a cabeça discretamente.
- Ui, a loirinha? – concordei com a cabeça.
- A Fernanda ta aqui? – foi a Larissa escandalosa que falou, fazendo todas as pessoas da mesa virarem pra onde ela tava. Faltei enfiar a minha cabeça embaixo da mesa.
- Então essa é a tal Fernanda – falou Carla – Ela é linda mesmo.
Sorri pra ela e falei:
- Tenho bom gosto, sabe?
- Mas ela é He-te-ro – foi a antipática da Patrícia que cortou o meu barato. Dei de ombros.
Em poucos momentos a atenção já não era mais sobre mim e cada uma já voltara a fazer o que estava fazendo antes do pequeno escândalo da Larissa.
- Ma – falou Carla com aquela vozinha de quando quer algo. Virei pra ela.
- Diz, coisa linda – ela sorriu.
- Me dá beijinho? – selei meus lábios nos dela, demoradamente. Ela colocou a mão na minha nuca e passou seus dedos ali.
- PAROU, PAROU, PAROU! – Larissa foi se colocando entre nós – Sem flashback, porque depois ficam estranhas e sobra pra eu aturar as duas mais antipáticas que nunca.
Eu e Carla começamos a rir, era verdade. Eu não era apaixonada por Carla, apesar de ela ser exatamente o tipo de garota que eu me apaixonaria. Eu sei que parece estranho, pelo jeito que a gente se trata e tudo, mas aquilo não era amor. Não esse tipo de amor pelo menos. Era bom quando a gente ficava, mas sempre deixávamos um clima estranho depois, o que é horrível, porque eu primava muito a nossa amizade.
Quando eu fiquei com a Carlinha, eu tinha acabado de sair de um namoro muito complicado. Eu a amava muito, mas ela conseguiu me decepcionar várias vezes e tudo o que a gente fazia era brigar. Eu que nunca acreditei muito no pra sempre, cheguei a acreditar com ela. Sofri demais quando tudo acabou, a Larissa passou noites em claro comigo até que eu conseguisse dormir sem chorar. Foi um tempo difícil.
A Carla foi a primeira garota que eu consegui gostar depois da Marcela, mas tinha tempos que eu ficava em duvida se gostava mesmo ou se era só carência. A ultima coisa que eu queria no mundo era magoá-la, então quando ela me pediu em namoro, eu acabei recusando. Ficamos um bom tempo sem nos falar e eu a entendia, afinal ela gostava mesmo de mim. Quando finalmente voltamos a nos falar, decidimos manter só na amizade pra não confundir mais sentimentos. E isso vinha dando certo, tirando algumas vezes que não resistíamos e acabávamos por ficar.
Já era uma hora e o bar tava muito cheio, nessas horas se quiséssemos algo, só indo no balcão mesmo. Era a minha vez de ir, então me levante e fiz o meu pedido pro barman.
- Oi – ouvi aquela voz e me virei sorrindo. Fernanda se aproximou de mim e me cumprimentou com dois beijinhos no rosto, um de cada lado.
- Oi, Fê. Resolveu voltar? – ela riu um pouco.
- Eu tô vindo quase todos os sábados pra cá agora, você que nunca mais apareceu.
- Sério? É que tava fazendo um mini curso e tava muito aperreada no trabalho, mas agora estou melhor e mesmo se eu não quisesse, fui arrastada pra cá – ri e ela me acompanhou. Foi nessa hora que o barman trouxe os meus pedidos – Me espera um pouco? Vou deixar as coisas das meninas lá e venho aqui pra gente conversar mais um pouco, pode ser? – torci mentalmente pra que sim e ela concordou.
Levei as coisas pras meninas, falei pra Carla que ia ter que deixar ela sozinha e ela falou rindo:
- Não se preocupa comigo, to torcendo – cruzou os dedos e eu dei um beijo na bochecha dela, rindo. Eu não tinha esperanças com a Fernanda, só gostava da companhia dela.
Me sentei em frente a Fernanda.
- Mas me diz, o que te traz aqui todas as semanas agora?
Ela me contou que gostava do ambiente do bar e das músicas. E que a maioria das amizades dela freqüentavam ali e ela realmente não se importava de vir.
- Mas não sente falta das cantadas? – falei divertida.
- Não é como se eu me livrasse delas aqui – ela falou rindo.
- Ah, mas não é a mesma coisa – ela concordou.
Ficamos conversando mais um tempo e dessa vez eu pedi o telefone dela, ela me deu sorrindo e falou que era pra eu ligar mesmo.
- Claro que vou ligar, ainda mais agora que prometeu ir comigo ver Piratas do Caribe.
- Eu adoro cinema, moraria lá se fosse possível – rimos do exagero dela.
- Eu confesso que também amo, mas só posso finais de semana e geralmente a minha preguiça é maior.
- Sua namorada não se incomoda de eu te roubar por tanto tempo? – ela perguntou de repente. Fiz cara de dúvida.
- Que namorada? – falei sem entender.
- Aquela menina que estava de mãos dadas com você, não é sua namorada? – Ah, ela falava da Carla.
- Não – falei – É apenas uma amiga mesmo.
Nessa hora uma amiga dela chamou-a e ela disse que já voltava. Fiquei olhando ela se afastar. Hoje ela estava de vestido e salto alto. O vestido, as sandálias também. Eu tentava não ficar desejando ela, porque já me basta de coisas impossíveis.
Estava distraída nos meus pensamentos quando Larissa chegou do meu lado.
- Desculpa, amor, mas a gente pode ir embora? – tava com uma carinha estranha.
- Que foi, amor? – perguntei, preocupada.
- Minha pressão caiu, não comi direito hoje e bebi demais. Desculpa – falou logo sabendo que eu ia brigar com ela. Me levantei e abracei a mesma – Vamos sim, mas não vamos pra casa, vamos parar em algum lugar pra comer – ela concordou e foi até a mesa.
Fernanda voltava pro balcão e eu fui em direção dela.
- Fê, vou ter que ir, a Larissa não ta se sentindo bem e ela veio comigo – me senti triste de ter que deixar ela, sem saber quando a gente ia se ver de novo.
- Tudo bem, amor – sorriu pra mim e me deu um abraço, se despedindo. Quando eu tava pra ir embora, ela falou – Me liga, ein?
Sorri pra ela, lembrando que agora tinha o seu número. Concordei com a cabeça e fui me despedir das meninas. Levei Larissa e Carla pra comermos algo e depois fomos pra minha casa. Não sei como, mas conseguimos dormir as três na minha cama de casal.
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