Texas Hot Guys: In love with you
14 Ferida
Notas iniciais
Capítulo 14
“Ferida”
Josh Bradshaw
(Sim! Ele mesmo, esse lindo ♥ )
♥
Eu não estava sabendo como agir desde que Della apareceu na porta do meu quarto chorando e me disse que tinha terminado com Jhon. Primeiramente, eu não entendi se ela estava bem com isso, ou se tinha ficado triste. Não queria que ela estivesse triste por isso, então, “eu sinto muito” não era apropriado para mim, de forma que, resolvi por bem ficar quieto e não falar nada em resposta. Abracei-a, e depois dei um beijo na sua cabeça.
Ela ficou dura apenas por um momento antes de relaxar contra mim. Fiquei feliz que o meu conforto físico funcionasse com ela, porque, na maioria das vezes, eu falava mais por ações do que por palavras. Essa era uma das coisas que me diferenciavam muito do meu irmão gêmeo; em segundo lugar você poderia colocar que eu sempre escolhia ser cauteloso, enquanto Jhon viveu sua vida inteira de impulsos.
Eu tinha colocado uma das minhas mãos nas costas de Della quando a puxei contra mim, e a outra eu deixei enredar nos seus cabelos, acariciando suavemente. Jesus, era apenas muito, muito bom, para ser real. E, de verdade, eu tive que engolir um gemido quando ela passou seus braços ao redor da minha cintura e me abraçou de volta enquanto afundava sua cabeça no meu peito e se aconchegava.
Era como se toda ela tivesse sido feita para encaixar perfeitamente contra mim. Não consegui evitar pensar em como eu desejaria experimentar o nosso ajuste perfeito em outro lugar, que não de pé debaixo da soleira na porta do meu quarto. Isso tudo levou apenas um minuto para passar pelo meu cérebro. Sessenta segundo em que ficamos num silencioso momento de conforto multo, porque, honestamente, depois da noite infernal, ela não era a única que precisava ser assegurada de que tudo ficaria bem. Ela me aterrorizou.
Gostei do nosso silencio. Era confortável e.. normal. Como se estivéssemos acostumados a conviver dessa forma, com direito a contato físico demorado e tudo. Sem estranhezas. Mas acabou depressa demais.
Della começou a falar, e eu nunca tinha visto ela tão abertamente falante. E ela estava discorrendo sobre o meu irmão (que não era meu assunto preferido no momento), e de como eles dois tinham estragado tudo. Então, ela lamentavelmente começou a se culpar da coisa toda e a pedir desculpas. E soluçar. E pedir mais desculpas desconexas por todo o dia de hoje.
Por mais que eu adorasse que ela pudesse se abrir comigo, ela estava começando a soar irracional, de forma que eu não estava mais acompanhando o rumo dos seus confusos pensamentos.
Levei minhas duas mãos ao seu rosto, o afastando do meu peito para que ela pudesse me encarar. Passei meus polegares por suas lágrimas, tentando de todo jeito faze-las parar de cair.
— Della, amor, pare.
Ela sacudiu a cabeça ainda olhando nos meus olhos. Ela não estava negando, no entanto. Ela estava me dizendo que não conseguia.
Apesar de tudo o que tinha acontecido hoje, a minha reação foi sorrir. Um pequeno sorriso de canto e um leve bufar incontrolável pelo nariz, porque, porra, ela estava adorável.
Ela olhou um momento para a minha boca quando eu sorri, e então voltou a olhar para os meus olhos. Era incrível como eu podia lê-la como se todas as suas especificidades estivessem numa bula que eu a muito tempo decorei frase a frase. Ela mordeu o lábio e continuou a me encarar, parecendo perdida, cansada, nervosa e sem nenhuma ideia do que fazer.
Eu beijei a ponta do seu nariz, e, tão suavemente quanto eu pude, afirmei: — Acabou.
E, talvez, apenas talvez, eu tenha soado um pouco veemente demais em minha simples afirmação. Porque, assim como eu queria me referir a todos os conflitos do dia, eu também queria garantir a ela que nenhum surgiria mais.
Em resposta, Della apenas suspirou e assentiu, como se tentando se convencer do que eu disse.
— Sim, acabou.
Sua voz não saiu muito firme, mas eu pude ver a resolução em seus olhos.
Minhas duas mãos ainda estavam segurando o seu o rosto, e eu tive um momento de tristeza quando eu observei de canto de olho seus braços subirem em direção aos meus, mas ao invés de afastar minhas mãos, como eu pensei que ela faria, Della apenas fechou os dedos ao redor dos meus pulsos e acariciou levemente.
— Obrigada — disse.
Minha reação completamente instantânea foi franzir o rosto.
— Pelo que?
— Por tudo, Josh. Por estar comigo hoje, por não sair do meu lado. Por me consolar, mesmo que você não tenha nenhuma ideia do que aconteceu.
— Della, eu não fiz uma grande coisa, querida. Você precisava de alguém e eu estava lá. — Não precisa agradecer por algo que vem como uma segunda natureza para mim, completei, embora não tenha dito em voz alta.
— Você não entende. — Ela afirmou. Foi a sua vez de franzir as sobrancelhas. Na sequência, ela lamentavelmente se afastou de mim e virou de costas. — Você faz parecer tão simples uma coisa que é enorme para mim. Não houveram muitas pessoas dispostas a “estarem lá para mim” durante a minha vida, Josh. De fato, eu consigo pensar apenas em seis, e uma delas está morta por isso.
Eu puxei um folego, pego completamente de surpresa pelo rumo da conversa. Dela não pareceu perceber a minha reação, porque continuo da mesma forma que tinha começado.
— A minha mãe... — disse, parando por um segundo, como se fosse doloroso demais falar disso.
Me aproximei, colocando a mão em seu ombro.
— Você não tem que me contar — sussurrei.
Ela se virou para mim, levantando uma mão e segurando a minha.
— Eu... sim, eu preciso — afirmou. Se aproximando de mim, Della deitou a testa no meu peito e fechou os olhos. Ainda segurando minha mão, forte, como se precisasse de apoio, ela ficou assim, com a cabeça encostada em mim e mão fie contra a minha, mas não fez muito para se aproximar mais. Eu não a puxei contra mim, entendendo que ela precisava buscar coragem para o que ela que queria me dizer, e que ela precisava fazer isso sozinha.
Aguardei enquanto ela respirava pesadamente, sentindo o peso de cada uma de suas dores sobre o lugar que ela repousava, no meu coração, apertando sua mão, o suficiente para dizer sem palavras que eu estava aqui para ela.
Com um último suspiro pesado, Della levantou a cabeça e olhou para mim.
— Preciso te dizer, porque preciso, não, quero. Quero que você entenda.
Eu assenti, mesmo que ela não tenha feito uma pergunta. Se ela queria me dizer, então eu iria ouvir. E, embora ela parecesse ter urgência em começar a derramar as palavras pelas quais ela levou tanto tempo buscando coragem, eu não achei que o corredor era um local apropriado para ter uma conversa como essa.
Ainda segurando sua mão na minha, virei a puxando comigo e transpondo a porta para o meu quarto, até que estivéssemos sentados na minha cama. Della não protestou, mas sua resolução parecia morrer a cada segundo que levou até que estivéssemos confortavelmente sentados.
Ela estava agora encarando o me assoalho como se fosse a coisa mais interessante que viu em décadas.
— Della — chamei. Ela me olhou. — Você não precisa me contar agora, se você não está preparada.
— Não é isso.
— O que é então?
— Não quero que você me trate diferente depois que eu te contar. Não quero que você sinta pena. E-eu gosto do jeito como você me trata, como se eu fosse apenas qualquer garota normal... sem nenhum passado escuro assombrando meus pesadelos a noite. Estou com medo, Josh.
Eu apertei meus olhos fechados por um momento com uma enorme gama de sentimentos passando na velocidade da luz pelo meu peito. Eu senti raiva, e então fiquei um pouco descontrolado por ela ter afirmado que gosta do jeito que somos, então um nó se apertou no meu peito por ela dizer que eu a trato como qualquer garota, porque não é verdade. Será que ela não percebe?
Eu a trato diferente, mas não pelos motivos que ela atribuiria a isso. Não tenho pena dela, tenho orgulho por ela ser forte, mesmo que delicada. A trato como faço porque para mim ela é especial, e isso é uma coisa boa. Porque a amo. Muito.
— Ei, vem aqui — sussurrei, puxando-a para mim. Eu estava sentado de lado na cama, com uma perna dobrada no colchão e a outra apoiada no chão. Della estava de frente, com os dois pés no chão e de lado para mim, de forma que, quando a puxei, envolvi seu corpo lateralmente contra o meu e deitei sua cabeça de volta ao lugar no peito onde eu rapidamente aprendi que gostava de tê-la. Estar em contato com ela parecia o correto para mim. Então eu repeti para ela o que vinha passando na minha cabeça, exceto a parte de ama-la como louco. — Eu te trato diferente, pode ter certeza, mas não é por causa do que aconteceu com você e que você bravamente tenta esconder, porque consigo ler isso em seus olhos, e conseguia muito antes de tudo o que aconteceu essa noite. — Ela arquejou, levantando a cabeça e me olhando surpresa.
— Como? — Questionou nervosamente. — Eu nunca.. nunca deixei que as pessoas percebessem.
— Shh. — Beijei sua cabeça, tentando acama-la. — Eu não sei, Della. Honestamente, eu não sei como. Mas eu olhei para você e consegui ver os seus demônios. Não se preocupe, a sua máscara é boa, apenas, não para mim. No entanto, eu nunca precisei te tratar com pena, mesmo sabendo que você foi vítima de alguma coisa, porque eu nunca vi você agir como vítima. Você não deixou que seu passado ditasse o ritmo da sua vida, e eu admiro a sua força e a sua coragem por isso. — E eu te amo, acrescentei na minha cabeça.
Della continuava a me olhar surpresa, e uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto. Eu limpei, antes de continuar.
— Então, eu quero que você saiba que, não importa o que você quer me contar, por que isso não vai mudar em nada a forma como eu me sinto em relação a você. Eu nuca pensei que você fosse normal, e está bem para mim, porque as melhores pessoas não são.
Ela não respondeu, mas seu olhar perdurou no meu pelo que pareceram horas, com uma intensidade que eu nunca tinha visto ela me olhar antes, parecia um pouco com admiração, e algo a mais que eu não podia descrever. Então, ela simplesmente deitou a cabeça de vota onde eu tinha colocado, e começou a falar. Fluida e facilmente.
— A minha mãe era minha pessoa preferida no mundo inteiro. E a adorava, Josh, como se ela pendurasse a lua no céu todos os dias. Amava a forma como ela cantava enquanto preparava o café da manhã, e como ela fazia diferentes vozes quando me contava uma história. Eu vivia por seus sorrisos e elogios, e bebia disso como uma pessoa sedenta. Eu inventava motivos o dia inteiro para ter a sua atenção, e ela era sempre feliz em dá-la para mim.
Eu sorri com a imagem que ela pintou, imaginando-a como uma garotinha.
— Mas o meu pai — ela continuou — ele não gostava disso. De que ela desse sua atenção para mim, e dedicasse grande parte do seu dia a mim. Minha mãe sempre quis ter filhos, mas o um pai não, de forma que ele não ficou feliz quando soube que mamãe estava grávida. Ele tinha uma espécie de amor doentio por ela. Era possessivo e feio, e ele odiou a ideia de que uma criança tirasse a atenção dela, porque ele a queria somente para si. Desde que eu me lembro dele, ele me tratava como se eu fosse o início de cada um de seus problemas. Então, ao invés de um pai que fosse louco por mim e que me amava, eu tive um que, desde que eu consigo compreender suas palavras, me dizia o quanto eu era um peste e como vim para roubar a minha mãe dele.
“No início, ele estava contente em apenas me falar isso, mas ele foi evoluindo suas formas de agressão a medida em que eu crescia. E, embora ele tenha escondido isso da minha mãe por um tempo, a forma como ele sempre parecia infeliz e irritado a minha volta fez com que ela progressivamente se afastasse dele. Ouvia ela brigando com ele, a noite quando achava que eu estava dormindo, pela forma como ele não me dava atenção. Começou com discursões pequenas, até que as vozes foram ficando cada vez mais altas. Ele saia de casa então, e não voltava até o outro dia pela manhã com um cheiro desagradável do que eu aprendi muito rapidamente que era bebida. Ele passou a ser um frequentador constante do bar mais perto, e a chegar em casa no meio da tarde bêbado. Ele chegou a um ponto sem retorno, perdeu o emprego, se envolveu com apostas e fez um estrago nas nossas vidas. Mamãe teve que começar a trabalhar dois turnos para nos sustentar, e sustentar seus vícios. Quase sempre eu ficava na casa da vizinha até a hora do jantar, mas a senhora Mary tinha quatro filhos desagradáveis, que gostavam de me perturbar, e muitas coisas para fazer. Eu não gostava de ficar na casa dela, e ela não notava quando eu escapava sozinha para casa. Preferia ficar sozinha. ”
“Um dia, a minha mãe ficou no trabalho até mais tarde, cobrindo uma de suas colegas doentes, e quando meu pai chegou em casa eu estava lá sozinha. Esta foi a primeira vez que ficamos completamente sozinhos, e foi, também, a primeira vez que ele me bateu. ”
Eu não pude deixar de estremecer, sentindo tanto ódio do seu pai que meus braços tremiam envolta dela quando eu a apertei um pouco mais, com uma crescente necessidade de garantir que ela estaria segura para sempre.
Della continuou, ainda muito perdida em suas memórias para notar que meu corpo inteiro tremia.
— Foi um tapa no rosto. Eu chorei, porque eu era uma criança e não entendia seu ódio, e também porque doeu. Ele me xingou ainda mais do que já fazia quando ouviu meus sons de lamúria. Ele estava bêbado, e com vontade de se livrar da minha presença. Então ele me trancou no armário de casacos, e eu fiquei lá até que a minha mãe chegou, às três da manhã. Ela perguntou por mim, ele respondeu que eu estava dormindo e tentou convencê-la a passar um tempo com ele. Eu estava com medo de gritar do armário chamando a minha mãe e ele ficar ainda mais bravo. Minha bochecha doía, eu estava com sede, fome, e tinha feito xixi na roupa porque não conseguia mais segurar. Eu tinha cinco anos. Naquele dia a minha mãe descobriu que eu não estava no meu quarto depois que ela tomou banho e comeu com ele. Ouvi ela gritar com ele, perguntando o que tinha acontecido comigo, mas não ouvi o que ele respondeu. Suas vozes pareciam estar dentro de um túnel, ficando cada vez mais longe. Minha visão escureceu e eu desmaiei. ”
“Quando eu acordei novamente, minha mãe estava chorando e ela estava coberta de marcas como a que escurecia minha própria bochecha. Ele tinha batido nela também. Se tornou uma rotina, e por anos depois desse dia eu vi a minha mãe oferecer seu corpo a ele como saco de pancadas para me proteger. Não podíamos sair. Ele ameaçou matar nos duas se minha mãe tentasse. Ele tinha uma arma. Minha mãe nunca desistiu, no entanto, e planejou por muito tempo nossa fuga. Eu tinha acostumado a ir para escola e esconder as marcas que ele deixava no meu corpo, era fácil, porque, quanto mais eu velha estava, menor eu ficava. Minhas roupas eram cada vez mais largas. Eu não comia direito, ele não deixava. Minha mãe fazia o mesmo. Escondia as marcas e tentava ser forte. Ela estava de pouco em pouco guardando dinheiro para fugir de casa comigo, para um lugar onde ele nunca fosse nos encontrar, o que era difícil porque ele tomava cada resquício de salário que ela recebia e gastava em bebidas e drogas. Assistimos cada passo dele se tornando um psicopata e dominando as nossas vidas com medo. ”
“Então, o nosso maior medo se tornou realidade e ele descobriu que minha mãe estava guardando dinheiro. Eu nunca tinha visto ele tão bravo. Como se estivesse possuído. Ele começou a destruir cada pedaço do que restava da nossa velha casa, gritando com ela. Eu assisti quando ele puxou seu cabelo e gritou na cara dela antes de bater seu rosto contra a parede. A minha mãe gritou. Alto. Eu não pude ficar assistindo, corri até ela, mas ela usou seu último resquício de força para lutar de volta contra ele e me mandar fugir. Eu corri, mas ele me alcançou no meio da escada e me puxou de volta. Minha mãe estava caída no chão, com as roupas rasgadas e sangrando na testa, nariz e boca. Ele me arrastou até que ela pudesse me ver, ver o que ele iria fazer comigo. Então ele começou a me bater, como nunca tinha batido antes, e, naquele momento, com onze anos, eu tive certeza de que iria morrer. Ali mesmo, ouvindo a minha mãe gritar no fundo. Eu deixei o meu corpo afrouxar, e aceitei cada golpe, já desistindo da minha vida, e, quando eu estava prestes a apagar ouvi um estrondo alto. A mão que vinha na minha direção para acertar seu último golpe, caiu, frouxa e inválida. Eu demorei a entender o que estava acontecendo. Outro barulho alto, um estouro. Dois. Três, e meu pai desabou na minha frente, coberto de sangue. Minha mãe tinha alcançado sua arma e atirado nele. Ela gritou, do chão, onde ainda estava, o quanto odiava ele e queria que ele queimasse no inferno. Então ela começou a tossir sem parar, fazendo sangue voar de sua boca. Eu juntei o último resquício de força e me arrastei até ela, do outro lado do quarto. Com uma mão tremulante, acariciei o seu rosto e gritei por ela, que já estava de olhos fechados quando a alcancei. Gritei mais alto, lágrimas embaçando ainda mais a minha visão com dois olhos roxos e inchados, quase fechados, mas ela não conseguiu mais abrir seus olhos. Apenas juntou seu último folego e disse que me amava, antes de morrer. Meu pai tinha chutado suas costelas até que uma delas perfurou o pulmão e ela teve uma hemorragia. Quando a polícia chegou, acionada pelos vizinhos, eu era a única coisa ainda parcialmente viva na casa. Meus pais mataram um ao outro na minha frente. ”
Eu estava chorando, e eu não fiz nenhuma questão de esconder isso dela. Se ela iria abrir sua alma para mim dessa forma, ela podia então ver o quão triste cada uma de suas palavras me fez. Eu tinha vontade de abraça-la até ela se fundisse contra o meu corpo. Nunca me senti tão impotente em toda a minha vida, queria ter estado para ela lá quando isso aconteceu. Queria estar em todos os momentos em que ela precisasse de alguém de agora e para o resto de sua vida. Queria lhe mostrar amor, do tipo que ela não teve quando criança. Queria poder apagar de sua memória tudo o que aconteceu com ela, mas eu não podia.
Queria afundar o meu rosto no seu pescoço, abraça-la, sentir o aroma da sua pele e seu coração batendo, me garantindo que eu não a tinha perdido antes de tê-la. Queria dizer que eu sentia muito, mas ela não tinha terminado.
Olhando para um ponto cego no assoalho, Della continuou.
— Crescer foi complicado, mas finalmente, depois de algum tempo que o serviço social tinha me levado para morar com a Tia Meg, eu fu me redescobrindo. Aprendendo a enfrentar meus traumas, lidar com a minha perda; descobrindo o amor de uma família e carinho de uma figura paterna de verdade, não a desculpa barata que eu tive infelicidade de ter. Aprendi e descobri como ter uma vida quase normal, mas nunca foi possível que eu ficasse muito próxima de alguém ou me abrisse verdadeiramente, porque, de alguma forma, quando a minha guarda estava baixa, as pessoas conseguiam enxergar minhas partes quebradas. E, para falar a verdade, as pessoas tem pena, medo ou simplesmente não querem alguém com o passado potencialmente destrutivo como sua amiga ou namorada. Então, eu aprendi rapidamente a me esconder e tentar ser o mais invisível possível. Eu não tinha amigos, até Amanda. Eu não tinha família, até que Tia Meg, Tio Alex e Rys se forçaram dentro do meu coração; e não tinha ninguém que ficou do meu lado, até você. Então sim, eu acho que eu tenho que agradecer. Você pode não entender, mas isso é enorme para mim.
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