Texas Hot Guys: In love with you
11 When the demons come to light.
Notas iniciais
Capítulo 10
“When the demons come to light”
Della McKenna
♥
A última coisa de que eu me lembro foi a humilhação que senti, e então tudo se tornou em gritos e ameaças. E os gritos se misturaram a tantas outras lembranças que eu tinha, de repente, não eram mais John ou Josh, não era a voz de Gen gritando. Era a minha.
Aquela foi uma situação que eu vivi muitas vezes na vida. Gritos, o som de pele acertando pele com violência, objetos caindo. Caos.
Reagi instintivamente da única maneira que eu conhecia: Me encolhendo. Porque depois dos gritos sempre vinham os tapas, os socos, os chutes... e eu preparei a mim mesma para recebe-los, pois não havia mais nada entre eles e eu.
Eu ouvia seus passos se aproximando de mim de forma instável, cambaleando. Pude sentir o cheiro da bebida, tão forte que era como se estivesse debaixo do meu próprio nariz. Senti o chão tremer a cada passo que ele deu para mais perto de mim. Nada ia impedir que ele viesse até mim, porque se ele estava vindo, significava que a minha mãe já deveria estar caída em algum lugar. Significa que suas lamurias e pedidos implorados não foram o suficiente, e que oferecer seu corpo como saco de pancadas também não o satisfez.
Ele bebia, muito. Ele sentia raiva, com frequência. Ele falhou, em tudo que tentou fazer, e todas as vezes colocou a culpa em sua esposa, na filha que ele não planejou ter, e não na amarga bebida que custava até seu último centavo falido.
— Della... — Ele cantarolava, com a voz arrastada, e o timbre grosso em sua fala trazia arrepios por todo o meu corpo. — Della...
Ouvi o estalar do seu cinto; ouvi a garrafa que ele deixou cair no corredor; ouvi sua bota chutar a madeira da porta do meu quarto; ouvi o palavrão que ele soltou quando não me viu lá; ouvi o som dos meus dentes batendo, pois eu estava, literalmente, tremendo de medo; ouvi ele tropeçar escada abaixo; ouvi até mesmo o click do interruptor quando ele acendeu a luz do armário de casacos, onde eu estava escondida.
Senti seus braços me segurarem, e lutei contra eles.
Ouvi-o chamar meu nome.
— Della...
Em um sussurro. E novamente, em um grito.
— DELLA!
E já não era mais a sua voz. Não eram mais seus braços. Não eram mais suas promessas. — Eu estou aqui, Della. Estou com você, baby.
Não era mais o meu pai. Não era mais perigoso.
Eu estava segura.
Parei de lutar. Me deixei ir, e a escuridão me pegou.
— ♥ -
Quando eu abri os olhos novamente eu estava em uma cama, a qual eu não reconhecia, que nunca havia visto antes, mas seu cheiro era familiar. Me sentei na cama, olhando ao redor do quarto estranho, tentando entender como eu vim para aqui.
Eu estava num jantar. Certo.
Com a família de John. Certo.
Josh estava lá, e Oliver estava tagarelando sobre os cavalos recém-nascidos, e como ele queria um cachorro. Okay.
Então todas as memórias voltaram para mim com a força de um soco na cara.
Ataques de pânico estupidos!
Eles estavam brigando, e eu estava no chão encolhida, tentando regularizar minha respiração e me livrar das memórias. Oliver se agachou na minha frente, e eu tentei focar no seu rostinho. Mas então o barulho de algo quebrando chamou minha atenção, e eu desviei meu olhar de Oliver para o resto da sala. Jogada estupida. Vi John lutar contra seu irmão mais velho, na intenção de se livrar de seu aperto e alcançar Josh.
Foi demais... os sons, as imagens, os gestos... se confundiram em minha mente. Eu fui transportada para outro lugar. O pânico venceu sua batalha contra a realidade, e tudo colapsou dentro de mim. Depois disso o mundo foi apenas uma tela preta, e eu não me lembrava de mais nada até que despertei aqui.
Nunca tinha estado neste cômodo antes, não olhei por muito tempo, mas eu sabia onde estava.
Este era o quarto de Josh. E foi a voz dele que me puxou de volta para a realidade, mesmo que eu não tenha certeza se foi um sonho, ou não.
— ♥ -
Jonathan Bradshaw
Eu tinha ferrado minha própria bunda, e eu sabia disso. Tinha plena consciência do meu irmão, e dos seus sentimentos, e, por mais que soubesse, não pude controlar o que eu senti quando Della lançou um olhar na minha direção.
A primeira coisa que me chamou atenção nela foi o fato de que ela estava completamente alheia a qualquer investida, e foi magnifico para mim faze-la entender que eu realmente queria algo com ela, dizer que eu tive que ser enfático é, no mínimo, suave. Também observei a forma como ela agia, natural, mas eu percebi que por traz de cada um de seus gestos ingênuos havia um controle pré-estabelecido, como um fodido molde.
Seu sorriso, tinha me deixado perplexo, fascinado, realmente intrigado. Della era um doce, mas arrancar um riso verdadeiro, daqueles que fazem sua alma sorrir, era bastante agonizante e difícil, ao menos para mim. Para ser sincero, eu recebi facilmente qualquer tipo de sorriso de Della dirigido a mim de boa vontade, e as vezes me felicitando por tê-los, mas isso durou somente até o momento em que eu ouvi um riso verdadeiro sair de dentro dela. Então eu queria mais, busquei por mais, e falhei grandemente.
O som disso era diferente de qualquer outro, trouxe um sorriso completamente involuntário ao meu próprio rosto. Diferenciei claramente aquela risada verdadeiramente feliz de suas outras risadas comuns, que sequer chegavam a superfície. E acontece que, naquele mesmo momento eu percebi que tudo que eu tinha era um arranhão na superfície.
Dizer que eu me senti um merda, também seria suave, nesse caso.
A primeira risada verdadeira que eu testemunhei a minha namorada oferecer a alguém era dirigida ao meu irmão. Isso quebrou o escuro e detestável poço que ficava nas profundezas do meu ser, exato local onde eu guardava a sete chaves todo o meu ciúme doentio e as atitudes das quais eu não me orgulharia mais tarde.
Deliberadamente acusei o meu irmão de coisas que eu sabia, com toda a certeza do mundo, que ele seria incapaz de fazer, por mais que desejasse. Dirigi a ele toda a raiva e frustração que eu estava sentindo naquele momento, quando na verdade, deveria estar atribuindo todo o mérito a mim mesmo. E nunca me senti tão na merda como no momento em que Josh revidou a minha atitude raivosa e sem nexo com um olhar magoado e uma réplica exata do meu questionamento.
— Como você pode?
Eu vi cada pedaço de dor e sentimento de traição que eu me sentia no direito de sentir estampado no rosto do meu irmão, enquanto precisava ser segurado a força no lugar.
Eu vi o que eu tinha lhe causado da primeira fila do show.
E se eu vi isso, quer dizer que ele sentia mais por aquela garota do que eu julguei quando decidi que ele teria que competir comigo pela atenção dela. Josh raramente, ou nunca, deixava-se exposto da maneira que ele fez com aquela única frase e olhar desolado.
E, de uma hora para a outra eu entendi o quanto egoísta e filho da puta eu estava sendo por acreditar que era a vítima, sendo que, na verdade, eu fui o único vilão. Eu deliberadamente tinha me permitido ter sentimentos pela única menina que recebia os longos olhares saudosos e a ruga de preocupação, constantemente marcada na testa do meu irmão, desde que eu consigo me lembrar, e eu tenho uma ótima memória, obrigada.
Eu era o único fodido responsável pela dor no meu peito, e por todos os corações que se partiram em pedaços na cena do crime.
Eu me senti responsável por cada grito e arquejo que deixou o peito de Della enquanto ela estava encolhida no canto da sala. E, por essa grande façanha, além de todos os motivos citados acima, eu poderia acrescentar também que fui egoísta por ver só o meu lado da história, negligenciando não somente o meu irmão, que é meu próprio sangue, mas a Della. Ignorei gratuitamente todos os sinais que ela tentava, mas não conseguia, esconder. Deixei de lado todas as vezes que ela me mostrou sua vulnerabilidade, como naquele dia na festa, quando eu sabia que ela tinha fugido, ao tratar tudo como se fosse um jogo de gato e rato.
E, apesar de ser capaz de me admitir culpado pelo que eu fiz, e por toda a desgraça que causei, eu não consegui, de forma alguma, me arrepender por tentar ter um relacionamento com a garota mais incrível que eu já conheci.
Por todo o resto, eu pagaria meus pecados.
— ♥ -
Josh Bradshaw
Definir como eu estava me sentindo era uma coisa que eu não poderia fazer.
Por todos os anos, depois que eu tinha visto Della em um ataque de pânico no corredor da escola, e prometido a mim mesmo que nunca mais ficaria somente olhando quando ela precisasse de ajuda, eu, finalmente tive a chance de ajuda-la.
Mas, ao invés do sentimento de realização que eu pensei que sentiria ao efetivamente ser capaz de ser seu herói, eu me sentia doente. Fodidamente miserável, porque cada segundo de sua agonia foi sentido como se ela estivesse dentro da minha própria pele.
Eram imagens que eu nunca seria capaz de tirar da mente.
A forma com ela lutou contra mim quando eu tentei segura-la a primeira vez; em seu rosto cada centímetro do medo que ela estava sentindo podia ser notado; o horror em sua voz quando ela gritou; o vazio em seus olhos, que deixavam claro que a dor e o sofrimento não eram desta realidade, mas que ela sofria com lembrança, muito reais, mas somente lembranças; e, finalmente, a forma como ela se agarrou a mim, quando com muito esforço eu consegui chegar até ela, gritando o seu nome e garantindo que eu era o único segurando-a, me fez ter a certeza de que eu viveria a minha vida inteira, da forma que fosse preciso, apenas para garantir que ela nunca mais sofresse daquela e de qualquer outra forma. Tomaria o primeiro passo e teria a certeza de que eu era o único homem que estaria com ela quando ela precisasse, e a qualquer outro momento. Iniciando por comprar qualquer tipo de briga que eu tivesse que ter com meu irmão.
O olhar de confiança que ela me deu, segundos antes de desmaiar nos meus braços, quando eu tinha conseguido que ela se acalmasse, me fez ter a certeza de que eu seria o único para ela. E de que ela foi e sempre será a única garota que faz de meu coração uma completa bagunça desforme, que eu gratuitamente daria a ela em uma bandeja, a qualquer hora.
Levei-a para o único lugar que eu sentia seguro para ela, e isso era dentro da minha casa, no meu quarto, onde eu poderia estar sempre por perto dela. Com Della desmaiada, nos meus braços, de onde ela não estava saindo em breve, eu não tive qualquer escolha a não ser deixar alguém dirigir para mim.
Eu preferia que não fosse ele, mas não discuti quando John foi quem subiu no banco do motorista da minha caminhonete. Eu estava desesperado.
Estava me rachando ao meio por dentro, sem saber se deveria leva-la ao médico, ou atender a minha urgência de protege-la. Mantive-a pressionada contra o meu peito, e sentia sua respiração compassada contra o meu pescoço para garantir, e aliviar quaisquer medos dentro de mim. Ela está viva, e bem, apenas emocionalmente colapsada, garanti a mim mesmo.
Se naquele momento a levasse a um hospital, eles a separariam de mim, e ela corria o risco de acordar sozinha, sem ninguém para segura-la. E Della, mais que tudo, precisava ser segurada por alguém que a amasse mais que a própria vida, e que todas as palavras que eu conheço para definir o amor.
É por isso que quando John virou o veículo em direção a saída do rancho, eu prontamente protestei.
— Não. Vamos para a minha casa.
— Josh, ela está desmaiada. Vamos leva-la ao hospital. — Ele revidou soando sensato.
Eu não dava uma merda pare sensatez de ninguém uma hora dessa.
— Minha casa, John. Agora.
Algo no meu tom de voz, ou no meu rosto o fez dar meia volta e fazer o que eu disse sem questionar uma segunda vez, algo pelo qual eu estava agradecido.
Fizemos o trajeto em silêncio, e durante esse tempo Della resmungou algumas palavras e deu indícios de que seus pesadelos, quaisquer que fossem, ainda batalhavam para lhe atormentar. Mas eu a puxei mais perto de mim, e constantemente sussurrei para ela, deixei-a saber que ela não estava sozinha e que eu não permitiria que nada de ruim acontecesse com ela. Acariciei seus cabelos e beijei sua testa, odiando sentir o sabor salgado da fina camada de suor que seu medo produziu.
Quando chegamos em casa, levei-a para cima, aconcheguei-a na minha cama, e ela se agarrou ao meu travesseiro, como se agarrava a mim momentos antes. Nem sequer dei importância ao fato de que John tinha me seguido para dentro de casa, pois era irrelevante no momento.
Com um aperto no coração, deixei Della sozinha no meu quarto tempo suficiente para entrar no meu closet e procurar por algo macio para molhar e tirar todo o suor frio desagradável que marcava sua pele com o cheiro do medo.
Mas quando eu voltei, ela já estava sentada na minha cama. E seu olhar perdido apertou ainda mais o nó que sentia agarrado ao redor do meu coração.
Tanto esforço para que ela não acordasse sozinha...
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