Texas Hot Guys: In love with you
13 Paradoxo
Notas iniciais
Capítulo 12
“Paradoxo”
Josh Bradshaw
— Podemos falar a sós? — John questiona olhando diretamente para mim, o que não muda o fato de que por “a sós” ela esteja se referindo a ele e Della, e não a mim.
Bem, porra, se houve algum momento na minha vida onde eu quis mandar o meu irmão ir se foder, foi esse, mas eu apenas apertei os punhos e respirei um pouco.
Há um paradoxo no qual eu sempre fico preso ao pensar no amor. Ao reunir toda a gama de emoções que essa simples palavra de quatro letras representa, e apesar de, essencialmente, ela representar uma boa coisa, tendo a notar que nem todas as partes do amor são bonitas.
Eu poderia passar horas discorrendo sobre isso, mas há uma em específico que me chama mais atenção do que as demais características do amor: O egoísmo.
Porque, sim, o amor é uma coisa egoísta.
E como tudo que é relacionado ao amor, esse egoísmo é paradoxal, também.
Se houver algo como isso, o amor é, possivelmente, o único tipo de egoísmo altruísta que existe. Porque, não importa o quanto, a quanto tempo ou por quanto tempo, você ame uma pessoa (ou algo), sua primeira e mais forte tendência é quere-la para si. A depender do agrave de intensidade, compartilhar não é uma opção.
Nisso eu tenho que admitir, John e eu somos iguais. Principalmente em relação a Della.
Mesmo que eu não aprovasse, eu entendia a necessidade que John teve de reivindica-la a primeira infame oportunidade, eu entendia como era quere-la para si, porque eu vinha fazendo isso há anos.
Mas somente querer não caracteriza um amor, e da mesma maneira, não caracteriza seu egoísmo altruísta.
A grande questão desse tipo específico de egoísmo não estava no querer, mas sim em o que você faria a respeito disso. E é aí que está a diferença entre meu irmão e eu. Não é que eu desejava Della mais que ele, mas eu agi de maneira diferente.
Numa equação matemática simples, onde o egoísmo altruísta é produto do amor, eu sabia que o John sentia por Della era tão maduro quanto o respeito, no entanto, tão raso quanto o desejo. Porque cada ato de John foi marcado pelo egoísmo simples, pelo querer dele e ponto final, e isso não é amar.
E comigo, não importava o quanto eu a queria para mim, o quão territorial eu fosse com ela, não importava que não aprovasse nenhum tipo de relacionamento romântico que ela tivesse, a não ser que fosse comigo, ou o quanto eu detestasse a mera menção de algum outro homem no futuro de Della; eu não podia simplesmente agir conforme os meus impulsos, sem primeiro pesar o que seria melhor para ela.
E não pense que isso é simples ato de altruísmo da minha parte, porque não é. Neste caso, minha atitude é mais egoísta do que se pode perceber. Porque quando se ama alguém do jeito que eu estou certo de que amo aquela mulher, não importa se ela está longe ou perto, se ela tem ou não consciência dos seus sentimentos, ou mesmo se ela quer ou não estar com você, ela fará parte de quem você é, e pensar nela se tornará uma segunda natureza. Você não suportará ser mero expectador de seu sofrimento, e coadjuvante de sua alegria.
Você se esforçará para ser seu herói, e razão de cada um de seus sorrisos. Porque ninguém quer viver uma vida triste ou doída, e corre atrás para que isso não seja uma realidade. Acontece que, quando uma pessoa está sob sua pele, os sentimentos dela estão também, e assim, consequentemente, para que sua vida seja alegre e feliz, a dela deverá ser também.
O que eu quero dizer, é para que você considere o meu altruísmo como um gesto egoísta, porque eu quero ser feliz, e eu só vou conseguir ser feliz se Della estiver feliz. Só estarei seguro se ela estiver, e daí por diante.
Na minha visão, o paradoxo entre querer para si e querer o que é melhor para o outro, e tudo ao mesmo tempo, é o que caracteriza e diferencia o amor verdadeiro de uma verdadeira ilusão.
É o que caracterizava a forma como eu me sentia por Della, e o que diferenciava o que eu sentia por Della do que John sentia.
Sentado na minha sala de estar, com Della ao meu lado, e John sentado à nossa frente, com uma gama de emoções cruzando seu rosto, eu refletia sobre o que dizer a ele.
Embora eu estivesse certo de que John sabia como eu me sentia por Della, eu não tinha certeza sobre o quanto ele sabia do que ele sentia por ela, ou do amor em si. A julgar pela centena de perguntas cruzando o seu rosto ligeiramente preocupado, ele não sabia muito.
Eu podia ler sua confusão e algumas das perguntas não ditas quando olhava para ele. Uma questão, em específico, estava chamando mais a minha atenção. John não entendia qual a diferença entre seu sentimento por Della e o meu. Eu sabia que ele queria me perguntar, e eu responderia com honestidade se ele fizesse. Porém, eu preferia não ter que fazer isso, porque não importa quantas vezes eu tentasse explicar a diferença entre um amor verdadeiro e uma paixão temporária, ele não iria entender, até o momento em que ele vivesse isso.
Porque, foi isso que aconteceu comigo. Houveram várias meninas bonitas antes dela, menos complicadas, mais fáceis e, até mesmo, mais acessíveis; mas nenhuma delas tirou o chão de debaixo dos meus pés com um simples olhar inocente. Não importava o quão bonitas e dispostas as outras eram, elas nunca seriam Della, e elas nunca seriam minhas.
Por isso que quando ela apertou minha mão de forma reconfortante, olhou para mim e forçou um pequeno sorriso, como quem dizia que está tudo bem, eu não podia deixar de fazer o que era melhor para ela, não importava o quão duro seria para mim, me levantar e deixar o cômodo para que eles pudessem conversar. Nem mesmo importava que minha natureza gritasse para que eu não saísse do lado dela.
Ela tinha que resolver as coisas com John, e eu sabia que esse era o momento. Ela sabia. John sabia.
O que não tornou nem um pouco mais fácil cuspir as palavras — sim, claro — e me levantar, saindo da minha própria sala de estar e deixando a mulher que eu amo com o meu irmão.
♥
Eu estava em estado de alerta desde o momento que saí da sala para John e Della conversarem, no caso de ela precisar de qualquer coisa. Mas o primeiro barulho reconhecível que ouvi foi o da minha porta da frente, que produzia um leve rangido ao abrir, provavelmente porque a dobradiça estava clamando por um óleo. Depois disso, o silêncio.
Isso foi quando eu parei de andar de um lado para o outro.
Honestamente, se você me perguntasse quanto tempo se passou do momento que eu saí da sala até a hora em que eu ouvi a porta da frente bater, eu não saberia responder. Para mim pareceu uma eternidade, que poderiam ser apenas alguns minutos na realidade.
O silencio absoluto era agonizante. Eu me questionei se Della tinha saído junto com meu irmão, e com isso, tive medo de descer para checar. Eu não saberia lidar com isso, se fosse a realidade.
Levei a mão aos meus cabelos em um gesto de frustração e lutei contra a vontade de voltar a andar de um lado para o outro, como eu vinha fazendo, tanto porque eu provavelmente abriria um rombo no assoalho do meu quarto, quanto porque eu, finalmente, ouvi passos delicados na escada.
Delicados demais para serem do John.
Me forcei a ficar no lugar e esperar que ela viesse até mim.
E ela veio.
Alguns hesitantes segundos depois, Della parou na porta do meu quarto, com o rosto vermelho e molhado, que inegavelmente dizia que ela esteve chorando, mais uma vez.
Não pela primeira vez no dia, a visão de suas lágrimas fez coisas estranhas comigo. Meu peito apertou horrivelmente com tristeza ao mesmo tempo em que um pequeno sentimento de raiva começava a me consumir. Seus ataques de pânico foram responsáveis pela primeira enxurrada de lágrimas, mas qual seria o motivo agora?
Eu não me responsabilizaria pelos meus atos se o culpado fosse o meu irmão.
Antes que eu pudesse tentar descobrir o que tinha se passado lá embaixo, Della me surpreendeu, e, numa voz falhada pelo choro e levemente sussurrada, ela disse:
— Nós terminamos.
E eu não sabia se ficava extremamente feliz, ou se agonizava, porque ela pareceu bem triste com isso.
♥
Della McKenna
Eu limpei o que ainda restava de lágrimas no meu rosto. A conversa que tive de ter com John não estava no meu top dez de favoritas, nem nunca estaria. Foi difícil e mais que um pouco dolorida.
Jonathan é um bom homem, do tipo que uma garota passa a vida inteira lamentando quando perde. Mas ela não era o tipo de cara que podia lidar com garotas como eu.
Talvez fosse real, ou talvez fosse fruto da minha mente, que, de certo modo, sempre nutriu algum sentimento platônico pelo Josh, mas quando ele olhava para mim, havia algo diferente em seus olhos, um entendimento profundo, que era irracional e dificilmente justificado. Josh olhava nos meus olhos e conseguia ver além deles, além da minha máscara feliz, além de uma única situação, além do que eu tentava fazer parecer. Ele olhava para mim como se ele soubesse. Como se entendesse.
Seu olhar suave não era de pena, mas de conforto. Eu era grata por isso, porque se você, como eu, cresceu sobre circunstancias complicadas, e as pessoas sabem disso, em algum momento você estará saturado de olhares de pena. Um período da minha infância foi marcado por este tipo persistente de olhar, o que, consequentemente, não me fazia parecer normal e sempre me taxava numa categoria diferente das outras crianças. Eu, supostamente, merecia mais atenção e aspirava mais cuidados.
Foi por isso que eu fiquei tão feliz quando Tia Meg me disse que iriamos mudar de cidade. Knoxville foi parte da minha melhora. As pessoas aqui não sabiam o que tinha acontecido comigo, e, tanto quanto eu queria, me ignoraram. Pela primeira vez, eu fui somente outra criança. Um pouco tímida e quieta, mas só outra criança. Era uma ilusão, porque, depois de tudo que tinha passado ainda numa idade tão tenra, minha inocência de criança havia ido embora; mas não deixava de ser menos reconfortante saber que eu era invisível, e que as pessoas não sentiriam pena de mim ou suspirariam “coitadinha” toda vez que eu virava as costas.
Eu não era invisível para o Josh, no entanto. Ele sempre pôde ver através de mim, e, ainda assim, nenhuma vez ele me olhou com pena, mesmo que eu suspeitasse que ele sabia mais do que eu já tinha deixado transparecer conscientemente. Ele não perguntou, ele não precisou.
John, no entanto, me olhou apenas com confusão enquanto pediu por uma explicação.
A falta de lampejo em seus olhos me contou mais do que ele poderia me dizer.
Talvez eu não fosse completamente uma estranha para Josh, como eu supus que eu fosse, porque a minha máscara não funcionou com ele. Mas John não conseguia enxergar a parte escura quando ele olhava para mim, ele não conseguia ver através da minha pose.
Acredito que haja uma explicação para cada coisa no universo, muitas das quais nunca vamos realmente ter a imensidão para conhecer, por isso, eu preferia por me ater a fatos. E os fatos são esses, nesse caso: eu estava em um relacionamento que era uma farsa. Eu não enxergava o verdadeiro John, e assim ele fazia comigo.
Talvez tenha sido falta de interesse ou motivação, em ambas as partes; talvez eu não fosse a garota certa para ele; talvez ele não fosse o cara certo para mim; talvez o meu coração só fosse bater descompassado por uma pessoa, que, obviamente, não era ele; e talvez eu não fosse a única que alcançaria o coração dele. Talvez apenas não fosse para ser.
E, quanto mais tempo eu perdia pensando sobre toda essa situação, mais eu pegava meus pensamentos derivando para constatar as diferenças entre o meu curto período de relacionamento com o John e os meus momentos roubados com o Josh, que nunca chegaram a ser românticos, mas eram algo.
Definitivamente, eram algo.
Me atentei também para o fato de que talvez Josh e eu não fossemos tão grandes desconhecidos. Com certeza não conhecíamos cada detalhe um do outro, mas tínhamos o suficiente para um início.
Meu coração tremulou um pouco com esse pensamento.
Josh me olhava, me tocava, me tratava, e agia como se fazer parte da minha vida fosse algo completamente natural para ele, e ele apenas estivesse esperando a hora de acontecer. E, tenho que admitir, mesmo jamais tendo esperado algo como isso, o sentimento era o mesmo para mim.
Crescer com um pai abusivo te faz, inevitavelmente, uma pessoa cuidadosa, para dizer no mínimo. Homens sempre foram um assunto bastante complicado para mim, e relacionamentos um tanto superestimado, mesmo nos romances que eu tanto amo. Sempre foi idealizado demais.
Porém ser abraçada por Josh hoje me trouxe algo que eu nunca tinha sentido anteriormente. Foi desinibido e confortável; foi acolhedor e seguro; acalentador. Foi diferente de tudo que eu já havia sentido, e um simples toque de Josh me fez sentir mais do que o mais esforçado dos beijos de John.
Então, por isso, quando o John se sentou na minha frente e abertamente derramou para mim, em expressões, toda sua confusão em relação ao que Gen havia cuspido acidamente mais cedo e a cena que criei em seguida, eu fiz questão de lhe dizer a verdade da maneira mais branda que eu poderia, pois não queria entrar em muitos detalhes.
Eu contei a ele que meu pai, meu pai verdadeiro, era um cara bastante mal. Contei que ele batia na minha mãe, e, mais vezes do que não, em mim também. Contei a ele que a situação de hoje, o meu estado e a minha reação, não tinha nenhuma ligação com as ações conspiratórias de Genevieve, mas que os gritos foram longe no meu subconsciente e buscaram lembranças que há tempos eu vinha mantendo enterradas.
John pareceu consternado, triste e até mesmo enraivecido; e, mesmo assim, ele não soube o que fazer comigo depois que eu contei a ele. Ele não me ofereceu conforto físico, ele não se aproximou e me abraçou como acho que supostamente um namorado deveria fazer. Como Josh fez.
Ele apenas disse que sentia muito por tudo que ele tinha causado, e eu vi a tortura em seus olhos. Ele se culpava, mas eu não o culpava de nada. Ele não tinha ideia, e foi isso que eu disse a ele.
Ainda assim, ele me pediu desculpa, novamente, não parecendo se sentir menos culpado. Eu fiquei preocupada, porque essa era uma culpa que ele não precisava carregar. A única pessoa com um enorme saldo devedor de culpa pelos meus ataques de pânico estava morta, felizmente.
Após se desculpar, ele não disse mais nada, deixando o silêncio reinar absoluto e desconfortável entre nós. O que eu não deixei durar muito tempo. John podia não ter nada, mas eu ainda precisava falar algumas coisas.
Tive a certeza de encara seus olhos quando falei, buscando em mim uma coragem recém-descoberta.
— Não tem nada acontecendo entre o Josh e eu — afirmei resoluta.
John assentiu, seu rosto ganhando feições de uma pessoa profundamente envergonhada e arrependida. — Eu sei.
Eu também balancei a cabeça, para efeito de reafirmar a afirmação. Logo após, eu continuei, porque ainda havia muito a dizer.
— Nosso relacionamento se moveu muito rápido, rápido demais para ser considerado saudável, não é John? — Ele aquiesceu, eu suspirei. — Não está dando certo, e ambos sabemos que vai apenas nos machucar continuar com ele. Sabemos que este é um fim inevitável. Mas não foi culpa do Josh ou de qualquer outra pessoa. Apenas, talvez, não... não fosse para ser. Apesar de tudo, eu não me arrependo. Você é uma pessoa incrível e muito querido para mim, saiba disso. Eu me sinto lisonjeada pela sua atenção e pelo carinho que você mostrou por mim...
— Mas não foi o suficiente — ele completou.
Eu neguei. — Não, ele foi. Foi suficiente. Não se engane. O problema nunca esteve no que sentimos um pelo outro, mas na forma errônea que interpretamos isso. Enxergamos um romance no espaço de uma amizade.
Eu esperava que ele dissesse alguma coisa, mas ele só me observou, certamente considerando minhas palavras, então eu continuei.
— Você disse que sabe que nada aconteceu entre mim e o Josh, e não aconteceu mesmo. As palavras de Gen foram cuspidas com ódio, com amargura, e seu alvo era eu. Ela não gosta de mim e isso é evidente. Mas eu sei que te machucou também, assim como fez ao Josh. Eu não preciso conhecer vocês a um longo tempo para saber que o amor entre vocês dois é um laço profundo; e não preciso de muito tempo para notar que, acima de tudo, de quem deu a sentença de acusação, acima da reação magoada do seu irmão, acima da repercussão que teve em mim; você foi o que saiu mais ferido, porque no fim das contas você se culpou por toda a situação. Se culpou por duvidar de Josh; acha que toda a culpa do nosso relacionamento fracassar é sua, da distância que colocou entre nós; e pensa que foi o responsável pelo meu ataque de pânico.
John me encarava com igual perplexidade e tristeza. Por algum motivo, as luzes não estavam acesas na sala de estar, sendo iluminada apenas por consequência da fileira de luzes acesas no ambiente da cozinha, e, na penumbra do local, eu não podia ver o rosto de John com clareza, mas tinha quase certeza de que o grande homem tinha lágrimas não derramadas em seus olhos.
Eu me aproximei mais dele, sentando na mesa de centro a sua frente, a fim de que ele voltasse o seu olhar para o mim, por que ele havia desviado, talvez para que eu não visse seus olhos molhados. Quando ele não voltou a me encarar, eu levantei a mão e toquei seu rosto. Ele estremeceu, mas permitiu que eu guiasse o seu maxilar na minha direção, assim ele poderia visualizar meus próprios olhos molhados e a veemência nas minhas palavras.
— Não carregue essa culpa, John.
Ele riu, aquela risada incrédula e triste, que vem em uma rajada pelo nariz e que não provém de nenhum humor, mas da falta dele. — Como eu não poderia, Della?
— Somos falhos, John. Erramos, e isso é normal. A vida não foi feita para ser construída entorno de culpa, por que culpa não resolve nada. Sempre tenderemos ao erro, é a nossa natureza, o que não quer dizer que queremos errar, não de propósito. Ás vezes somos inconsequentes, não pesamos nossas ações, mas no fundo, no fundo, todas as nossas ações têm uma justificativa; nem que sejam pequenas, ou apenas... nossas.
Ele absorveu minhas palavras com cautela, pensou pelo que pareceu longos minutos, e, por fim, me olhou ainda mais tristemente do que antes.
— Tudo o que você falou, é verdade. E, ainda assim, não exclui o fato de que a culpa, de fato, é minha. Você mesma disse que as vezes somos inconsequentes, e somos mesmo. A maior prova de suas palavras está sentada bem à sua frente. Ouça-me, Della, eu não cometi um erro por ingenuidade. Cometi um erro porque eu fui egoísta. A essa altura, tenho certeza de que você sabe que o meu irmão tem sentimentos profundos por você.
Eu arquejei, surpresa para além da conta, e ele me lançou um olhar incrédulo.
— Bem, talvez não. Não importa, porque eu sabia disso, e ainda assim resolvi me envolver com você. Eu não culparia Josh se ele tivesse feito o que Gen o acusou de fazer, não realmente, porque ainda seria culpa minha. E eu ainda olhei em seus olhos e tive a audácia de parecer traído, quando eu era o único traidor. Inconsequência não pode ser uma justificativa para meus atos falhos, Della. Para o meu egoísmo. Natureza falha, também não. Uma coisinha chamada consciência não deixa ser.
“Eu tenho certeza de que você acredita em cada palavra do que me disse, mas você não percebe que é um paradoxo, no fim das contas. Sendo nós, homens, animais racionais, que tem pleno conhecimento e disposição das nossas faculdades mentais, sabendo discernir entre o certo e o errado, e tendo plenas consciência dos nossos atos; erramos porque somos inconsequentes, ou somos inconsequentes porque, apesar de tudo isso, ainda erramos? ”
Ele suspirou.
— A verdade, realmente, é que não importa se os nossos atos têm enormes justificativas, pequenas, públicas ou pessoais; se eles são nossos atos, devemos responder e pagar por eles. A culpa é apenas parte do processo — afirmou com conhecimento de causa.
Então, sem mais nenhuma palavra, ele levantou, beijou a minha testa e caminhou para fora sem olhar para trás.
Eu fique no mesmo lugar onde ele me deixou, e, por longos minutos, chorei. Chorei de alivio e tristeza por ter acabado; chorei com um pouco de esperança pelo que ele tinha me dito do Josh. Chorei pela desolação em suas palavras, mas, acima de tudo, chorei pelo John. Porque eu sabia que algo dentro dele tinha mudado essa noite, e não foi para melhor
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