Terror na Casa Maldita
2 Isolados
A bateria do aparelho celular não iria durar muito tempo. O sol estava dando lugar à lua. O nervosismo somente aumentava.
– Meu celular tem sinal. Acho melhor chamar a polícia. — comentou Amanda.
– E o que você vai dizer à eles? Que invadimos a casa de um casal assassino e agora estamos presos aqui dentro?
– Se ficarmos calados, podemos ser acusados de cumplicidade.
– Não temos nada haver com esta situação. Nós vamos sair e esquecer o que aconteceu aqui dentro.
– E qual é o seu plano?
– Vamos esperar todo mundo dormir.
– Eles vão acabar voltando para terminar o que começaram com este corpo! Não temos tempo. Eu vou ligar pra polícia, vai ser mais fácil.
– Se você ligar eu vou ficar muito furioso contigo! — alertou Tony.
– Pelo amor de Deus, seja racional só por um momento! Nós chamamos a polícia e quando eles chegarem aqui na casa, saímos correndo e gritando por socorro.
– Eles só podem entrar na casa com um mandato e com certeza, vão achar que nossa ligação é um trote.
– Minha mãe é uma das melhores corretoras da cidade. Basta eu dizer que sou filha dela e tudo ficará bem.
– Não Amanda, não é tão fácil assim; chamar a polícia vai nos entregar de bandeja para essa família maluca!
– Então me diz outra opção, porque eu não vejo mais nenhuma!
– Vamos esperar todos dormirem e sairemos normalmente.
– Você esqueceu que eu deixei a chave no closet? As portas estão trancadas, não temos como sair.
Um barulho forte no teto foi ouvido por eles. Era repetido. Alguém estava descendo as escadas.
– Droga, estão vindo... — sussurrou Amanda.
– Aquele armário ali no canto, entra nele. — avisou Tony.
– Mas e você?
– Eu vou ficar embaixo daquela mesa hospitalar, vai, entra rápido!
– Ele vai acabar te vendo ali.
– O lençol em cima da mesa vai me proteger, corre!
A porta se abriu. O homem desceu as escadas com cuidado e ligou o interruptor da luz que ficava na lateral esquerda da parede.
– Mas que bagunça. — comentou o senhor Baker para si mesmo.
Ele pegou o cadáver envolvido num grande saco preto e o colocou em cima daquela mesa hospitalar. Ao lado havia uma bandeja com vários utensílios cirúrgicos. Baker pegou por um bisturi e cortou o saco na vertical. O corpo ali presente era de um homem de aproximadamente trinta anos.
Embaixo da mesa, Tony tampava a própria boca com as mãos. Estava assustado e ofegante.
Baker cortou lentamente o estômago do cadáver e retirou um pequeno embrulho branco:
– Olá, queridinha. – disse ele sadicamente a deixando cair no chão.
Tony olhou o pequeno pacote no chão. As mãos do senhor Baker o pegaram. Por um momento Tony achou que seria visto e que sua vida terminaria ali mesmo.
Dentro do armário do outro lado do cômodo, Amanda observava tudo pela porta entreaberta. Um pequeno feixe de luz refletia a cena em seus olhos.
Baker costurou o estômago do homem e o deixou ali mesmo. Apagou a luz no interruptor e subiu as escadas. Ao fechar a porta tudo voltou a ficar escuro no porão.
– Tony... Tony! – chamou Amanda em sussurros, saindo do armário e se aproximando da mesa hospitalar, não suportando olhar para o cadáver ali em cima. Seu celular ainda era sua fonte de luz.
– Me ajuda aqui! – disse Tony tentando sair pelo outro lado.
Ambos ficam de pé ao lado da mesa:
– Você viu aquilo? Ele tirou um pacote de drogas do estômago deste homem.
– Nós temos que chamar a polícia, não podemos ficar esperando!
O braço esquerdo do suposto cadáver se esticou para fora da mesa e agarrou fortemente na blusa de Amanda. Tony percebeu que a namorada gritaria no susto e rapidamente, tampou sua boca. O homem ensanguentado na mesa murmurou por socorro.
Amanda deixou o celular cair no chão e o mesmo se quebrou, deixando de iluminar o local, ficando todo escuro.
– Tira essa mão de mim, ai meu Deus! – resmungou Amanda tomando coragem para segurar no braço da vítima e empurrá-lo para longe. Ela se afastou da mesa ao lado de Tony, que esbarrou em algo pontiagudo sobre uma segunda mesa ao lado, cortando a palma esquerda de sua mão.
A vítima recém “operada” começou a gritar por socorro. Sua aparência enferma não escondia seu sofrimento.
O barulho na escada se tornou mais forte. O senhor Baker estava voltando aflito com os gritos vindo do porão. Ele desceu as escadas portando uma pistola, ascendeu a luz e não hesitou em atirar na cabeça do homem.
– Mas que merda! – reclamou Baker incrédulo – Como ele resistiu por tanto tempo?
Mesmo espremidos, Tony e Amanda conseguiram se esconder dentro do armário. Baker deixou o porão às escuras com a sensação de que o dever estava cumprido.
O casal saiu do armário.
– Isso não pode estar acontecendo! – sussurrou Tony – É loucura, é insanidade...
– Eu vi algum tipo de lampião sobre a mesa, me ajude a procurar.
– Tenha cuidado, alguma coisa cortou minha mão quando fui me apoiar na mesa.
– Aqui, achei.
Amanda pressionou um botão e ascendeu por um lampião elétrico. Ergueu o mesmo na direção do teto. Precisava ter ciência do espaço que ocupava. Estava nervosa buscando por uma saída.
– Amanda, ilumine aqui, por favor. Quero ver meu ferimento.
Amanda seguiu o pedido de Tony, que procurou sobre a mesa o objeto que havia lhe causado tal dano.
– Veja isso! – disse Amanda – É um crucifixo sujo de sangue. O seu sangue.
– Tudo bem, eu não sei onde está meu celular, cadê o seu?
– Ali, bem no canto da mesa.
Tony pegou pelo aparelho que não funcionava.
– Tony, o que vamos fazer?
– Vamos achar o meu celular e chamar a polícia!
– Agora você quer chamar a polícia?
– Algum problema?
– Não, claro que não!
Os dois começaram a procurar pelo aparelho. Mas ele parecia ter desaparecido.
Quando Baker entrou no quarto, viu a esposa deitada na cama lendo um livro de romance.
– O que houve lá embaixo? – perguntou a senhora Baker.
– O palhaço ainda estava vivo. E olha só o que eu achei no chão. O celular dele. Mas está bloqueado com senha.
– Entregue para o Marcus que ele entende tudo de celular. Nosso filho é um prodígio nessa parte. Quem sabe ele não diz a verdadeira identidade daquele homem.
– Gostei da ideia. Vou fazer isso.
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