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22 THE ROAD THAT LEADS BACK


A primavera havia chegado lentamente a Forks naquele ano, como se a própria cidade estivesse cautelosa depois de tudo o que havia acontecido meses antes. As árvores altas ainda estavam cobertas por um verde jovem e úmido, o céu permanecia cinza na maioria dos dias, mas havia algo diferente no ar , uma espécie de tranquilidade frágil, como se a cidade estivesse tentando se convencer de que o pior realmente havia passado. As ruínas da casa de bonecas haviam sido completamente demolidas pelo departamento de polícia e pela prefeitura semanas depois do incêndio, e embora ninguém falasse muito sobre aquilo em público, todos sabiam que aquele terreno carregaria uma sombra permanente na memória coletiva da cidade. Forks era pequena demais para esquecer tragédias.

Naquela manhã, porém, a escola secundária estava cheia de vida.

A cerimônia de formatura havia transformado o ginásio em um cenário de celebração e despedida ao mesmo tempo. Faixas azuis e prateadas pendiam das arquibancadas, balões estavam presos nos cantos da quadra e cadeiras organizadas em fileiras aguardavam os alunos que, em poucas horas, deixariam oficialmente de ser adolescentes para se tornarem adultos com destinos espalhados pelo país.

Bella Higginbotham estava sentada na terceira fileira com o capelo azul-marinho nas mãos.

Ela observava os colegas conversando, rindo, tirando fotos e se abraçando com uma sensação estranha no peito. Era como assistir a vida seguir em frente enquanto uma parte dela permanecia presa em algum lugar distante do passado recente.

Rosalie Hale estava alguns metros à frente, absolutamente deslumbrante mesmo com a beca simples da escola. Os cabelos loiros, agora um pouco mais curtos depois do trauma na casa de bonecas, haviam voltado a crescer com uma elegância natural que parecia impossível de destruir. Ao lado dela estava Mike Newton, segurando a mão dela com uma mistura de orgulho e nervosismo.

Os dois estavam oficialmente juntos há três meses.

E iriam para Yale no outono.

Alice Brandon, sentada no lado oposto da quadra, gesticulava animadamente enquanto falava com Jasper Whitlock. Jasper mantinha aquele sorriso tranquilo que Bella havia aprendido a reconhecer como um sinal raro de felicidade genuína.

As famílias deles agora aceitavam o relacionamento.

E os dois haviam sido aceitos em Brown.

Emmett McCarty estava no fundo da quadra conversando com alguns colegas do time de futebol. O gigante sorria com aquela expressão despreocupada que parecia impossível de associar ao rapaz que havia enfrentado serpentes venenosas dentro de uma caixa de vidro meses antes.

Depois de toda a confusão, ele havia conseguido recuperar as notas e mais do que isso, havia sido aceito em Stanford através de um programa esportivo.

Bella observava tudo em silêncio, todos tinham destinos claros.

Todos estavam indo para algum lugar, menos ela.

Ela havia sido aceita em Columbia.

Charlie havia ficado orgulhoso.

Renee havia chorado de emoção.

Felix havia comemorado como se fosse uma vitória pessoal.

Mas Bella sabia a verdade.

Columbia nunca havia sido o sonho dela.

O sonho sempre teve outro nome.

King’s College London.

A mesma universidade onde Edward havia estudado, mas Londres não era mais uma possibilidade.

Não depois da forma como ele havia ido embora.

Não depois da despedida naquela noite na casa dos Higginbotham.

Bella não tinha notícias dele há meses.

Nenhuma ligação, nenhuma mensagem.

Nada.

Era como se Edward Cullen tivesse simplesmente desaparecido do mundo e talvez tivesse sido exatamente isso que ele quis fazer.

Quando a cerimônia terminou, os alunos começaram a se espalhar pelo gramado da escola. Famílias tiravam fotos, abraços eram trocados e promessas de visitas futuras eram feitas com a intensidade típica de despedidas jovens.

Bella se afastou da multidão por alguns minutos.

Ela caminhou até a borda do estacionamento onde as árvores formavam uma sombra silenciosa sobre o asfalto.

Foi ali que encontrou os três adultos que haviam se tornado seu porto seguro.

Charlie Swan.

Renée Higginbotham.

Felix Higginbotham.

Os três estavam encostados no carro de Charlie, observando a movimentação da escola.

Quando Bella se aproximou, Renée abriu imediatamente os braços.

— Minha filha se formou — disse ela, emocionada.

Bella sorriu e abraçou a mãe.

Charlie passou a mão pelos cabelos, visivelmente tentando manter a postura firme de sempre.

— Eu ainda lembro do dia que você voltou para Forks — murmurou ele. — Com aquela cara de quem queria fugir daqui no primeiro dia.

Bella soltou uma pequena risada.

— Eu ainda quero fugir daqui às vezes.- confessou

Felix cruzou os braços, sorrindo de maneira quase conspiratória.

— Isso é normal.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.

O vento suave balançava as árvores ao redor.

Charlie então respirou fundo.

— Bells… — disse ele. — A gente precisa conversar.

Bella franziu a testa.

— Sobre o quê?

Renee trocou um olhar rápido com Felix.

Felix tirou um envelope do bolso do casaco.

Um envelope grande.

Branco.

Com um brasão elegante impresso no canto superior.

Bella reconheceu imediatamente.

O coração dela parou por um segundo.

— Não… — sussurrou ela.

Felix estendeu o envelope para ela.

— Abre.

As mãos de Bella tremiam quando ela rasgou o lacre.

Os olhos correram rapidamente pelo papel.

E então pararam na linha principal.

KING’S COLLEGE LONDON

OFFICIAL LETTER OF ACCEPTANCE

O mundo pareceu ficar em silêncio ao redor dela.

— Como…? — Bella levantou os olhos, completamente atônita.

— Eu fiz alguns telefonemas.- Felix sorriu.

— Alguns?- Charlie pigarreou.

— Muitos.- Felix deu de ombros.

Renee segurou as mãos da filha.

— Bella… você passou.

Bella ainda estava olhando a carta como se fosse algo irreal.

— Mas… isso não faz sentido… eu nem finalizei a inscrição…

— Matrícula paga.- disse Felix apontando para a segunda página.

Bella folheou.

Os olhos se arregalaram ainda mais.

— Apartamento…?

— Já alugado — disse Charlie.

— Bolsa parcial — acrescentou Felix.

— E dinheiro suficiente para você viver lá sem preocupações por alguns anos — completou Renee.

Bella parecia incapaz de respirar.

— Vocês… fizeram tudo isso?

Charlie deu um pequeno sorriso.

— Bells… você sobreviveu a um inferno.

Renee apertou a mão dela.

— E você merece viver o seu sonho.

Felix falou então com uma calma firme.

— Londres não é sobre Edward.

Bella ficou em silêncio.

Felix continuou.

— Londres é sobre você.

O vento atravessou o estacionamento.

Bella olhou novamente para a carta.

Para o brasão da universidade.

Para a data de início do semestre.

Então os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Vocês realmente acham que eu consigo…? — perguntou ela em voz baixa.

Charlie colocou a mão no ombro dela.

— Eu sei que consegue.

Renee beijou a testa da filha.

— O mundo é muito maior do que Forks.

Felix cruzou os braços novamente.

— E está esperando por você.

Bella olhou para os três.

Para a carta,para o horizonte cinza além das árvores e pela primeira vez em meses…Ela sentiu algo diferente da dor.

Algo parecido com esperança e muito, muito longe dali… Em uma cidade iluminada por prédios antigos e ruas cheias de história…Alguém ainda não sabia que o destino estava prestes a colocá-los novamente no mesmo caminho.