Texas Hot Guys: In love with you
15 Afraid
Notas iniciais
Capítulo 15
“Afraid”
Amanda Lewis
♥
Eu acordei com gritos, muitos deles. Ao meu lado, Oliver se mexeu na cama parecendo tão confuso quanto eu estava. Nós dois acabamos envolvidos num abraço regado a lágrimas e adormecemos dessa forma. Após a cena digna de filme de drama que a minha irmã causou ontem, o que eu menos queria era estar perto dela, muito menos na casa dela. Mas ela se mostrou uma pessoa ainda pior do que o que já havia demonstrado, e, não se importando com o fato de que o filho dela estava chorando a ponto de soluçar e pedindo pelo amor de Deus que ela deixasse ele na fazenda, Gen o arrastou para sua casa, na cidade.
Oliver estava partindo o meu coração, e, mesmo que minha vontade fosse correr atrás de onde tinham levado Della, eu não podia deixa-lo sozinho. Della tinha Josh, mas Oliver não tinha ninguém ao seu lado, e não, eu não estava considerando sua mãe. Eu estava realmente furiosa com Genevieve. Não só sua atitude foi imperdoável com Della, mas para com Josh e, principalmente, com Oliver.
Se eu entendia o ciúme irracional de Gen pela atenção que seu filho dava a Della? Não. Por acaso, ela era a única responsável por deixar Oliver de mão. Ela tinha que aprender uma coisinha ou duas sobre lidar com as consequências dos seus atos. Eu entendia que ela não vinha vivendo a vida mais fácil tendo um ex-marido como Kylie Morgan Kane, no entanto, ela estava cega as cicatrizes profundas que Oliver vinha cultivando também.
Eu não preciso ouvir cada relato dele sobre como era sua vida com os dois pais morando debaixo do mesmo teto; a única coisa que precisava para enxergar claramente a situação em que ele tinha vivido ainda em sua pouca idade, era notar a forma como ele agiu ontem à noite quando Della teve seu ataque de pânico.
Qualquer criança de sua idade fugiria da cena sem ao menos entender o que estava se passando, qualquer criança normal, pelo menos. Oliver não. Ele tinha mais entendimento refletido em seus olhos do que eu, no auge dos meus vinte e três anos, tinha. Não foi um reconhecimento de quem já sabia da história somente, foi mais profundo, um reconhecimento de alma. Ele entendia Della, porque ele passou pelo mesmo, e isso é muito a se dizer de uma criança de oito anos. Ele era um menino bonito que estava coberto de rachaduras.
Eu sabia que, de alguma forma, Della tinha sido violentada quando criança. Não porque ela alguma vez tenha me dito, Della era um livro bem fechado nesse aspecto da sua vida. Eu entendia que, para ela, era muito importante manter esse pedaço da sua vida soterrado debaixo de uma imagem firme. Ela não queria que as pessoas tivessem pena dela. No entanto, eu sabia um pouco sobre a infância de Della por causa do seu primo Ryan. Certa vez, quando ele ainda morava em Knoxville, o peguei de guarda baixa no estacionamento do colégio. Era seu último ano e ele estava completamente bêbado.
Eu tinha acabado de sair do colégio com o grupo de estudantes que estavam responsáveis pelo anuário, Della era um deles, mas ela estava doente naquele dia. Ele me abordou na saída, e ele parecia desesperado.
Ryan segurou meus dois ombros e me olhou enfaticamente quando me disse numa voz lamuriosa que ele não tinha nenhuma ideia do que ele ia fazer. Veja, Ryan é um excelente lutador, e mesmo naquela época, ainda no colegial, ele era uma das grandes promessas do estado, mas Knoxville não tem uma universidade, e, se ele queria construir sua carreira do jeito certo, ele teria que se mudar. Isso o estava matando, porque, como ele mesmo disse, não queria deixar Della, ele não podia lidar com a ideia. Acho que eu fiquei parada com uma cara de espanto que denunciava o quão confusa com seu rompante eu estava, porque ele, mesmo caindo de bêbado como estava, bufou impaciente e disse:
— Alguém precisa proteger ela, Manda. Ela não pode quebrar de novo. Aquele maldito pai dela fodeu sua cabeça. Ela não pode lidar com o que as garotas normais podem, ela não pode lidar com um garoto em cima dela, ou com as meninas malvadas de sua classe. Ela não pode fazer isso sem quebrar. Você não entende? Ela é frágil. Eu não comprei briga com cada garoto desse colégio e os fiz ficar longe por puro capricho, Manda. Eu fiz por ela. Ela não sabe, ela acha que é invisível, mas porra, não. Ela é bonita pra caralho! As pessoas notam ela o tempo inteiro. Eu fiz ela ser invisível. Como ela vai ficar se eu for embora? Eu não posso ir.
Eu fiquei duas horas e meia sentada com ele naquele dia, até que ele estava, razoavelmente, mais sóbrio e prometi a ele que não deixaria nada acontecer com Della, mas que ele precisava seguir sua vida. Ela ia odiar a ideia de Ryan ficar somente por sua causa.
Della nunca soube que essa conversa aconteceu, e até hoje não sabe que Ryan me ligava a cada noite durante nossos dois últimos anos de escola. Ele queria relatórios, eu os dava. Acabamos por desenvolver uma amizade baseada no nosso cuidado com ela, e as vezes ele ainda me liga para informações. Não precisa nem dizer que ele não era um fã dessa coisa entre Della e John, não é? Mas Rayn era sensato o suficiente para não viajar três estados só para colocar o John no seu devido lugar. Ou, pelo menos, foi isso que eu disse a ele.
De qualquer forma, a maneira como Ryan agia com Della me fez entender, mesmo sem detalhes concretos, que o que Della passou na infância foi fodido, fodido o suficiente para deixar marcas profundas abertas ainda hoje. Apenas o pensamento de meu sobrinho ter passado o suficiente para entende-la faz gelar minha espinha.
Nenhuma criança merece passar por abusos. Nenhuma.
Oliver afirmou minhas suspeitas de que o que ele sofreu em casa durante seus limitados oito anos de vida, era algo parecido com o que Della sofreu, quando ele me implorou, ainda com lágrimas escorrendo pelo seu rostinho de menino, para que eu ligasse para o tio Josh, porque ele tinha que saber se Della ficaria bem. E, droga, se eu também não estava chorando e querendo a mesma coisa.
Oliver só foi capaz de adormecer depois que ele mesmo falou com Della ao telefone, e depois falou com Josh e o fez prometer que não sairia do lado dela. A veemência de sua confiança em Josh era tocante, mas não irracional. Josh é a única figura paterna que Oliver realmente tem, sempre foi. Kylie nunca pôde ser acusado de ser um pai. Nunca.
Felizmente, Gen nos deixou em paz quando chegamos à sua casa. Ela não estava feliz que eu vim, mas ela não teve coragem de me pôr para fora. Enquanto ela foi até a cozinha e agarrou a primeira garrafa de bebida que encontrou, eu subi com Oliver e nos tranquei no quarto dele.
Dormir na cama pequena de criança, com um menino agitado foi difícil. Acordar com ele gritando com pesadelos duas vezes durante a noite tinha garantido de que não iria pegar no sono novamente. Eu abracei Oliver e fiquei observando sua respiração enquanto ele dormia, para me assegurar de que ele ficaria bem.
O dia já tinha clareado no céu e eu estava perdida em pensamentos sobre a vida de Gen e o que ela faria para consertar essa bagunça em que se tornou, quando eu finalmente adormeci. Parecia, na realidade, que eu tinha fechado meus olhos por meros segundos, mas o despertador na cabeceira de Oliver marcava dez e meia da manhã. Eu tinha dormido pelo menos três horas, o que não fez nada pelo meu cansaço emocional.
Bem, acordar com gritos também não.
Parecia que o inferno tinha baixado na casa enquanto eu dormia. Gen estava enfurecidamente gritando para alguém sair, e uma voz masculina retribuía os gritos dela com esbravejantes palavrões nem um pouco sutis, ou devidamente aceitáveis para uma casa onde morava uma criança. Ao mesmo tempo em que meu cérebro processava o que meu ouvido estava captando, me dei conta de que havia apenas uma pessoa em todo o mundo que fazia a minha irmã tocar o show do inferno tão bem: Seu ex-marido.
Eu amaldiçoei Kylie com cada maldito palavrão que encontrei, mas em voz alta eu apenas disse: — Merda!
Ao meu lado, Oliver e sentou na cama num rompante, antes de olhar perdido em todas as direções.
Eu afaguei sua cabeça e o puxei contra mim, antes de dizer suavemente: — Não é um pesadelo dessa vez.
— Porcaria — ele resmungou com uma pequena carranca. Ele tentava parecer bravo e corajoso, mas ele se achegou uma polegada mais perto de mim quando o barulho de algo quebrando soou estridentemente do lado de fora. Ele estava com medo, assim como eu.
Ficando fora de controle, as coisas do lado de fora estavam cada vez mais, e mais altas. Parecia que Gen estava arrastando os móveis da casa, havia um chiado barulhento de madeira escorregando na madeira que me fez pensar que ela estava movendo o raque da sala; e, por trás desse som, tinha também um persistente “ta-ta-ta” seco.
Merda. Porra. Foda-se.
Alguém estava acertando a porta da frente com um taco de baseball.
Não era bom.
Não era bom mesmo.
Eu me movi para os meus pés num segundo, e então me abaixei na frente de um Oliver cada vez mais aparentemente assustado.
— Querido, eu preciso que você faça um favor para mim, okay? — Oliver parecia um pouquinho vidrado, mas assentiu. — Fique aqui em cima, tranque a porta e não saia por nada, nada mesmo, até que eu venha busca-lo, certo?
— Vo-ocê vai lá em baixo? — Ele perguntou deixando o terror domina-lo por completo.
— Sim. E você vai ficar aqui e ligar para o tio Josh assim que eu for. Diga a ele o que está acontecendo. Preciso que você seja um menino corajoso agora. Eu tenho que ir lá embaixo ajudar a sua mãe, parece que o seu pai veio fazer uma visita — brinquei, mas era um humor inválido.
Oliver ainda parecia estar aterrorizado, mas juntou os punhos em um aperto firme e assentiu. Eu beijei sua cabeça e levantei indo em direção a porta. Quando minha mão tocou a maçaneta, Oliver me chamou.
— Amanda?
— Sim, querido?
— Tenha cuidado. O meu.. — ele engoliu seco, uma lágrima solitária correu por seu rosto — meu pai — sussurrou — ele é perigoso.
Eu puxei folego, engolindo um pouco de ar por cima da bola que tinha se instalado na minha garganta e falei, apesar do mal-estar que pesava no meu estômago. Forcei um sorriso amarelo que nem mesmo convenceu a mim, quando disse: — Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Tranque a porta e ligue para o tio Josh, nessa ordem.
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