Thalico - Roar II – Memories
8 Unicórnios Saltitantes
Notas iniciais
Biblioteca de Annabeth Chase, 27 de Setembro de 1802; 6:30 AM.
Certo, talvez daqui eu não saia. A angústia a fora desta biblioteca me aflige, ainda assim estou escrevendo. Foi a única coisa que a feiticeira me pediu. Era a única coisa que Bianca di Angelo deveria ter feito para que Nicolas não fosse capturado por Merci.
Porém esta cada vez mais difícil, os gritos estão perto e o céu pelas frestas das cortinas está avermelhado. O som das espadas uma contra a outra é terrível, os gritos de guerra e os choros descontrolados.
Mas continuemos, afinal, até mesmo Rumpelstiltskin estava ali em baixo lutando por minha segurança. Eu devo cumprir minha promessa até o último segundo. Morrerei em cima dessa pena, se necessário.
Pronto, tinta, deixa-me começar.
Biblioteca de (Atena) Annabeth Chase, 29 de Setembro de 1782. 04:13 PM.
Piper não teve dificuldades em passar despercebida pelo Reino. Entrara em casa e conversara com a mãe que lhe abraçou, tentou retirar-lhe informações, mas desistiu ao ver o olhar desesperado da filha apenas indicou onde Annabeth estaria aquela hora.
Na biblioteca da mãe, é claro. Mesmo depois de casada Annabeth não abandonara o hábito de ler livros e mais livros. Percy trabalhava com o pai, Poseidon que era o rei de um Reino próximo ao de Zeus rodeado pelas águas como uma imensa ilha. Piper não teve dificuldade de achar a garota.
Annabeth se encontrava num tapete no fundo da biblioteca iluminada aquecendo-se em frente a lareira enquanto lia um grande livro de romances inexplicados. Não pareceu notar a chegada da outra garota até esta lhe tocar o ombro. A loira se virou com forçando um sorriso que logo se dissolveu tornando-se uma expressão de pavor. Piper tapou a boca da garota até que ela parasse de ameaçar gritar. Annabeth obrigou-se a se tranquilizar e suspirou.
– Você... – a garota conseguiu murmurar – deveria estar morta.
– Felizmente não estou – a morena afirmou com um sorriso e estendeu um pergaminho para Annabeth – Thalia pediu que eu lhe entregasse isso, talvez você possa nos ajudar.
– Ajudar? – a loira perguntou confusa – ajudar em quê?
Piper tentou não assustar Annabeth, mas quanto mais a morena falava, mais a loira sentia-se horrorizada. Reviver alguém dos mortos? Não, isso era errado. Nem mesmo... Nem mesmo Rumpelstiltiskin era capaz de fazer aquilo.
– Conhece Rumpelstiltiskin? – a morena perguntou e a loira negou.
– Ele tem fama por suas histórias, mas nunca o vi, ao menos não no Reino – a loira disse.
Mal sabia Annabeth, que nem de longe, isso não era verdade.
– Você vai nos ajudar? – Piper perguntou esperançosa.
Annabeth voltou a ler o pedaço do pergaminho com a letra caprichosa da princesa e sentiu um aperto no peito.
Annie, preciso de você, está acontecendo algo muito ruim aqui fora. Preciso que ajude Piper a encontrar informações sobre algo, ela se explicará. Estou com muitas saudades.
Com amor, TG.
A garota olhou mais uma vez para as últimas letras entrelaçadas uma em cima da outra e não hesitou em responder: – É claro que eu vou ajudar.
Floresta "Encantada", 29 de Setembro de 1782. 5:10 PM.
5:10
Thalia tinha certeza que esse era o horário combinado. Piper a essa altura ja deveria ter encontrado Annabeth e os garotos estariam na floresta. O melhor lado na floresta do Reino 9 era que o território, apesar de um pouco enevoado era completamente plano.
A garota tinha bons olhos porque ao longe ela viu cabelos dourados emergirem das folhas em busca de algum sinal. Thalia notou que estava próxima a Jason, portanto seguiria na diagonal para evitar que se encontrassem, afinal, a feiticeira não queria isso. A garota olhou para aquelas árvores e suspirou. Foi ali que Nicolas di Angelo crescera. Ela ainda pensava se não seria egoísmo tentar trazer Nico de volta dos mortos. Talvez ele estivesse melhor naquele momento.
A princesa suspirou e desceu da árvore. Morria de medo de altura. Mas ainda mantinha a compostura apesar dos pontinhos negros que dançavam a sua frente. Assim que sentou-se no cavalo apertou as rédeas e saiu daquela área da floresta o mais rapidamente que conseguiu.
Floresta "Encantada", 29 de Setembro de 1782. 9:58PM.
Leo já havia se cansado de andar a cavalo o dia todo. Fazia exatas seis horas e quarenta e oito minutos que estava em cima do animal, parando um minuto de duas em duas horas a espera de um sinal. Onde estavam Jason e Thalia aquela altura? Não lhe pareceu importante no momento.
Seus pensamentos foram levados ao avistar uma aconchegante hospedaria com uma grande placa dizendo: "Unicórnio Saltitante". Mas se nem seus amigos, que eram peças de valor naquele jogo lhe importavam no momento, o que raios um nome lhe faria?
Certamente ele não precisaria mencionar o detalhe em seus diários de cavalaria. Como ele estava errado!
Unicórnio Saltitante ou não Leo entrou no estabelecimento, onde uma banda de jazz terminava uma música para a taverna abaixo dos quartos. Para um unicórnio aquele lugar parecia bem triste e sombrio. As paredes escuras e o chão de madeira não combinavam nada com os copos brilhantes de cerveja.
Leo ignorou os péssimos pensamentos das últimas semanas que passaram por sua cabeça, como por exemplo, cair de uma montanha num fogo escaldante e ser salvo pela Bela Adormecida (como Piper apelidara Jason, e Leo adotara carinhosamente).
O garoto seguiu até o bar onde apenas um senhor de meia idade atrás do balcão secava as taças e um bêbado dormia sob o copo. Leo pediu uma bebida e num instante uma ideia surgiu em sua cabeça.
– Você sabe alguma coisa sobre seres sobrenaturais? – ele perguntou usualmente.
O homem não pareceu surpreso, como se essa pergunta fosse comum por ali, apenas olhou para os lados certificando-se que ninguém ouvia antes de se virar para Leo novamente.
– Eu não sei, mas alguns dizem que ela sabe – ele disse em tom baixo e sombrio apontando com a cabeça para o fundo do bar, para a vocalista da banda de jazz.
– Então é realmente uma mulher – Leo murmurou.
A garota que a alguns momentos cantava com a banda de jazz estava sentada despreocupadamente numa mesa no canto do salão com seu chapéu de feltro caído sobre os olhos. Leo seguiu até ela por entre as mesas do bar quase derrubando uma das bardas por sua atenção estar completamente focada na garota. Ao chegar até ela podê notar o sorriso cínico saindo pelo canto dos lábios vermelhos.
O garoto acompanhou cada movimento dela. De seus cabelos vermelho-escuro parcialmente cobertos pelo chapéu, estes que ele acompanhou as ondas leves pela capa negra. O feixo da capa era como qualquer outro: Um emblema prateado. Mas Leo se deteve ao ler o que ao mesmo tempo lhe deu medo e esperança.
Reino 9
Biblioteca de Annabeth Chase, 27 de Setembro de 1802; 6:35 AM.
Ouvi passos pesados vindo em direção a biblioteca, como um exército, mas continuei deslizando a pena sobre o pergaminho. Olhei parcialmente pelas frestas da cortinas escuras das grandes janelas da biblioteca e me deparei com Apolo no alto dos muros do castelo gritando tão alto que mesmo ao longe pude ouvir, sinceramente o que veio a seguir, era um grito de guerra ridículo.
Ele dizia: "– Venha juntar-se aos arqueiros Apolo! 70% de desconto! E você ainda ganha uma caixa de algodão com o meu nome!"
Ártemis não pareceu tentada com a proposta, ao contrário, pareceu furiosa com a brincadeira. Em seguida ela subiu ao seu lado e chutou-lhe as canelas derrubando-o dos muros para a multidão furiosa lá em baixo antes de pular novamente para a guerra. Suponho que todo o Reino escutou ela gritando durante o processo: "– Cale-se seu inútil! Estamos no meio de uma guerra!"
Senti um fiapo de esperança. Talvez conseguíssemos...
Ouvi um baque forte na porta,como se tentassem arromba-la. As estantes tremeram e vi alguns livros das pratilheiras caírem com um baque surdo no chão. Eu mal conseguia escrever devido ao pequeno terremoto. Minha letra estava tremida e quase ilegível. Então eu soube....
Eles me encontraram.
(N/M&C: Gostaram dos comerciais *-* ?)
Floresta "Encantada", 29 de Setembro de 1782. 10:03PM.
A garota observava-o por baixo do chapéu antes de levanta-lo, mas assim que o fez, Leo podê ver suas feições finas e delicadas, decididamente mortais. Seus olhos de gato brilhava num verde estranhamente parecido com o brilho de uma esmeralda, porém em uma esmeralda nunca se encontraria tal loucura transmitida como a daqueles olhos. Sua boca alargou-se num sorriso. Aquilo parecia diverti-la
Observando melhor seus lábios, Leo notou que seus dentes eram de um branco ofuscante, e sobrepunham-se 4 grandes presas pontudas. Aquilo com certeza não era bom. Mas de alguma forma o garoto não conseguia se mexer. Apesar de um frio atravessar sua espinha Leo não conseguia parar de olha-la, ela era realmente bonita.
Ela correu a língua sob o lábio inferior, fazendo fluir um pequeno fio de sangue nos lábios. Ela simplesmente passou o indicador no canto da boca e perguntou num tom cínico:
– Posso ajuda-lo, querido?
Sua voz era macia, suave. Leo ficou hipnotizado por um momento sem saber o que responder. Sem querer soltou palavras desconexas fazendo a garota rir levemente e indicar a cadeira a frente para o garoto se sentar e assim o fez inclinado-se sobre a mesa.
– Rumores dizem que você sabe reviver um morto – ele disse sem rodeios assim que se recuperou do choque.
– Eu sei – respondeu ela – não é tão difícil quanto parece.
– Pode me ajudar?
– Pelo preço certo, sim.
– Posso pagar-lhe o que quiser – ele respondeu sem pensar. O que tinha a oferecer?
– Minhas palavras favoritas – murmurou ela apreciando as palavras como se fossem veludo.
Olhando para ela Leo pensou em desistir de tudo. No máximo poderia enviar um sinal para Thalia e Jason, dali eles seguiriam. Ficariam bem, ele tinha certeza. Mas algo não lhe deixava afastar-se daquela mulher. Talvez fosse feitiçaria, se sabia reviver um morto talvez também fizesse com que os garotos se encantassem.
– E como você faria? Usaria a Névoa? – ele forçou-se a desviar o olhar.
Ela riu desdenhosamente como se as palavras de Leo fossem bobas e ingenuas e deitou-se para trás cobrindo os olhos novamente com o chapéu colocando os pés por cima da mesa.
– Não Névoa, meu querido – ela ronronou – mas o Véu. Vamos aos negócios, Leo Vadez. Aliás sou Daenerys Targaryen, ao seu dispor.
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