Thalico - Roar II – Memories
10 Reino 8
Notas iniciais
Reino 8, 30 de Setembro de 1782, 01:34 PM.
Se você já esteve no Reino 8 sabe que não se tem com o que se preocupar. Era como Tortuga porém com um ar celestial e um espaço mais amplo e aconchegante. Se você está morto, quem se importa? Eles estão bêbados demais para sequer notar sua existência.
As fadas pareciam mulheres normais. Mulheres normais com asas coloridas. Mas ainda assim mulheres normais. Ninguém nem olhava para onde as fadas estavam, pensando bem nem olhavam para os homens de um metro de altura com chapéu pontudos e vermelhos que corriam entre suas pernas, por que ligariam para as fadas que penteavam seus cabelos sedosos em cima das árvores?
Daenerys disse para que todos ficassem por perto. Ela e Jason ficaram encarregados de pegar o pó de fada, Piper de estar com os cavalos preparados para correr e Thalia e Leo de não deixar que nada acontecesse a Hinnata.
— Ela não está assim tão mal – a morena comentou para Leo que tentava segurar a garota em seus braços.
— Ela está muito mal – Leo afirmou apertando a garota em seus braços – hey, Hinnata, está acordada?
— Estou bem, só um pouco zonza – a garota afirmou tentando se manter firme – preciso de rum.
— Não vamos te dar bebida até que melhore – Leo repreendeu.
— Parece tanto com a Daenerys falando assim Valdez – a garota debochou em seguida quase caindo do cavalo.
— Ela tem um gênio difícil – Thalia comentou quando Leo a olhou desesperado.
— Difícil? – a garota perguntou balançando a cabeça – talvez. Ah, Thalia, eu já tentei traze-lo de volta, ainda não está na hora.
Thalia olhou de olhos arregalados para Hinnata e depois para Leo que olhou atônito para a princesa apertando a feiticeira evitando que ela escorregasse.
— O que você disse? – Thalia perguntou.
Mas neste momento Hinnata desabou sobre os braços de Leo. O garoto ficou sem ação mas segundos depois avistou Jason, Piper e Daenerys em cima dos cavalos vindo em alta velocidade. Atrás deles mulheres olhavam furiosa para a ruiva e disparavam atrás deles.
— Vamos! Não podem entrar no Reino 9! – Daenerys gritou assim que passou por eles e juntos correram em alta velocidade para o Reino 9.
Leo teve a impressão que deixaria Hinnata cair a qualquer momento, porém a feiticeira pareceu tomar consciência suficiente para agarrar a camisa do rapaz e tentar-se manter dura. Os cavalos corriam das fadas furiosas atrás deles e assim que atravessaram as fronteiras do Reino 9 elas pararam gritando insultos.
Daenerys riu acenando com um saquinho dourado. Voltaram novamente para a cabana das feiticeiras. Jason ajudou Leo a descer Hinnata e colocou-a deitada na cama. Enquanto uma feiticeira semi-desmaiada era acomodada por Piper a outra preparava uma poção com pó de fada com a ajuda de Thalia. Os garotos desabaram no sofá e conterão o riso um para o outro.
Onde é que tinham se metido?
Floresta "Encantada", 18 Outubro de 1778. 9:23AM.
Duas feiticeiras, um mago, uma aprendiz, um pássaro e um morto.
Era como uma cena fictícia. Você nunca veria nada igual. Cada qual tinha sua história carregada nas costas. Suas personalidades. Seus anos de aprendizagem.
Hinnata Targaryen não aparentava 15 anos apesar de demonstrar os milhares de anos de sabedoria ao lado da irmã, pouco mais velha, Daenerys, uma guerreira nata sempre disposta a entrar nas batalhas por mais frias e sangrentas que fossem. Merlin, um mago que sabia pouco e entendia muito com um coração enorme e sempre disposto ajudar sempre ao lado de sua fiel (e tagarela) coruja, Arquimédes que reclamaria a viagem toda fazendo sorrisos espalharem-se pela floresta.
E haviam os filhos do Reino 9. Bianca di Angelo aprendeu arte da magia atravessando o mundo com seu grande amor pelo irmão, disposta a enfrentar os desafios de ser uma feiticeira e, é claro, Nicolas di Angelo, um morto. Poderia ser explicado que quem estava no caixão de ouro era levado ao mundo dos mortos e muita força de vontade para não se entregar a aquele lugar bonito e ensolarado no fim do túnel escuro e ameaçador.
A luz da manhã brilhava entre as árvores. Merlin tinha Arquimédes no ombro, Hinnata estava nas costas de Daenerys, Nico e Bianca brincavam enquanto andavam. Era uma cena simples... E aparentemente mágica.
— Sentirei saudades – disse Merlin abraçando as feiticeiras protetoramente – chamem-me sempre, queridas, o velho Merlin sempre estará aqui.
— E Arquimédes – a coruja falou pousando no ombro de Hinnata.
— Espero vê-los em breve – a feiticeira disse bagunçando o pelo do coruja.
Arquimédes pousou sobre o ombro do dono e ambos desapareceram e uma luz dourada. Nico sentou-se em uma árvore e apreciou o som da natureza, pensou que talvez nunca ouviria aquilo novamente.
— Bem, eu não sei vocês – Daenerys começou – mas eu estou com fome, tem uma taberna a uns dois quilômetros daqui, alguém me acompanha?
— Eu vou com você – Bianca disse prontamente.
— Vou esperar aqui – a outra feiticeira disse com um olhar distante.
— Nico, você vem? – Bianca perguntou e o garoto balançou a cabeça negativamente – encontramos vocês aqui mais tarde.
— Tudo bem – o garoto disse.
Bianca e Daenerys sumiram na mata enquanto Nicolas olhava para a feiticeira, esta que observava algo ao longe de qualquer tempo ou espaço que Nico tenha conhecido.
— Sabe, nós feiticeiras nascemos das flores que as mulheres com o amor puro deixam no mar – a feiticeira disse depois de algum tempo em silêncio – eu e Daenerys no entanto fomos fruto de um amor pecador...
"Foi no Reino 9, 101 antes de Cristo, A Mãe, ela era uma mulher jovem e casada, o marido não podia dar-lhe filhos e isso a deixou cheia de ira, ver as outras mulheres tendo seus filhos, o maior desejo da mulher, ela experimentou o gosto amargo da inveja. A mulher certa vez foi a praia nebulosa do Reino onde conheceu um rapaz este era impregnado de soberba e avareza, ambos pecadores, cegados pela luxuria sucumbiram ao amor nas rosas do mar onde então uma garotinha nasceu. Três anos mais tarde os amantes já tinham formado seu lar na floresta onde não seriam alvo de chacota e cuidavam da filha, Daenerys, com todo amor e carinho. Então voltaram as águas, ambos envolveram as mãos uma rosa e a soltaram no mar, minutos depois trazida por uma correnteza a rosa, maior do que antes, envolvia um bebê, eu, Hinnata, filha de Harmonia e Philhus Targaryen, ou como fui chamada, a filha do pecado."
Floresta "Encantada", 1 de Outubro de 1782. 04:03PM.
— Certo – Daenerys sorriu para os garotos – preciso de sangue humano, não real, então descartarmos Thalia e Jason...
— Como...? – Jason se levantou confuso.
— Filhos de Zeus – a garota rolou os olhos – prometo que lhe explico tudo mais tarde. Leo, querido, pode usar o seu?
— Tudo bem – o ferreiro assentiu se levantando e pegando a adaga na bancada – por que precisa de sangue?
— Faz parte da receita – a garota deu de ombros e o ferreiro abriu um corte no braço e estendeu para a feiticeira que sorriu satisfeita colocando uma vasilha de madeira como recipiente – estará pronta em poucos minutos depois disso.
Jason estava paralisado seria ele da realeza? Irmão de Thalia? Filho de Zeus? Eram tantas as perguntas que rodavam a cabeça do loiro que este nem percebeu quando Piper e Thalia entraram rindo na sala.
— Sua irmã é um amor – Piper comentou.
— Hinnata? – Daenerys perguntou se virando para as garotas – nem sempre, normalmente ela é temperamental.
— Cale a boca – uma voz rouca ricocheteou.
Hinnata Targaryen parecia melhor que quando chegaram no dia anterior, estava ao menos de pé, apesar de estar mortalmente pálida, seus cabelos com alguns fios grisalhos, seus olhos sem brilho e os lábios rachados. Não era esta a visão de feiticeira que faria alguém reviver que todos esperavam.
— Ela disse "Cale a boca" para mim – Daenerys disse orgulhosa porém a garota a ignorou sentando-se ao lado de Jason.
— Thalia, lembra-se do que eu lhe disse no Reino 8? – a garota começou pegando um chapéu pontudo azul de estrelinhas na mesinha – sobre eu já ter tentado trazer Nico de volta?
A princesa empalideceu se sentando enquanto assentia. Thalia viera pensando nisto desde que as palavras foram proferidas, por mais que não fizesse ideia do significado que elas formavam.
— Você ia dizer mais alguma coisa – Leo falou se sentando ao lado da feiticeira.
— Eu sei como traze-lo de volta – ela disse – Nico quer voltar, o achei um pouco apreensivo como fantasma...
— Viu, Nico? – Thalia perguntou.
— Ele é um anjo – a feiticeira assentiu com um sorriso distante – ele parece estressado por não poder fazer muito, mas garanto que ficará bem.
— Hinnata – Daenerys estendeu a xícara de madeira para a irmã.
Hinnata fez uma cara feia para a poção porém prendeu a respiração e engoliu a força o líquido gosmento. A forma da feiticeira tremeluziu e todos se afastaram. A garota pareceu ter explodido em chamas esbranquiçadas e quando voltou a reaparecer parecia outra garota.
Seus olhos acinzentados brilhavam por trás dos óculos redondos perfeitamente polidos, as bochechas pareciam mais coradas, a cor voltara a pele e os lábios continham brilho vermelho. Ela sorria travessa mexendo na capa de estrelinhas e balançando o chapéu na cabeça. Os cabelos negros voltaram a ser escuros e lisos e uma longa franja no meio da testa quase encostava nos olhos.
— Melhor assim – a feiticeira sorriu para todos – espero que estejam prontos, Nico não tem muito tempo.
Floresta "Encantada", 18 Outubro de 1778. 9:30AM.
Nico ficou em silêncio olhando estático para a feiticeira. Filha do pecado. Pela primeira vez ele notou a áurea que a garota exalava. Apesar que por trás de tudo ela ainda continuava a mesma de antes. Hinnata não o olhara nenhuma vez enquanto falava, Nicolas não soube porquê e tão pouco sabia o que fazer.
— Feiticeira do Reino 9 – Nico murmurou e a garota lhe lançou um olhar confuso – filha do pecado, existência do orgulho... Suponho que não seja fácil encontrar uma garota assim.
— Acho que não – a garota sorriu.
O garoto sentiu uma onda de calor apossar-se de si e uma força o fez se levantar e andar até a feiticeira que o observou ainda mais confusa. Nico tocou o ombro da garota e afastou os cabelos alisando o rosto pálido.
— Agora entendo porque os homens pecam – ele disse e a feiticeira engoliu em seco – eles veem a você esta força inexplicável.
— Eu não acho que seja isso – a garota recuou mas o garoto a seguiu.
— Bobagem – ele afirmou acariciando lhe os braços nus.
— Não faça isso – a feiticeira pediu suspirando.
— Isso o que? – ele perguntou chegando ainda mais perto.
— Você tem uma noiva – ela afirmou fechando os olhos.
— Calipso? Ela nunca me amou, sempre foi parte de um trato entre nossos pais – o garoto desdenhou – já você... Por outro lado...
— Não controlo isso – HInnata soltou e ele sorriu.
— Se apaixonaria por mim Hinnata? – ele perguntou entrelaçando os dedos aos da feiticeira.
Hinnata abriu os olhos acinzentados que continham pontinhos negros girando num tipo de transe, a cabeça da feiticeira moveu-se e inclinou-se involuntariamente, seu corpo amoleceu nos braços de Nicolas e seus lábios avermelhados se abriram em um sorriso.
— Eu... Me apaixonaria? – ela perguntou ao garoto que assentiu.
O homem a alguns metros sorriu friamente para a cena. Ela teria de partir seu coração. Por que não por um príncipe inalcançável? Escondido nas árvores ela veria Nicolas, a sua vontade seduzir a garota, e por fim, acabar com a inimiga. Ele deu uma risadinha e moveu os dedos ao mesmo tempo que Nico colava o corpo ao da garota e murmurava junto a ele:
'– Amantes apaixonados, Hinnata.
A feiticeira atirada em seu próprio feitiço deixou envolver-se por Nicolas, suas respirações se encontraram e os olhas da garota se fecharam. Iria acontecer. Rumpelstiltskin derrotaria a inimiga de uma vez por todas.
— Um centímetro antes dos lábios se encontrarem... – ele sorriu cruelmente.
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