Thalico - Sirens
8 Seize The Day
Notas iniciais
Seize the day or die regretting the time you lost
It's empty and cold without you here
Too many people to ache over
I see my vision burn, I feel my memories fade with time
But I'm too young to worry
These streets we travel on will undergo our same lost past — Avenged Sevenfold, Seize The Day
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— Ela vai morrer daqui a pouco – eu disse.
Estávamos eu, Percy, Annabeth e Nico assistindo um filme de terror na sala do meu apartamento. Fazia cerca de duas horas desde o nosso encontro no corredor e que revelou que nós éramos conhecidos antigos. Eu não sabia como não havia reconhecido-os de cara. O cabelo preto de Percy continuava o mesmo de quando ele era criança: bagunçado de um jeito estiloso. Os olhos verde-mar não mudaram nada, continuaram brincalhões. E o corpo... bem, desde pequeno, Percy sempre fora muito bonito. Eu lembro das garotas do bairro ficarem dando em cima dele. Até hoje aquilo me fazia rir.
Annabeth também não mudara muito. Pelo tempo que conversamos antes de decidirmos qual filme assistir no meu apartamento, eu podia notar que ela continuara a mesma nerd de sempre. Os olhos cinza pareciam mais brilhantes, porém. E os cabelos loiros ondulados estavam na altura da cintura, como eram desde pequena. Mas ela também parecia mais magra, e também mais alta. Quando éramos crianças, éramos da mesma altura, porém agora ela era quase sete centímetros mais alta que eu.
O que mais mudara fora Nico. O cabelo preto como petróleo fora cortado de um jeito meio emo: na altura dos ombros, repicado, e com a franja caindo nos olhos e lançando ainda mais sombras nos olhos bem negros. Sua pele era tão pálida quanto a e um fantasma. E o corpo... meus deuses. Que corpo. Quando criança, Nico sempre fora aquele garoto magrelo, mas agora... ele poderia fazer qualquer garota babar por ele.
— Eu acho – começou Nico apoiando os pés no meu colo. – Que se ela fosse morrer agora, os policiais vão chegar e salvar o mundo. É sempre assim. O bem vence o mal. Ponto. Como se isso fosse acontecer na vida real – ele bufou.
— Talvez aconteça – eu respondi.
— Talvez. Só talvez. Na maioria das vezes não – ele respondeu.
Dei de ombros. Era verdade.
*****
— Gente, eu acho que já está tarde – disse Percy quando o filme acabou. Realmente estava. Eram quase oito da manhã, e nenhum de nós havia dormido. Eu estava exausta por causa das animações da noite. Show, beijar o Nico, encontrar velhos amigos... bem, ninguém é de ferro, né?
— Muito mesmo – eu disse olhando para a janela. Pela fresta que estava aberta da cortina, o sol estava muito claro.
— Acho que já vou indo – disse Percy se levantando.
— Eu também – disse Annabeth se levantando também e indo atrás de Percy.
— Tchau – disseram os dois e saíram porta afora.
— Acho que só sobramos nós dois – disse Nico.
— É – respondi bocejando.
— Cansada? – perguntou ele me puxando para seus braços. – Pode dormir, mon chéry.
Ele mal terminou a frase e eu deitei em seu peito, apagando logo em seguida.
*****
Acordei na minha cama. Braços quentes envolviam minha cintura e eu estava deitada em um peito bastante definido. Abri os olhos e me movimentei levemente para ver seu rosto. Nico dormia pacificamente me abraçando no sofá, quase como um anjo. Um lindo anjo. Seus cabelos negros estavam cobrindo uma parte de seu rosto e eu delicadamente os coloquei atrás de sua orelha, com cuidado para não acordá-lo.
Fiquei vários minutos ali observando seu rosto. O formato de seu queixo, suas pálpebras, o formato da boca, o ângulo do nariz, as maçãs do rosto altas...
Me soltei de seus braços com relutância e me levantei. Precisava de um banho. Peguei uma blusa cinza do Pearl Jam, um short jeans e um conjunto de roupas íntimas no meu closet e sai em silêncio do quarto. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e dei um jeito no meu cabelo. Vesti a roupa e voltei ao quarto. Nico continuava dormindo. Sorri.
Fui até a cozinha preparar alguma coisa para comer. Olhei o relógio acima da pia. Quase nove da noite. Jantar, então.
Peguei os ingredientes e comecei a preparar uma lasanha. Sim, eu sei cozinhar, por incrível que pareça.
No segundo que eu fechei a tampa do forno, senti braços envolverem minha cintura.
— Bom dia – Nico disse com a voz rouca de sono no meu ouvido.
— Boa noite, na verdade – eu o corrigi sorrindo e me virando para ele, passando meus braços em sua cintura.
— Sério? – ele olhou confuso para o relógio. – Nossa.
— Pois é – eu disse. – Já estou preparando nosso jantar, não se preocupe.
— Quer ajuda?
— Não precisa – respondi. – Já está pronto. Só falta assar. Agora vá se lavar e trocar de roupa que daqui a pouco está pronto – eu o empurrei na direção do banheiro.
— Eu tenho que buscar uma roupa lá em casa primeiro.
— Tudo bem – respondi.
— Já volto – ele disse saindo e fechando a porta da frente.
Dois minutos depois ele voltou com algumas roupas na mão, passou por mim, me deu um beijo no rosto e foi em direção ao banheiro. Assim que ouvi o clique da porta se fechando, coloquei a mão onde ele havia beijado. Minha pele formigava. Seus lábios eram gelados e me davam sensações ótimas.
Antes que eu me desse conta, o fogão apitou e eu fui tirar a lasanha do forno. Coloquei a bandeja em cima da mesa no segundo em que Nico apareceu na cozinha com uma regata preta e uma calça de moletom da mesma cor. Seus cabelos estavam molhados. Lindo.
— Que cheiro bom, Lia – elogiou ele quando sentiu o cheiro.
— Obrigada – respondi pegando os pratos e os colocando em cima da mesa. Peguei uma garrafa de Coca-Cola na geladeira e os copos no armário.
Comemos em silêncio. De vez em quando, eu espiava pelo canto do olho e o pegava me olhando. Todas as vezes que isso acontecia, nós dois ficávamos vermelhos e abaixávamos o rosto, só para quinze segundos depois acontecer de novo.
Quando terminamos de comer, fomos para a sala e começamos a conversar sobre nossas vidas, como trabalho (ele trabalhara como produtor musical na França e estava procurando algo assim aqui nos Estados Unidos), família (a dele era complicada igual a minha) e hobbies (ele andava de skate e tocava violão, guitarra e bateria) até que chegamos em um ponto que nós dois preferíamos não pensar muito: o futuro.
— Sabe – começou ele. – Eu sempre quis ter uma família feliz, não chegar nem perto do que a minha família é – ele comentou com desgosto.
— Somos dois – respondi. – Como você iria querer o seu futuro?
— Sei lá. Uma mulher que me amasse, dois filhos e um cachorro chamado Marley.
— Tipo o do Marley e eu? – perguntei rindo.
— É – ele respondeu rindo também.
— Eu tenho uma fascinação por labradores – comentei. – É a raça mais leal que existe no mundo canino. Eles tem uma personalidade amorosa e paciente, são gentis com crianças e adoram agradar os donos. Sabia que sua inteligência e obediência fazem dessa raça a campeã de escolha para o treinamento de busca e salvamento e como cão-guia para cegos e deficientes físicos?
— Sim, eu também amo labradores – disse Nico com um brilho nos olhos. – Eles são também muito conhecidos – além de serem inteligentes e afeiçoados a pessoas – pela sua destreza de campo e dedicação para executar qualquer tarefa. Isso faz dele o cão perfeito para atividades esportivas e o preferido de caçadores de pássaros por causa de sua habilidade em capturar faisões e patos abatidos em águas geladas.
— Verdade – eu respondi. – Tem toda razão em estarem em primeiro lugar na lista de cães da American Kennel Club à mais de 25 anos. Tem mais de 246.600 cães registrados na AKC só aqui nos Estados Unidos.
— Se bem que eles são cães trabalhadores e geralmente tendem a ter uma energia inesgotável. E são muitos sociáveis, portanto não conseguem ficar sozinhos por muito tempo. Embora sejam obedientes, eles são cabeças-duras e são difíceis de serem treinados por causa do seu "TDAH" – ele riu. – E todos precisam de exercícios diários vigorosos ou se tornam destrutivos. Eu tive um labrador na França. Ele chamava Max. Ele era totalmente elétrico e enquanto não fez cinco anos ele ainda era incontrolável até para treinadores experientes.
Eu ri.
— Eu também já tive um assim – eu disse rindo. – Ele chamava Sparky. Sabia que labradores são muito fortes? Eles são grandes e fortes, mas eles não percebem sua força. Uma vez, minha madrasta amarrou o Sparky na porta da garagem para que ele ficasse perto enquanto ela cuidava das flores do jardim na frente da casa. Pra que ela foi fazer isso? – eu disse rindo me lembrando da cena. – O Sparky viu um esquilo e saltou, arrancando a esquadria de aço da garagem e correndo atrás do pobre esquilo – enquanto eu contava, eu já chorava de rir, me lembrando de Hera correndo atrás do Sparky enquanto ele perseguia o esquilo correndo e arrastando a esquadria da garagem (N/A: História real, viu gente? kkkkkkkk). Nico também já estava morrendo de rir.
Quando nós conseguimos nos acalmar, ele disse:
— É bom conhecer alguém que entende tanto de labradores como eu – ele sorriu.
— Digo o mesmo – respondi sorrindo também.
Nesse instante, o celular do Nico começou a tocar.
Oh, a storm is threat'ning
(Oh, uma tempestade está ameaçando)
My very life today
(Minha própria vida hoje)
If I don't get some shelter
(Se eu não arrumar algum abrigo)
Oh yeah, I'm gonna fade away
(Oh yeah vou perecer)
Ele olhou para o visor por alguns segundos e suspirou.
— Tenho que ir – ele me deu um beijo na testa. – Tchau.
— Tchau – eu disse enquanto ele se levantava e saia.
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