Teus Olhos Meus
7 VI — O Mundo Está Ao Contrário E Ninguém Reparou
Notas iniciais
Então Zé, eu não faço a mínima ideia do que está acontecendo com o Marcos. Esse mané está muito estranho desde o primeiro dia. Aposto que foi por ter batido a cabeça ao ser atropelado por aquele negrinho que nos da aula. Fazer o que né? Cada um com suas Nóia! Só quero meu primo de volta.
Falando nesse veado, ele está demorando muito pra chegar. Hoje vamos visitar um museu e ele ficou de passar aqui em casa pra irmos juntos de carro.
Olha lá quem vem todo se achando o príncipe da Sessão da Tarde.
— Fala seu veado, que demora é essa? — O estapeei no ombro — Estava depilando a perna querida?
— Claro, é assim que a sua namorada gosta. — Ele respondeu tirando sarro da minha cara.
— Não fala isso não que a Josi é moça de família e esperou esperar.
— Enquanto ela espera você já comeu metade das meninas da faculdade, não é mesmo?
— Ih, o que aconteceu que você está todo cheio de boiolagem hoje?
— Seu pai já está pronto?
— Claro né mano, quem está atrasado aqui é você.
Ele não respondeu. Isso me deixou com um circo de pulgas atrás da orelha. Marcos costuma não calar a boca.
Seguimos o caminho até a faculdade, local onde o ônibus iria partir e cumprimentamos todos os alunos que já haviam chegado. Faltava pouco para irmos, só havíamos de esperar o professo voltar da secretaria com os documentos necessários.
Marcos que não parava de bocejar colocou seus fones de ouvido e um óculos de sol e se apoiou em uma árvore.
Isso não podia ta acontecendo...
Tenho que conversar com esse mané, não acredito que ele está dando essa mancada.
Quando eu estava prestes a ir jogar um papo limpo com o malando, me aparece aquele escroto do professor de mineralogia junto do Reitor do nosso curso pedindo para que nós nos aglomerássemos para ouvir as recomendações.
Sim. Reitor e não Reitora. Essa aberração nasceu homem e SEMPRE vai ser homem.
Nasce mulher, não se torna mulher.
Enfim, fiquei ouvindo aquela baboseira dos dois e corri para o fundo do ônibus onde eu poderia curtir em paz sem aqueles chatos me ditando regras.
Porra!
A faculdade é pra ser uma fase de curtição.
Então bora curtir?
Bora.
Quando me acomodei e vi que meu primo havia sentado na frente, não entendi porque ele sentou lá na frente.
Só me faltava essa... Agora eu vi! Esse veado está chateado comigo com alguma coisa.
Aposto que é por não ter ajuda-lo no trabalho de Gaal, mas porra, eu estive muito ocupado. Uma gatinha do quinto período me mandou mensagem de última hora pra encontrar comigo em um bar universitário aqui perto, não podia perder essa oportunidade.
Deixa eu ir desembolar o assunto com esse cabaço logo.
Levantei-me pra ir até ele que até o momento estava sentado sozinho, mas Antônio o pediu licença e se acomodou a seu lado.
Eu não entendo o que esses dois tanto fuxicam.
Nunca vi isso, um cara com sangue europeu se misturando com esse povo de cor.
Aposto que está nessa veadagem com o professor pra conseguir um estágio... ainda mais que agora ele está tendo que fazer aquilo.
Já que não posso trocar uma ideia com meu próprio primo, deixa eu ir desembolar uma ideia com essa gatinha que acabou de sentar ao meu lado.
[...]
No zé, que demora de viagem foi essa?
Que merda viu.
O bom é que já consegui contato com mais gatinhas pra tirar uma rapidinha nos intervalos das aulas.
Agora eu vi!
Bem, deixa eu parar de reclamar e prestar atenção na explicação desse bostinha.
— Turma, existe sete andares no museu voltados para exposição de minerais, ta bom? E vocês terão acesso a quatro deles sem o meu acompanhamento, ou seja, poderão ir onde quiser. — Antônio disse.
Então porque você veio ô cabaço? Era só mandar a gente visitar aqui e depois fazer um relatório.
— Mas daqui exatamente duas horas e meia nos encontraremos no quarto andar, pois conseguir liberar a visitação pra vocês nas alas onde estão expostos os minerais mais raros e especiais do mundo.
Está vendo?! Meu primo só pode ta com interesse em um emprego. Esse professorzinho tem muita influência.
Uma aluna tirou uma dúvida com o professor enquanto os outros começaram a cochichar. Viu?! Ninguém está interessado nessa visita. Todo mundo só queria se reunir pra beber uma depois.
Como eu imaginei meu primo ficou babando o ovo do professor e do reitor de saias que acha que é mulher, e eu, sobrei gostoso. Vou ter que ficar coçando os cabelos do saco a manhã inteira.
Já que eu não tinha opção, comecei a andar por aquele corredor que parecia não ter fim. Qual é né mano? Tenho coisa mais importante pra fazer! Está tendo treino da Fórmula 1 agora! Eu podia estar em casa tomando uma, mas não, to aqui em um museu vendo um monte de pedra colorida que esses maconheiro de humanas usam no pescoço.
Alguns minutos mais tarde, estava tão entediado que me deu uma enorme vontade de mijar. Andei por vários corredores até achar um segurança que pode me informar onde era a merda do banheiro.
Pra minha sorte, havia um bebedouro perto dos sanitários e lá estava aquela loirinha que eu vim trocando uma ideia no ônibus.
Agora é a minha brecha.
— Carla? Pensei que você tinha ido com o resto da turma escutar as explicações do Antônio.
— Ah, eu já neste museu antes então conheço bastante.
— Bacana demais hein?
— E você o que ta fazendo aqui nos banheiros?
— Eu não preciso mais estudar já que tudo que eu preciso saber é a geografia do seu corpo, a historia dos seus olhos e a química dos nossos lábios.
Ela riu pelo canto da boca soltando um suspiro e depois de me encarar para uns três segundos olhou por cima dos meus ombros que naquele momento estava escorando na parede.
— Não vai dizer nada? — Questionei.
— Não. — Ela disse vindo em minha direção enfiando as mãos na minha camisa arranhando meu abdômen trincado.
Antes que ela pudesse tomar qualquer outra atitude, agarrei aquela mulher pelo cabelo e lacei um beijo quente e demorado.
Quando nos soltamos, pude ver em sua camisa o quão ela havia gostado pelo enrijecer de seus mamilos.
Olhei pelo corredor conferindo se havia algum funcionário e sussurrei em seu ouvido para esperar ali mesmo. Corri ao banheiro para ver se havia alguém e para minha sorte, não havia ninguém.
Fiquei me observando no espelho por um instante.
PORRA! EU SOU MUITO GOSTOSO!
Comecei a apertar meu sexo para que quando Carla o tocasse, ficasse encantada com o tamanho.
Quando fiquei meia bomba, conferi se havia camisinha na carteira e para meu asar, havia. Eu detesto essa merda. Meu sexo é grande e grosso demais para essas coisa e fica me incomodando. Fora que tira toda minha sensibilidade. Homem que é homem faz no pelo! Não sei o que deu nessa geração de mulher que além de ter medo de engravidar, tem de ser carimbada com AIDS ou outra DST. PORRA MEU! Esse treco não existe não, é tudo invenção da indústria farmacêutica pra vender remédio. E outra meu brother, engravidou? Só abortar.
Cheguei a porta do banheiro puxando com a mão minha camisa deixando a mostra meu abdômen, mas para minha surpresa, a piriguete da Carla havia vazado pra lá.
Puta que pariu.
Eu só arrumo fumo.
Juro pra vocês, naquele momento até pensei em ser fiel a minha namorada.
Quem essa mulherzinha pensa que é pra dar um fora em mim?
Mas de boa.
Bola pra frente.
Vou chorar por causa de buceta não.
O que mais tem nesse mundo é buceta, se não deu certo com uma, bora pra outra.
Se bem que parece que tem mais sapatão a que mulher de verdade no mercado. Nunca vi isso! Não sei como transam sendo que está faltando algo ali.
[...]
Já estava entediado o suficiente e então decidir ir pro local de encontro.
Chegando lá me deparei com algo que ia destruir com meu dia.
QUE PORRA É ESSA MARCOS?
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