Text girl
21 THE TRUTH BLEEDS SLOWER THAN LIES
O som que despertou Bella naquela manhã não foi o despertador.
Foi o eco distante de um grito.
Um grito que existia apenas dentro da memória dela.
A casa de bonecas.
O cheiro de madeira queimando.
As luzes piscando.
O sangue de Edward espalhado pelo chão enquanto Jenna Swan sorria com aquela expressão calma e doentia que parecia existir apenas para quebrar pessoas por dentro.
Bella despertou com um sobressalto violento.
O corpo inteiro coberto de suor frio.
A respiração irregular.
Por alguns segundos ela ficou imóvel na cama, olhando para o teto branco do quarto da casa dos Higginbotham, tentando convencer a própria mente de que estava segura.
Mas o cérebro humano tem uma capacidade cruel de preservar detalhes que deveriam ser esquecidos.
O barulho do estilete entrando na pele de Edward ainda ecoava na memória dela como um som físico.
Real.
Irreversível.
Bella virou lentamente o rosto e olhou para o relógio digital na mesa de cabeceira.
05:30 da manhã.
A casa estava silenciosa.
Profundamente silenciosa.
Como se o mundo ainda estivesse suspenso entre o final da noite e o início de um novo dia.
Ela passou a mão pelo rosto.
Os dedos tremiam.
Já fazia dez dias.
Dez dias desde que haviam escapado daquele inferno subterrâneo.
Dez dias desde que o corpo de Jenna Swan fora retirado das ruínas da casa de bonecas com um tiro no peito.
Dez dias desde que Edward Cullen fora levado inconsciente para o hospital.
E desde então…
Bella praticamente não havia saído de lá.
Ela se levantou da cama devagar, caminhando até o espelho.
O reflexo que encontrou era de alguém diferente da garota que havia entrado naquela casa semanas antes.
Os cabelos ainda curtos e irregulares depois do desafio cruel que Jenna havia imposto.
Olheiras profundas.
O olhar cansado de quem havia dormido pouco e chorado demais.
Bella tomou um banho rápido.
Vestiu uma calça jeans escura e um suéter largo.
E saiu da casa antes que o sol nascesse completamente.
Forks estava envolta naquela neblina matinal típica da cidade.
As ruas vazias.
As árvores altas formando silhuetas escuras contra o céu acinzentado.
Bella dirigiu em silêncio.
O hospital ficava a apenas quinze minutos.
Mas aquela pequena distância havia se transformado no centro da vida dela nos últimos dias.
Quando chegou, os corredores ainda estavam tranquilos.
O turno da madrugada terminando.
O turno da manhã começando.
Bella caminhou diretamente até a UTI.
Já não precisava pedir autorização.
Todos ali conheciam a garota que passava horas olhando através do vidro.
A garota que não desistia de esperar.
Edward Cullen estava deitado na cama.
O corpo imóvel.
Conectado a tubos e aparelhos.
A máquina que monitorava os batimentos cardíacos emitia aquele bip constante que havia se tornado o som mais importante da vida de Bella.
Porque enquanto aquele som existisse…
Edward ainda estava ali.
Ela encostou a mão no vidro.
— Você prometeu… — murmurou ela, a voz falhando. — Você prometeu que ia voltar.
O silêncio respondeu.
E então…
Um movimento.
Pequeno.
Quase imperceptível.
Os dedos de Edward se moveram.
Bella congelou.
O coração disparando.
— Doutor! — ela gritou, correndo pelo corredor.
Médicos entraram rapidamente no quarto.
As máquinas começaram a registrar alterações.
Bella observava tudo do lado de fora.
As mãos tremendo.
Os olhos cheios de lágrimas.
Então…
Os olhos de Edward se abriram lentamente.
Confusos.
Pesados.
Mas vivos.
Bella levou as mãos à boca.
O corpo inteiro tremendo.
Porque depois de tudo…
Ele tinha voltado.
—
Os dias seguintes passaram como um sonho confuso.
Edward havia sobrevivido.
Contra todas as probabilidades.
As perfurações do estilete haviam causado danos graves, mas nenhum órgão vital fora destruído completamente.
O corpo dele havia resistido.
E naquela tarde silenciosa, quando o quarto do hospital estava finalmente tranquilo, Bella entrou no quarto dele.
Edward estava acordado.
Sentado parcialmente na cama.
Mais magro.
Mais pálido.
Mas vivo.
Os olhos verdes encontraram os dela imediatamente.
Por alguns segundos nenhum dos dois falou.
Porque algumas emoções são grandes demais para caber em palavras.
Bella foi até a cama.
Segurou a mão dele.
Os dedos tremiam.
— Eu achei que tinha te perdido… — disse ela, a voz quebrando.
Edward apertou a mão dela com cuidado.
— Eu ouvi você… — murmurou ele.
Bella piscou.
— O quê?
— Quando eu estava em coma… — disse ele lentamente. — Eu ouvia você falando comigo.
As lágrimas escorreram pelo rosto dela.
— Eu nunca saí daqui.
Edward sorriu de forma fraca.
— Eu sei.
Silêncio.
Então Bella se inclinou e beijou a testa dele.
Um gesto simples.
Mas carregado de tudo o que eles haviam sobrevivido juntos.
—
A audiência sobre o caso de Jenna Swan aconteceu duas semanas depois.
O tribunal de Forks estava lotado.
Repórteres.
Moradores da cidade.
Curiosos.
O caso havia se tornado uma obsessão pública.
O massacre da casa de bonecas.
O incêndio.
A morte de Jenna Swan.
O desaparecimento de Angela Weber.
Bella estava sentada ao lado de Charlie.
As mãos entrelaçadas no colo.
Edward estava no banco das testemunhas.
Ainda se recuperando fisicamente, mas determinado.
Ele olhou para Bella por um segundo e então começou a falar.
— Jenna Swan apontou uma arma para Bella — disse ele com calma. — Eu avancei para proteger ela.
A sala estava completamente silenciosa.
— Durante a luta… eu consegui pegar a arma... Eu atirei.- Ele respirou fundo.
A mentira de Charlie, a versão que protegeria Bella.
Edward sustentou aquela história com uma serenidade impressionante. Cada detalhe cuidadosamente contado e cada pausa calculada.
Bella sentia o coração apertar dentro do peito, porque ele estava carregando aquele peso por ela.
Quando o depoimento terminou, o juiz declarou o caso como legítima defesa.
Jenna Swan estava oficialmente morta.
O caso estava encerrado ou pelo menos…Era o que todos acreditavam.
—
Três dias depois.
A polícia finalmente encontrou Angela Weber.
Ela estava escondida em uma casa abandonada na periferia de Seattle.
Desorientada, instávele falando frases desconexas sobre jogos, bonecas e punições.
Angela foi levada para uma prisão psiquiátrica de segurança máxima.
O último fantasma daquele pesadelo havia sido capturado.
Forks finalmente poderia respirar novamente ou pelo menos fingir que podia.
—
Naquela noite chuvosa, Edward dirigiu até a casa dos Higginbotham.
O carro ficou estacionado por alguns minutos antes que ele tivesse coragem de sair.
Bella abriu a porta.
Ela sorriu ao ver ele ali.
Mas o sorriso desapareceu quando percebeu a expressão no rosto dele.
— Edward… o que aconteceu?
Ele entrou devagar.
O silêncio entre eles era pesado.
Doloroso.
Edward olhou ao redor da sala como se estivesse tentando memorizar aquele lugar.
Então finalmente falou.
— Eu vou voltar para Londres.
Bella ficou imóvel.
— O quê?
— Eu já comprei a passagem — disse ele.
A voz dele estava calma.
Calma demais.
— Não… — Bella balançou a cabeça lentamente. — Não faz sentido.
Edward respirou fundo.
— Bella… tudo que aconteceu… tudo que Jenna fez… aconteceu por minha causa.
— Não diga isso!
— É verdade — disse ele. — Eu trouxe aquele passado para a sua vida.
Bella estava tremendo agora.
— Então você vai simplesmente ir embora?
Edward fechou os olhos por um segundo.
— Eu preciso ir.
— Você está me deixando — disse Bella, a voz falhando.
Ele se aproximou dela.
As mãos segurando o rosto dela com cuidado.
— Eu estou tentando salvar você.
Bella chorava agora.
— Eu não preciso ser salva de você.
O silêncio entre eles parecia infinito.
Então Edward a beijou.
Um beijo desesperado.
Doloroso.
Cheio de tudo que eles nunca seriam capazes de dizer.
Quando o beijo terminou, os dois estavam chorando.
— Eu te amo — disse Edward.
Bella encostou a testa na dele.
— Então não vá…
Mas Edward já havia tomado sua decisão.
Ele se afastou lentamente.
Caminhou até a porta.
E saiu.
Bella ficou parada no meio da sala.
Com o coração despedaçado.
—
Naquela mesma noite.
Um novo post apareceu.
No mesmo site antigo.
Que ninguém havia conseguido rastrear:
TEXT GIRL POST
Oh, Forks…vocês realmente acreditaram que o jogo acabou?
Queimar a casa de bonecas não destrói o tabuleiro. Apenas muda as peças de lugar.
Mas segredos…segredos nunca morrem.
Eles apenas esperam, crescem e apodrecem.
E quando voltam à superfície…fazem o inferno parecer um parque de diversões.
Durmam bem, bonequinhos.
Porque alguém ainda está observando.
E eu prometo…o próximo jogo vai ser ainda mais divertido.
XOXO
— TEXT GIRL
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