Thalico - Roar II – Memories
9 Não se esqueça do pássaro!
Notas iniciais
Floresta "Encantada", 30 de Setembro de 1782. 5:09AM.
Leo ficou impressionado com Daenerys Targaryen. Depois de alguns palavras de bonita e assustadora para bonita, assustadora e divertida. Ele sequer precisou perguntar como a mulher conhecia seu nome. Era feiticeira, claro que ela sabia. A garota pediu uma garrafa de rum enquanto conversavam. Mostrou-se calma e paciente a cada palavra do garoto como se tivesse sido treinada para aquilo e quando Leo perguntou o que queria ela negou com a cabeça.
– Eu não cobro caro – prometeu e não tocou mais no assunto.
Quando chegou ao quarto lavou-se e o garoto não percebeu o quão cansando estava até deitar-se na cama do Unicórnio Saltitante, mas o que se pareceram minutos depois ele acordou com uma batida em sua porta. Leo gemeu algo desconexo antes de se levantar cambaleante e ir atender a porta.
– O que...? – ele coçou os olhos vislumbrando a garota que entrou no quanto lhe atirando o casaco – Daenerys?
– Vamos não temos muito tempo – ela avisou enquanto juntava os pertences de Leo na mochila.
– Tempo para o que? – o garoto perguntou calçando as botas.
– Ela está perdendo a consciência, se não nos apressarmos será tarde demais – ela disse deixando o ferreiro ainda mais confuso – apronte-se rápido estarei no bar.
Leo acho que fosse desmaiar de sono mas foi ao banheiro fez suas necessidades, lavou o rosto e saiu do quarto com a mochila nas costas.
Daenerys o esperava no bar mordendo um biscoito e bebia algo fumegante. A garota estendeu uma xícara de café para Leo e indicou os biscoitos sobre a bancada. Comeram rapidamente e dirigiram-se aos cavalos. A garota afastou a capa e subiu ao cavalo negro batendo as rédeas sobre o animal que saiu em disparada para a floresta. Leo tentava acompanhar Daenerys mas tinha pena de seu cavalo portanto quase a perdia de vista vez ou outra.
O garoto não notou onde estavam até a garota saltar do cavalo antes mesmo de ele parar. Daenerys praticamente jogou-se em cima de Jason que pareceu imediatamente alerta. "Damas bonitas caindo do céu?" era o que sua expressão perguntava.
Thalia e Piper estavam mais afastadas porém se viraram rapidamente e postaram-se ao lado de Jason. Leo desceu do cavalo e espreguiçou-se sentindo a brisa gelada da manhã.
– Piper McLean – Piper cortou o silêncio estendendo a mão que a garota apertou levemente – estes são Jason e Thalia Grace.
– Com toda a certeza – a garota sorriu – sou Daenerys Targaryen, alguns de você me chamam de feiticeira do Reino 9
Cabana na Floresta "Encantada", Outubro de 1778. Dia e horário não identificados.
Um pouco rude na minha opinião...
Nico repassava cada palavra de Hinnata na cabeça, tentando encontra alguma brecha. Ele havia sido sequestrado e estava dentro de um maldito caixão rodeado de uma luz verde que tinha cheiro de enxofre. Conseguia ouvir vez ou outra o cantarolado estrangulado da mulher lá de fora.
Foi no exato momento que repassava pela Seiscentésima quarta vez a conversa que ouviu a porta ser arrombada. Ouviu um gemido de surpresa vindo da mulher que o prendera no caixão seguido por uma voz muito mais doce:
– Merci, querida – com toda certeza era a voz de Hinnata – soube que está com uma coisinha que é minha.
Nico achou um absurdo uma feiticeira chama-lo de "coisinha". Quem ela pensava que era? O garoto obrigou-se a lembrar que era a feiticeira lá fora sua única chance de escapar.
– Socorro! – ele gritou roucamente devido aos... dias, talvez, que passara ali.
– Não se preocupe, Nico – e essa era Bianca, com toda certeza, era sua irmã – viemos te salvar.
– Hinnata, querida – Merci debochou – nada aqui é seu. Não pode tocar no meu caixão, seria dissolvida em brasas.
– Quem disse que vou tocar? – a outra retrucou.
– Precisa de um toque mágico – ela argumentou.
– Sempre tenho um truque na manga – Hinnata afirmou em seguida mais passos entraram na cabana.
– Merlin – Merci rosnou.
– E Arquimédes! – uma voz agitada concluiu.
– Acalme-se, Arquimédes – outra voz pediu.
Nico já estava se cansando. Hinnata era uma bruxa, Bianca estava ali, Merlin, já tinha ouvido esse nome em algum lugar, era um mago se o garoto não estivesse enganado, Arquimédes era sua coruja falante pelo que lhe constava. O que estavam esperando para atacar?
– Desculpe a demora – outra voz feminina invadiu o cômodo – estava lutando contra alguns ogros.
– Estávamos a sua espera, Daenerys – Hinnata concluiu – é hora do show.
O pirata nunca soube o que realmente aconteceu lá fora. Escutou barulhos estranhos como se as pessoas tivessem virado animas e atacavam. Ele tentou olhar por algum ponto do caixão mas viu apenas luzes coloridas na cabana. Segundos depois o caixão foi aberto e Bianca sorria para Nico ajudando-o a se levantar.
– Não! – Merci gritou apontando os dedos cálidos para a garota.
Nico pensou ter visto uma sombra mover-se, mas não pareceu importante no momento.
– Eu não mencionei que transformei Bianca em uma feiticeira? – Hinnata perguntou sorrindo para a mulher – hora de se despedir.
Bianca tapou os olhos de Nico mas mesmo assim ele sentiu o calor e a claridade passava por entre os dedos. Quando passou a irmã tirou as mãos dos olhos do irmão e abraçou-o.
Pelo ombro viu um mago sorrindo para sua coruja e uma guerreira respirando fundo apoiada numa bancada. Nicolas se distanciou de Bianca pulando do caixão, as pernas estavam bambas e o coração disparado, mas não se importou, andou até a garota atirada no chão que mantinha os olhos fechados e um sorriso brilhante.
– Você está horrível, Nicolas – a garota disse abrindo os olhos.
O garoto ficou tentado a se aproximar mais, então o fez estendendo a mão para a feiticeira que aceitou a ajuda se levantando.
– Nunca fiquei tão feliz em saber que sou protegido por duas feiticeiras malucas e um mago esquisito – ele comentou e a guerreira riu levemente.
– Sempre se esquecem do pássaro – Arquimédes resmungou fazendo todos rirem.
– Deixe de sentimentalismo e se afaste, esta com teias de aranha no cabelo – Hinnata reclamou.
– Vamos embora – Daenerys disse passando o braço em volta da irmã e assim duas feiticeiras, um mago, uma aprendiz, um pássaro e um morto saíram da cabana da bruxa Merci.
Floresta "Encantada", 30 de Setembro de 1782. 5:49AM.
– Chegamos – Daenerys anunciou assim que pararam.
A casa das feiticeiras não parecia grande coisa. Um gramado verde e bem cuidado, um poço, um lugar para amarrar os cavalos e uma cabana creme no fundo. Os companheiros subiram as poucas escadas atrás da anfitriã que abriu a porta cuidadosamente entrando em seguida indicando para que os outros fizessem o mesmo.
Em si era uma cabana confortável e aconchegante. Na sala haviam dois sofás, muitos livros e uma mesa com um pano longo de estrelinhas o cobrindo. Na cozinha uma geladeira e um fogão estavam em meio a bancada com alguns utensílios estranhos. Havia um banheiro e no fundo um quarto.
Quando no quarto entraram não imaginavam que alguma vez veriam uma feiticeira naquele estado. Estava encolhida sob o lençóis brancos de uma das grandes camas murmurando algo desconexo. Daenerys postou-se ao lado da irmã e colocou a mão em sua testa.
– O que ela tem? – Thalia quebrou o silêncio.
– Febre. Uma bruxa, está tentando tomar os poderes dela – a garota respondeu – quando isso acontece, e começa a dar certo, quem é atingido fica fraco. Precisamos de alguns feitiços para reverter mas nada está adiantando muito. Vou tentar um com pó de fada, mas preciso ir ao Reino 8 para consegui-las.
– E por que não foi? – Jason perguntou.
– Ficou maluco? – a garota retrucou – é minha força vital que está mantendo-a viva até agora. Se sair do Reino e ela não estiver junto, ela morre, mas não tem como defende-la e pegar o pó de fada sozinha, elas são bem sentimentais a isso.
– Podemos ajuda-la – Piper sugeriu recebendo olhares intrigados que ela ignorou – vamos para o Reino 8 e enquanto você pega o pó de fada protegemos sua irmã.
– Piper, nós temos outras prioridades – Leo disse delicadamente.
– Ah, quanto a isso você vão ter de esperar ela ficar boa – Daenerys disse causando espanto a todos.
– Como é!? – Thalia guinchou.
– Não posso trazer alguém dos mortos, não sozinha – a garota disse – isso foi dado a minha irmã. Talvez eu possa trazer o corpo...
– Você não está falando sério – Thalia rosnou.
– Mas é Hinnata Targaryen quem retira a alma do véu – Daenerys completou passando a mão pelos cabelos da irmã.
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