Text girl
18 THE LEVEL OF BEAUTY AND BLOOD
O novo nível da casa de bonecas surgiu sem aviso.
Não houve sirenes.
Não houve contagem regressiva.
Apenas o som suave de um piano distante ecoando pelos corredores enquanto as portas se destravavam lentamente, liberando o acesso a quatro quartos diferentes que pareciam saídos de um pesadelo cuidadosamente desenhado para atacar aquilo que cada uma das meninas mais valorizava em si mesma.
O desafio não era sobre dor física.
Era sobre algo muito mais perverso.
Era sobre identidade.
Porque a Text Girl sabia que o poder social que aquelas garotas possuíam em Forks não vinha apenas da inteligência, da coragem ou da personalidade.
Vinha da beleza.
Da forma como eram observadas.
Desejadas.
E julgadas.
Alice foi a primeira a perceber o que o nível significava.
O corredor se dividiu em quatro portas.
Cada uma tinha um símbolo diferente gravado em metal negro.
Um espelho.
Uma tesoura.
Uma balança.
E uma mesa de doces.
A voz doce ecoou pelos alto-falantes.
— Bem-vindas ao nível da vaidade.
Silêncio.
— Beleza é poder... E poder exige sacrifício.
—
Alice foi levada para o quarto do espelho.
A sala era branca, iluminada por luzes frias e perfeitas que destacavam cada detalhe do próprio rosto.
Havia uma cadeira no centro.
E sobre a mesa ao lado, um par de óculos de armação grossa e antiga.
Os óculos que Alice usava quando era criança.
A voz da Text Girl surgiu como um sussurro educado.
— Alice Brandon... A mente mais perigosa de Forks...A garota que sempre quis controlar o futuro.
Silêncio.
— Tire as lentes de contato.
Alice hesitou.
O peito dela subia e descia lentamente.
— Você sabe que sem elas você volta a ser a menina que ninguém olhava — disse a voz.
Alice fechou os olhos.
Com as mãos trêmulas, retirou as lentes de contato lentamente e colocou os óculos antigos.
O mundo ficou borrado.
Pesado.
Menos perfeito.
Alice se olhou no espelho e sentiu algo quebrar dentro do peito.
Porque ela sabia.
A Text Girl estava tentando destruir a versão que ela havia construído de si mesma.
—
Rosalie estava no quarto da tesoura.
O chão era coberto por fios loiros longos que pareciam ouro espalhado sobre o mármore frio.
No centro da sala havia uma cadeira.
E uma tesoura cirúrgica brilhando sob a luz branca.
A voz voltou.
— Rosalie Hale... A rainha de Forks...A garota que aprendeu que beleza é uma armadura social.
Rosalie respirou fundo.
Os olhos dela começaram a lacrimejar antes mesmo de tocar o próprio cabelo.
Porque aquele cabelo significava mais do que aparência.
Significava controle.
Poder.
Sobrevivência emocional.
— Raspe.
A ordem veio doce.
Cruel.
Rosalie pegou a tesoura com mãos que tremiam violentamente.
Ela olhou para o espelho.
E começou.
O som do cabelo sendo cortado ecoava como um crime sendo cometido contra o próprio corpo.
Cada mecha loira caía no chão como uma lembrança morta.
Rosalie fechou os olhos.
E pela primeira vez desde que lembrava, sentiu medo de perder quem era.
Quando terminou, o cabelo dela estava irregular e curto.
O rosto de Rosalie ficou pálido.
Mas havia algo diferente no olhar dela.
Não era derrota.
Era ódio.
—
Bella estava na sala da mesa de doces.
O cheiro de açúcar era sufocante.
Havia bolos.
Brigadeiros.
Tortas.
Balas.
Chocolate derretido.
E uma cadeira no centro.
A voz da Text Girl mudou ligeiramente quando falou com ela.
Havia algo quase pessoal ali.
— Isabella Swan... A garota que nasceu para ser amada.
Silêncio.
— Você sabe o que acontece quando garotas perfeitas comem demais.
O estômago de Bella apertou.
Porque ela sabia.
Muito antes da casa de bonecas.
Muito antes de Edward.
Bella havia lutado contra a bulimia durante os primeiros anos da adolescência, escondendo a doença de todos enquanto vomitava secretamente após crises de ansiedade relacionadas ao próprio corpo.
— Você vai comer... Tudo.
Bella olhou para a mesa.
As mãos dela começaram a tremer.
Ela se sentou lentamente.
Pegou um brigadeiro.
E colocou na boca.
O sabor doce parecia violência.
Ela engoliu.
Outro.
Outro.
O coração dela batia rápido.
Lágrimas começaram a escorrer silenciosamente.
Porque cada mordida era uma memória do medo de engordar, do medo de ser julgada, do medo de perder o controle sobre o próprio corpo.
Pretty Hearts começou a tocar suavemente pelo sistema de som.
A música era lenta.
Quase irônica.
Bella continuou comendo.
Mesmo quando sentia náusea subir pela garganta.
Mesmo quando o corpo implorava para parar.
Ela sabia.
Se não obedecesse, alguém morreria.
Quando terminou, Bella estava tremendo.
O abdômen dolorido.
O coração esmagado.
—
Enquanto isso, Emmett, Mike e Jasper estavam presos dentro de uma caixa de vidro.
Dentro da caixa havia cobras venenosas deslizando lentamente pelo chão.
Mike estava grudado na parede de vidro.
— Eu odeio cobras… eu odeio cobras… — ele repetia nervosamente.
Emmett estava suando frio.
— Elas estão olhando para mim, cara… por que elas estão olhando para mim?
Uma cobra se aproximou do vidro e mostrou a língua bifurcada.
Mike gritou.
— NÃO ENCOSTA NELA, CARALHO!
Emmett tentou manter a dignidade.
— Ok… ok… eu sou um homem adulto… eu não vou entrar em pânico porque tem um monte de cobra querendo me matar…
Uma cobra subiu lentamente pelo vidro e ficou olhando diretamente para ele.
Emmett gritou:
— JESUS CRISTO EU PROMETO QUE VOU PARAR DE COMER FAST FOOD SE EU SAIR VIVO DAQUI!
Mike começou a rir nervosamente.
— Você tá negociando com Deus agora?!
— CALA A BOCA NEWTON EU TÔ TENTANDO SOBREVIVER!
Jasper apenas respirava lentamente tentando controlar o pânico coletivo da sala.
—
Quando as meninas terminaram seus desafios, a voz da Text Girl retornou.
— Muito bem, bonecas... Sacrifício aceito.
No outro quarto, a caixa de vidro abriu lentamente.
As cobras recuaram como se algo invisível as tivesse ordenado.
Emmett saiu primeiro, tropeçando e quase caindo no chão.
— Eu nunca mais vou olhar para um réptil na minha vida — disse ele.
Mike estava pálido.
— Eu acho que eu envelheci dez anos nesses cinco minutos.
Bella, Alice e Rosalie se encontraram no corredor.
Os três abraçaram-se imediatamente.
Alice estava usando os óculos.
Rosalie tinha o cabelo curto.
Bella estava pálida, com o rosto marcado pelo trauma da alimentação forçada.
Mas havia algo diferente nos olhos das três.
Algo que a Text Girl talvez não tenha previsto.
Sobrevivência.
—
Longe dali, Jenna observava tudo pelas câmeras.
E sorriu.
Porque o próximo nível não era sobre beleza.
Era sobre quebrar o espírito...
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