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23 THE NIGHT LONDON STOLE THEIR BREATH


A despedida de Bella na casa dos Higginbotham havia sido organizada por Renée com o tipo de carinho caótico que só uma mãe profundamente apaixonada pela vida conseguia demonstrar. A casa inteira estava iluminada por pequenas luzes douradas penduradas nas janelas e no jardim, criando um clima aconchegante que contrastava com a melancolia silenciosa que pairava entre os jovens reunidos ali. Havia música tocando baixo na sala, mesas cheias de comida espalhadas pela cozinha e o cheiro familiar de café recém-passado que Renée insistia em oferecer para todos como se ainda fossem crianças voltando da escola.

Bella caminhava lentamente entre os cômodos, absorvendo cada detalhe daquela noite como se estivesse tentando gravar tudo na memória. Forks havia sido palco do pior pesadelo de suas vidas, mas também havia sido o lugar onde aquelas amizades tinham se tornado algo inquebrável. Cada canto da casa parecia guardar um pedaço da história deles.

No sofá da sala, Mike e Emmett estavam discutindo alguma teoria absurda sobre esportes universitários enquanto Jasper observava os dois com uma expressão divertida e ligeiramente cansada.

— Eu ainda não acredito que sobrevivemos àquilo tudo — disse Jasper, passando a mão pelos cabelos loiros enquanto olhava ao redor da sala. — Às vezes parece que foi um pesadelo coletivo.

Emmett riu, jogando uma pipoca na boca.

— Pesadelo coletivo nada. Aquilo foi um filme de terror de baixo orçamento.

Mike balançou a cabeça.

— Um filme de terror onde a gente quase morreu umas quinze vezes.

Emmett levantou a mão.

— Detalhes.

Ele então olhou para Bella com um sorriso provocador.

— Ainda não acredito que o professor bonitão abandonou nosso navio pirata.

O comentário fez o clima da sala ficar um pouco mais pesado.

Bella desviou o olhar por um instante.

Edward.

O nome ainda doía dentro dela como uma cicatriz mal curada.

Do outro lado da casa, no jardim iluminado por lanternas, Alice e Rosalie estavam sentadas com Bella em um banco de madeira antigo. O ar noturno estava fresco, carregado com o cheiro de pinheiros e terra molhada.

Rosalie observava Bella com uma expressão séria.

— Você vai para Londres — disse ela finalmente. — Literalmente atravessar um oceano.

Bella sorriu de leve.

— Eu sempre quis isso.

Alice inclinou a cabeça, analisando a amiga com aquela sensibilidade quase intuitiva que sempre teve.

— Mas?

Bella respirou fundo.

— Mas algumas partes de mim ainda estão presas aqui.

Rosalie suspirou.

— Edward.

Bella não respondeu.

Alice segurou a mão dela com delicadeza.

— Bells… algumas histórias não terminam quando a gente acha que terminam.

O silêncio que se seguiu foi carregado de sentimentos não ditos.Naquela noite, Bella se despediu de Forks e partiu para Londres.

Londres era tudo que ela havia imaginado e muito mais.

A cidade era imensa, pulsante, cheia de história e movimento. As ruas de pedra, os prédios antigos cobertos de hera, os ônibus vermelhos atravessando avenidas movimentadas e o céu frequentemente cinza criavam uma atmosfera que parecia saída diretamente de um romance clássico.

Bella mergulhou na vida universitária com intensidade.

A faculdade era exigente, estimulante e cheia de pessoas fascinantes vindas de todas as partes do mundo. Ela rapidamente fez amizades com um pequeno grupo de colegas que se tornaram parte da rotina diária.

Havia Olivia, uma estudante de história da arte com um humor ácido irresistível.

Hannah, uma escocesa barulhenta que sempre tinha alguma teoria absurda sobre literatura clássica.

E Maya, uma londrina espirituosa que conhecia cada pub escondido da cidade.

Os anos passaram mais rápido do que Bella imaginava.

Trabalhos acadêmicos, madrugadas estudando, festas universitárias, cafés intermináveis em bibliotecas antigas e conversas profundas sobre literatura preencheram sua vida.

Mas havia uma parte dela que nunca mudou.

Edward Cullen.

Ele parecia ter desaparecido do mundo.

Nenhuma mensagem, nenhuma notícia e nenhum rastro.

Às vezes Bella se perguntava se ele realmente havia existido ou se tudo aquilo tinha sido apenas uma memória distante moldada pelo trauma.

Mesmo assim…Ele ainda era dono do coração dela.

No dia do seu aniversário de 21 anos, Bella acordou com as amigas invadindo o apartamento que dividiam perto do campus.

— ANIVERSARIANTE! — gritou Hannah jogando um travesseiro nela.

Olivia entrou com um pequeno bolo improvisado.

— Vinte e um anos, Higginbotham. Agora você oficialmente pode tomar decisões ruins em qualquer país do mundo.

Bella riu.

— Eu já fazia isso antes.

Maya bateu palmas.

— Hoje temos programação especial.

— Deixa eu adivinhar — disse Bella. — Vocês vão me levar para um lugar extremamente barulhento.

— Primeiro uma palestra no campus — respondeu Olivia. — Depois um pub.

Bella levantou uma sobrancelha.

— Palestra no meu aniversário?

Maya sorriu maliciosamente.

— Confia na gente.

O auditório da universidade estava cheio naquela tarde.

Estudantes ocupavam quase todos os assentos enquanto conversavam animadamente sobre o convidado especial que daria a palestra sobre literatura contemporânea.

Bella entrou no local com as amigas ainda rindo de alguma piada de Hannah.

Ela estava distraída quando levantou os olhos para o palco.

E o mundo parou.

Edward Cullen estava ali.

De pé atrás do púlpito.

Elegante, sério, vestindo um terno escuro que realçava a postura impecável. Os cabelos estavam um pouco mais curtos, mas o rosto continuava exatamente como ela lembrava.

Bonito de uma forma quase dolorosa.

Bella sentiu o ar desaparecer dos pulmões.

— Bella? — perguntou Olivia.

Ela não respondeu.

Os olhos de Edward se moveram pela plateia.

E então encontraram os dela.

O reconhecimento foi imediato.

Silencioso.

Elétrico.

Por um segundo que pareceu eterno, o auditório inteiro desapareceu.

Existiam apenas os dois.

Quando Edward começou a falar sobre literatura, a voz dele era calma e segura.

Mas Bella percebeu.

Ele também estava abalado.

Depois da palestra, os estudantes se reuniram ao redor do palco para conversar com ele.

Mas Bella não conseguiu se aproximar e quando finalmente criou coragem para ir até lá…

Edward já havia ido embora.

Horas depois, as amigas a arrastaram pelas ruas iluminadas de Londres.

— Agora sim — disse Maya — vamos comemorar.

Elas pararam diante de um pub antigo de fachada escura.

Bella levantou os olhos e congelou. Era o mesmo pub.

O lugar onde ela havia conhecido Edward anos antes.

— Vocês escolheram esse lugar como? — perguntou ela.

Olivia deu de ombros.

— É famoso entre estudantes.

Bella entrou tentando ignorar a sensação estranha que apertava seu peito.

O pub estava cheio.

Música alta, risadas, luzes douradas refletindo nas paredes de madeira antiga.

Depois de alguns drinks, Bella finalmente começou a relaxar. Ela estava dançando com as amigas quando esbarrou em alguém.

O impacto fez ela perder o equilíbrio por um segundo. Duas mãos firmes seguraram seus braços.

Bella levantou os olhos.

Edward Cullen.

Ele estava ali.

Mais próximo do que ela imaginou que voltaria a estar. Os dois ficaram parados por um instante, absorvendo a realidade um do outro.

— Bella — disse ele suavemente.

O som do nome dela na voz dele fez algo dentro do peito dela se partir e se reconstruir ao mesmo tempo.

— Edward… — ela sussurrou.

Havia mil perguntas entre eles.

Mil sentimentos guardados.

Mas naquele momento nenhum dos dois conseguiu dizer nada.

A música mudou.

Uma batida mais lenta, mais intensa.

Edward estendeu a mão.

— Dança comigo?

Bella colocou a mão na dele sem hesitar.

Eles se moveram lentamente entre as pessoas, os corpos próximos enquanto a música preenchia o espaço entre eles.

Edward inclinou a cabeça perto do ouvido dela.

— Eu pensei em você todos os dias.

Bella fechou os olhos por um segundo.

— Então por que você foi embora?

Ele respirou fundo.

— Porque eu achei que era a única forma de te proteger.

Bella levantou o rosto para olhar para ele.

— Você nunca perguntou o que eu queria.

O silêncio entre eles era carregado de emoção.

Edward passou a mão pelos cabelos dela.

— Eu nunca deixei de te amar.

A confissão caiu entre eles como um raio.

Bella sentiu lágrimas queimarem nos olhos.

— Eu também não.

O beijo aconteceu de forma inevitável.

Intenso.

Profundo.

Carregado de anos de saudade reprimida.

Quando se afastaram, Edward encostou a testa na dela.

— Vem comigo — ele sussurrou.

Eles saíram do pub rindo, caminhando pelas ruas frias de Londres iluminadas por postes antigos.

O apartamento de Edward ficava a poucos quarteirões dali.

Quando a porta se fechou atrás deles, o silêncio do lugar parecia amplificar cada respiração.

Edward segurou o rosto dela com cuidado.

— Eu senti tanto sua falta.

Bella deslizou as mãos pelo peito dele.

— Então não me deixa ir embora de novo.

O beijo que se seguiu foi ainda mais intenso.

As horas que vieram depois foram preenchidas por carícias, risadas suaves, confissões sussurradas e a sensação de finalmente encontrarem um ao outro novamente depois de tanto tempo.

Era amor.

Cru.

Profundo.

Inevitável.

E naquela noite, Londres parecia ter parado apenas para testemunhar o reencontro deles.

Mas em algum lugar da cidade…

Um celular acendeu.

Uma nova mensagem foi publicada em um blog esquecido.

As palavras apareceram lentamente na tela.

“Reunidos novamente...Que romântico!

Mas vocês esqueceram de uma coisa…O jogo nunca terminou.

XOXO

TEXT GIRL"

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