Notas iniciais
It always have rains before rainbows

Capítulo 18

"Arco-íris"

Genevieve Lewis

♥

Honestamente, eu não sabia qual dos dois tinha me machucado mais com suas palavras, no entanto, eu entendia de onde vinha a raiva de Josh; a compreensão de Della é que não fazia nenhum sentido para mim, principalmente, não depois do que eu tinha feito ela passar ontem.

Eu havia erguido minhas barreiras tão alto depois do o pesadelo que foi o meu ex-marido que eu não tinha percebido que estava agindo diferente com todo mundo até Amanda apontar que eu estava sendo uma cadela odiosa.

E ela estava certa.

Nada estava errado na relação de Della com o meu filho, era a minha relação com ele que andava em cacos, e era mais fácil descontar isso em outra pessoa que em mim mesma, a única responsável.

A verdade absoluta era que eu estava com ciúmes. Mas eu não precisaria ter ciúmes de outra pessoa se eu simplesmente conseguisse encarar meu filho nos olhos e pedir perdão por toda a droga de infância que ele teve até agora. Perdão por ser fraca e não ter pedido ajuda para lidar com o pai dele; desculpa por não ter focado nele, nas necessidades dele, ao invés de pôr cada gota de força que eu ainda possuía no trabalho e numa boa garrafa de vinho, porque eu tinha pesadelos demais para dormir a noite sem estar bêbada.

Josh estava certo, eu tinha deixado isso acontecer Oliver. Eu deixei ele ver o lado feio do mundo até que a criança doce, que um dia ele foi, ser substituída por uma amarga, que achava que agir como um valentão era a única forma de sobreviver, e que tinha nos olhos o peso que nenhum menino da sua idade deveria ter.

Agora, mais uma vez, eu tinha colocado o meu menino na frente da porra da batalha que eu vinha travando com o seu pai; e, mais uma vez, eu não podia me fazer subir as escadas até o quarto dele e encara-lo.

— Genevieve — Della falou atrás de mim, misericordiosamente me tirando dos meus pensamentos —, olhe para mim — ela pediu, e eu apenas fiz, sem força de vontade para enfrentar até as pequenas coisas da vida e me sentindo mais vulnerável do que eu jamais me senti.

O rosto dela era composto metade por incerteza e metade por compaixão e, honestamente, eu não sabia o que esperar quando ela abriu a boca.

— Quando eu tinha a idade de Oliver, meu pai costumava bater e mim e na minha mãe — ela disse, me pegando completamente desprevenida. — Ele não tinha nenhuma razão, somente ser um bastardo doente. Foi assim por seis anos da minha vida. Estávamos presas, minha mãe fazia tudo o que podia por mim, e, apesar de hoje eu entender que haviam outros meios, naquela época ela pensava que não conseguiria sair sem meu pai matar a nós duas. Então ela ficou, temendo demais pelas nossas vidas para simplesmente deixa-lo, e a cada dia e momento que pôde, colocou seu corpo entre o meu pai e eu. Eu era uma criança, como Oliver é hoje, e eu jamais poderia olhar para minha mãe e culpa-la pelo que estava acontecendo com a gente, mas eu sabia que ela se culpava. Mais de uma vez, quando ela não conseguiu impedir que o meu pai chegasse até mim, ela sentou para tratar meus ferimentos com lágrimas torrenciais escorrendo pelo seu rosto. Até hoje eu consigo ouvir sua voz quando dizia: — Eu sinto muito, amorzinho. Sinto tanto. É tudo culpa minha. — e, apesar de a última parte ser mais um lamento para si mesma do que para mim, eu não podia deixar de ouvir e negar. Eu soube que não era culpa dela com cinco anos, da primeira vez que aconteceu; soube com seis, sete e todo o tempo até que eu tinha onze anos, quando ela morreu na minha frente, vítima fatal dos golpes do meu pai. — eu engasguei agora, sentindo minha garganta fechar com a emoção entupindo lá como um bloco de cimento.

Della parou um pouco, suspirou se recompondo das lembranças que eu podia ver passando por seus olhos. Eu queria abrir a boca, pedir desculpas pelo que a fiz passar ontem, pela forma que a tratei; dizer que sentia muito por sua mãe, mas eu só consegui soltar uma série de soluços incompreensíveis.

Ela colocou a mão no meu ombro, me parando de tentar.

— Está tudo bem, Genevieve. Eu não estou te contando isso para ganhar sua simpatia, apenas quero que você entenda que, por mais que você ache, as situações pelas quais você e Oliver passaram não foram culpa sua e que você não é fraca por ter passado por elas, ao contrário. Você nunca levantou a mão para o seu filho ou pediu para que aquele homem te batesse. Mas você sobreviveu a isso, você lutou de volta tirou ele de casa. Você é forte, Genevieve. Muito mais do que pensa. Então, se deixe chorar, lamente, mas no fim do dia se levante e se recomponha, tenha orgulho de si mesma, porque você venceu — enfatizou. — E, Gen, o menino lá em cima não te odeia, não te culpa. O que ele sente é saudade, porque você é tudo para ele, mas se foi, e ele não entende o que fez para causar isso. Então, vá lá em cima, beije-o, abrace-o, diga a ele que acabou, que ele não fez nada e que vocês dois continuam a ser uma família, porque isso é o que ele precisa e você também.

♥

Josh Bradshaw

Vergonha não chegava perto de definir como eu estava me sentindo agora. Eu fui para lá de insensível com Genevieve e não havia desculpas para isso. Literalmente pude ver a dor em seus olhos. Não quis culpa-la, não de propósito, mas queria que ela tivesse me contado, porque gostaria de ter resolvido isso antes. Oliver e ela são da família e deveríamos ter cuidado disso como uma família, juntos uns pelos outros.

A sensação pesada no meu estomago só ficava pior a cada vez que eu lembrava das palavras duras que eu tinha dito a Gen e de como eu falhei com ela. Deveria ter visto os sinais do que ela estava passando antes, percebido que havia mais por trás do seu divorcio, do comportamento do Oliver. Deveria tê-la abraçado, confortado, garantido que ela ficaria bem ao invés de jogar na cara dela coisas que ela não precisava ouvir depois de uma situação como essa. A violência domestica jamais é culpa da vítima. Jamais.

Mas Gen não foi a única pessoa que com quem eu falhei hoje.

Della já tinha passado por coisa suficiente ontem e hoje após a ligação de Oliver, a última coisa que ela precisava (e para ser honesto, eu também) era me ver perdendo todo o controle e tratando Gen como um bastardo.

Eu não conseguia nem encará-la com o peso da vergonha que eu sentia por minhas ações, não sabendo pelo que ela passou, não depois que ela se abriu comigo ontem.

Por isso, enquanto eu aguardava Genevieve ir falar com Oliver para então levá-la a delegacia e obter uma ordem de restrição contra o filho da puta que eu tinha espancado mais cedo, eu sentei no sofá e deixei minha cabeça cair nas minhas mãos tentando aliviar algum peso da minha consciência e falhando miseravelmente.

Durante um longo tempo, eu apenas fiquei assim, ouvindo o barulho distante de Amanda arrumando algumas coisas na cozinha, até que senti uma mão delicada pousar no meu ombro.

— Josh — Della chamou acima de mim. Eu não queria encará-la, então apenas balancei a cabeça. — Josh — ela insistiu — por favor, olhe para mim.

Eu não podia ignorar um pedido dela nem que eu quisesse muito. Deixei minhas mãos caírem e olhei para cima, encontrando seus olhos.

Della se abaixou, para que pudesse ficar a altura do meu rosto e falar em voz baixa.

— Hey, fale comigo.

Mais uma vez eu pude apenas balançar a cabeça negativamente, mal podendo encarar os olhos dela. Eu me sentia menos que um homem pela maneira que eu tratei Genevieve e não desejava que Della me visse dessa maneira. Eu a queria, mas ela merecia alguém que fosse melhor que isso.

— Josh — ela suspirou —, por favor.

— Eu não posso — admiti em uma voz apertada. — Eu não deveria ter falado...

♥

Della McKenna

Ele parecia tão absolutamente atormentado que era de partir o coração.

Eu queria fazer ele se sentir melhor. Josh é um bom homem, sua tormenta somente atestava isso. Sim, ele tinha errado com Gen, mas foi um descontrole honesto. Ele amava Oliver e amava Gen também, e eu sabia que ele faria a coisa certa a partir de agora, depois de pensar um pouco, quando sua cabeça estava estabelecida no lugar.

Eu estava agachada falando com ele, para que eu pudesse ver seus olhos quando eu disse:

— Shh — sussurrei, cortando sua fala. — Não, você não deveria — Apontei na minha voz mais suave, como fazia quando algumas crianças na minha classe estavam chateadas. — Mas você não é uma pessoa ruim por isso, Josh. Você a ama e se descontrolou com a má surpresa que foi essa situação. É compreensível. Você estava tentando fazer o melhor com o que tinha. Peça desculpa e ela irá entender, querido.

E então, antes de dar conta do que estava acontecendo, eu estava em seu colo e seus braços se apertaram a minha volta.

— Eu sinto tanto — ele disse em uma voz embargada quando enterrou a cabeça no meu pescoço.

— Eu sei, querido — garanti, tentado não ficar chocada com sua reação abrupta e quão natural ela foi. — Eu sei.

Ele me segurou assim até que Gen gritou das escadas que estava quase pronta para ir.

Josh suspirou profundamente e então se afastou e olhou para mim por um longo tempo antes de acariciar o meu rosto.

— Você quer ficar com Oliver e Amanda enquanto eu levo Gen à delegacia? — eu apenas sacudi a cabeça afirmativamente, meio perdida na profundidade do seu olhar e da forma como ele me segurava. — Okay. Eu vou levar você para casa quando eu voltar — ele disse e então deu um pequeno beijo no mesmo local que ele tinha beijado mais cedo, no carro; e então outro.

Ele estava tão perto da minha boca que eu podia sentir sua exalação lá. Eu queria que ele fosse em frente e acertasse meus lábios com o próximo beijo, mas então Oliver veio descendo as escadas gritando nossos nomes. Josh apenas teve tempo de puxa-lo para cima da pilha quando ele se jogou contra nós. Eu suspirei e deixei minha cabeça cair no peito dele, sentido ele vibrar com uma risada oculta enquanto Oliver se agarrava à gente.

Quando Gen finalmente desceu as escadas, Josh beijou minha cabeça e a de Oliver e se levantou nos deixando no sofá. Assim que estava de pé, ele foi até Gen e deu a ela um enorme abraço de urso. Colocando-a debaixo do seu queixo e contra seu peito, ele sussurrou uma série de palavras que só ela poderia ouvir, antes de se afastar e segurar seu rosto com as duas mãos.

— Você entendeu, menina? — ele perguntou, olhando enfaticamente nos olhos dela.

Gen sorriu, apesar de ter lágrimas não derramadas nos olhos.

— Sim, Josh. Eu entendi.

Mackenzie

Notas finais
Preciso desabafar: Não costumo pedir nada em troca de postar minhas histórias. Amo escrever e amo compartilhar isso com vocês, de verdade. Mas tenho me sentido bem frustrada ultimamente com a falta de comentários nas histórias. Minha vida está uma bagunça, e isso quer dizer que, cada vez que posto um cap novo, é porque, com muito sacrifício, eu arrumei um tempo para escrever e a única coisa que eu queria em troca era saber a opinião de vocês sobre ele, porque é importante para mim como autora e para o decorrer da história (preciso saber o que melhorar, sabe?). Dito isso, eu queria agradecer a todos os que não desistiram de mim ainda (principalmente você, Lucy ♥)!!! Amo todos vocês, até breve! P.s.: Não deixem de conferir minha nova história! Link no final do cap.