Text girl
19 THE DOLLHOUSE BURNING GAME
Edward Cullen não sabia há quanto tempo estava preso naquele espaço.
O tempo dentro da casa de bonecas havia perdido qualquer significado real. A ausência de janelas, a iluminação artificial constante e a repetição dos ciclos de punição criavam uma distorção psicológica que fazia os dias parecerem horas e as horas parecerem dias intermináveis dentro da mente de quem estava ali.
O corpo dele estava coberto de hematomas.
Havia marcas de cortes superficiais nos braços e no abdômen, consequência das sessões de punição progressiva que Jenna havia imposto lentamente, sempre mantendo um sorriso calmo e quase afetuoso enquanto explicava cada movimento como se estivesse ensinando uma lição romântica e distorcida sobre amor e traição.
Edward estava sentado no chão da sala escura quando a porta se abriu.
Do outro lado surgiram duas silhuetas que ele reconheceria mesmo no meio da mais absoluta escuridão emocional de sua vida.
Angela Weber.
E Jenna Swan.
Angela estava viva.
O choque percorreu o corpo de Edward como um raio frio que congelou o sangue nas veias.
O rosto dela estava mais velho, mais duro. Os cabelos castanhos estavam presos de forma elegante, e o olhar vazio carregava a frieza de alguém que havia escolhido conscientemente o lado da própria destruição moral.
— Você parece surpreso — disse Angela calmamente.
Jenna apenas sorriu.
O sorriso de Jenna era exatamente o mesmo que Edward lembrava de anos atrás em Londres, mas havia algo mais sombrio agora, como se a loucura tivesse se transformado em elegância social.
— Você realmente achou que ela teria morrido tão facilmente? — perguntou Jenna.
Silêncio.
— O desaparecimento de Angela Weber foi perfeito — continuou ela, andando lentamente ao redor de Edward como uma predadora examinando uma presa ferida. — Jovens disfuncionais… inconsequentes… escondendo provas… carregando culpa emocional enquanto Forks os julgava sem jamais conhecer a verdade.
Edward fechou os olhos por um segundo.
— Você manipulou todos nós… — disse ele.
— Claro que manipulei — respondeu Jenna suavemente. — Você sempre gostou de salvar garotas problemáticas, Edward. Eu apenas criei a história perfeita para garantir que você nunca me esquecesse.
Angela cruzou os braços.
— E Bella era a continuação do experimento.
Edward abriu os olhos lentamente.
O ódio queimava dentro dele.
Fora da casa de bonecas, o tempo parecia não existir.
Os pais das meninas estavam reunidos em um galpão antigo próximo à floresta de Forks.
Renée, Felix, Charlie, Grayson e Miranda.
Lucian e Maria.
Elena e Matt.
Lilian e Joseph.
Todos estavam cansados.
Todos estavam assustados.
Mas naquele momento havia algo mais forte que o medo.
Culpa.
Porque cada um deles entendia que aquela tragédia havia nascido das sombras da própria cidade que ajudaram a construir.
Charlie estava analisando mapas antigos da propriedade Swan.
— A casa de bonecas não é um prédio independente — disse Lucian após voltar de uma investigação na área externa. — É uma estrutura subterrânea.
— Isso foi construído usando a planta da antiga casa incendiada — respondeu Charlie.
Felix bateu na mesa.
— Então vamos destruir aquilo.
— Não — disse Renée.
Silêncio.
Ela respirou fundo.
— Vamos salvar nossos filhos.
Dentro da casa de bonecas, a festa dos anos 20 havia começado.
Música jazz tocava suavemente.
Jenna e Angela estavam no centro do salão dançando lentamente.
Alice, Rosalie e Bella estavam próximas, mantendo expressões controladas.
O plano estava em andamento.
Bella se aproximou de Edward discretamente durante a dança.
Sem falar.
Sem chamar atenção.
Ela levantou a lateral do vestido lentamente e retirou o estilete enferrujado preso à cinta-liga.
Os dedos dela tremiam.
Ela olhou nos olhos de Edward.
Ele entendeu.
Bella desamarrou as mãos dele com movimentos lentos, enquanto fingiam acompanhar o ritmo da música.
Ela colocou o estilete dentro do bolso da calça dele.
— Use quando for necessário — sussurrou Bella, quase sem mover os lábios.
Edward fechou os olhos por um segundo.
Emmett estava ao lado da mesa principal.
Devagar.
Quase invisível.
Ele começou a derramar destilados da família Whitlock sobre as toalhas de mesa e as cortinas.
O cheiro de álcool espalhou-se lentamente pelo salão.
Jasper desapareceu do campo de visão dos sequestradores.
Ele encontrou a sala dos geradores. Seus olhos analisaram rapidamente o sistema.
Ele lembrou da planta da casa que Charlie havia mostrado.
— Ponto de energia principal… aqui — murmurou.
Ele reconfigurou o painel e cortou a distribuição secundária.
Um curto-circuito começou a se formar.
Jenna estava dançando quando o primeiro apagão aconteceu.
As luzes piscaram.
Uma das lâmpadas explodiu.
O som metálico ecoou pelo salão.
— O que está acontecendo? — perguntou Angela.
Nesse momento Bella tirou um isqueiro do bolso.
O mesmo isqueiro que Rosalie havia roubado no nível 3.
Ela acendeu a chama lentamente.
Olhou para Emmett.
Ele assentiu quase imperceptivelmente.
Bella jogou a chama sobre o tecido ensopado de álcool.
O fogo começou a se espalhar silenciosamente.
Primeiro nas cortinas.
Depois nas toalhas da mesa.
Depois nas estruturas decorativas da sala.
O incêndio começou pequeno.
Discreto.
Mas mortal.
— FOGO! — Jacob gritou.
O caos começou.
Jenna virou o rosto lentamente e viu o salão começando a queimar.
Ela sorriu.
— Interessante — disse ela.
Angela franziu a testa.
Edward aproveitou a confusão.
Ele se levantou lentamente.
O estilete escondido dentro da calça.
O plano era simples.
Destruir os sistemas de segurança.
Encontrar as meninas.
E matar Jenna se necessário.
O gerador principal explodiu com um estalo alto.
As luzes da casa de bonecas apagaram completamente.
O sistema de ventilação começou a falhar.
O fogo se espalhava pelos tecidos embebidos em álcool.
O alarme de incêndio não existia.
Porque Jenna nunca imaginou que suas bonecas tentariam queimar o próprio inferno.
Bella correu pelo corredor escuro com Alice e Rosalie ao lado dela.
— Vamos sair antes que o fogo se espalhe pela estrutura — disse Jasper.
Emmett carregava Mike, que ainda estava confuso.
Dentro do salão em chamas, Jenna observava tudo.
O sorriso dela permanecia.
Porque o jogo não havia acabado.
E pela primeira vez desde o início da casa de bonecas…
Edward percebeu algo.
Jenna queria o fogo.
Porque o verdadeiro nível final não era fuga.
Era destruição emocional total.
E no fundo da casa subterrânea…
Algo começou a se mover.
Como se outra porta tivesse sido aberta.
Fale com o autor