Text girl

12 The Dollhouse Game


O primeiro som que Bella Swan percebeu ao abrir os olhos foi o zumbido baixo de eletricidade correndo pelas paredes.

Era quase imperceptível… mas constante.

A cabeça dela latejava como se alguém estivesse batendo um martelo dentro do crânio. Quando tentou se mover, uma pontada aguda percorreu sua têmpora direita, arrancando um gemido fraco de seus lábios. Instintivamente, Bella levou a mão à testa e seus dedos tocaram algo áspero.

Sangue seco.

Ela piscou várias vezes, tentando afastar a névoa pesada que envolvia seus pensamentos. O cheiro no ar era estranho. Tinta fresca misturada com madeira recém-cortada… e algo doce demais, artificial, como perfume barato espalhado no ambiente.

Lentamente, ela ergueu o tronco na cama.

E então percebeu.

O quarto.

Era o quarto dela.

Cada detalhe estava ali. A cama branca grande com o mesmo edredom macio. Os travesseiros empilhados exatamente da mesma forma. A estante ao lado da janela… e sobre ela, uma coleção de bonecas raras vindas de várias partes do mundo.

Bella ficou imóvel por alguns segundos.

O coração começou a bater mais rápido.

— Não… — murmurou, olhando ao redor.

Havia algo errado.

Tudo estava… perfeito demais.

Como se fosse um cenário.

Os móveis estavam posicionados com uma precisão quase obsessiva. Nenhuma marca de uso. Nenhuma dobra errada no tecido. Nenhum livro fora do lugar.

Era uma réplica.

Uma cópia.

Uma encenação grotesca da realidade.

Bella se levantou da cama devagar, sentindo as pernas vacilarem. Quando seus pés tocaram o chão frio de madeira, o silêncio do quarto pareceu se tornar ainda mais pesado.

Ela caminhou até a porta.

Girou a maçaneta.

Nada.

Tentou de novo.

Trancada.

O pânico começou a se infiltrar lentamente em seus pensamentos.

Bella bateu na porta com força.

— Alice! — gritou, a voz ecoando no quarto artificial. — Rosalie! Vocês estão aí?!

Silêncio.

Nenhuma resposta.

A respiração dela ficou irregular.

Bella girou no próprio eixo, observando cada centímetro daquele lugar absurdo.

— Que merda é essa…?- ela sussurrou.

Foi então que ela viu.

As câmeras.

Pequenas lentes negras escondidas nos cantos do teto, entre os objetos decorativos e até mesmo dentro da estante. Todas apontadas para ela, a observando e registrando cada movimento.

O coração de Bella despencou no estômago e antes que pudesse reagir, um estalo metálico ecoou no alto do teto.

O alto-falante.

E então a voz surgiu.

Doce.

Calma.

Perturbadoramente alegre.

Bom dia, minhas bonequinhas…

Bella congelou.

Dormiram bem?

A voz feminina tinha um tom quase infantil.

Como alguém narrando uma história para crianças.

Espero que sim…

Uma pequena pausa.

Porque hoje…

Um ruído leve de interferência atravessou o sistema.

…vamos brincar.

O silêncio durou apenas dois segundos.

XOXO.

Bella deu um passo para trás.

— Quem está aí?! — gritou, olhando para o teto.

Nenhuma resposta, apenas o zumbido elétrico novamente.

O medo começou a se transformar em algo mais primitivo...Raiva.

Ela começou a abrir gavetas, jogar objetos no chão, puxar as cortinas falsas da janela. Nada!

A janela nem sequer abria, era apenas vidro colado à parede.

— Isso não é real… — sussurrou para si mesma.

Foi quando ela percebeu algo escondido atrás do grande armário branco encostado na parede.

Uma fresta.

Bella franziu a testa.

Com esforço, começou a empurrar o móvel pesado. A madeira arranhou o chão enquanto ela forçava o corpo contra ele.

Quando finalmente abriu espaço suficiente… viu.

Uma pequena porta.

Daquelas usadas em casas de boneca antigas.

Bella engoliu em seco.

— Você só pode estar brincando…

Ela abriu e um corredor estreito se estendia diante dela. No chão havia um cartão branco e Bella se abaixou para pega-lo.

A frase estava escrita com tinta vermelha.

“O jogo começou. Ache suas amigas.”

As luzes começaram a piscar violentamente e o alto-falante voltou a estalar.

Regra número um…

A voz doce ecoou pelo corredor.

Não confiem em ninguém.

Bella sentiu o sangue gelar.

Regra número dois…

O corredor piscou novamente.

Segredos sempre têm um preço.

Uma última pausa.

Regra número três…

A voz ficou mais suave.

Mais cruel.

Apenas uma de vocês vai sair daqui primeiro.

Bella começou a correr.

O corredor parecia interminável.

Dobras, portas falsas, paredes que pareciam mudar de lugar conforme ela avançava. Era um labirinto e o ar estava pesado e abafado.

Então ela ouviu.

Passos.

E uma respiração ofegante.

— Bella…?

A voz veio da escuridão.

Familiar.

Inconfundível.

— Alice?!

Bella correu até ela e a abraçou com força.

Alice parecia pálida, os olhos arregalados.

— Bells… — disse ela, agarrando a amiga como se estivesse se segurando à única coisa real naquele lugar. — Eu achei que estivesse sozinha…

Bella segurou o rosto dela.

— Você está bem?

Alice respirava rápido.

— Eu… eu acordei em um quarto… era o meu quarto de infância… mas tudo era exagerado… infantil demais…

Ela engoliu em seco.

— Havia vestidos de boneca… dezenas deles…

Bella sentiu um nó no estômago.

— A mesma coisa comigo.

As duas caminharam pelo corredor, tentando ignorar as câmeras presas ao teto.

— Precisamos encontrar Rosalie — disse Bella.

Alice assentiu.

Depois de alguns minutos andando, elas encontraram uma porta grande no final do corredor.

Bella colocou a mão na maçaneta.

— Pronta?

Alice assentiu, embora estivesse claramente apavorada. Bella abriu e as duas pararam imediatamente.O quarto era enorme com paredes que estavam completamente cobertas por televisões.

Dezenas.

Talvez centenas.

Todas ligadas.

Todas exibindo gravações.

Forks High School.

Corredores.

Salas de aula.

Festas.

Alunos.

Segredos.

No centro do quarto…Rosalie amarrada a uma cadeira e amordaçada. Os olhos dela estavam cheios de raiva.

— Rosie!- disse Bella correndo até ela.

Alice começou a desamarrar as cordas.

Quando a mordaça foi retirada, Rosalie respirou fundo como se estivesse se segurando para não explodir.

— Aquela psicopata…

— Jenna — disse Bella, tensa.

Rosalie franziu a testa.

— O quê?

Bella mal teve tempo de responder.

As televisões começaram a piscar.

Todas ao mesmo tempo.

E então surgiu.

O símbolo.

O logo da Text Girl.

A tela ficou preta.

E uma nova postagem apareceu.

📱 TEXT GIRL POST

“BREAKING NEWS FROM THE DOLLHOUSE.”

Olá, Forks.

Sentiram minha falta?

Porque eu senti a de vocês.

Especialmente de três garotas muito… especiais.

Vamos falar de segredos?

Bella Swan.

A garota perfeita.

A namorada perfeita.

A amiga perfeita.

Engraçado como ninguém lembra que foi você quem empurrou aquela aluna escada abaixo na oitava série… não foi?

Ops.

Talvez isso apareça em vídeo daqui a pouco.

Alice Brandon.

A vidente social de Forks High.

Sempre manipulando as pessoas como peças de xadrez.

Quantos namoros você já destruiu apenas por diversão?

Eu perdi a conta.

Mas Rosalie Hale…

Ah, Rosalie.

Você é a minha favorita.

A rainha do baile.

A deusa de gelo.

A garota que todos querem ser.

Mas me diga…

Quantas pessoas você machucou para chegar lá?

Quantas mentiras?

Quantas traições?

Quantos segredos?

Vocês três criaram a Text Girl.

Vocês começaram o jogo.

Mas adivinhem?

Agora o jogo é meu.

E eu sempre jogo para ganhar.

Uma de vocês vai sair primeiro.

As outras…

Bem…

Bonecas quebradas são substituídas.

XOXO

— Text Girl

O silêncio tomou o quarto e Bella sentiu o estômago revirar, Alice estava tremendo e Rosalie parecia pronta para matar alguém.

— Aquela filha da puta… — sussurrou Rosalie.

Foi quando uma nova tela se acendeu com uma câmera ao vivo mostrando outro quarto da casa e nele um manequim vestido com o uniforme escolar de Forks.

Mas no pescoço havia algo pendurado. Uma chave.

E abaixo dele… um cronômetro.

00:10

Começou a contagem regressiva.

A voz doce ecoou novamente pelos alto-falantes.

Rodada um.

Uma pausa.

Quem merece sair primeiro?

Outro segundo de silêncio.

Vocês decidem.

Alice empalideceu.

— Bella…

Bella não respondeu.

Porque naquele momento ela percebeu algo ainda pior.Uma das televisões estava mostrando Edward do lado de fora da casa dos Higginbotham, completamente desesperado procurando por ela.

E Jenna Swan estava observava tudo dee algum lugar.

Sorrindo...