Terrible Lies
5 The Hood
Notas iniciais
– Mas que porra, Ollie? – Thea perguntou quando viu o que tinha acontecido.
Oliver abriu a boca para responder, mas John Diggle, seu parceiro, o chamou e fez sinal para que o seguisse. Ele olhou uma vez para Thea, que ainda o olhava incrédula, esperando uma resposta, e depois para Selina, que o olhava com as sobrancelhas franzidas.
Merda, foi tudo o que Oliver conseguiu pensar antes de seguir John.
– Eu vi o que você fez lá. – Diggle disse enquanto eles andavam cuidadosamente para os fundos do clube. – Sabe, nós sabemos que aquele cara é quem nós estávamos procurando, mas para elas duas vai parecer que você estava com ciúmes de Selina.
– Talvez tenha sido um pouco dos dois. Mas não se preocupe, eu me resolvo com elas mais tarde. – Oliver disse colocando a senha na porta secreta que os levaria para o subsolo.
– Você está gostando dessa garota, Oliver?
– Não. Bom, quero dizer, ela é bonita e legal, mas tem um mistério nela que me prende. É como se ela fosse um quebra cabeça que precisa ser montado. – Ele disse, por fim, chegando em sua “caverna”. – Agora vamos pegar aquele cara.
O cara em questão era Finn Marshall, Oliver estava a sua procura há alguns dias, porque Marshall o levaria até um grande traficante de drogas que aparecera em Starling alguns meses atrás, mas que já havia causado problemas em outras cidades.
– Felicity, você viu para onde ele foi? – Queen perguntou para a loira sentada em frente ao computador.
– Sim. Depois que você arremessou o pobre coitado como um dardo porque ele dançou com a sua garota, ele saiu do Verdant puto da vida. Estou usando as câmeras de segurança para o perseguir.
– Roy já está em posição? – Oliver pergunta, pegando seu traje e indo para o fundo da sala para vesti-lo.
– Sim. – A loira diz com o tom de voz alto, para que Queen pudesse escutar.
Depois que se vestiu, Oliver dirigiu-se para as escadas e começou a subir, mas parou na metade do caminho e virou-se para trás.
– Felicity, — Chamou, fazendo ela olhar para trás. – Selina ainda não é minha garota. – Ele esticou os lábios formando um meio sorriso e continuou a subir.
No andar de cima, Thea e Selina estavam sentadas nas cadeiras altas no bar, estavam bebendo e enquanto a primeira não parava de falar a segunda estava quieta, olhando para o nada.
– Sel, eu estou falando com você! – Thea disse acenando com uma das mãos na frente do rosto de Selina, a fazendo recuar um pouco para trás. – Em que está pensando?
– Em nada. Vem, vamos dançar. –Selina falou puxando Thea pelo punho e levando-a para a pista de dança.
A jovem Wayne não queria que sua amiga soubesse, mas ela pensava em Oliver, mas especificamente no que ele havia feito. Ela não sabia sobre a vida dupla que Queen levava, não sabia que o cara com quem ela dançava era perigoso, então, o motivo que o levou a fazer aquilo ainda eram desconhecidos. Mas ela iria descobrir.
As duas estavam dançando havia 40 minutos, mais ou menos, até que Thea saiu e foi até um garoto que não aparentava ter mais de 18 anos, e pegou algo com ele.
– Sel, você quer um desses? – Thea perguntou, esticando a mão e mostrando um comprimido rosa com uma carinha feliz.
– Não, obrigada. – Respondeu e fez sinal com a cabeça para que Thea olhasse Jack as vigiando. – O que aconteceu com aquela história de “meu irmão jamais deixaria que esse tipo de coisa acontecesse em um local que está sob seu nome”?
– Quando você ficou tão careta? – Queen falou e jogou o comprimido na boca. – E sobre o que eu disse ao seu pai, acho que como irmã do dono do clube eu tenho direito de fazer isso. Quando foi a última vez que você tomou um desses?
– Você sabe muito bem quando foi a última vez.
– Sim! – Thea falou com um enorme sorriso nos lábios. – Foi aquela vez que quase paramos no hospital, né? Loucura. Temos que fazer isso mais vezes.
– Nunca mais eu vou fazer algo parecido. Nunca mesmo. – Selina jurou e voltou a dançar.
Meia hora depois os efeitos da pílula que Thea tinha tomado surtiram efeito. Ela começou a pular e a rir inconsequentemente, sem contar os abraços que ela dava em pessoas aleatórias enquanto dizia que as amava. Selina não se preocupou pois sabia que era normal, ela mesma já o fizera umas boas vezes. Ela só se preocupou quando Thea escorregou e caiu no chão, e parecia que ela havia se machucado.
Jack correu para ajudá-la e Selina foi atrás, para dar auxilio.
– Vem, Thea, vamos embora. – Selina disse.
– Senhorita, não acho que seja seguro sair pela porta da frente, há muitos fotógrafos na entrada.
– Tem uma porta nos fundos. Naquela direção. – Com dificuldade, Thea conseguiu falar e apontar para a direção que estava a porta. – Mas eu não quero ir embora, quero ficar aqui com todas essas pessoas bonitas.
– Nós estamos indo embora. Jack, vá buscar o carro, nos encontramos nos fundos. – Selina ordenou.
Apoiada em Selina, Thea andava mancando. Ela tinha torcido o tornozelo. As duas se dirigiam lentamente para os fundos, e o caminho até lá parecia infinito, até que elas chegaram. A porta dava para um beco, o típico beco de filmes de terror, onde geralmente pessoas morriam. Mas estava tudo deserto, e não havia sinal de mais ninguém ali, nem de Jack com o carro.
– Vamos continuar andando até a beira da rua, para ficar mais fácil.
– Sel, eu te amo tanto... – Thea falou arrastando a voz.
Selina sorriu.
– Eu também te amo.
–...mesmo você sendo uma vadia que perdeu a virgindade com 15 anos. – Selina engoliu seco. – Espero que você e meu irmão deem certo, espero que ele não se importe com você não ser mais pura, se é que me entende.
Os olhos de Selina se encheram de água, estava prestes a chorar até que ouviu passos atrás delas. Virou sua cabeça para trás e se deparou com dois homens vestindo jeans e casacos de moletom de cores diferentes.
– Aonde as senhoritas estão indo? – O com moletom preto perguntou.
– Não deviam andar por aí sozinhas, ainda mais em um lugar como o Glades. Existem pessoas más por aí. – O da esquerda, que usava um moletom azul, disse e fez com que seu companheiro risse.
Eles foram se aproximando delas, e Selina não pode fazer nada, pois Thea estava fazendo peso em seu ombro.
– Quem são seus amigos? – Selina ouviu a menina pendurada em seu ombro perguntar, mas não respondeu. Na verdade, não teve a chance. O de casaco azul empurrou Thea para longe, a fazendo gritar, e um outro empurrou Selina até que ela ficasse contra a parede. Ele colocou seu braço sobre seu pescoço e apertou, na tentativa de fazer ela sufocar, mas, embora Selina estivesse levemente embriagada, conseguiu agir rápido. Ela levantou o joelho o fazendo acertar nas bolas do cara. Ele se contorceu e caiu no chão.
Com outro gesto rápido ela pegou um pedaço de madeira que havia no chão próximo a ela e se dirigiu para Thea, que estava indefesa. Selina ergueu os braços para pegar impulso e o fez colidir com as costas do homem. Este, por sua vez, não apresentou nenhum sinal de que havia se machucado, apenas se virou para trás, ficando cara a cara com Selina.
O outro, cujas bolas haviam sido acertadas, cercou Selina pelo outro lado, e agarrou seus braços, enquanto o de moletom azul levantava seu vestido.
Ela sabia o que iria acontecer.
Quando sua calcinha estava quase amostra, o homem que estava na sua frente foi atingido por um soco. Quem o fez? Um homem em um capuz verde escuro.
O cara que a segurava pelo braço foi arremessado para longe por outro cara de capuz, mas esse, por sua vez, usava um de cor vermelha.
Não precisou mais que isso para que os agressores de Selina e Thea corressem para longe sem nem sequer olharem para trás.
– Você está bem? – O homem no capuz verde perguntou, sua voz era extremamente grossa.
Selina não foi capaz de responder, apenas concordou com a cabeça. Ela desviou seu olhar para o chão atrás do encapuzado, onde Thea estava. Ela estava quase desacordada.
– Ela precisa ir a um hospital. Ela está com o tornozelo torcido. E ela... – Selina parou de falar. Não sabia se era seguro prosseguir.
– Ela o que? – A voz grossa a perguntou.
– Nós estávamos bebendo e ela tomou ecstasy. Não é uma boa combinação.
Não houve tempo para uma resposta, faróis do carro que buscaria Selina invadiram o beco deixando todos ali cegos por uns instantes.
– Senhorita, mil desculpas, mas o carro estava distante daqui, precisei ir andando e... – Jack falou saindo do carro e depois parando de se explicar quando viu Thea deitada no chão, agora desacordada.
O de capuz verde pegou Thea no colo e o de capuz vermelho abriu a porta na parte de trás do carro, para que seu parceiro pudesse colocar a menina lá dentro.
– Jack, está tudo bem, só entre no carro e nos leve para o hospital, Thea precisa urgentemente de cuidados médicos.
– Claro, senhorita.
– Eu queria agradecer vocês por... – Selina disse se virando para falar com os encapuzados que salvaram a vida dela e de Thea, mas ela só encontrou o beco deserto novamente.
***
O resto da madrugada foi longa. Selina estava no quarto do hospital com Thea, que estava ainda desacordada. Jack estava do lado de fora ligando para a família Queen para avisá-los sobre tudo.
Thea se encontrava deitada, com fios por todos os lados e sua melhor amiga estava sentada em uma cadeira próxima a cama, segurando sua mão.
– Selina! – Bruce entrou no quarto, estava usando um casaco preto com uma blusa branca por baixo e seus jeans escuros de sempre. Sua filha se levantou e foi abraça-lo. – Você está machucada? Alguém fez algo com você?
Ela sabia que se contasse o que realmente aconteceu seu pai poderia entrar em colapso, mas ela também sabia que não podia esconder uma coisa dessas dele.
– Ah meu Deus! Thea! – Moira Queen entrou no quarto seguida por Walter e Oliver.
Moira correu para perto da cama onde Thea estava e começou a acariciar sua cabeça ternamente.
– O que aconteceu? – Oliver perguntou a Selina.
Selina não respondeu. Ela precisava pensar sobre o que ela poderia contar. Um policial entrou no quarto. Aquele lugar estava ficando realmente cheio.
– Detetive Lance. – Oliver falou.
O detetive não respondeu. Nem sequer olhou para Oliver. Ele tem o mesmo sobrenome de Laurel, pensou Selina, deve ser um parente dela.
– Senhor Wayne eu sou o Detetive Lance e eu gostaria de fazer umas perguntas para sua filha. – Disse se dirigindo para Bruce e estendendo uma mão para cumprimenta-lo.
Wayne olhou para trás, a fim de uma resposta da filha que concordou com a cabeça. Selina seguiu Lance para fora do quarto.
– Senhorita Wayne, pode me contar o que aconteceu?
– Nós estávamos dançando no clube de Oliver, creio que o senhor saiba qual é – Selina disse, tentando ganhar tempo para pensar em alguma coisa. Lance concordou com a cabeça –, e Thea escorregou e caiu no chão, machucando o tornozelo e...
– Ótimo, duas menores em um clube noturno, aquele Queen sempre faz coisa errada. – O detetive interrompeu.
Selina o olhou, confusa.
– Como eu estava dizendo – Ela disse, ignorando o fato de que havia sido interrompida –, quando Thea caiu, eu fui ajudá-la e pedi para o meu guarda costas, que estava com a gente, pegar o carro e nos encontrar no beco atrás do clube, porque na entrada principal havia muitos fotógrafos...
– Já não basta o clube ser no Glades, ainda é preciso ter um beco atrás dele. – Lance a interrompeu, novamente.
– O senhor vai continuar tentando culpar Oliver por coisas idiotas ou vai me deixar terminar de contar o que aconteceu para que você faça seu trabalho? – Ela disse, já impaciente. Lance não respondeu, o que deu uma abertura para que ela continuasse a falar. – Quando chegamos no beco, meu guarda costas ainda não havia chegado e dois caras apareceram. Um veio para cima de mim e o outro foi para cima de Thea. Consegui me livrar do que estava me atacando e fui ajudar Thea, já que ela estava indefesa. Acertei o outro cara com um pedaço de madeira mas ele pareceu não sentir nada. Foi estranho, mas pelo menos ele saiu de cima de mim. E veio pra mim. Os dois vieram, na verdade. – Ela parou de falar, não só pra respirar um pouco, mas para olhar para seu pai que aparecera atrás de Lance. Sua expressão era claramente de preocupação e um pouco de culpa também.
– E depois, senhorita, o que aconteceu?
– Depois... – Selina respirou fundo, seus olhos se encheram d’água com as lembranças do que aconteceram. – Um me segurou pelos braços enquanto o outro veio pela minha frente e... – Ela olhou para seu pai de novo que agora também tinha os olhos cheios d’água. – E o da frente começou a subir meu vestido. Mas ele não conseguiu sentir nada demais porque um cara com um capuz verde e um outro com um capuz vermelho chegaram e tiraram os caras de lá.
– Você não tem nenhuma descrição dos homens que atacaram você e a senhorita Queen?
Ela negou com a cabeça.
– Bom, então, isso é tudo. Obrigado. – Lance saiu e deixou Wayne e filha sozinhos.
– Pai... – Ela começou, mas tudo o que ele fez foi ir a seu encontro e abraça-la o mais forte que pode.
– Eu prometo que nunca mais vou deixar nada parecido acontecer com você, minha pequena. – Jurou Bruce.
Fale com o autor