Text girl
6 The 24 Hour Countdown
Notas iniciais
“24 horas.
O relógio não para, queridos.
Alguns de vocês acordaram hoje em lençóis de algodão egípcios que não eram os seus. Outros acordaram com segredos que não eram tão secretos assim. A descrição britânica é inconfundivel...
E para a família mais perfeita de Forks… todo cuidado é pouco. Às vezes um escândalo não começa com traição. Começa com paternidade.
Vejo vocês em breve.
XOXO — TEXT GIRL”
A cabeça de Rosalie Hale latejava como se o jazz da noite anterior ainda ecoasse dentro do crânio. A luz que atravessava a cortina era suave demais para ser o quarto dela. O cheiro também não era o seu — não havia o perfume delicado de flores brancas que ela usava para dormir, mas sim algo amadeirado, masculino.
Ela abriu os olhos devagar.
O teto era diferente.
As paredes eram azul-marinho.
E, quando virou o rosto, encontrou Mike Newton deitado ao lado dela, os cabelos desalinhados, o lençol cobrindo metade do corpo, o olhar ainda pesado de sono, mas com um sorriso que não era debochado, era… tranquilo.
Rosalie piscou duas vezes.
— Onde eu estou? — perguntou, a voz rouca.
Mike apoiou a cabeça no braço e a observou como se estivesse tentando guardar cada detalhe.
— Na minha casa — respondeu com calma. — Você queria ir embora da festa. Estava cansada.
Ela franziu a testa, tentando lembrar. Fragmentos vieram: a dança sob as luzes douradas, a mão dele firme na cintura dela, o riso mais solto do que ela costumava permitir.
— Eu… fiz alguma loucura? — ela perguntou, segurando o lençol contra o corpo.
Ele sorriu de lado, mas dessa vez não havia malícia, apenas honestidade.
— Você me beijou — disse ele. — E não parecia arrependida.
O silêncio que se seguiu não era pesado. Era delicado.
Rosalie observou o rosto dele com atenção. Mike Newton não estava com aquele ar de provocação habitual. Ele parecia… vulnerável.
— Eu poderia ter ido embora — ela murmurou.
— Poderia — ele confirmou. — Mas ficou e eu não precisei implorar.
Ele estendeu a mão e tocou de leve os dedos dela, como se pedisse permissão antes de qualquer gesto.
— Eu nunca brincaria com você, Rose.— sussurou olhando em seus olhos.
Ela sentiu o coração acelerar, e odiou perceber que aquilo não era raiva.
— Você me irrita — disse ela, mas a frase saiu sem força.
— Eu sei — ele respondeu, aproximando-se alguns centímetros. — Mas você gosta quando eu te irrito.
Rosalie respirou fundo.
Talvez gostasse.
Talvez sempre tivesse gostado.
Enquanto isso, na cidade que fingia acordar inocente, o prazo da Text Girl diminuía.
Na escola, o clima estava mais tenso do que nunca. Celulares vibravam a cada novo comentário, cada novo compartilhamento. O teaser envolvendo o prefeito já circulava em grupos privados.
Isabella caminhava pelo corredor tentando manter a postura intacta, mas os dedos tremiam levemente ao segurar o celular.
A nova postagem surgiu às 10h17.
Uma foto.
Londres.
Ela e Edward sentados à mesa de um pub, conversando. Nada explícito. Nada comprometedor. Apenas proximidade.
A legenda, porém, era venenosa:
“Aulas particulares de literatura durante o período de exílio???
Interessante como certas garotas exemplares aprendem rápido… principalmente quando o professor é dedicado.
Mas isso é só a superfície. A verdadeira história envolve segredos familiares ainda mais profundos.”
O ar pareceu sumir dos pulmões de Isabella.
Edward viu a postagem segundos depois.
Ele a encontrou no corredor lateral, perto dos armários.
— Isso não é só sobre nós — ele disse, baixo, mas firme. — Você está com medo por outro motivo.
Ela tentou manter o controle.
— Eu só estou cansada.- ela murmurou
— Não — ele insistiu, aproximando-se um pouco mais. — Esse pânico não é sobre romance proibido. É sobre algo maior.
Ela desviou o olhar.
— Eu não posso falar — murmurou, quase inaudível.
E aquilo confirmou tudo para ele.
No banheiro feminino, Tanya e Irina bloquearam a saída de Isabella perto dos espelhos iluminados.
— Então Londres foi só estudo mesmo? — Tanya provocou, cruzando os braços.
— Ou você já tinha currículo prático? — Irina completou, exibindo o anel no dedo.
Alice entrou logo atrás, seguida por Rosalie.
— Se vocês duas não têm nada melhor para fazer além de cheirar a vida alheia, recomendo um hobby — Alice disparou, jogando o cabelo para trás.
Rosalie encostou na pia, elegante e perigosa.
— E cuidado com o que falam. Algumas coroas caem mais rápido do que sobem.
Tanya riu.
— Estamos só preocupadas com a reputação da escola.
— Então começa pela sua — Isabella respondeu, finalmente erguendo o queixo.
O clima poderia ter explodido ali, mas os celulares vibraram novamente.
Prints.
Mensagens antigas entre Rosalie e Mike.
Conversas provocativas.
Insinuações claras de uma noite juntos.
A legenda era cruel:
“Rainha Hale caiu do trono?
Ou apenas escolheu um novo rei?”
O olhar de Rosalie endureceu., ela saiu caminhando em passos largos como se estivesse marchando para uma guerra. O odio dominava cada átomo do seu corpo...
Ela encontrou Mike atrás do ginásio.
— Você mostrou nossas mensagens? — perguntou, a voz baixa, mas perigosa.
— Eu não sou idiota — ele respondeu, sério. — Eu nunca faria isso com você.
Ela se aproximou, o peito subindo e descendo rápido.
— Então por que parece que o mundo inteiro sabe?
Ele segurou o rosto dela com cuidado.
— Porque alguém quer que a gente se destrua.
O silêncio entre eles ficou intenso.
Ele se inclinou.
Ela não se afastou.
O quase-beijo ficou suspenso no ar.
— Rosalie?
A voz de Emmett ecoou atrás deles.
Ele tinha visto.
O olhar dele não era de raiva explosiva. Era pior. Era de decepção.
— Você prometeu — ele disse, encarando Rosalie.
Ela abriu a boca para explicar, mas não havia palavras simples para aquilo.
— Não foi assim — ela começou.
— Nunca é — ele interrompeu, passando a mão pelos cabelos. — Eu sempre sou o último a saber.
Ele riu sem humor.
— Sejam felizes... eu tô fora— disse ele virando as costas para os dois.
A frase caiu como sentença.
— Emmett… — ela tentou, mas ele já estava se afastando.
E naquele instante, Rosalie percebeu duas coisas ao mesmo tempo: que talvez tivesse perdido alguém que realmente a amava, e que seu coração não estava tão claro quanto ela sempre fingiu estar.
Na biblioteca, Jasper analisava novamente o código do notebook.
— Isso não foi feito por um amador — ele murmurou. — Mas também não foi feito sozinho.
Ele ampliou uma linha específica.
— Esse script de hospedagem foi configurado dentro da rede interna da escola. Alguém usou o servidor do laboratório de informática para estruturar o blog.
Bella sentiu um arrepio.
— Então a Text Girl está mais perto do que a gente imagina.
O relógio marcava 23 horas e 12 minutos restantes.
E, em algum lugar de Forks, alguém sorria ao ver as peças começarem a cair exatamente onde deveriam....
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