Notas iniciais
"Se você conseguir entrar, então deve implorar para sair."

Amanda amava se olhar no espelho. Gostava de fazer isso todas as manhãs. Não era vulgar; apenas gostava de se admirar. Ela dizia que todas as pessoas deveriam fazer isso, suas almas seriam renovadas. E com essa filosofia ela decidiu romper as regras da sociedade.

Tony, seu namorado bad boy, já havia experimentado a prisão por três meses. Seu relacionamento com Amanda parecia ter o colocado num processo de mudança. Mas essa transformação não estava refletindo em sua aparência.

– Olha só o que eu tenho aqui. — disse Amanda balançando aquele chaveiro em uma de suas mãos.

– O que é isto? Vai nos trancar aqui no seu quarto?

– Claro que não, seu tolo. Eu peguei nas coisas da minha mãe. É a chave reserva da luxuosa casa dos Bakers.

– Está me convidando para um furto?

– Estou te convidando para um novo modelo de vida. A senhora Baker é dona das melhores roupas e jóias. Sua família está de férias. Então, pensei em passarmos por lá e experimentar um pouco da vida boa. Talvez transar bebendo um daqueles vinhos com pouco mais de cem anos.

– Gostei dessa ideia. Você vai usar as roupas da senhora Baker?

– Se você usar o terno do senhor Baker; ou aquele uniforme de futebol americano do filho dele... Podemos brincar de fanfiction da família Baker.

Tony gargalhou e deitou Amanda de forma forçada sobre a cama. Ele deitou sobre ela e a segurou pelos punhos.

– Vai me fazer de refém? — perguntou Amanda curtindo o momento, mas interpretando ser uma vítima virgem que só vemos em filmes trash adolescentes.

– Vou deixa-la escapar até a casa mais próxima e lá... Você vai conhecer o seu maior pesadelo.

– Ok, você falou sério demais, eu não gostei. — comentou Amanda levantando-se da cama.

Tony se manteve deitado:

– Fala sério, eu nem cheguei a tocar em você.

– Agora não; na casa dos Bakers. Anda logo, tenho muitas joias para experimentar.

Pilotando sua moto preta até a frente da casa da família Baker, Tony para a mesma próxima do meio fio e junto de Amanda, se aproximam da grande porta branca de entrada. A garota destranca a mesma e ambos entram. O grande salão de entrada só era visto em filmes de alto orçamento.

– Olha só para essas escadas. — comentou Amanda — Posso sentir o cheiro do luxo entrar nos meus pulmões.

– Sinto um cheiro azedo; não há nada de luxo aqui.

– Fecha a porta, vamos para o andar de cima. Quero conhecer os quarto da família.

– Vou dar uma olhada na cozinha. Te vejo lá em cima.

Amanda subiu as escadas rapidamente:

– Se achar bebidas sobe com algumas pra mim.

Tony começou pela prateleira de bebidas logo acima da pia.

Amanda entrou no quarto do adolescente Marcus Baker.

Tony puxou por uma garrafa de valor acima dos padrões aceitos pela sociedade.

Amanda abriu a gaveta do criado mudo ao lado da cama:

– Ah meu Deus. — disse ela pegando por uma revista pornográfica — Marcus Baker é gay!

Tony abriu a geladeira e pegou uma garrafa de uísque. Subiu as escadas até o primeiro quarto, onde viu Amanda segurar uma revista com muito cuidado.

– O que você está fazendo?

– Parece que Marcus, o talentoso atleta curte outros atletas.

– Larga isso; olha só o que tenho para nós!

Amanda colocou a revista no lugar e se aproximou do namorado:

– Vamos até o quarto principal, não quero beber sem antes colocar o meu figurino!

Quando ambos entraram no quarto do casal, Amanda foi em direção ao closet. Ao abri-lo, a música Girls Just want to have fun começou a tocar por todo ambiente.

– Que porra é essa? — perguntou Tony um pouco assustado, não sabendo de onde o som estava vindo.

– Ai meu Deus, que mágico! — falou Amanda toda animada, entrando no closet e se admirando com a variedade de sapatos, vestidos e tudo o que uma mulher poderia desejar.

Tony se jogou na cama do casal e Amanda pediu para ele avaliar as roupas que ela provaria. A garota estava sensualizando das melhores maneiras; em alguns momentos, era tudo tão ridículo, que ambos caiam na gargalhada. Amanda foi para o fundo do closet dizendo que iria usar somente mais um vestido.

A música foi parando gradativamente e a porta do closet, fechando-se automaticamente.

– Amanda... Vem logo. — chamou Tony.

– Espere mais um pouco, ainda não escolhi o vestido.

– A porta está se fechando, eu não consigo segurar... É automática.

Rapidamente, a garota ficou nervosa e voltou correndo. Por pouco, ela não ficara trancada lá dentro.

– Minha nossa, o que foi isso? — questionou Amanda surpresa.

– Quem colocaria um closet com porta temporizada?

– Que barulho foi esse? — perguntou Amanda, indo até a janela.

– O que foi?

– Mas que merda, corre para a porta dos fundos! — disse a garota desesperada — Eles voltaram.

– Eles quem?

– Os donos, seu idiota! Coloca essa garrafa na cozinha e vamos sair pela porta dos fundos, rápido!

Os dois desceram as escadas correndo e foram até a cozinha. Tony colocou a garrafa de volta no lugar e a porta dos fundos, era no mesmo cômodo. Mas a porta estava trancada.

– Cade a merda das chaves? — sussurrou Tony ainda mais nervoso.

– Eu esqueci na caixa de joias dentro do closet. — falou Amanda ficando em pânico, não acreditando ter cometido um erro tão primário.

– Você está de sacanagem, não está?

– Eu não vou fazer graça numa hora dessas! Quer me ajudar a pensar?

– Claro, nós podemos entrar dentro do vaso e dar descarga. — debochou Tony.

– Você não está me ajudando a pensar!

– O porão! Tem uma porta embaixo da escada!

Eles voltaram correndo e para a sorte do casal a porta que dava para o porão, não estava trancada. Assim que entraram, o senhor Baker abriu a porta da sala e entrou na casa ao lado do filho, Marcus Baker.

– Pai, vou tomar o meu banho. Que tal pedir uma pizza? — sugeriu Marcus.

– Não estou com fome, obrigado. Vou ajudar sua mãe com a bagagem extra.

– Vocês conseguem sozinhos?

– Mas é claro, pode se acomodar no seu quarto.

Amanda usou seu aparelho celular para iluminar o local completamente escuro. Havia uma longa escada para o porão.

– Não acredito que você nos colocou nessa situação. — sussurrou Tony — Temos que descer, deve haver outra saída.

– Eu não vou descer naquela escuridão. Não sei o que tem lá embaixo! — retrucou Amanda.

– Então você vai esperar eles abrirem a porta e ficar de cara com você? Temos que sair antes que a situação piore!

Mesmo distante, eles ouviram a senhora Baker dizer para o marido:

– Vamos colocar esse pacote no porão. De noite damos um rumo final nele.

Amanda entrou em nervosismo:

– Mas que droga, eu não vou descer. Acho melhor sairmos e contar a verdade.

Tony segurou fortemente no braço da namorada. Estava serio e ainda mais nervoso:

– Presta atenção, garota! Eu não vou pra cadeia novamente, você está ouvindo? Nós vamos descer e achar um lugar pra sair daqui.

– Você está machucando o meu braço, me solta!

Tony a soltou. Percebeu que estava ficando transtornado:

– Me desculpa. Eu estou nervoso, tá legal?

– Tudo bem. — disse Amanda tentando se acalmar — Vamos descer, rápido!

Do lado de fora, o senhor e a senhora Baker entram carregando algo enrolado num grande saco preto.

– Você poderia ter comprado algo mais leve. — comentou a mulher quase não conseguindo carregar.

– Ele estava em promoção, não poderia perder a oferta. Anda, vamos jogar no porão e depois terminamos o resto.

Quando Tony e Amanda chegaram no porão, se esconderam atrás de uma mesa coberta por vários objetos religiosos.

– Que porcarias são essas? — questionou Tony.

– Não encosta em nada disso, pode ser algum tipo de voodoo.

A porta do porão se abriu e a luz da sala iluminou a escada. O casal jogou aquele objeto não identificado envolvido por um saco preto escada abaixo. Ao vê-lo alcançar o chão, a senhora Baker disse:

– Vamos deixar para arrumá-lo pela manhã. Hoje merecemos um descanso.

– Será que quebrou? — perguntou o senhor Baker.

– Eu acho que não. É bem flexível.

O casal fechou a porta. O ambiente voltou a ficar escuro. Amanda manteve o celular ligado.

– Vai ver o que é aquilo. — disse ela.

– Eu não, vai você! — retrucou Tony.

– Esse papel é o seu, não o meu!

– Meu papel é nos tirar daqui.

– Mas para olhar o outro lado temos que passar por aquilo. Vai ver o que é, por favor?

Tony respirou fundo e com a luz de seu aparelho celular, se aproximou do grande embrulho jogado no chão.

– Tem alguma coisa vazando dele, mas não sei o que é. Parece óleo.

Amanda se aproximou lentamente:

– Dá licença, me deixe ver. Está com um cheiro horrível.

Ela se inclinou e ficou mais próxima do estranho objeto. Quando identificou o que era, agarrou o namorado e sussurrou repetidas vezes:

– Pelo amor de Deus, me tira daqui! Eu quero sair daqui, me tira daqui!

– Calma, calma! — dizia ele — O que foi que deu em você?

– Esse saco preto... É uma pessoa morta!

Notas finais
Esta história será dividida em três partes.Espero que tenham gostado da primeira.Deixe seu comentário.