Text girl
16 THE HOUSE THAT WATCHES YOU BREATH
Bella acordou lentamente.
A primeira sensação que atingiu sua consciência foi a dor.
Não era uma dor única, localizada, mas uma dor difusa espalhada por todo o corpo, como se cada músculo estivesse preso em uma lembrança violenta do que havia acontecido antes de o mundo escurecer ao redor dela.
Ela tentou mover o braço e sentiu o peso quente de algo segurando sua mão.
Abriu os olhos com dificuldade.
O teto da casa de bonecas parecia distante.
Havia uma iluminação fraca, quase pálida, que fazia as paredes acolchoadas do quarto onde estava parecerem mais macias e ao mesmo tempo mais sufocantes, como se o ambiente tivesse sido criado para fingir conforto enquanto lentamente roubava a vontade de lutar de quem estava preso ali.
Edward estava sentado ao lado da cama improvisada.
A cabeça dele estava inclinada para frente, os cabelos escuros caindo sobre o rosto cansado.
Parecia que ele não havia dormido nem por um segundo.
— Edward… — Bella sussurrou.
O homem levantou a cabeça imediatamente.
O alívio atravessou o olhar dele como uma tempestade silenciosa.
— Bella — disse ele, a voz quebrada de emoção contida — Você está viva.
Bella tentou sorrir, mas o movimento do rosto quase provocou uma onda de tontura.
— Eu desmaiei…?
— Você perdeu sangue e entrou em colapso — respondeu Edward — Jasper disse que você não pode se mexer muito por enquanto.
Bella fechou os olhos por alguns segundos.
O silêncio entre eles era estranho.
Não era o silêncio de dois amantes que haviam sobrevivido a uma crise.
Era o silêncio de dois sobreviventes que sabiam que o perigo ainda estava respirando dentro das paredes daquele lugar.
Edward segurou a mão dela com cuidado.
Como se tivesse medo de quebrar algo extremamente frágil.
— Eu pensei que ia te perder — disse ele.
Bella abriu os olhos lentamente.
— Eu também pensei — respondeu ela.
Os olhos dela ficaram úmidos.
— Eu estou com medo… — disse Bella.
Edward não respondeu imediatamente.
Apenas levou a mão até o rosto dela e acariciou a pele pálida com um cuidado quase religioso, como se estivesse tentando convencer o próprio cérebro de que ela ainda estava ali.
— Eu não vou deixar nada acontecer com você — disse ele.
Mas havia algo diferente no ar.
Algo errado.
Bella percebeu primeiro.
O som da casa de bonecas havia mudado.
O sistema de ventilação que antes fazia aquele ruído distante e contínuo agora estava silencioso.
Demasiado silencioso.
Como se a estrutura estivesse prendendo a própria respiração.
— Onde estão os outros? — perguntou Bella.
Edward hesitou.
— Alice está tentando acessar o sistema das câmeras… Jasper e Emmett estão protegendo Rosalie… Mike está ajudando.
Bella tentou se sentar.
Edward a impediu imediatamente.
— Não — disse ele.
— Tem algo errado — respondeu Bella.
Nesse momento…
As luzes do corredor começaram a piscar lentamente.
Um som metálico percorreu as paredes da casa de bonecas.
Como algo arranhando a estrutura por dentro.
Um alto-falante oculto estalou.
E a voz doce voltou.
— Nível três… concluído.
Silêncio.
Bella sentiu o corpo gelar.
— O que ela quer dizer com isso? — sussurrou.
Edward não respondeu.
Porque ele também havia entendido.
O jogo não tinha terminado.
Longe dali, Alice estava sentada diante da parede de monitores.
O rosto da garota estava mais pálido do que antes.
Os olhos moviam-se rapidamente entre códigos, fluxos de dados e sinais escondidos dentro do sistema da escola que a Text Girl usava como base operacional.
Alice descobriu algo que fez seu estômago revirar.
Havia um algoritmo de aprendizado emocional dentro do sistema.
A Text Girl não estava apenas observando.
Ela estava estudando.
Memorizando padrões de reação.
Predizendo escolhas.
Ela estava tentando transformar o grupo em uma simulação comportamental perfeita.
Alice sussurrou:
— Ela não é só uma pessoa…
— Ela está tentando construir algo.
Nesse momento a tela principal piscou.
E uma mensagem apareceu.
NÍVEL 4 — INICIADO
O coração de Alice disparou.
Porque o nível quatro não mostrava pessoas.
Mostrava apenas um símbolo.
Uma casa.
Mas não a casa de bonecas.
Era a casa antiga dos Swan.
O incêndio.
A floresta.
E uma frase escrita em vermelho.
“O passado é o único lugar onde a verdade não pode mentir.”
Alice sentiu um arrepio mortal percorrer o corpo.
Enquanto isso, Bella começou a perceber outra coisa.
As paredes da casa de bonecas estavam mudando.
Muito lentamente.
Quase imperceptivelmente.
O quarto onde ela estava não parecia mais exatamente o mesmo.
Os espelhos que antes não existiam agora estavam surgindo nas laterais da sala.
Um.
Dois.
Três espelhos.
Cada um refletindo a cama onde Bella estava deitada.
Mas havia algo estranho.
Nos reflexos, Bella estava sozinha.
Edward não aparecia nos espelhos.
Bella sentiu o pânico subir lentamente pelo peito.
— Edward… — ela sussurrou.
— Estou aqui — respondeu ele imediatamente.
Mas quando Bella virou o rosto para o espelho…
Edward não estava refletido.
— Você está vendo isso? — perguntou ela, a voz começando a tremer.
Edward olhou para o espelho.
E ficou pálido.
Porque ele também não aparecia.
O alto-falante estalou novamente.
— Amor é uma construção social…Dependência emocional é mais eficiente quando a vítima acredita que está protegida.
Bella começou a respirar rápido.
— Não… — disse ela.
— O que você quer? — gritou Edward para o teto.
A resposta veio com uma calma perturbadora.
— Eu quero que vocês escolham.
Silêncio.
— Nível quatro é simples...Um de vocês pode sair e o outro ficará.
Bella agarrou a mão de Edward.
— Não — disse ela, desesperada.
— Vocês têm dez minutos.
Na sala das câmeras, Alice viu algo ainda pior.
Uma nova transmissão começou.
Mostrando a floresta de La Push.
Uma cova aberta.
E uma placa de madeira cravada no solo.
Nela havia apenas um nome.
ANGELA WEBER
Alice começou a chorar silenciosamente.
Porque agora ela entendeu.
O nível quatro não era sobre fuga.
Era sobre culpa.
Enquanto isso, muito longe dali…
Na escuridão da floresta, Jacob Black desligou o celular depois de ler a última mensagem da Text Girl.
Ele sorriu.
Porque o próximo movimento estava pronto.
E dentro da casa de bonecas, as luzes começaram a se apagar uma a uma.
Como se alguém estivesse fechando os olhos da própria casa...
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