Text girl
17 THE ROOM THAT SHRINKS WITH BREATH
O tempo parecia ter desacelerado dentro da sala iluminada por luzes frias e instáveis.
Bella segurava a mão de Edward com uma força silenciosa, como se temesse que, se soltasse, ele desapareceria imediatamente como um fantasma feito de medo e amor ao mesmo tempo. O ar dentro da casa de bonecas parecia mais pesado agora, quase úmido, como se as paredes estivessem respirando lentamente junto com eles. O número quatro ainda piscava suavemente no painel acima da porta, como um aviso silencioso de que o nível não havia realmente terminado, apenas aguardava a próxima decisão humana para continuar o jogo cruel que havia sido arquitetado dentro da mente de alguém profundamente perturbado.
Bella estava chorando em silêncio.
As lágrimas desciam pelo rosto pálido e cansado, misturando-se ao suor frio que ainda existia depois da perda de sangue e do choque emocional das últimas horas. Edward observava cada detalhe do rosto dela como se estivesse tentando gravar aquela imagem dentro da memória para os dias que talvez nunca chegassem, porque havia uma sensação sombria dentro do peito dele dizendo que aquele lugar não tinha intenção de permitir que os dois saíssem juntos.
— Bella… — disse ele finalmente, a voz baixa, quase quebrada pela emoção contida.
Ela não respondeu imediatamente.
Apenas fechou os olhos por um segundo, tentando controlar a respiração que ainda estava irregular por causa da dor abdominal e da ansiedade esmagadora que dominava o corpo dela.
— Eu não quero te perder… — sussurrou Bella.
A voz dela estava tão frágil que parecia que qualquer palavra mais alta poderia quebrá-la como vidro fino.
Edward levou as duas mãos ao rosto dela com um cuidado quase religioso, como se estivesse tocando algo sagrado demais para ser tratado com força ou pressa.
— Você não vai me perder — disse ele.
Mas havia uma tristeza infinita no olhar dele.
Uma tristeza que Bella reconheceu imediatamente porque era o mesmo olhar que ele carregava quando falava sobre coisas que não podia salvar.
— Edward… — ela sussurrou.
O silêncio entre eles ficou pesado.
— Eu preciso que você saia daqui — disse ele.
O corpo de Bella reagiu antes da mente.
— Não.
— Bella, me escuta — pediu Edward, segurando o rosto dela com firmeza suave, como alguém tentando manter outra pessoa consciente durante uma tempestade emocional — Você precisa viver.
A garganta de Bella apertou.
— Eu não vou te deixar aqui.
Edward fechou os olhos por um segundo.
O gesto parecia carregar uma dor muito antiga.
— Se você ficar… ela vai usar você para me destruir — disse ele.
O silêncio que seguiu foi quebrado apenas pelo som distante das paredes metálicas da casa de bonecas se movendo lentamente, como se a estrutura estivesse começando a obedecer a algum comando invisível.
Edward aproximou o rosto do dela.
— Bella… aconteça o que acontecer… você precisa ter em mente que eu amo você mais do que qualquer coisa nesse mundo.
A voz dele estava cheia de uma certeza dolorosa.
Como alguém que já havia aceitado a própria morte.
Bella começou a chorar sem fazer barulho.
— Eu não consigo viver sem você — disse ela.
Edward sorriu com tristeza.
— Você consegue — respondeu ele — E vai.
Então eles se beijaram.
O beijo foi lento.
Intenso.
Carregado de despedida.
Não havia desespero, não havia pressa.
Havia amor.
Um amor silencioso que parecia tentar guardar o outro dentro do toque dos lábios antes que o destino os separasse.
Bella segurou a camisa de Edward com força.
Como se estivesse tentando impedir o mundo de arrancá-lo dela.
Quando o beijo terminou, Edward encostou a testa na dela.
— Vá — disse ele.
Bella chorou.
— Promete que vai sobreviver?
O olhar dele ficou extremamente sério.
— Eu prometo que vou tentar.
Edward ajudou Bella a se levantar.
Cada passo dela parecia custar uma eternidade.
Ele abriu a porta da sala lentamente e a empurrou para o corredor.
— Corra quando as luzes piscarem — disse ele.
Bella olhou para trás uma última vez.
E então saiu.
Edward fechou a porta.
O som da tranca automática ecoou dentro da estrutura metálica da sala.
As paredes começaram a se mover quase imperceptivelmente.
Como se a sala estivesse lentamente diminuindo de tamanho.
Bella saiu correndo pelo corredor e quase tropeçou quando encontrou Alice, Jasper, Emmett, Mike e Rosalie.
Eles a puxaram para um abraço coletivo.
Alice estava chorando.
Rosalie tremia.
Mike segurava Rosalie com força.
Emmett passou a mão pelos cabelos de Bella e fechou os olhos por um segundo como se estivesse agradecendo ao destino por ela ainda estar viva.
— Ele ficou… — sussurrou Bella.
Alice apenas assentiu.
O sistema de som da casa de bonecas estalou.
E então a música começou.
O som de guitarra triste ecoou pelos corredores.
A voz melancólica atravessou o ambiente como uma faca lenta.
As luzes começaram a piscar no ritmo da canção.
Bella congelou.
Porque ela conhecia aquela música.
Era a música que tocava no pub quando ela e Edward se conheceram.
O passado e o presente se misturando dentro de uma prisão construída para manipular memórias emocionais.
O gás começou a sair novamente das paredes.
Não era mortal.
Mas causava sonolência progressiva.
Os olhos de Alice começaram a pesar.
— Não… — sussurrou ela.
Rosalie segurou a parede.
Emmett tentou manter todos de pé.
Mas o mundo começou a escurecer lentamente.
Bella ouviu a voz da Text Girl.
— Dormir é mais seguro do que lembrar... Boa noite, bonequinhas.
O último som que Bella ouviu antes de perder a consciência foi o eco distante de alguém chorando dentro de uma sala de madeira escura.
—
Edward acordou lentamente.
O cheiro de madeira antiga e fogo queimando lareira encheu suas narinas antes mesmo que ele abrisse completamente os olhos.
O corpo dele estava deitado sobre um sofá de couro escuro.
A luz tremulante de uma lareira iluminava as paredes de madeira polida ao redor.
O crepitar das chamas era o único som do ambiente.
— Você ainda é lindo quando dorme… parece um anjo.
A voz.
Doce.
Perigosa.
Antiga.
Edward se levantou lentamente do sofá.
O olhar dele endureceu imediatamente quando viu a mulher parada diante da lareira.
Cabelos escuros.
Olhos frios.
Uma calma assustadora no rosto que ele conhecia profundamente.
— Jenna — disse ele, seco.
Ela sorriu.
Um sorriso que carregava anos de ressentimento silencioso.
— Você não mudou nada — disse ela — Ainda olha para mim como se eu fosse um monstro.
Edward caminhou alguns passos à frente.
— Você matou pessoas.
O sorriso dela não desapareceu.
— Eu sempre disse que Forks era uma cidade que merecia ser punida — respondeu Jenna suavemente — E você… ajudou a destruir tudo quando decidiu voltar para cá.
O silêncio entre eles era denso.
Carregado de história.
— Bella não tem nada a ver com isso — disse Edward.
Jenna inclinou levemente a cabeça.
— Oh… você acha que ela é inocente?
O olhar dela ficou cruelmente afiado.
— Ela é o centro de tudo, Edward.
— Porque ela nasceu para ocupar o lugar que eu deveria ter tido.
O fogo da lareira estalou alto.
Edward sentiu o perigo.
— Você nunca aceitou que Charlie escolheu proteger Bella.
Jenna sorriu lentamente.
— Eu nunca aceitei que Forks continuou existindo depois de tudo.
Ela se aproximou alguns passos.
— O jogo nunca foi sobre matar vocês.
— Foi sobre provar que pessoas perfeitas também podem ser destruídas.
Edward perguntou, com voz baixa:
— Onde estão os outros?
Jenna sorriu.
Um sorriso vazio.
— Ainda dormindo.
— E talvez… nunca acordem se você não fizer a escolha certa.
O silêncio caiu.
Porque Edward percebeu algo pior.
A sala onde estava era parte da casa de bonecas.
E a porta atrás dele não existia mais...
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